Resenha dupla: Um Gato de rua chamado Bob

Eu, Karen, e a Lucy somos doidas por gatos. Super doidas. (Mas a Lucy é mais doida que eu, juro!) (Eu sou mesmo @_@). Então ficamos num dilema quando a Novo Conceito anunciou o lançamento do livro Um Gato de rua chamado Bob. Quem vai ler? Lucy vai ler? Karen vai ler? Acabou que as duas leram. E então temos novamente uma resenha dupla cheia de amor pelo livro e por esses felinos lindos… e pelo Bob, claro. Comentários da Karen em verde, comentários da Lucy em azul.

Aproveitem a resenha! Esperamos que gostem! Ele é o prêmio do nosso Top Comentarista de setembro!

Sinopse: “Quando James Bowen encontrou um gato ferido, enrolado no corredor de seu alojamento, ele não tinha ideia do quanto sua vida estava prestes a mudar. Bowen vivia nas ruas de Londres, lutando contra a dependência química de heroína, e a última coisa de que ele precisava era de um animal de estimação. No entanto, ele ajudou aquele inteligente gato de rua, a quem batizou de Bob (porque tinha acabado de assistir a Twin Peaks).

Depois de cuidar do gatinho e trazer-lhe a saúde de volta, James Bowen mandou-o embora imaginando que nunca mais o veria. Mas Bob tinha outras ideias. Logo os dois tornaram-se inseparáveis, e suas aventuras divertidas — e, algumas vezes, perigosas — iriam transformar suas vidas e curar, lentamente, as cicatrizes que cada um dos dois trazia de seus passados conturbados.

Um Gato de Rua Chamado Bob é uma história comovente e edificante que toca o coração de quem a lê.” Fonte

Li esse livro em dois dias. Na verdade, duas noites, porque geralmente leio só antes de dormir. Devorei o livro como se não houvesse amanhã e nem senti. Você vai virando as páginas com uma naturalidade tão grande que, quando percebe, já avançou mais da metade do livro. E aí você já está encantado com ele. E com Bob.

Eu tive um pequeno problema com a leitura. Amo gatos e adoro falar e ouvir sobre eles. Agora, ler livros sobre bichinhos é mais complicado. Eu sabia que ia gostar do livro, mas tinha bloqueio quando o pegava para ler, então cheguei a passar umas duas leituras (ou mais?) antes de lê-lo. Eu acho que tinha medo de que o gato morresse no final e eu caísse no choro. Por isso demoramos um pouco mais para postar a resenha. 

Na verdade, você se encanta por ele logo de cara (lógico), assim como James. Quem tem um bichinho sabe o quanto eles significam (eu agrego à família, ninguém me entende). Eles são nossos amigos, nossos companheiros. A gente realmente se apega e cria um carinho enorme, seja pelo gatinho ou pelo cachorro, passarinho, até peixe. Mas Bob teve um significado maior para James; como ele próprio afirma, o gatinho salvou sua vida.

Ninguém havia conversado comigo nas ruas próximas a meu apartamento em todos os meses em que eu vivera ali. Era estranho, mas também incrível. Era como se minha capa de invisibilidade de Harry Potter houvesse deslizado de meus ombros. Página 72.

Nós acompanhamos a história de James a partir do momento que ele conhece Bob. Nessa época, ele já tinha largado a heroína, mas estava passando pela fase de adaptação sem a droga, usando medicamentos. Havia um longo caminho a percorrer. James também estava trabalhando nas ruas, tocando, mas o trabalho de artista de rua, como ele explica, é bastante ingrato: sempre há gente de olho, querendo denunciá-lo por alguma coisa, o dinheiro varia e às vezes não é suficiente e, outras vezes, as pessoas nem olham na sua cara. Quando James encontrou Bob e cuidou dele, o gatinho se afeiçoou ao rapaz e logo o seguiu pelas ruas, passando os dias com o dono e atraindo público para ele. O próprio James conta que Bob o “humanizou”, por assim dizer: as pessoas que antes não olhavam para ele agora não somente olhavam, como conversavam e eram gentis, simpáticas.

De fato, Bob era um gato muito inteligente, aparentemente mais do que estamos acostumados a ver com um gato doméstico. Eu já tive gatos que me acompanhavam da porta de casa até a esquina da minha rua quando eu ia para o trabalho de ônibus, mas eles tinham medo da avenida, então voltavam para casa. Ainda hoje, minhas gatinhas me esperam na porta de casa. Bob se afeiçoou tanto com aquele homem que o ajudara e foi leal. Não foi James quem adotou o Bob, foi Bob quem adotou James e o tornou mais humano, porque ele próprio deu uma lição de amizade e companheirismo que nós humanos muitas vezes esquecemos. 

