Resenha Especial: Harry Potter e o Cálice de Fogo

Depois das lindas resenhas de Pedra Filosofal, Câmara Secreta, e Prisioneiro de Azkaban feitas pela Lucy, Karen e Lany respectivamente, a responsabilidade para demonstrar com clareza a minha visão sobre Harry Potter e o Cálice de Fogo é enorme. Eu entrei no Expresso de Hogwarts apenas em 2004, quando ele já estava quase chegando ao seu destino final, mas nem por isso deixou de ser uma jornada encantadora, cheia de amizades formadas e mantidas, memórias preciosas, e alegrias que continuam se multiplicando. Embora eu não consiga escolher um volume favorito dentre os sete disponíveis, tenho que admitir que Cálice de Fogo tem um lugar muito especial no meu coração por ele dar um pouco de luz à um personagem da Lufa-Lufa. Helga certamente teria muito orgulho de nosso Cedric Diggory!

HP4Nesta aventura, o feiticeiro cresceu e está com 14 anos. O início do ano letivo de Harry Potter reserva muitas emoções, mágicas, e acontecimentos inesperados, além de um novo torneio em que os alunos de Hogwarts terão de demonstrar todas as habilidade mágicas e não-mágicas que vêm adquirindo ao longo de suas vidas. Harry é escolhido pelo Cálice de Fogo para competir como um dos campeões de Hogwarts, tendo ao lado seus fiéis amigos. Muitos desafios, feitiços, poções e confusões estão reservados para Harry. Além disso, ele terá que lidar ainda com os problemas comuns da adolescência – amor, amizade, aceitação e rejeição. Fonte

Harry Potter e o Cálice de Fogo é, ao mesmo tempo, um retorno ao primeiro livro da série e uma quebra com a narrativa à qual estávamos acostumados. Nada mudou drasticamente, mas em Cálice nós podemos ver um amadurecimento tanto dos personagens quanto da escrita de J.K. Rowling. Desde seu primeiro ano em Hogwarts Harry se vê frente a frente com situações perigosas, mas em Cálice de Fogo há uma certa urgência que eu não havia sentido nos livros anteriores: além de termos vários indícios de que Lord Voldemort está prestes a voltar, dessa vez tudo nos leva a acreditar que o inimigo está novamente do lado dentro, infiltrado em Hogwarts. O livro inteiro é uma prévia das difíceis tarefas que Harry e o mundo bruxo terão que enfrentar nos anos seguintes, e o primeiro capítulo já nos dá um gostinho do que está por vir.

calice_2De volta à Rua dos Alfeneiros número 4 para as férias de verão, Harry tem um sonho bastante real com Lord Voldemort, e sua cicatriz volta a doer. Mas Harry não tem muito tempo para refletir sobre o acontecido: os Weasleys logo aparecem e o levam para a Copa Mundial de Quadribol. Após uma vitória histórica da Irlanda (mas foi Krum que pegou o pomo de ouro!), há um tumulto causado pelos Comensais da Morte – seguidores de Voldemort – no qual trouxas são humilhados, e a Marca Negra é projetada no céu pela primeira vez em 13 anos.

É em meio a essa confusão no mundo bruxo que Harry, Ron e Hermione voltam à Hogwarts para descobrir que seu ano letivo acabou de ficar mais interessante: a escola será a anfitriã do Torneio Tribruxo, uma competição entre as três grandes escolas de magia e bruxaria da Europa: Beauxbatons, Durmstrang e Hogwarts, que consiste em completar três tarefas extremamente arriscadas. Apesar de alunos menores de 17 anos não poderem se inscrever no Torneio e apenas um campeão por escola ser permitido, Harry é escolhido como o quarto representante na competição. Isso não agrada ninguém mas todos os alunos cujos nomes foram expelidos pelo Cálice de Fogo têm a obrigação de competir, e com Harry não é diferente. Enquanto Hogwarts se divide entre seus dois campeões, nós somos deixados com as perguntas cruciais: quem colocou o nome de Harry no Cálice, e por quê?

HP4_ukUma das coisas que eu mais gostei em Cálice de Fogo foi o desenvolvimento das personagens e seus relacionamentos, começando por Ron e Harry. Desde o começo a dinâmica entre os dois é muito interessante, com Harry sendo o garoto rico e sem família e Ron o garoto pobre, com uma família enorme na qual ele encontra dificuldade em brilhar; um desejando ter parte do que o outro tem. Ron, que sempre viveu à sombra dos irmãos, chega em Hogwarts para viver à sombra do melhor amigo; é claro que ele faz muitas coisas, traça seu próprio caminho. Ser o melhor amigo de Harry Potter tem seu preço, e Ron sempre tentou levar isso numa boa, mas em Cálice de Fogo as coisas mudam, e os dois brigam feio pela primeira vez. Um paralelo entre o que leva à briga entre Harry e Ron pode ser encontrado na diferença de tratamento pela mídia entre Harry e Cedric Diggory, que também representa Hogwarts no Torneio Tribruxo. Como o pai de Cedric é rápido em apontar antes da última tarefa, o Profeta Diário ignora Cedric e dá a entender que Harry é o único campeão de Hogwarts. De uma forma ou de outra, não importa se você está a favor ou contra Harry Potter; assim como a vida não é fácil para nosso melhor amigo, ela também é complicada para aqueles que estão ao seu redor.

