Resenha Dupla: Perdão, Leonard Peacock

A Lany leu esse livro no começo do ano e ficou meio que sem saber o que pensar sobre ele. Então eu li e sugeri que fizéssemos uma resenha dupla. O texto em azul é a Lucy e o em laranja é a Lany  (*acena*).

SPERDAON_LEONARD_PEACOCKinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto. Fonte

Depois de O Lado Bom da Vida, eu fiquei com expectativa sobre esse livro de Matthew Quick, então o adquiri assim que lançou, mas só consegui ler esse ano. Eu ia comprar na Bienal do ano passado, mas não fui na tarde de autógrafos dele e entrar no estande da Intrínseca era quase uma arena dos Jogos Vorazes. Acabei ganhando o livro esse ano! Nessa história, conhecemos Leonard Peacock, um jovem que sabemos que esconde um mistério e que só conseguiremos entender seu intuito.

Antes disso, porém, ele decide conversar com pessoas importantes para ele. A cada conversa, vemos Leonard hesitar em sua decisão para aquele dia. Mesmo assim, podemos observar que ele continua amargo e cria obstáculos para não pensar que valeria a pena seguir adiante com sua vida.

Minha teoria é a de que perdemos a capacidade de ser feliz à medida que envelhecemos.

Ao mesmo tempo, sabemos que existe um motivo para Leonard querer matar seu ex-melhor amigo. Conforme Leonard narra sua história, temos pequenas dicas. Confesso que matei a charada antes da metade do livro, mas a narrativa do Leonard nos faz querer seguir com o livro até o final, para saber qual será o seu destino.

Ser diferente é bom. Mas ser diferente é difícil.

Eu gostei do livro, mas eu acho que esperava mais. Não sei se é porque eu tento ser uma pessoa realista beirando ao otimismo, mas o discurso do Leonard era muito amargo e até cínico – e aqui não posso culpá-lo por isso. Vejam bem, ele tem uma família desestruturada, nem a própria mãe lembrou de seu aniversário, tem poucos amigos na escola e fora dela, além de algumas manias que soam como malucas para alguns. Isso o torna diferente, mas não necessariamente maluco, tanto que tinha momentos que eu queria abraçar o Leonard, mas ao mesmo tempo, ele merecia era umas palmadas e que alguém disse “acorda”!

Na verdade, histórias como a de Leonard nos fazem sair da nossa zona de conforto: nem todos tem uma família feliz (e mesmo a “família feliz” tem seus altos e baixos) e ainda podem sofrer na escola, serem traídos por aqueles que mais confiam… E o pior, ser desacreditado pela família e ainda ser apontado como “estranho”.

Até hoje, meses depois de ter lido esse livro, eu não sei o que realmente achar de Perdão, Leornard Peacock. Na verdade, eu li primeiro e eu deveria ter feito o post base para era resenha dupla, mas… Quando eu terminei o livro, eu falei com a Lucy: “Não dá, eu não consigo”. Porque se eu fosse fazer uma resenha sozinha ela consistiria da sinopse e reticências. Não sei se eu esperava muito porque, apesar de alguns probleminhas, eu AMEI “O Lado bom da Vida”. Matthew Quick escolheu um tema bem delicado para retratar e… Não é que ele não tenha se importado com o tema, mas não sei se ele fez uma pesquisa adequada sobre ele. O início do livro, com todo esse background que a Lucy explicou, foi bem desenvolvido. Mas os problemas começaram depois.

O que ajudava Leonard eram as “cartas do futuro”. Não sei se posso explicá-las aqui, por talvez ser um spoiler, mas você encontrarão cartas que mostram um “futuro” para Leonard. As cartas foram um ponto te originalidade que eu gostei no livro. Gostei também do professor do Leonard, Herr Silverman. Esse para mim foi o personagem que salvou o livro! Ele tem uma história de vida interessante e serve de inspiração para Leonard – não na ideia suicida, calma. Ele sabe como é ser diferente da maioria das pessoas e como “diferente” pode soar estranho, mas seu discurso, em vez de ser amargo como o de Leonard, é um incentivo para ficar e lutar por seu lugar no mundo.

Você é diferente. E eu sei como é difícil ser diferente. Mas também sei a arma poderosa que ser diferente pode vir a ser.

