Resenha: Garota, Interrompida

Quando a Única disponibilizou esse livro, decidi me arriscar, já que o primeiro contato que eu tive com Garota, Interrompida na verdade foi com o filme. Aproveitei então para incluí-lo no Desafio Realmente Desafiante elaborado pela Clícia do blog Silêncio que eu to lendo. Item 12. Lançado antes de 2000.

GAROTAN_INTERROMPIDA

Sinopse: Quando a realidade torna-se brutal demais para uma garota de 18 anos, ela é hospitalizada. O ano é 1967 e a realidade é brutal para muitas pessoas. Mesmo assim poucas são consideradas loucas e trancadas por se recusarem a seguir padrões e encarar a realidade. Susanna Keysen era uma delas. Sua lucidez e percepção do mundo à sua volta era logo que seus pais, amigos e professores não entendiam. E sua vida transformou-se ao colocar os pés pela primeira vez no hospital psiquiátrico McLean, onde, nos dois anos seguintes, Susanna precisou encontrar um novo foco, uma nova interpretação de mundo, um contato com ela mesma. Corpo e mente, em processo de busca, trancada com outras garotas de sua idade. Garotas marcadas pela sociedade, excluídas, consideradas insanas, doentes e descartadas logo no início da vida adulta. Polly, Georgina, Daisy e Lisa. Estão todas ali. O que é sanidade? Garotas interrompidas. Fonte

Uma vez que assisti primeiro ao filme e não sabia que era autobiográfico, devo dizer que esperava uma coisa totalmente diferente.

Susanna nos conta sua história a partir de seu confinamento, mostrando inclusive alguns relatórios clínicos de internação e acompanhamento. Aparentemente, ela se internou voluntariamente, mas no texto dá a entender que ela meio que recebeu a “sugestão” de passar uns tempos no hospital psiquiátrico.

O texto aparenta mesmo ser de um diário da autora, uma vez que mostra todos os tipos de sentimentos e conflitos que ela tinha. Seus questionamentos sobre a vida, o comportamento das pessoas e o seu próprio. Com capítulos curtos, a narrativa não segue uma ordem cronológica, tanto que só sabemos ao certo o diagnóstico de Susanna lá pelo final do livro. Mas calma, parece confuso, mas depois você consegue acompanhar numa boa.

Pensem em um diário em que a pessoa escrevia pequenas crônicas do que se passava em determinado momento de sua vida. É quase isso.

Em sua jornada durante sua estadia no McLean, ela também convive com outras jovens com transtornos similares ao dela, alguns em estágios mais graves. Destaco aqui Lisa, que tem personalidade forte demais, até para ela. Vivia fugindo do hospital, sendo pega em seguida, além de sua língua ferina e boca suja, com uma sinceridade bem no estilo “perco o amigo, mas falo mesmo”.

Uma coisa que achei interessante é que Susanna sempre quis ser escritora e o preconceito da época era muito grande em relação a isso. Sabem aqueles gifs de “Quando eu digo que sou escritor… O que meus amigos pensam, o que minha família pensa, o que realmente é”? Pois era bem essa situação que Susanna passava quando perguntavam.

Eu disse ali em cima que esperava algo totalmente diferente do livro. Em primeiro lugar, eu esperava um drama com começo, meio e fim, algo mais “tradicional”. Não esperava também encontrar esse tipo de texto com uma crueza de sentimentos como encontrei aqui. Você consegue até se identificar com Susanna e suas crises de identidade em determinado ponto. É um livro que faz você refletir no que pode ser considerado “loucura” e “sanidade”.

Leitura recomendada!

Trailer do filme baseado no livro:

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Única.

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Ficha técnica:

Nome: Garota, Interrompida
Autor: Susanna Kaysen
Páginas: 190
Editora: Única
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon
Minha avaliação:

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  • Nayara disse:

    Eu também não sabia que era autobiografico.
    Só tinha conhecimento do filme, na verdade.
    Eu gosto de livros autobiograficos… fica tudo mais real! Fiquei louca para ler.
    Beijos

  • Lucy disse:

    Oi, Nasyara! Realmente é outra perspectiva!
    Bjos!

  • Gustavo disse:

    Eu nunca tinha ouvido falar do filme kkkkk o livro eu já ouvi falar mas nunca me interessei, ainda não tenho tanto interesse assim, não parece algo que eu gostaria de ler, mas vou dar uma chance de ao menos procurar algumas coisas mais sobre o livro só porque você falou que era leitura recomendada kkkk

  • Lucy disse:

    Oi, Gustavo! Esse filme é antigo, foi o que deu o Oscar para a Angelina Jolie. Interessante vc ter ouvido falar primeiro do livro e não do filme. rsrs
    Dê uma olhada mesmo, quem sabe você gosta. 😉
    bjs

  • Patrini Viero Ferreira disse:

    O primeiro contato com a história, assim como aconteceu contigo, eu tive a partir do filme. Eu curti, mas fiquei um pouco perdida nele, confesso. A ordem cronológica é basicamente inexistente, e muitas cenas eu acabava não entendendo. Tenho um certo receio em ler exatamente por este motivo, mas acho que a história vale a pena o risco.

  • Lucy disse:

    Oi, Patrini!
    No filme ainda dá para entender que é um flashback. No livro… Mais ou menos, mas logo você consegue se encontrar. rsrs
    Bjos!

  • Shadai disse:

    Nunca vi o filme, mas sempre tive curiosidade em vê-lo.
    Já o livro, parece ser uma mistura de Um Estranho no Ninho e Veronika Decide Morrer, ou seja, deve ser bom!

  • Top Comentarista – Fevereiro « Por Essas Páginas disse:

    […] O livro do mês será Garota, Interrompida. A resenha vocês podem conferir aqui. […]

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