Ver-me com meu gato suavizou-me aos olhos das pessoas. Ele me humanizou. Especialmente depois de eu ter sido tão desumanizado. De certa forma, ele estava devolvendo minha identidade. Eu tinha sido uma não pessoa; e estava me tornando uma pessoa novamente. Página 84.

Bob foi responsável por uma enorme transformação na vida de James, que acompanhamos de perto em seu relato no livro. Ah, e devo dizer que, apesar de ser uma história real e um relato do autor, o livro em nenhum ponto é cansativo. Ele tem vários diálogos e flui deliciosamente. Fiquei completamente imersa na leitura. O livro é delicioso, de verdade, e nem é só porque eu amo gatos. Acredito de verdade que não só os amantes dos felinos ou de animais vão apreciar o livro; acima de tudo, o livro é sobre uma amizade verdadeira e comovente, sobre a jornada de um homem que reconstrói sua vida com a ajuda do seu grande amigo de quatro patas. E Bob é tão cativante, espirituoso e cheio de personalidade (é claro, ele é um gato! :D) que, de vez em quando, você vai se pegar pensando que ele é quase humano. E não é que ele parece? Tem um trecho incrível em que Bob vai fazer suas necessidades e, bem… leiam, é muito divertido!

Eu senti que James não tinha perspectivas muito grandes de melhorar, mas depois de ser adotado por Bob, ele sabia que precisava mudar, pelo próprio bem e pelo bem daquele ser que dependia dele. Ou talvez fosse James quem dependesse de Bob para se motivar. Uma parte do livro, inclusive, mostra um pouco o que o desespero de estar sozinho pode fazer com uma pessoa. Por um único momento do livro, James pensa em procurar droga, mas ele se segura, porque sabe que Bob precisa dele tanto quanto ele mesmo precisa do Bob.

Todo o livro é emocionante. Vale a pena para ler, reler, sentir, divertir-se e, talvez, até mesmo reencontrar a esperança. Se James, que chegou ao fundo do poço, conseguiu se erguer com a ajuda de seu amigo laranjinha, todo mundo consegue. É só trabalhar para isso, ter força de vontade e, algumas vezes, segurar na mão de um bom amigo. Ou na pata.

Eu confesso que fiquei com lágrimas nos olhos em alguns momentos, porque James conseguiu captar realmente o que sentimos quando temos um bichinho de estimação. Fiquei muito feliz por eles, embora a vida não tenha se tornado cor-de-rosa, não teve o famoso “viveram felizes para sempre”, porque, convenhamos, isso aqui é o mundo real, mas James deu uma guinada em sua vida graças ao seu gato. E Bob provou que os gatos não são traiçoeiros e que SIM, eles gostam dos donos, não ficam com ele apenas pela casa quentinha! Foi uma leitura suave, que fluiu perfeitamente. Quem ler vai gostar muito!

Livro gentilmente cedido em parceria para resenha pela Editora Novo Conceito.

Ficha Técnica

Título: Um Gato de rua chamado Bob
Autor: James Bowen
Editora: Novo Conceito
Páginas: 240
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) Amazon (e-book)
Avaliação da Karen
Avaliação da Lucy: 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  


  • Jullyane Prado disse:

    Esse livro deve ser muito emocionante mesmo!! Acho lindo histórias que envolvem bichinhos de estimação!!! Eles são tão fofos e nos mostram que apesar de irracionais eles possuem um carinho enorme pelo dono e é como vocês disseram, não é só em uma casinha quentinha que eles vão nos acompanhar, mas para onde vamos!! é por isso que tem um ditado: O cachorro (mas aqui é gato, rsrs) é o melhor amigo do homem!

