Resenha dupla: Ame o que é seu

“O tema deste livro deixa aquela pulga atrás da orelha, te faz imaginar como seria a vida se tivéssemos feitos outras escolhas. Esta é uma história para quem algum dia já se perguntou isso. Em Ame o que é seu o leitor encontrará a história de uma mulher (Ellen) dividida entre o amor real e aquele fatídico ‘E, se’.
O casamento de Ellen e Andy não parece perfeito, ele é perfeito. São inegáveis a profundidade da devoção mútua e o quanto um esperta o melhor do outro. Mas por obra do destino, certa tarde, Ellen revê Leo pela primeira vez em oito anos. Leo, aquele que partiu seu coração sem se explicar, aquele que ela não conseguiu esquecer. Quando o reaparecimento dele desperta sentimentos há muito adormecidos, Ellen se põe a questionar se sua vida atual é de fato como ela queria que fosse.” Fonte

Esta será uma resenha dupla. Os comentários da Lucy estão em marrom enquanto os da Karen estão em laranja.

Quando eu li o título “Ame o que é seu” pela primeira vez, eu pensei que fosse algum livro de auto-ajuda. Então eu reconheci o nome da autora Emily Giffin (O noivo da minha melhor amiga) e decidi arriscar, aproveitando aquela boa promoção de lançamento – sim, eu li o livro já tem um tempão e resolvi emprestar para a Karen depois de um tempo.

Pois é, a primeira vez que me deparei com o livro foi quando a Lucy me emprestou – essa pessoa no meio de uma viagem traz uma sacola com nada menos que CINCO livros, sendo dois de presente para minha pessoa e três emprestados (não é uma coisa linda e maravilhosa de amiga essa Lucy?). Um dos livros era “Ame o que é seu”. Eu não sou assim a pessoa mais chegada a romances, mas se a Lucy emprestou, eu tinha que ler! 

Ellen é uma jovem fotógrafa que vive com o marido Andy em Nova York. Os dois vivem um casamento perfeito – literalmente, até que, em um dia chuvoso, Ellie encontra Leo por acaso, depois de oito anos sem vê-lo.

Leo é o típico cara que que aparece na vida da gente e acende uma paixão avassaladora que vai nos consumindo, passamos a viver em função desse “amor” e esquecemos de tudo e de todos (até de nós mesmas), um furacão de emoções que quando parte deixa tudo devastado, principalmente nosso coração. Pois é, esse é o Leo.

Para mim esse tipo de paixão é uma droga. A gente só se ferra, só sofre. E foi exatamente isso que eu pensei quando me deparei com o Leo no livro. Então podem contar que, desde o começo, eu estava torcendo pelo Andy. Na verdade o único problema dele era ser rico. Gente, POR QUE em livros de romances femininos sempre sempre sempre o homem para ser perfeito tem que ser rico? Posso até parecer clichê, idealista e romântica (esse último algo que acho que não sou), mas um cara pode ser perfeito pelo que ele É, não por além de ser o que É, ser também RICO. Isso me irrita. O meu marido é perfeito e não é rico. Nós fazemos nossa vida perfeita juntos. Mas tudo bem, é uma revolta minha com os romances em geral, não apenas com esse.

Caras como Leo, no entanto, não impedem que a pessoa ame novamente, e Ellen ama seu marido, disso ela tem certeza. Mas agora que Leo reapareceu, os sentimentos de Ellen ficam confusos. De certo modo, ela nunca deixou de amá-lo, sem contar a atração que sentia. Mas e o amor que ela sente pelo Andy?

Ellen passa então a questionar sobre sua vida e seus sentimentos por Leo e Andy, se ela estava mesmo levando a vida que tinha sonhado, ou se tinha apenas se acomodado em uma relação “agradável”.

Gostei desse tema no livro, apesar das minhas reclamações (rs). Realmente, mesmo que você ame sua vida, você inevitavelmente em algum dia imagina como teria sido diferente se outros rumos fossem tomados… no amor, no trabalho, nas escolhas, enfim… Às vezes a gente fica no “e se?”. Mas certamente é melhor viver o presente. 

Não me decepcionei com o livro e gostei muito do final, não podia ser melhor. A leitura foi rápida, o que me surpreendeu, porque não é um assunto que eu costumo ler em pouco tempo. Adorei os personagens, principalmente a irmã de Ellen, Suzanne, que me surpreendeu no final. Também gostei da Margot, melhor amiga de Ellen e irmã de Andy. Mas confesso que ela me irritava, às vezes. Era aquela personagem melhor-amiga chiclete que faz tudo para influenciar nas escolhas da amiga. 

Concordo com a Lucy, a Suzanne é SENSACIONAL. Melhor personagem do livro na minha opinião. Mas não gostei da Margot – na verdade eu a detestei. Gostei do Andy e do Leo, mas nada assim amor arrebatado, apenas são personagens legais, interessantes e que no final – apesar da visão cheia de flores e espinhos da Ellen – são pessoas normais, com qualidades e defeitos. 