O final do livro deixa um pouco a desejar. Eu diria que é inconclusivo. Certo, mais ou menos. Não esperava um “final feliz” ou mesmo o “final trágico”, mas não sei. Acho que ficou entre os dois e isso foi estranho. Uma curiosidade: Em todos os capítulos temos notas de rodapés, do próprio Leonard. Como eu li no Kindle, não foi tão difícil acompanhar, mas não sei como as pessoas lidaram com elas. Bem, tinha nota de rodapé maior do que o próprio parágrafo em que ela aparecia, mas fazia parte da narrativa de Leonard e acabou que foi interessante. Eu gosto dessas notas de rodapé em que o personagem faz comentários sobre a sua narrativa. Eu tenho o livro em formato físico e não tive dificuldades para acompanhar. E eu me lembro de um caso em que a nota de rodapé começou em uma página e terminou na seguinte.

O meu maior problema com esse livro foi o final. Eu não consegui gostar mas eu também não achei tão ruim. O que realmente me incomodou foi que eu fiquei com a sensação de “Por que eu li isso? Qual foi o motivo?”. Para mim, o final foi sim inconclusivo. Okay, o autor não precisa fechar todos os pontos do enredo mas… Não sei. Talvez seja porque o autor tentou se aproximar da realidade e por isso ele não deu um final fechado. Mas eu não fiquei nem com aquela sensação de que os personagens tenham realmente crescido com a experiência. E essa sensação de vazio realmente me incomodou. Quando o livro é muito ruim, você pelo menos fica com raiva. Agora… sentir nada? É estranho. Muito estranho. 

Eu recomendo a leitura. Para alguns, como eu, vai fazer você sair da zona de conforto e lidar com uma realidade nua e crua, mas se querem saber a minha opinião, livros assim são necessários para nós. Exatamente por causa dessa opinião contraditória, eu também recomendo a leitura. Esse é aquele tipo de livro que é difícil chegar a um consenso…

Ficha técnica:

Nome: Perdão, Leonard Peacock
Autor: Matthew Quick
Páginas: 224
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book)Amazon
Avaliação da Lany: 
Avaliação da Lucy: 

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  • Fabiana Strehlow disse:

    Me …
    Já levei um choque ao ler a sinopse – que eu desconhecia totalmente.
    Mas, mesmo assim, após ler a resenha (dupla), não pretendo ler este livro.
    Pois ainda nem me refiz da leitura de O Lado Bom da Vida, em que eu fui com muita sede ao pote e quebrei o pote, rsrsrs…
    E assim, só posso concluir que Matthew Quick tem uma certa predileção por temas delicados.

    “Você é diferente. E eu sei como é difícil ser diferente. Mas também sei a arma poderosa que ser diferente pode vir a ser.”

  • Nayara disse:

    Olá!
    Nossa, li e reli várias vezes a sinopse. Acho que toda vez que entrava na página do livro em algum site de compras… Sempre ficava em dúvida, se comprava ou não… mas sempre optei por não comprar.
    A resenha foi muito boa! Acho que já tirou a minha dúvida… hahahaha.
    Livros sem final me dão uma depressão depois =(( Poxa! Pelo menos um finalzinho né? hehehehe.
    Agora, eu passo de vez esse livro… hahahaha
    Beijos

  • Renata Kerolin disse:

    Foi o primeiro livro que li esse ano, e a primeira leitura que fiz em um único dia. Foi um livro que me fez chorar e me fez crescer. Abriu meus olhos pra algumas coisas.
    Realmente não acho que seja um livro que agrade muita gente, mas é um dos meus favoritos.
    Não fiquei decepcionada com o final. Por tudo o que foi mostrado, acho que o final foi bem real…

  • Douglas Fernandes disse:

    Eu não li O lado bom da vida, só vi o filme, mas uma pessoa que eu conheci recentemente me perguntou se eu tinha lido e me indicou o livro e se ela indicou eu ja quero muito ler ♥.. parar de pensar nela né… hahahaha
    Pela sinopse eu fiquei muito interessado, com a resenha fiquei com um pé atras, mas mesmo assim a vontade de ler ainda é grande *-*

  • Francielle Alves disse:

    Eu estava louca para ler esse livro, mas depois dessa resenha me desanimou um pouco. Porém acho que ainda vou lê-lo assim mesmo, talvez seja só questão de opinião e eu goste…

  • Michele Lopez disse:

    Minha cabeça ficou meio confusa com a resenha dupla, pois esquecia quem estava escrevendo rsrsrs
    Não conhecia o livro nem o autor, mas confesso que fiquei bem intrigada com o livro e pretendo ler para ver se gosto.

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