O relacionamento entre Harry e Sirius também merece destaque: em Prisioneiro de Azkaban ao descobrir que seu padrinho nunca traiu seus pais e não estava tentando matá-lo, Harry experimenta alguns minutos de alegria quando Sirius o convida para morar com ele. Tudo vai por água abaixo quando Rabicho escapa e Sirius tem que fugir novamente, mas o laço criado pelos dois naquele momento só cresce no quarto livro. Harry passa a ver Sirius como a figura paterna que nunca teve, sempre recorrendo a ele quando se sente sozinho e sem ninguém para tirar suas dúvidas ou acalmar sua mente.

HP4_uk_childrenOutro fator interessante no quarto livro da série é que o elemento externo passa a ter uma ênfase maior: nós podemos ver com mais clareza como são as coisas no mundo bruxo. Temos a Copa Mundial de Quadribol, na qual nós vimos bruxos de diversas nacionalidades unidos por uma única paixão; temos Beauxbatons e Durmstrang e seus campeões que acabam tendo um papel indispensável na história; e temos a maravilhosa e odiável Rita Skeeter como nossa conexão com o mundo jornalístico e as mentiras por ele perpetradas. Se durante os três primeiros livros nós somos apresentados à Hogwarts – que se torna nossa casa, nossa porto seguro – Cálice de Fogo é o terreno para uma expansão maior que teremos nos livros seguintes e ao mesmo tempo que satifaz nosso apetite, nos deixa com um gostinho de quero mais.

E como falar de Cálice de Fogo sem falar de romance? Porque sim, meus amigos, como se não bastasse tudo com o que ele tem que lidar, Harry Potter ainda se vê apaixonado, e é bem divertido ler como ele lida com a situação. Também foi aqui que eu tive meu “momento a-ha” e me tornei uma shipper* pela primeira vez, embora não soubesse então o que o termo significava. Minha paixão e convicção pelos sentimentos mútuos nutridos por Ron e Hermione pode não ter sido o que me levou a adentrar o mundo obscuro do fandom, mas certamente foi o que me manteve lá por muito tempo, e até mesmo hoje quando tudo foi dito e feito (de uma maneira ou outra), se alguém me fala que não gosta de Ron/Hermione, me desculpem, mas eu julgo, e julgo muito.

Como já foi dito diversas vezes nesse especial, é muito difícil falar sobre algo que nós amamos tanto, e expressar o que essa obra significa para mim é praticamente impossível. Cálice de Fogo é apenas um capítulo na história de Harry Potter, um que não faz sentido sem os anteriores e que pega nossas mãos e nos guia com firmeza para o futuro. Para mim, esse volume é o epítome do que a série significa: nossas diferenças devem ser celebradas, e elas não são nada “se os nossos objetivos forem os mesmos e os nossos corações forem receptivos.”

HP4_vania

Ficha técnica:


Título: 
Harry Potter e o Cálice de Fogo
Autor: 
J. K. Rowling
Editora: 
Rocco
Páginas:
 584
Onde comprar: 
Livraria Cultura
Minha avaliação:tribruxo

*qualquer pessoa envolvida emocionalmente com um relacionamento romântico entre personagens, seja ele canon ou não. 

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  • Lany disse:

    Eu tenho um carinho muito especial por “Cálice de Fogo”. Ele foi o livro em que eu finalmente percebi que estava acontecendo algo entre Ron e Hermione e foi o meu primeiro shipper (antes de eu saber o que isso significava!). E o final do livro foi tão “AI EU QUERO A CONTINUAÇÃO LOGO” que eu entrei na internet (que eu quase não usava) para saber informações sobre o próximo livro… E assim conheci fanfics, entrei no fórum da Harryoteca, e comecei a fazer parte do fandom de HP!
    E mesmo não sabendo em qual casa pertencia, eu senti muito orgulho do Cedric, mesmo na primeira leitura. Aliás, sempre que eu releio a cena da taça, eu fico “NÃOOO CEDRIC!”. Mas não adianta, ele é daqueles Hufflepuffs que deixaria a Helga muito, muito mas muito orgulhosa! (como você disse lá no começo).
    E foi também nesse livro que eu não gostei de uma personagem (sem contar os vilões): CHO CHANG, THE HUMAN HOUSEPIPE! Ela vai com o Cedric para o baile e fica toda se querendo para o Harry? Por favor né…
    Linda resenha Ily!

