Resenha Dupla: Os Filhos de Anansi

Olá pequenas aranhas! Aqui é o Felipe e hoje vamos falar de Os Filhos de Anansi do queridinho Neil Gaiman. Esta é a primeira vez que leio algo do autor, apesar de já ter ouvido falar do mesmo (e quem não ouviu?), mas confesso que não me surpreendi nem vi tudo o que o povo fala do mesmo. Anansi entretém, é bom, mas se você espera algo épico ou vem com esse pré-conceito de que o autor é a última bolacha do pacote… este livro vai te decepcionar. Agora se você deixar esses pré-conceitos de lado, vai descobrir que Anansi é muito divertido.

Eu (Karen! Oi, eu também li esse livro!) já tinha lido outras obras do Gaiman. Obras MUITO boas, como Coraline e alguns contos, inclusive de Doctor Who (isso sem contar alguns episódios épicos que ele escreveu). Ou seja, gosto muito do autor e estava esperando um livro incrível, e vocês sabem aquela história de, quanto maiores as expectativas…

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“Charlie Nancy tem uma vida pacata e um emprego entediante em Londres. A pedido da noiva, ele concorda em convidar o pai para seu casamento e fazer uma tentativa de reaproximação, já que há vinte anos os dois não se falam. Enquanto isso, no palco de um karaokê na Flórida, o pai de Charlie tem um ataque cardíaco fulminante. A viagem de Charlie até os Estados Unidos para o funeral acaba se tornando a jornada de uma nova vida. Charlie não tinha ideia de que o pai era um deus. Menos ainda de que ele próprio tinha um irmão. Agora sua vida vai ficar mais interessante… e bem mais perigosa. Embrenhando-se no território de lendas e deuses pagãos, a poderosa narrativa de Neil Gaiman leva o leitor a mergulhar nessa história fantástica e bem-humorada sobre relações familiares, profecias terríveis, divindades vingativas e aves muito malignas.” Fonte:Skoob.

…maior é o tombo. E sim, eu me decepcionei.

Lembra aquele parente bizarro que você tem na sua família? Aquele tio tagarela, cantor de karaokê de quinta que se veste muito mal? Esse é o pai de Charlie Nancy o protagonista de Filhos de Anansi, carinhosamente apelidado pelo pai de “Fat Charlie”. Após a morte desse figuraço, Fat Charlie descobre que seu pai era um deus e que tem um irmão também deus. Em um momento de embriaguez Fat Charlie conversa com uma aranha e pede para que seu irmão – Spider – o visite, o que desencandeia uma série de péssimas decisões para nosso protagonista.

Conforme avançamos na história descobrimos que nada é como parece em Filhos de Anansi, o irmão de Charlie não é tão poderoso e esperto quanto aparenta, as vizinhas (e possíveis amantes) de seu pai podem ou não serem bruxas, o chefe de Charlie além de ser um porre, é um ladrão. E todos esses personagens te prendem no livro muito bem, cada um com sua própria história e também se entrelaçando com Charlie formando uma teia – há! – muito bacana. Bem, foi o que eu achei, e você, Karen?

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Foi mal, Felipe, mas não achei que os personagens foram tudo isso. Já vi personagens muito, mas muito mais envolventes criados por Gaiman. Em Filhos de Anansi, os personagens são rasos, exagerados, monótonos. Resumindo, é um bando de gente muito chata, e não consegui me apegar a absolutamente nenhum. Secretamente torcia para que todos se dessem muito mal só para acabar com o meu tédio. Na verdade, me senti como o Spider durante quase todo o livro: extremamente entediada.

As peripécias aprontadas pelo Sr. Nancy são sensacionais e memoráveis, dá pra sentir tanta vergonha quanto Charlie ao lê-las. Impossível não ser cativado por Spider, clássico garanhão e pilantra de última categoria enquanto ele devassa a vida de Charlie de ponta a ponta deixando o irmão maluco de raiva – a ponto de cometer uma grande bobagem.

Por que, em santa (ou deusa) consciência, o Spider quis roubar a vida de alguém tão sem graça como o Fat Charlie? A vida de deus deve ser muito chata para o Spider resolver tomar a vida do irmão mais sem sal do universo: o cara odeia o trabalho, a noiva dele dá sono e a sogra é uma peste. Tudo isso não me convenceu em Spider, que tinha tudo para ser bem divertido, mas acabou se mostrando uma enorme fraude.

Quando Charlie pede ajuda às vizinhas de seu pai para mandar o irmão embora da onde veio, e o subsequente acordo com um deus pássaro, chegamos no plot central do livro. Charlie precisa descobrir como reverter a burrada que fez, e entender a linhagem e os poderes de Anansi – seu pai. É muito bacana ver como o personagem cresce e ao jeito dele se torna um deus muito mais completo e poderoso que seu irmão. Isso foi bacana; Fat Charlie realmente cresce no livro, mas a questão é que ele demora muito, muito tempo, para isso, e por mais da metade da história é apenas arrastado pelos acontecimentos e jogado para lá e para cá feito uma bolinha de pingue-pongue. Até finalmente amadurecer, eu já tinha desistido de gostar dele. Só queria que tudo acabasse.

