Resenha: Interferências

Ficha técnica:

 Nome: Interferências

 Autor: Connie Willis

 Tradutor: Viviane Diniz Lopes

 Páginas: 464

 Editora: Suma

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Sinopse: Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem — a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada.
Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor — e a comunicação — é bem mais complicado do que ela esperava.”

Ah Interferências… Existem livros que eu sento para fazer a resenha e fico pensando no que vou escrever. Esse caso é completamente o oposto, porque essa foi uma leitura bastante peculiar. Esse era um enredo que tinha TUDO para ser aquele livro 5 estrelas – porém, infelizmente, não foi.

Eu devo começar essa resenha dizendo que se eu não tivesse recebido esse livro de parceria eu provavelmente tinha desistido de ler logo nos primeiros capítulos. O motivo? A autora simplesmente joga um monte de personagens de uma vez só. Em um livro de 400 páginas achei isso completamente desnecessário. Será que não daria para fazer as apresentações um pouco mais lentamente? Eu sou uma pessoa péssima com nomes, então essas primeiras páginas não adiantaram de muita coisa: não gravei o nome de ninguém, tirando o da protagonista.E alguns desses personagens são mais importantes lá no final do enredo, então não é como se realmente fosse importante eles serem apresentados tão cedo assim.

Eu passei pelo “mar de nomes” e então o livro começou a ficar bem interessante. Existe um procedimento cirúrgico um tanto quanto controverso chamado EED que aumenta a empatia entre os casais. Esse procedimento não faz com que um leia a mente no outro, é mais como se você conseguisse sentir as emoções do outro. Trent, o namorado de Briddey Flannigan, sugere que os dois façam esse procedimento antes mesmo de eles casarem. Mesmo com várias pessoas sendo contra, ela acaba aceitando. Porém, os problemas começam quando ela acaba se conectando a outra pessoa. E ela não só se conecta, como também consegue ler os seus pensamentos… Algo que não deveria acontecer.

Eu adoro esses enredos com super-poderes então achei um máximo toda essa história de ler mentes. Interferências é basicamente um chick-lit com um background de ficção científica, ou seja, é realmente uma mistura que eu não me lembro de ter lido até hoje. Algumas pessoas disseram que logo no início descobriram qual era o grande segredo do final, mas eu tenho que admitir que isso nem passou pela minha cabeça. Eu estava mais envolvida nos problemas momentâneos da protagonista e por isso não refleti muito sobre o que realmente tinha levado a toda essa situação. Os personagens são muito cativantes, o enredo é interessante mas é o problema é que uma grande parte do livro não era necessária! Uma boa edição iria conseguir polir e transformá-lo em uma leitura muito mais fluida. Interferências é bastante cansativo porque parece que você anda dois passos pra frente e depois dá um para trás. Eu acredito que a autora quis desenvolver os personagens porém tem que ter um balanço. Existe uma harmonia entre personagens e enredo que não foi alcançada nesse livro. Ultimamente eu tenho pego muitos livros grandes em que eu fico com essa sensação. Tamanho do livro não é sinônimo de qualidade e cada dia mais eu bato na tecla que edição é TUDO: você pode ter uma ideia excelente mas você tem que saber trabalhar da melhor forma possível.

Por causa desse desenvolvimento do enredo tão extenso acaba que o final – que era para ter todo o brilho – fica um pouco apagado. Tudo parece correr rápido demais, o que por um lado é bom porque o livro finalmente flui, mas por outro é péssimo porque o leitor pode ficar com o sentimento de “eu queria mais disso daqui, não das páginas anteriores”. Isso me lembra um pouco do que a Ray Tavares (de “Os 12 signos de Valentina”) disse um dia desses no instagram. Para quem não sabe, a Ray começou publicando suas histórias do Wattpad e o conto dela em “Heroínas” foi o primeiro que ela não teve a opinião do público antes de publicar. Com isso, é claro que ela ficou com muito medo de ninguém gostar… Mas isso chama atenção ao fato de que os formatos são diferentes, no Wattpad (assim como em fanfics) você tem que segurar o leitor a cada capítulo (e você também tem um feedback em cada um deles). Eu acho que é isso que faltava em Interferências, esse enredo merecia um livro que prendesse o leitor a cada capítulo.

Enfim, eu sei que pela resenha parece que eu vou dar uma nota baixa, mas não é isso. A minha revolta é porque eu achei a ideia muito boa e eu fiquei um pouco frustrada do livro não ter correspondido às minhas expectativas. Se você gosta de chick-lit, aconselho a dar uma chance para Intereferências, porque ele é muito diferente de todos os outros do gênero que eu li até hoje.

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Suma, selo da Companhia das Letras.

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  • Carolina Durães de Castro disse:

    Oi Lany, tudo bem com você?
    Tenho lido críticas extremamente positivas em relação ao livro, mas fiquei muito feliz ao ler sua resenha por ter exposto os dois lados da leitura. Eu gostaria de ler esse livro, achei a premissa diferente e despertou a minha atenção.
    Bjkas

  • Karen disse:

    Lany, eu amo suas resenhas! Vim ler porque tinha visto que esse livro tinha uma ideia interessante e ficção científica (e realmente, nunca tinha visto um livro que misturasse chick-lit e FC, isso foi interessante), mas que droga que o livro tem esses problemas de edição, hein?

    Sabe, às vezes eu leio algo assim e dá até pena. O autor tinha uma ideia boa, mas a edição foi fraca e todos esses problemas passaram. Fico impressionada como editoras grandes – tanto aqui no BR quanto lá fora! – deixam essas coisas passarem. Até lembrei da nossa conversa outro dia sobre isso. Nenhum livro está pronto quando sai das mãos do autor. Edição é mesmo TUDO!

    Beijos e obrigada por essa resenha!

  • Lara Xavier disse:

    Olá
    Eu não costumo ler esse gênero e por mais que eu gostei da capa esse livro não me chamou a minha atenção eu passo essa dica

  • Camila - Leitora Compulsiva disse:

    Oi, Lany.
    Já li outro livro da autora e me apaixonei pela escrita dela. Ainda não tive a chance de ler esse livro, mas já registrei aqui esses pontos que você destacou para ajustar minhas expectativas!! Rs…
    beijos
    Camis – blog Leitora Compulsiva

  • Marijleite disse:

    Olá, eu também recebi esse livro da editora e achei super interessante a premissa dele. Uma pena que já começa com esse tanto de nome e que tem um monte de coisa desnecessária, mas continua sendo uma leitura que tem vários pontos que me interessam e estou animada pra ler. Ótima resenha.

  • Kelly Alves disse:

    Oi Lany,
    Eu tentei ler justamente pelo Sci-fi, mas concordo com você quando diz que o livro podia ser polido deixando a leitura mais fluída e fácil, é muita informação desnecessária que acaba confundindo e deixando a leitura arrastada, por isso abandonei. Quem sabe um dia não retomo e finalizo?

    Beijokas

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