  • Caroline Centeno disse:

    Sabe, sou apaixonada por livros e suspeita para falar de qualquer livro que tenha um animal de estimação porque até pelo livro me apego xD
    Não li esse livro ainda, já li várias resenhas e sei mais ou menos do que trato o livro, mas ainda sim irei comprar.
    Eu tenho nove gatinhos de estimação, são uns amores e cada um com uma personalidade. Nos momentos que tenho oportunidade de observar vejo que eles são tão companheiros como um cachorro(Os quais tenho também) e sinto um pouco de vergonha do ser humano por não entender um simples animal , mas se sentir o ser mais evoluído.
    Na minha casa não tem silêncio, tédio ou qualquer coisa do gênero porque tenho companheiros maravilhosos que me escolheram como dona e eu os aceitei.
    O mais importante é aceitar diferenças, estender a mão e ajudar o próximo quando ele estiver preparado. Simples que nem a frase ‘O mundo é simples o ser humano que complica’
    Adorei sua resenha bem humorada. ;D

  • Melissa de Sá disse:

    Ai que coisa linda, gente. Eu queria ter um gato, mas minha alergia não deixa. affe O livro parece ser ótimo. Li a orelha na livraria e gostei.

  • ana paula ramos disse:

    Eu gosto muito de bichinhos de estimação tbem, tinha vontade de ler o livro, mas não estava com muitas expectativas… sempre acho tbem que o bichinho vai morrer, e eu quase morro de dó, achava que seria só mais uma historia triste….
    fiquei mais animada em saber que é emocionante, pode fazer chorar, mas uma historia de motivação e amizades!!!! Bom saber tbem que não é tão irreal e que fala mais da realidade da nossa vida, sem os finais eternos felizes….
    muito legal meninas

    bjos

  • Lucas Grima disse:

    Ahhh, que gracinha. Confesso que nunca li nada de bichinhos de estimação, nem “Marley & Eu” li. Espero ler em breve porque eu amei o filme, achei super divertido. Não sou muito fã de gatos, mais virei do Bob. Ganhei este livro de uma pessoa muito querida, mais ainda não li.

  • Michelle Agda disse:

    Não sou muito fã de gatos (prefiro cãezinhos) mas tenho que admitir que essa vai ser a história mais emocionante que vou ler!
    Não é todo dia que encontramos pessoas com um bom coração que simplesmente acha um bichinho abandonado e decide adotá-lo…

  • Rita Cruz disse:

    Eu adoro animais, mas confesso que não sou muito fã de gatos.
    Após conhecer a história do livro e descobrir que é verídica eu me interessei pela obra. Sem falar que também trata de um tema social como as drogas. É interessante ver como o amor, mesmo que proveniente de um animal, é capaz de mudar a vida de um ser humano.

  • Karen Araki disse:

    Os Animais são seres muito especiais, já vi vários casos de bobs( gatos, cachorros até mesmo um jabuti muito carinhoso que gostava de ver novela com a dona). Alguns meses atrás eu vi um caso( que foi noticiado na internet) de 1 casal de moradores de ruas que eram alcoólatras eles haviam adotado uma cachorrinha e essa cachorrinha tinha se apegado tanto a eles, que toda vez que eles iam beber ela escondia as garrafas de cachaça, eles vendo que ela só queria o bem para eles decidiram procurar ajuda e se internaram em uma clínica, só que a clínica não aceitava animais, eles pensaram em desistir pois não queriam ficar longe da cachorrinha deles. Então a clínica decidiu que eles poderia receber a visita da cachorra deles 1 vez por dia, só que ao longo do tratamento a clínica deixou a cachorrinha visitar os donos dentro das da clínica e os próprios funcionários da clínica decidiram cuidar da cachorrinha enquanto os donos estivessem em tratamento. Muito bonita a resenha.

  • Ana Paula Candido da Silva disse:

    Esse gato é muito fofo e está muito famoso

  • Top Ten Tuesday: Dez coisas que eu gostaria de ver em um livro « Por Essas Páginas disse:

    […] mais desses lindos bichinhos nos livros. Não é de surpreender que eu tenha me apaixonado por Um Gato de Rua Chamado Bob e que esteja lendo no momento O Mundo pelos Olhos de Bob, […]

  • Resenha: O Mundo pelos Olhos de Bob « Por Essas Páginas disse:

    […] mim, foi um ótimo presente da Editora Novo Conceito. Eu fiquei apaixonada pelo primeiro livro: Um gato de rua chamado Bob. E realmente é um livro apaixonante: já emprestei para algumas pessoas lerem e todo mundo – […]

  • Top Ten Tuesday: Dez personagens que eu queria comigo em uma ilha deserta « Por Essas Páginas disse:

    […] Bob (Um gato de rua chamado Bob) […]

  • Top Ten Tuesday: Dez livros que gostei, mas não lerei de novo « Por Essas Páginas disse:

    […] bonitinha, mas não tão atraente para me fazer querer ler novamente. Então, não vai rolar. Temos resenha dupla […]

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem