Resenha: Inferno a bordo

Adoro literatura policial, mas nunca tinha lido Georges Simenon, aclamado escritor do gênero. Autores que admiro, como o Raphael Montes (Dias Perfeitos) o têm em alta estima e inclusive dizem serem influenciados por sua obra. Pois bem, eu precisava conferir com meus próprios olhos, mas me decepcionei por completo.

“Marujos não falam muito com outros homens, e menos ainda com policiais. Mas depois que o corpo do Capitão Fallut é encontrado próximo ao vapor em que trabalhava, o Océan, todos começam a falar em mau-olhado para tentar explicar os acontecimentos sinistros durante a última viagem da embarcação.” Fonte

A coisa boa em Inferno a Bordo é que ele é curto. Pouco mais de 100 páginas, em uma edição leve e confortável da Companhia das Letras que eu perfeitamente li num dia só, um domingo de praia. Porém, mesmo sendo relativamente curto, o livro parece mais longo devido à escrita arrastada de Simenon. E ele nem é muito descritivo, como geralmente são as leituras lentas, mas mesmo assim consegue ser cansativo em diálogos monótonos que caminham em círculos, levando o leitor de lugar algum a lugar nenhum.

Os personagens não são nada cativantes e não me senti envolvida por nenhum deles, a começar pelo Comissário Maigret, um dos detetives menos expressivos que já me deparei. Ele tem pouca personalidade e não é nem um pouco brilhante; no final, ele sequer chega a solucionar o mistério por seus dotes de investigação, mas apenas por pura sorte e ajuda de outros personagens. Desapontador.

simenon

Assim como os personagens, o próprio mistério do livro é pouquíssimo atraente. Um assassinato a bordo de um navio que os marujos clamam ser objeto de mau olhado. Sendo um livro antigo, nem posso reclamar do constante machismo presente em toda obra, claro, mas preciso mencioná-lo já que isso me leva a um dos pontos que mais desapontaram na história: ao invés de uma trama elaborada, quase toda a resolução do mistério tem a ver com uma mulher, como se tudo de mal que ocorre fosse por causa de um rabo de saia. Preguiçoso e completamente previsível para um mistério daquela época. Talvez eu apenas seja contemporânea demais para Simonon, mas esperava bem mais de um aclamado mestre da literatura policial.

Este livro goi gentilmente cedido para resenha pela editora Companhia das Letras.

logo_companhia_das_letras

Ficha técnica:

Nome: Inferno a Bordo
Autor: Georges Simenon
Páginas: 136
Editora: Companhia das Letras
Onde comprar:Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book)Amazon
Minha avaliação: 

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  • Ana Paula Barreto disse:

    Que decepção. Também gosto muito do estilo e imaginei que se o Rafael gosta, deve ser bom. rs
    Mas talvez esse não seja um bom livro-exemplo da obra do autor.
    A narrativa parece bem chata, lenta. E a história parece um tanto infundada, ou melhor, seus argumentos realmente não tem força.
    Uma pena.
    bjs

  • Suelen Mendes disse:

    O enrredo já não tinha me chamado a atenção,depois de ver que é uma leitura arrastada desisti de vez.
    Nunca tinha ouvido falar desse autor.
    Bjus

  • Douglas Fernandes disse:

    Que pena, quando o assunto é romance policial tbm fico cheio de expectativas e me empolgo muito, e quando isso acontece é bem chato… =/
    por isso que eu gosto de Agatha Christie, passa tempo e os livros dela mesmo ja tendo bastante tempo continuam impressionando, ainda nao li nada desse autor, mas confesso que fiquei desanimado depois dessa resenha.

  • Gustavo disse:

    Nossa, que decepcionante essa resenha kkk esperava algo desse autor, não muito pra não me decepcionar (raramente espero muito de algum livro, então acho que me decepciono menos), mas ao menos algo que prestasse… Nossa, nunca le rei nada dele kkk

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