Resenha: Fique onde está e então corra

John Boyne se tornou um dos meus autores favoritos (ainda vou fazer um Meu Autor de Cabeceira dele, logo, logo) desde que li O Ladrão do Tempo. Desde então, sempre que a Companhia das Letras ou a Seguinte lançam algo dele… eu já fico doida. A Lany que o diga: há várias conversas no Facebook onde eu digo “JohnBoyneJohnBoyneJohnBoyne”. Enfim, foi por isso que quis ler Fique onde está e então corra, último lançamento dele pela Seguinte. E, maravilhoso que é, Boyne não me decepcionou: sensível, emocionante, inspirador, honesto, fiel. Eu poderia dar um milhão de adjetivos para esse livro. Senta que lá vem resenha apaixonada mais uma vez.

“Em meio às tragédias da Primeira Guerra Mundial, o amor é a única arma de um garoto para curar seu pai. Alfie Summerfield nunca se esqueceu de seu aniversário de cinco anos. Quase nenhum amigo dele pôde ir à festa, e os adultos pareciam preocupados — enquanto alguns tentavam se convencer de que tudo estaria resolvido antes do Natal, sua avó não parava de repetir que eles estavam todos perdidos. Alfie ainda não entendia direito o que estava acontecendo, mas a Primeira Guerra Mundial tinha acabado de começar. Seu pai logo se alistou para o combate, e depois de quatro longos anos Alfie já não recebia mais notícias de seu paradeiro. Até que um dia o garoto descobre uma pista indicando que talvez o pai estivesse mais perto do que ele imaginava. Determinado, Alfie mobilizará todas suas forças para trazê-lo de volta para casa.” Fonte

Nesse livro nós desembarcamos na Inglaterra da Primeira Guerra Mundial, apenas um dia antes do início do conflito (digo “desembarcamos” porque a ambientação do autor é tão incrível e bem feita que a imersão é completa). Nós enxergamos o mundo dessa vez através dos olhos de Alfie, um menino que está completando 5 anos de idade, mas seu aniversário não está sendo muito feliz… poucos amigos foram à festa e os adultos parecem preocupados, cochichando segredos. Poucos dias depois, seu pai se alistou para o combate, e Alfie vê sua vida virar do avesso. De uma hora para outra, seu pai está ausente (e, depois de algum tempo, até as cartas do pai param de chegar… e as últimas que ele enviara antes disso foram todas angustiantes) e sua mãe trabalha dia e noite, mas mesmo assim a comida é sempre escassa. Ao mesmo tempo, outros horrores acontecem, e Alfie se vê perdido no meio de toda essa situação.

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Acredito que uma das coisas que mais me encantou nesse livro foi a inocência do narrador, Alfie. Apesar de tudo, de todo o sofrimento e das coisas muito tristes que acontecem à sua volta, ele não deixa de ser criança e de, sempre (sempre!) ter esperança. A narração transmite essa sensação de inocência, de simplicidade, de sinceridade e de uma esperança infantil genuína, algo que os adultos geralmente perdem bem depressa. E é emocionante acompanhar tudo isso pelos olhos de uma criança, faz a gente ver o mundo com outros olhos. Ao longo do livro, é claro que Alfie amadurece, toma atitudes muito “adultas” (afinal, o que define “atitudes adultas”, quando uma criança é, muitas vezes, mais corajosa e honesta que os adultos?), comete erros, mas a essência dele, a sua fé mesmo nos momentos mais difíceis sempre está lá. É inspirador.

“Ele se sentia um homem do mundo, um trabalhador, como seu pai tinha sido (…)”. Página 60

O leitor, claro, sente como o tema do livro é denso. Apesar de ser narrado por um menininho, o livro não poupa o leitor dos horrores de uma guerra. Mas, como eu disse no parágrafo anterior, o grande diferencial da obra é acompanharmos esses horrores pelos olhos inocentes de Alfie – que, apesar disso, é um garoto muito inteligente e safo, porque, sim, ele furtivamente até mesmo arruma um emprego e ajuda a mãe sem ela saber (uma das partes mais emocionantes do livro), isso sem contar outras de suas aventuras.

O desenvolvimento do livro, a ambientação, os personagens, tudo é brilhante e impecável nesse livro. Mas Alfie brilha mais que todos os demais personagens. Ele segue inabalável em sua meta de ajudar o pai e, quando finalmente parece perder as esperanças, a vida mostra que sempre há uma saída, mesmo que ela não seja exatamente como a gente espera. O livro trata, de maneira belíssima e extremamente delicada, não de uma guerra, mas sim do relacionamento de um filho e um pai, e do amor imenso que esse menino sente por seu pai. É tão emocionante, gente, tão incrivelmente belo, que até mesmo escrever essa resenha é difícil sem lágrimas brotarem nos olhos.

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Fique onde está e então corra tem, novamente, o trabalho dedicado e extremamente caprichoso da Editora Seguinte com suas obras. Uma boa diagramação, papel confortável, nenhum erro de revisão/tradução, uma capa simples, mas que diz tudo e um cheiro… ah, eu já falei pra vocês do cheiro das edições da Companhia das Letras? Sério, cheirem esses livros, eles são muito perfumados.

Resumindo: se vocês estão procurando se emocionar e serem tocados pelo amor puro de um filho por seu pai… leiam esse livro (mas é melhor preparem os lenços, certo?). Fique onde está e então corra é mais uma obra belíssima de John Boyne (mais um favorito na estante!) e demonstra, de maneira simples, honesta e extremamente delicada, como só o amor, de fato, pode curar todas as feridas. Emocionem-se!

Esse livro foi gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Seguinte!

Ficha Técnica

Título: Fique onde está e então corra
Autor: John Boyne
Editora: Seguinte
Páginas: 224
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Amazon (e-book)
Avaliação: 

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  • Douglas Fernandes disse:

    O único livro do autor que li foi O menino do pijama listrado, e ele tem o dom de te emocionar, parece que nesse livro tbm tem disso né, apesar de nao ter costume de ler muitos livros emotivos, eu quando pego pra ler gosto muito, tenho muita vontade de ler outro livro dele, espero que eu leia logo.

  • Michele Lopez disse:

    Não tive a oportunidade de ler outro trabalho do autor além de O menino de pijama listrado, que me deixou apaixonada.
    Esse livro parece ser incrível! Uma leitura bem envolvente e agradável. Tenho muita vontade de conhecer outros trabalhos do John Boyne e acho que vou começar por este livro.

  • Desbravadores disse:

    É o primeiro livro que li de Boyne e tenha certeza que ele me surpreendeu. Superou minhas expectativas.
    Adorei o personagem Alfie, sua forma de ver e encarar a vida. Assim como todos os outros personagens eu achei bem construídos. Alfie é um garoto que já passou por muita coisa difícil na vida, mesmo sendo tão novo.
    O livro eu achei emocionante demais.

    M&N
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