Resenha: Extraordinário

Adquiri esse livro para Kindle assim que foi lançado e não resisti em ler de uma vez (geralmente eu compro um livro e deixo para ler depois de um tempo, pelo menos terminar a leitura atual, tanto que estou com alguns lançamentos que comprei e nem comecei). É um tipo de livro que você consegue ler em uma noite, não por ser curto, mas porque você simplesmente se envolve completamente com a história. Realmente, extraordinário é uma boa definição – e um bom título – para este livro.

EXTRAORDINARIOSinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade… até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor. Fonte

Eu já havia mencionado antes que, dependendo da história, eu me apaixono de cara pelo livro. Ainda mais quando tem o ponto de vista de uma criança. Pronto, não tinha como não me apaixonar por Extraordinário, que é narrado em primeira pessoa e de forma cativante, quase como um diário, que parece que você conversa com os personagens.

A narrativa é dividia em partes, cada uma contando o ponto de vista de pessoas diferentes. Então não é só August que conta sua história, temos também os pontos de vista dos amigos de August, Jack e Summer; de sua irmã Via, de Miranda, amiga de Via e Justin, namorado de Via. Cada parte tem uma folha de rosto com uma ilustração similar à capa do livro e uma citação de um livro ou música (eu achei isso super bacana). Cada narrativa tem uma peculiaridade, aliás. A de Justin, por exemplo, não tem letras maiúsculas, nem travessões para os diálogos.

Com capítulos pequenos, é fácil se deixar envolver pela leitura e dizer “só mais um capítulo/uma página…” e só mais tarde se dar conta que já leu mais da metade do livro! E, não sei quanto às pessoas que leram esse livro, mas é impossível não se emocionar.

A história é basicamente sobre August finalmente entrar para uma escola, depois de ter estudado seus primeiros anos em casa. Ele é um garoto comum: gosta de brincar, gosta de Star Wars, é inteligente e tudo o mais. Mas também sofre de uma deformidade no rosto desde que nasceu. Apesar de ter passado já por várias cirurgias, sua deformidade é muito notória. Então, além do desafio de ser o aluno novo, ele vai ter que enfrentar ainda os preconceitos sobre sua aparência.

Mesmo assim, August decide dar uma chance à escola depois das boas-vindas do Sr. Buzanfa (é esse mesmo o nome do diretor – e lembrem-se que não podemos julgar um menino pela cara, assim como não devemos também julgar um homem pelo sobrenome!). Afinal de contas, Auggie  gosta de um bom desafio, mesmo para provar para ele próprio que é capaz de superar mais esse medo.

O desenrolar da trama gira em torno desse desafio: August passar um bom ano no colégio, provando que é um garoto comum, apesar de sua aparência, lidando com pessoas preconceituosas da melhor forma possível, sendo otimista (ele é mais realista, mas tem boas doses de otimismo).

Não pensem que é um livro que fala especificamente de bullyng ou da deformidade do August, não é só isso. É, acima de tudo, sobre crescimento, amadurecimento e formação de caráter. Sim, temos as reações, vemos como as pessoas reagem com ele e as consequências de se ter alguém como August na família ou como amigo. Conseguimos enxergar como as crianças conseguem ser cruéis, mesmo que ignorem que estão magoando alguém naquele momento, ou são assim porque recebem uma má influência por parte dos pais (e minha gente, como eu queria arrancar os olhos de uma ali).

Ainda assim, vemos também a reação dessas mesmas crianças quando se dão conta do mal que estão fazendo. Algumas, pelo menos, parecem ter a consciência disso. Além das cenas que são uma lição de vida, dos amigos verdadeiros, que começam inicialmente por pena, mas que depois são conquistados pela personalidade de August e que vão em sua defesa.

Confesso que fui uma das que se emocionou com a história de August, de modo que nem A culpa é das estrelas conseguiu me emocionar. Sabe quando você consegue segurar as lágrimas em uma leitura? Com Extraordinário eu fui obrigada a parar a leitura para procurar a caixa de lenço, sem exagero (e não foi a partir da cena do bicho de estimação, foi muito antes).

Eu diria que esse livro daria uma ótima adaptação cinematográfica – e que medo se tiver alguma! Não vou dizer que foi o final mais surpreendente do mundo, mas que eu me emocionei de toda a forma, com certeza.

Ouvi falar que esse livro foi considerado dentro do estilo do tal “sick-lit”. Alguém aí confirma? Alguém concorda? Eu ainda não me inteirei bem sobre esse tipo de literatura, mas me parece um termo pejorativo e não gostei nem um pouco.