Ah, eu gostei do Leo, mas ele está longe de ser meu personagem favorito, assim como o Andy, que é cativante, não tão apaixonante quanto Leo, mas é impossível de não gostar.

Confesso me incomodava o modo como a Ellen fazia drama quando mencionava a mãe dela, sempre me pareceu um pouco exagerado, talvez porque não vi esse tipo de sentimento dramático em Suzanne. Ou talvez por Suzanne ter apenas outro ponto de vista. Eu acho que quem perde um dos pais, ou os dois, seja lá por qual motivo, sofre demais e leva isso para o resto da vida, mas o modo como a Ellen fez, ainda mais comparando as duas perdas (a da mãe e a do Leo), me pareceu forçado. 

Já eu entendo o drama de Ellen. Quando se passa pelo que Ellen passou com a mãe é meio difícil não “fazer esse drama”, mesmo que seja apenas em pensamento. Acho que cabe aqui dizer que as duas irmãs perderam a mãe precocemente, arrastada por um câncer fulminante. É um acontecimento que marca uma pessoa em definitivo; é como se fosse um muro enorme que divide a vida em dois pedaços – o antes e o depois da perda daquela pessoa. O diferencial aqui é que nós podíamos ler os pensamentos de Ellen – mas não os de Suzanne. Claro, as duas são personagens completamente diferentes, mas, com sinceridade, também acho que Suzanne tivesse ao menos parte daqueles pensamentos que a Ellen tinha no livro sobre esse assunto, apenas não eram verbalizados. Se a gente prestar atenção, a Ellen também não os verbalizava, nem para a irmã, somente para si mesma. Essas passagens, ao menos para mim, foram as mais marcantes, mais emocionantes.

Para falar a verdade, a única coisa que me irrita aqui é o fato de Ellen comparar as duas situações – a perda da mãe e a perda do Leo – como se fosse ambos dois muros que separavam sua vida em vidas diferentes. Não gostei dessa comparação, para mim isso não cabe de maneira alguma, chega a ser infantil e até idiota. Quando a Ellen fazia essas comparações e, principalmente, quando entrava no modo drama pelo Leo, drama pelo Andy, aí sim eu ficava irritada.

Eu devia ter previsto que esse chick-lit (na verdade está mais para romance do que chick-lit) não seria como os outros que são geralmente recheados com uma comédia romântica. Estou me acostumando aos poucos ao estilo da Emily Giffin e gostando muito.

Não conhecia Emily Giffin, mas gostei da minha primeira tentativa. Certamente que lerei mais obras da autora, mas também não posso dizer que tenha sido um dos meus livros favoritos. 

Ficha Técnica:

Título: Ame o que é seu
Autor: Emily Giffin
Editora: Novo Conceito
Páginas: 310
Onde comprar: Livraria Cultura 
Avaliação da Karen: 
Avaliação da Lucy: 

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  • Lany disse:

    Adorei essa resenha dupla! Ficou excelente meninas!^^
    Eu comprei dois livros da Emily Giffin porque ela veio na ultima Bienal que teve no Rio. Como ainda não conhecia a autora, foi um otimo momento para conhece-la e ainda por cima, ter o livro autografado!
    Comecei justamente por “Ame o que é seu”, e concordo com a Lucy: esse livro é mais romance do que chick-lit. E eu acabei sentindo falta de um lado mais comico da historia, mesmo essa não sendo uma caracteristica da Emily… Pode ser por isso que eu não tenha gostado tanto assim do livro! Ah, eu não me lembro muito do livro, mas eu acho que eu não gostei do final hahaha!
    Mas foi uma boa leitura e eu tenho um outro livro dela ja comprado para ler, na minha imensa lista de leitura rs!

  • Vania disse:

    Aeeee resenha dupla!! Eu só li um livro dela (O Noivo da Minha Melhor Amiga) e confesso que me decepcionei. Adicionando à isso o rolo em que ela comentou sobre uma resenha negativa que recebeu e que até seu marido entrou na parada ofendendo a menina que não gostou do livro, eu posso garantir com quase toda certeza que será muito difícil ler outro livro dela.

  • Márcia Costa disse:

    Eu tenho todos os livros da Emily, e certamente teria sido maravilhoso tê-la conhecido na Bienal. Infelizmente, não pude comparecer.
    Sobre seus livros, tenho TODOS, mas ainda não li esses dois: Uma prova de amor e Laços Inseparáveis.
    Sobre seu estilo e temática, me seduzem a cada página. Gosto como ela relata os sentimentos do personagem e também com o desonrolar dos fatos.
    Mas, de uma coisa eu tenho certeza. Pra ler seus livros, vc tem que “estar no clima” ou detalhes maravilhosos, não farão sentindo algum.

  • Fabiana Scola disse:

    Já livros com essa temática e é sempre muito bacana, pois na vida fazemos isso de ficar pensando “e se…”. Claro que dá uma ponta de curiosidade e até mesmo revolta, mas o certo é que NUNCA saberemos como seria se tivessemos tomado outro caminho. se a historia não se perder no caminho, tem tudo para ser super bacana

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