  • Vania disse:

    Eu nunca tive nada contra a Cho, sabia? Nunca tive nada a favor também, mas abafa haha. Sabe, toda vez que eu releio Cálice, por mais estranho que pareça, eu me pego involuntariamente torcendo para que Cedric não toque naquela taça, pra que de alguma forma o final seja modificado. Poor Cedric…

  • Lucy disse:

    Eu considero Cálice de fogo o “livro Clímax”. O antes e o depois, sabe? Ainda mais porque tivemos um período maior de “vácuo” entre um livro e outro e acho que foi justamente quando o fandom estourou com fan-fics e teorias e tudo o mais.
    Concordo com vc, me tornei uma shipper já nesse livro, mas no terceiro eu já torcia um pouquinho pelo casal, quando eles estavam brigando por causa do Bichento. hehehe
    E Sirius! *__*
    Adorei a resenha, Ily! Como sempre emocionante! \o/

  • Vania disse:

    Eu não percebi nada entre Ron e Hermione no terceiro livro, absolutamente nada hahaha. Pra mim era normal, coisa de criança. Ainda lembro minha reação quando terminei a cena do baile: “oh ele gosta dela!!!” e aí tudo ficou tão óbvio! Dizer que eu não tinha pensado em romance antes seria mentira, porque lá no primeiro livro eu já comecei a torcer por Harry e Ginny, mas Ron e Hermione foi pra um outro nível, não? Concordo quando você diz que é o divisor de águas, tanto pro fandom quanto pra história. É aqui que tudo muda. É aqui que a coisa fica séria.

  • Karen disse:

    Nossa, Parceira, que resenha linda! Foi muito emocionante ler cada linha dela! Assim você deixa meu trabalho para a próxima resenha muito difícil! Além de falar apaixonadamente sobre nossa série favorita, você ainda fez uma análise criteriosa do livro que me fez relembrar e rever alguns pontos na minha leitura (e releitura) desse volume. Demais!!!
    Eu gosto MUITO de Cálice de Fogo. Acho que foi o que eu mais reli porque teve aquela espera interminável entre ele e Ordem da Fênix, então o final dele ficou pairando nas nossas cabeças por muito tempo… E se parar para analisar, muitas fanfics se iniciam a partir desse ponto, porque foi o maior tempo de espera. Eu gosto muito da interatividade com outras nações e bruxos, toda a história do Torneio e os personagens incríveis que a JK nos apresenta ou desenvolve nesse livro. Ah, e Ron e Hermione… OWNNNN!! É o livro que estampa em letras garrafais que os dois se gostam. Isso é tãaoo querido…

  • Vania disse:

    Awww thanks Parceirinha! Eu adoro Cálice, adoro muito mesmo! Não tive toda a espera que vocês tiveram, porque quando comecei a série o quinto livro já havia sido lançado, mas ainda assim foi agonizante! Aquele final… ah aquele final!!! Isso sem contar todos os sub-enredos ali né: os elfos domésticos, Ludo Bagman, os Crouch… é tudo tão fascinante, tão cheio de detalhes que eu sempre me pego aprendendo algo novo ou redescobrindo coisas que eu havia esquecido a cada releitura…

  • Nivia Fernandes disse:

    Meu livro preferido da série, sem dúvida! A resenha tá linda, deu vontade de ler de novo!!! Fiquei tão ansiosa lendo “O Cálice de Fogo” que não sosseguei até minha mãe comprar “A Ordem da Fênix” para eu ler.
    Bom, há várias passagens nesse livro que são interessantíssimas, mas a relação do Harry com o Sirius realmente me emocionava. Desde o primeiro livro que desejava muito que ele tivesse uma referência na vida, pra somar aos amigos que ele conquistou…
    Fiquei mega agoniada com a briga dele com o Ron, mas sempre acreditei que fossem se entender!
    Quanto a Ron e Mione, ah, pra mim isso tava claro desde o primeiro livro, então neste eu surtei legal! Lia de madrugada, parava às vezes pra comemorar determinadas cenas de ciúmes! huahuahuahua
    As provas também eram muito legais e emocionais, isso me deixava bem empolgada. Adorei de verdade e fiquei com vontade de ler de novo agora. rs

    Parabéns pela resenha, Ily! ^^

  • Vania disse:

    Opa, corre pra ler de novo então Nik!! Sempre é bom revisitar nosso mundo favorito! A briga entre Ron e Harry foi realmente de partir o coração, aqueles dois cabeça-duras! Eu também sempre acreditei que eles fossem se entender, mas com essa distância entre os dois é que nós vemos o quanto o Ron faz a diferença na vida do Harry. Boohoo pra quem fala que o Ron é peso morto.

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  • Aline T.K.M. disse:

    Que delícia relembrar esse livro! O Cálice de Fogo é um dos meus preferidos da série – tem a coisa toda do baile e sem falar que é bem legal ver os personagens virando adolescentes. Também gostei muito da interação com as outras escolas de bruxaria. Também o filme deste livro é um dos mais interessantes de todos. ^^

    Beijinhos, Livro Lab

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