O folclore e o panteão criado por Gaiman são muitíssimo criativos, bem como os poderes dos descendentes de Anansi. Único ponto negativo do livro são algumas histórias de personagens que poderiam ter sido completamente descartadas ou resumidas, especificamente das personagens Rosie – a noiva de Charlie – e a Sra, Maeve uma cliente da empresa de Charlie. Entendo a importância e recorrência da noiva de Charlie, mas assim como o plot da Maeve, ela é bem chatinha.

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Filhos de Anansi é um romance que poderia ser fácil, fácil um mero conto. Talvez assim fosse engraçadinho. Desse jeito, foi apenas um romance exagerado, com piadas forçadas e personagens pouco carismáticos. A prosa de Neil Gaiman, é claro, está lá, fluida e competente, tanto que, apesar de tanto pontos fracos no livro, a narrativa me conduziu até o final, e isso é um mérito; talvez, se fosse outro autor, eu simplesmente tivesse abandonado o livro. Mas isso não muda o fato de que a obra me decepcionou por completo. Pareceu, por todo o livro, que Gaiman estava apenas se divertindo às custas do leitor, jogando na história acontecimentos absurdos, com explicações pouco convincentes e aceitações rápidas demais pelos personagens; todas esses fatores combinados levaram a uma trama em que é difícil acreditar e levar a sério (e mesmo as coisas engraçadas precisam ser levadas a sério, no sentido de que o leitor precisa acreditar que aquilo é possível). Tudo tem um ar etéreo de fantasia bizarra e só. Fiquei sinceramente deprimida ao ler esse livro, porque sei que o autor é capaz de criar histórias muito mais fantásticas e envolventes.

Esta edição possui uma capa bonita, está bem revisada e diagramada porém carece de alguns detalhes entre capítulos, uma divisão interessante, quem sabe uma imagem ou uma fonte diferenciada.

Resumindo: Filhos de Anansi é criativíssimo, entretém, é uma leitura gostosa (li em um dia!). Vai te capturar com certeza. Ou não.

Livro gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Intrínseca.

Ficha Técnica

Título: Filhos de Anansi
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 328
Onde comprar: SaraivaLivraria Cultura / Livraria Cultura (e-book)Amazon
Avaliação do Felipe: 
Avaliação da Karen: 

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  • Larissa Oliveira disse:

    Hahaha adorei ler essa resenha dupla. Fiquei me sentindo como se estivesse em um júri, tendo que decidir se o livro merecia ser lido ou não haha.
    Ainda não li Neil Gaiman, mas tenho muita vontade. Achei a premissa do livro interessante e a história parece ser bem criativa, bizarra, diferente… Fiquei curiosa!

  • Gustavo disse:

    Kkkk adorei a resenha, ri de me acabar com esse cabo de guerra “personagens ótimos/personagens rasos, livro ótimo/livro fraco” kkk foi uma disputa acirrada essa resenha, mas me agradou muito (e alegrou meu dia kk). Eu pretendo ler o livro porque a única coisa que li do Gaiman foi “O Oceano no fim do caminho”, e embora eu tenha Coraline (que ainda não li), quero muito ter mais obras dele. Mas com a decepção da Karen e o entusiasmo do Felipe eu vou com bastante cautela, mas ainda sim com expectativas com o livro. Amei a resenha *-*

  • Douglas Fernandes disse:

    Ola!
    tbm nao li nada do autor.. e conheço a fama, vejo muita gente falando bem dos livros dele…
    Essa resenha mostra que um livro pode agradar um leitor e deixar o outro decepcionado… hahahaha
    Vai demorar um pouco pra eu ler alguma obra dele, pq nao tenho nenhuma aqui comigo… 🙁

  • Melissa de Sá disse:

    Resenha de casal conflitante! hohohohohohoho

    Então, eu acho que o Neil Gaiman é O cara da fantasia psicológica (sim, eu inventei isso rs). Mas isso não quer dizer que tudo que ele escreva seja foda. Até porque ele é humana e até Stephen King tem seus maus momentos. A proposta desse livro não me atraiu muito, gosto mais quando ele vai pra coisas tipo Stardust e Coraline.

  • Top Ten Tuesday: Dez lançamentos de 2015 que eu queria ler, mas não li « Por Essas Páginas disse:

    […] Os filhos de Anansi, Neil Gaiman: Apesar de a Karen e o Felipe terem feito uma resenha um tanto desanimadora, ainda quero conferir Os filhos de Anansi. Mesmo porque, eu posso vir a […]

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