Resenha: Guerra Justa


Obtive contato com Guerra Justa no estande da Editora Draco na Bienal do Rio 2015 e além da bela capa a chamar a atenção, posso dizer que a sinopse me capturou facilmente. Ficção científica e religião é sempre uma mistura explosiva e eu estava com sede de sci-fi. Acompanhem de perto gafanhotos, pois nem tudo é justo nessa guerra…

Abalada por uma catástrofe natural de proporções cósmicas, a humanidade reinventa sua religião e se unifica sob o culto do Pontífice – um homem que demonstra ser capaz de prever novas tragédias. Mas há quem duvide do bom uso desse poder e acredite que ele poderia evitar muita morte e sofrimento.

Duas irmãs, a freira Rebeca e a cientista Rafaela, veem-se envolvidas em um perigoso jogo de manipulação da realidade e são transformadas em agentes de uma conspiração que busca minar a influência do culto e desvendar o segredo de suas profecias.

Mas se o culto for destruído, quem protegerá a humanidade de uma natureza cada vez mais descontrolada? Como a conspiração poderá vencer um inimigo capaz de prever cada um de seus passos? E afinal, o que define uma guerra justa?

Guerra Justa é tanto a história de Rebeca e Rafaela quanto a história de dois deuses. Também é a história de uma humanidade que ascendeu a um estado divino através da tecnologia. Após várias catástrofes atingirem os principais  ícones religiosos do mundo, um profeta surge para unir as demais religiões através de um supercomputador capaz de prever catástrofes e evitar novas tragédias.

Rebeca inicia o livro com um atentado terrorista ao Santuário – estação espacial onde está localizado o Pontífice Augusto, o profeta dos novos tempos – enquanto Rafaela é envolvida com o mesmo grupo terrorista pelo fato de ser a criadora das coroas-mestra – dispositivo responsável por “manter as pessoas em comunhão” por assim dizer. Somado a isso temos um grupo terrorista que enxerga as falhas do atual sistema e está disposto a melhorar/subverter a situação. Qual será o papel de Rafaela nessa história? Como vencer um computador capaz de prever o futuro?

 

 

… formas de vida digitais erguem-se, devoram-se, entrelaçam-se caoticamente em complexas ecologias de predador-e-presa que florescem, luxuriantes, desabam.. pág.16

 

Um mundo muito bem construído e um livro muito bem escrito, com belas passagens como a que compartilhei na imagem acima, Guerra Justa não é sem falhas. O livro por vezes é de uma escrita desnecessariamente rebuscada, porém seu pecado mais grave é de que faltam personagens com os quais o leitor se identifique ou simplesmente se importe. Em momento algum do livro me assustei, fiquei ansioso pelo que ia acontecer em geral ou em particular com algum personagem, em suma – o livro falha em despertar emoções. É um livro onde simplesmente acompanhamos uma história, não nos tornamos parte dela. Falta proximidade, independente de ser um livro sobre ficção científica.

Apesar de começar bem e possuir uma metade morna devido aos motivos acima, o final de Guerra Justa é surpreendente. Além disso é um livro que te faz pensar – o que é extremamente positivo e necessário em um livro de ficção científica. Pode algo criado pelo homem – um computador – se tornar um deus? Quando esse deus é falho, podemos simplesmente reprogramá-lo?

Ficha Técnica

Título: Guerra Justa
Autor: Carlos Orsi
Editora: Draco
Páginas: 152
Onde comprar: Amazon/ Americanas/ Submarino
Avaliação: 
 

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