Resenha: Jogador Nº 1

“Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência. A vida, os perigos, e o amor agora estão mais reais do que nunca.” Fonte

Essa resenha começa com aquele famoso dilema: como falar de algo que se gostou MUITO? Como falar de uma leitura tão sensacional sem cair na monotonia ao repetir o quanto o livro é maravilhoso, fantástico e você deve parar o mundo agora para ler essa história?

Bem, o problema é que Jogador Nº1 é exatamente esse tipo de leitura.

Quando soube desse livro já imaginava que iria apreciar muito a leitura. Na sinopse lá de cima o essencial não foi dito: o livro todo gira em torno da cultura pop dos anos 80 – minha época favorita. Bem, foi por causa disso que comecei a ler o livro, mas não foi apenas por isso que o terminei. Ernest Cline é aquele tipo de escritor que impulsiona o leitor a virar páginas compulsivamente, a passar noites em claro, a contar os minutos para o grande momento em que você vai voltar a ler o livro. Sua escrita é mais viciante que videogame. Aliás, esse livro parece um videogame – e dos bons.

Quase toda a história se passa dentro de um mundo virtual chamado OASIS, que na verdade é algo como The Sims só que muito mais avançado. OASIS é uma realidade virtual onde as pessoas se refugiam de um mundo destruído, miserável e corrupto no ano de 2044 (e por isso, minha gente, esse livro pode até ser enquadrado nas famigeradas distopias). O OASIS funciona como uma simulação da realidade mas nada mais é que um jogo; dentro do OASIS um avatar (a identidade que uma pessoa assume) pode ganhar níveis de experiência, adquirir itens, destruir monstros, realizar tarefas, voar em naves espaciais e até mesmo controlar um robô gigante. Mas há um jogo dentro do jogo que é muito melhor.

Antes de morrer o criador do OASIS, James Halliday, propôs uma caça ao tesouro: ele o escondeu em algum lugar do imenso jogo que criou e os caçadores devem seguir pistas, sempre relacionadas à década que Halliday mais amava – os anos 80 – para encontrar o tesouro. O prêmio? Toda a fortuna do milionário e controle total do próprio OASIS. E quem encontra a primeira chave que levará a essa grande descoberta é ninguém menos que o nosso herói, um garoto pobre e sem futuro, Wade Watts.

Nesse ponto preciso fazer uma observação: as pistas, tesouros e citações escondidas dentro de filmes, músicas, séries, jogos etc. são chamadas de Easter Eggs, o que significa, em uma tradução literal, “Ovos de Páscoa” e é assim que isso é traduzido no livro. Não é uma tradução errada mas achei inadequada pelo simples fato de que esse livro é totalmente direcionado a nerds aficionados que certamente vão se identificar com Wade e com todos os outros caçadores. Quem já assistiu Lost e outras séries conhece o termo, bem como qualquer gamer ou geek. Por esse motivo, achei que a tradução literal do termo ficou desnecessária e que, nesse momento do livro, valeria colocar o termo em inglês e traduzi-lo no meio do texto como uma explicação ou ainda em nota de rodapé. Por muito tempo durante a leitura foi difícil me acostumar com o termo “Ovo de Páscoa”.

Outro momento em que isso ocorreu que não ficou legal a tradução literal foi no nome da biografia de Halliday: “O Homem Ovo”. Ficou  claro, pelo menos para mim, que isso era uma referência a EggMan, o famoso inimigo do Sonic. Foi uma brincadeira de palavras deliciosa que se perdeu nessa tradução. Porém, tirando essas duas pequenas observações, todo o restante da edição estava impecável: tanto capa, diagramação e revisão.

A vontade que o leitor ao ler esse livro é mergulhar nessa história, apanhar o joystick mais próximo e controlar tudo aquilo como se estivesse jogando seu Nintendo ou, melhor ainda, seu Atari – porque aqui a palavra de ordem são os games clássicos. Quem gosta de jogar vai se deliciar com as citações a Joust, Black Tiger e Adventure (e isso são apenas poucos exemplos).