A leitura é mais do que recomendada, mesmo que você não se emocione tanto, com certeza vai se sentir envolvido com a narrativa.

Ficha técnica:

Nome: Extraordinário
Autor: R. J. Palacio
Páginas: 318
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Livraria Cultura
Minha avaliação: 

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  • Melissa de Sá disse:

    Ah, eu não gostei desse termo sick-lit não. Já vi algumas pessoas usando na internet, mas achei bem pejorativo também. Pra mim, o fato de ter uma pessoa doente ou com alguma doença num livro não determina o livro. Se fosse assim, vários livros do Nicholas Sparks seriam considerados sick-lit. Pelamor, se for assim até Moulin Rouge é sick-lit! Ué, até “As Vantagens de ser inivisível” poderia ser sick-lit.

  • Lucy disse:

    Mel, ouvi dizer que chegaram a classificar “As vantagens de ser invisível” como sick-lit!

    E realmente, The notebook do Nicholas Sparks entraria como sick-lit, já que umas das personagens sofre de Alzheimer… Entre outras obras dele.

    Eu meio que não entendi a classificação. Seriam livros que apenas retratam uma doença/anomalia/transtorno ou livros que podem nos deprimir? Porque embora eu tenha me emocionado, eu não me senti deprimida lendo Extraordinário. rsrs
    Bjos!

  • Nivia Fernandes disse:

    Nossa, que termo mais pejorativo, Lucy! “Sick-lit”?! Ficar doente é uma fatalidade, não é uma característica do ser humano!
    Adorei a resenha, já anotei porque adoro histórias de superação, de aceitação. Lições de vida que valem a pena porque a gente nunca reflete em todos os aspectos das situações adversas – são crianças, mas até que ponto podem ser cruéis, ser influenciadas a deixarem as outras muito tristes… pena mesmo elas não terem noção disso. E ao mesmo tempo conseguirem ser persistentes e otimistas, algo que a gente costuma perder aos poucos enquanto amadurece…
    Poderia não chorar, como nunca chorei com um livro. Mas emocionada com uma história assim, sem dúvida… Linda resenha!

  • Lucy disse:

    Oi, Nik! Esse livro vale mesmo muito a pena! A luta do Auggie em ser aceito por ele mesmo e não por seu rosto é muito comovente e tem alguns personagens adultos que você tem vontade de bater, porque só em determinado ponto da leitura você percebe que um dos personagens age de tal forma por ter sido criado já com essa má influência sobre as pessoas. Pontos para o Sr. Buzanfa que dá um tapa em luva de pelica em tal personagem. hahahaha (não é spoiler, é uma prévia do que você vai ler. XD) rsrs
    Bjos bjos

  • Queridinho do mês: August Pullman « Por Essas Páginas disse:

    […] o August naquele primeiro ano de escola, onde ele é o garoto novo, vocês terão que ler o livro Extraordinário e […]

  • Vania disse:

    Só me fala uma coisa: o bichinho de estimação morre, é maltratado? Eu não consigo lidar bem com esse tipo de cena, e talvez por isso eu devesse ler mais, enfrentar mesmo, mas… confesso que sou fraca. Mas fiquei curiosa, Lu…

    Sick-lit é um termo que eu me recuso a usar, da mesma forma que ando me recusando a usar chick-lit. Não gosto, não aceito.

  • Lucy disse:

    Eu não sei se posso falar, porque seria spoiler. O_O
    Mas sim, é triste. Na verdade, eu chorei boa parte do livro, porque vc vê as coisas muitas vezes do ponto de vista do August. Mas mesmo quando você do ponto de vista dos outros narradores, acaba se emocionando.
    Mesmo assim, foi uma das melhores leituras do ano!

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  • Gabriela S. disse:

    Comprei esse livro mas ainda nem cheguei a ler. Dizem que é mtmtmtmtmt bom, então eu to ansiosa para lê-lo ♥

  • Lucy disse:

    Oi, Gabriela! Ele é realmente mtomtomtomto bom!
    Super recomendo!
    Bjs

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  • Isa Aragão disse:

    Eu ameei esse livro!!! Com todas as minhas forças. Não gosto desse termo, sick lit. Como se todos esses livros girassem em torno da doença e só tivesse isso para falar, e nem sempre é essa realidade.
    Para os que ainda não leram, tá tendo sorteio lá no blog. Quem sabe não é sua oportunidade? :) isaaragao.com.br

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