Resenha: Emma (Jane Austen)

Jane Austen certa vez disse que Emma seria “uma heroína que ninguém além de mim mesma irá gostar muito“. Mesmo tendo Miss Austen como uma de minhas heroínas, é completamente impossível concordar com esse seu pensamento. Emma foi a penúltima das obras completas de Jane Austen que li, e imediatamente tornou-se meu favorito (sim, superando até mesmo Orgulho & Preconceito).

Emma Woodhouse mora em Highbury com seu pai, e ao contrário das outras heroínas de Austen, é rica e uma das primeiras em consequência na vizinhança. Sua irmã mais velha – Isabella – casou-se com John Knightley. George Knightley – ou Mr. Knightley, como todos se referem a ele durante a história – mora em Donwell Abbey e é um amigo íntimo dos Woodhouses e tão ou mais rico que eles. Highbury é uma cidade pequena, onde pouca coisa acontece e portanto, as notícias espalham-se rapidamente. E é em um evento importante que nossa história começa: o casamento de Miss Taylor – governanta de Emma – com Mr. Weston. Agora, nossa Emma acha que consegue ler as pessoas e entende de seus assuntos do coração mais do que elas próprias, e por isso julga que a união entre Mr. Weston e a nova Mrs. Weston não teria ocorrido sem sua interferência e considera essa a maior realização dos seus vinte anos de vida. Sabendo que por conta de seu hobby casamenteiro ela não teria mais sua amiga inseparável a seu dispor, Emma decide “adotar” Harriet Smith como sua amiga particular. Harriet é a filha bastarda de “ninguém sabe quem”, e mora na escola de Highbury. Ela é uma garota simples, humilde e não muito esperta, mas que sabe que não vai se casar com ninguém importante devido às suas circunstâncias familiares. No verão anterior, Harriet atraiu a atenção de Robert Martin, fazendeiro e irmão de duas de suas amigas do colégio; mas Emma tem outros planos para sua amiga particular, planos que envolvem Mr. Elton, o vigário de Highbury. O que Emma não consegue enxergar é que o interesse de Mr. Elton foi capturado por seu desejo de ascender socialmente e que seus planos não envolvem Harriet Smith.

Enquanto Emma lida com seus enganos nos assuntos do coração, Highbury torna-se um lugar mais interessante com a chegada de dois novos personagens: Jane Fairfax, a órfã que teve a sorte de ser criada pelos Campbells e está de volta à casa da tia para o último verão antes de se instalar como governanta; e Frank Churchill, o filho de Mr. Weston que foi criado por sua tia milionária após a morte de sua mãe. Temos então de um lado os Westons torcendo para uma ligação entre Frank Churchill e Emma, e do outro lado Mr. Knightley, que não confia no jovem rapaz e não gosta nem um pouco das atenções que ele dedica à Emma (e vice-versa).

O que eu acho mais interessante em Emma – além do fato da Emma ser completamente sem noção – é que quando se lê pela primeira vez, nós somos levados a pensar que ela está realmente certa em todas as suas hipóteses românticas. Sempre que releio o livro – ou assisto à série – me pego sorrindo em partes aleatórias por saber a resolução de todas as histórias, todos os pares românticos e destinos desses personagens tão queridos. Jane Austen pode ter realmente acreditado que ninguém gostaria de Emma, e acredito existam pessoas que desprezam Miss Woodhouse, mas eu definitivamente não sou uma delas. Emma pode ser ingênua, vaidosa, mimada e se achar a dona da verdade, mas ela tem um bom coração e é maravilhoso ver seu crescimento no decorrer do livro. Além disso, esta é a única obra de Jane Austen cujo nome da personagem principal dá nome ao livro, o que me leva a acreditar que Emma era a preferida de Miss Austen!

Emma tem diversas adaptações televisivas e cinematográficas, sendo a mais antiga de 1972, e a mais recente de 2009. O filme As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless) com Alicia Silverstone também é baseado em Emma. Mas sua adaptação mais famosa talvez seja a de 1996, estrelando Gwyneth Paltrow como Emma Woodhouse e Ewan McGregor como Frank Churchill. Também em 1996 Kate Beckinsale deu vida à Emma na versão da ITV. Embora todas essas versões tenham seus méritos, para mim nenhuma se compara à da BBC de 2009, com Romola Garai interpretando Emma com perfeição! Em breve prometo escrever uma resenha comentando essa adaptação específica que não me canso de ver, da mesma maneira que não me canso de viajar nas páginas do livro.

Ficha técnica:
Livro: Emma
Autor: Jane Austen
Páginas: 608
Onde comprar: Livraria Cultura
Minha avaliação:

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  • Carolina disse:

    Bom dia Vania, tudo bem?
    Nossa, eu amo Jane Austen, e apesar de gostar bastante de “Emma”, “Orgulho e Preconceito” ainda é o meu favorito rs

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  • Lucy disse:

    Menina, eu tenho que ler Emma. Uma amiga minha disse que é o livro menos preferido de Jane Austen, mas toda vez que falam de Emma eu lembro de vc e de como vc gosta dela! hahaha
    E só de pensar que ela é sem noção, eu tenho a impressão de que eu ia gostar bastante. \o/

    Bjos bjos!

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  • Alexandra disse:

    Amo Emma ela incrivelmente perdida em suas próprias opinióes, tem caracteristicas marcantes e uma personalidade única, gosto mt de jane Austen

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  • Adaptações: Orgulho e Preconceito « Por Essas Páginas disse:

    […] e Preconceito – talvez juntamente com Emma – é o livro de Jane Austen que foi mais adaptado para TV, Cinema e Teatro. A primeira vez que a […]

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