Resenha: Jonathan Strange & Mr. Norrell

JONATHAN_STRANGE_E_MR_NORRELLEm 1806, a maioria da população britânica acreditava que a magia estava perdida há muito tempo – até que o sábio Mr. Norrell revela seus poderes, tornando-se célebre e influente. Ele abandona a reclusão e parte para Londres, onde colabora com o governo no combate a Napoleão Bonaparte e coloca em prática seu plano de controlar todo o conhecimento mágico do país.
Tudo corre bem até que Jonathan Strange, um jovem nobre e impetuoso, descobre que também possui talentos mágicos. Ele é recebido por Norrell como seu discípulo, mas logo os dois começam a se desentender… e essa rixa pode colocar em risco toda a Inglaterra.
Misturando ficção e fatos históricos, Jonathan Strange & Mr. Norrell levou dez anos para ser escrito e foi baseado em uma extensa pesquisa da autora sobre a história da magia inglesa. O livro combina a mitologia fantástica de J.R.R. Tolkien com a comédia de costumes de Jane Austen, de quem Clarke é admiradora confessa, e ainda acena ao romantismo, à observação social de Charles Dickens e à literatura gótica de Anne Radcliffe.
Recebeu o Hugo Award, um dos prêmios mais importantes no gênero fantástico, além de ter sido indicado ao Man Booker Prize e eleito o melhor livro do ano pela revista Time. Agora adaptado para a TV pela BBC, o livro recebe nova edição, com introdução do escritor Neil Gaiman. Fonte

Quando eu solicitei esse livro para a Cia das Letras, eu não fazia ideia do que me esperava. Só sei que o fato de a história ser adaptada para uma série da BBC e a introdução por Neil Gaiman chamaram minha atenção, então achei que era um livro que merecia ser lido. Alegro dizer que estava certa.

O livro é narrado em terceira pessoa e dividido em três partes: Mr. Norrel, onde destaca os feitos de Mr. Norrel, e como ele se consolida como o único mago da Inglaterra, até ele conhecer Jonathan Strange e torná-lo seu discípulo; Jonathan Strange, onde conhecemos a personalidade carismática e enérgica e quando a história toma mais consistência mostrando a guerra napoleônica e o contraste entre a personalidade de Strange com a de Mr. Norrel; e John Uskglass, que não tem o nome no título do livro, mas tem um papel importante durante toda a leitura, uma vez que ele é praticamente o precursor da magia na Inglaterra, também conhecido como o Rei Corvo.

Dito isso, não quero me aprofundar na história. Como eu disse, é um livro que merece ser lido, saboreado e devorado. Não tenham medo das mais de 800 páginas dele, porque por mais assunto e notas de rodapé que tenha, ele é fascinante. Pode não parecer, porque o livro tem várias partes explicativas – além das notas de rodapé, mas ele consegue ser curto, quase carente de uma continuação, com um final aberto, mas apropriado para a história – que provavelmente não terá sequência.

Acontece que, de tão fascinados pelo universo criado por Susanna Clarke, ficamos curiosos por saber mais, por desvendar os mistérios da magia com os dois magos e por mais aventuras que eles possam se meter. A mistura que a autora faz entre a ficção e os fatos históricos da época são tão próximos e tão reais que você fica se perguntando se isso realmente aconteceu de acordo com o livro e não como a História nos conta. As notas de rodapé só ajudam a dar essa credibilidade ao livro e, por mais que algumas pessoas não gostem delas (eu mesma não curto livros com tantas notas assim), você não consegue deixar de lê-las e ficar fascinada com elas e como Susanna Clarke consegue fazer conexão entre elas e a história principal e com os fatos históricos.

Os personagens muito bem construídos. Mister Norrel é um homem já de meia idade que dedicou sua vida ao estudo da magia. É muito conservador, acha que nem todos (ou praticamente ninguém além dele) são dignos de aprender magia e coloca muitas restrições na prática também. Já Jonathan Strange, que descobriu ao acaso que tem aptidão à arte, é mais dinâmico e até prático. Ele é curioso e questionador e acha que a magia deve ser disseminada àqueles que se interessam por ela. O contraste entre os dois fica mais evidente quando o assunto é John Uskglass, uma vez que Norrel despreza o Rei Corvo e Strange o considera muito importante para a história e prática da magia.

Sobre os personagens secundários e suas histórias paralelas eu vou deixar que vocês leiam e descubram sobre eles. Eles são igualmente interessantes e importantes para o desenvolvimento dos fatos do livro, mas se eu mencionar todos, a resenha ficará enorme e é provável que eu não faça jus a todos eles. Eu destaco aqui o mago de rua Vínculus e o Cavalheiro de Cabelos de Algodão.

Não é para menos que Susanna Clarke tenha demorado dez anos para escrever esse livro. Ela não escreveu nada que fosse irrelevante para a história, mesmo as histórias dentro da história, seja nos rodapés, seja no texto. E soube fazer as ligações de forma primorosa, sem furos.

Eu recomendo muito a leitura, mesmo! Mas quero avisar que esse livro é denso, portanto, alguns leitores terão dificuldade em lê-lo de uma vez – principalmente a primeira parte que é de Mr. Norrel. É um livro que pode se tornar cansativo, mas não ao ponto de você abandoná-lo por completo, uma vez que ele é bem escrito. É algo que você pode ler aos poucos, mesmo para assimilar certos fatos que ocorrem. Em determinados momentos você também pode se ver compelido a lê-lo com mais rapidez, tendo em vista a curiosidade sobre o desenrolar da trama. Então, depende muito do seu estado de espírito ao começar essa leitura. Só posso afirmar que, uma vez que você comece, não vai se arrepender.

Trailer da série:

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Seguinte.

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Ficha técnica:

Nome: Jonathan Strange & Mister Norrel
Autor: Susanna Clarke
Páginas: 821
Editora: Seguinte
Onde comprar: SaraivaAmazon
Minha avaliação:

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