Então a sua parte preferida dos anos 80 não são os games? Não tem problema, esse livro tem cultura para todos os gostos: você adora uma música bem trash 80? Tem várias! Cindy Lauper, Duran Duran, Oingo Boingo, Blondie, Billy Idol. Inclusive indico fortemente esse site que tem uma lista maravilhosa das músicas citadas no livro. Recomendadíssimo.

Prefere filmes? Também vai encontrar citações deles por aqui: Star Wars (corretamente traduzido como Guerra nas Estrelas, mas sim, eu prefiro falar em inglês), Ghostbusters (Os Caça Fantasmas), Curtindo a Vida Adoidado, De Volta para o Futuro, Mad Max. Gosta de séries? Star Trek (Jornada nas Estrelas), Caras e Caretas, Jiraya, cultura japonesa. Livros? Senhor dos Anéis. Quadrinhos! Esse livro fala de tudo dos anos 80!

E o melhor são que as citações não são simplesmente jogadas no livro: elas são vividas, todas elas tem um motivo de estar ali, todas tem um contexto e um sentido. Aliás, todo o livro é muito bem amarrado, as situações e as citações bem elaboradas e coerentes, interligando-se em um grande RPG. Fantástico. Sublime! É de se deliciar virando cada página.

É claro que é impossível reconhecer todas as situações. Recomendo um computador ligado porque vira e mexe você vai querer procurar alguma coisa. Não que isso seja regra obrigatória: nos momentos críticos, em que entender o que aquela citação significa seja muito importante, o autor faz uma breve explicação, para que o leitor se situe mesmo sem sair procurando no Youtube aquele jogo, música ou filme. Mas é muito mais divertido entender ou procurar a referência.

Além de tudo isso, a história é ótima; uma aventura eletrizante, cheia de reviravoltas, surpresas, que deixa o leitor ao mesmo tempo com olhos grudados no livro e na ponta da cadeira. É um daqueles livros que logo chega no final e você percebe que não quer deixá-lo, não quer acabar aquela história porque gostaria de viver ali dentro para sempre.

Os direitos do livro já foram comprados pela Warner e espera-se uma superprodução, em escala de Harry Potter e Avatar. Resta esperar.

Recomendo ler esse livro e escapar da realidade por boas horas. Os livros são o nosso OASIS, afinal. 

Ficha Técnica:

Título: Jogador Nº 1
Autor: Ernest Cline
Editora: Leya
Páginas: 464
Onde comprar: Livraria Cultura
Avaliação: 

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  • felipe disse:

    Mais um livro na minha lista de leituras 🙂

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    Karen Reply:

    Felipe, coloque essa leitura na frente das outras se puder. O livro é realmente MUITO bom. Completamente viciante. Recomendo com lasers!!!

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  • Lany disse:

    Adorei a sua resenha! Deu para perceber realmente o quanto que você gostou do livro!
    E eu comprei o livro lalala… Como ontem eu terminei o livro que eu estava lendo, vou começar esse hoje mesmo!!!

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    Karen Reply:

    Lalala, já sei que está viciada no livro! 😀
    Continue apreciando enquanto ele não termina. Depois dá aquela tristeza por não ter mais páginas – a gente sempre quer mais!

    [Reply]

  • Carolina disse:

    Oi Karen, tudo bem?
    Em primeiro lugar, parabéns pela resenha, eu simplesmente amei!
    Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas quem sabe em breve!
    Beijos

    [Reply]

    Karen Reply:

    Carol, esse livro é viciante. Recomendo comprá-lo e lê-lo urgentemente!
    Beijos!

    [Reply]

  • Vania disse:

    Vou dar uma chance porque você fala dele tão apaixonadamente… mas eu não gosto dos anos 80 hahahaha bah que chato! E apesar de ser geek, não sou gamer; daí meu receio. Mas vamos ver!!

    [Reply]

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