Resenha: Leopardo Negro, Lobo Vermelho

Ficha Técnica:

Nome: Leopardo Negro, Lobo Vermelho

Autor: Marlon James

Tradutor: André Czarnobai

Páginas: 784

Editora: Intrínseca

Com um faro infalível para encontrar coisas que preferem ficar perdidas, o Rastreador achará tudo o que quiser. E, mesmo ciente de que o objeto de sua busca já não está mais no mundo dos vivos, o habilidoso caçador aceita a missão de localizar um garoto desaparecido. Afinal, o menino pode ser o herdeiro legítimo do trono de um império.

Seguindo rastros deixados por seu alvo, o Rastreador passa por cidades ancestrais, desbrava rios e florestas, imerge em culturas e costumes, vivencia lendas e mitos, enfrenta todo tipo de perigos: demônios, feiticeiros, bruxas, necromantes. Confrontado pela vastidão do continente, por toda a beleza e o terror em seu caminho, o Rastreador decide ir contra seus princípios de caçador solitário ao perceber que seus inimigos são mercenários atrás do mesmo objetivo.

O grupo ao qual se junta é heterogêneo e composto por personagens fantásticos, entre eles o misterioso metamorfo — metade homem, metade Leopardo —, que irá conduzi-lo em sua jornada. Enquanto lutam para sobreviver e concluir a tarefa, o Rastreador é assombrado por questionamentos: quem é o menino desaparecido? O que o fez desaparecer? Por que há tanto interesse em que não seja encontrado? Mas, sobretudo, quem está mentindo e quem está dizendo a verdade?

Inspirado nas histórias e nos folclores da África, valendo-se de uma imaginação aparentemente ilimitada, Marlon James cria uma aventura multicolorida e surrealista na qual questiona os limites da verdade e do poder e o preço da ambição. Desdobrando personagens e lendas em uma cascata vigorosa, Leopardo Negro, Lobo Vermelho é uma ode à beleza e à pluralidade da mitologia africana. (Fonte)

Trata-se de uma saga na qual acompanhamos um grupo improvável na busca de um objetivo comum. Dizendo isso você pensa em O Senhor do Anéis? Pois é… está bem longe disso!

A narrativa não é exatamente linear. Começamos com o Rastreador preso, sendo interrogado sobre a morte do menino. E a partir daí o Rastreador vai narrando sua história.
O livro é dividido em 6 partes e algumas delas até seguem uma narrativa linear e ficam um pouco mais fáceis de acompanhar. Mas, para mim, o livro se tornou confuso em alguns momentos.

A Lucy que me indicou o livro porque achou a minha cara. Adoro literatura fantástica e culturas diferentes, principalmente a Africana. E lendo a sinopse fiquei super empolgada! Uma saga que se passa em uma África ancestral fantástica só poderia ser empolgante! E comecei com uma super expectativa!

Adorei o humor ácido do Leopardo e dei boas risadas com ele. Mas lá para a página 320-330 ele é enfeitiçado e passa a agir de forma diferente, e eventualmente some da trama, para aparecer mais tarde como um mero coadjuvante, sem sua ironia, sem as características que me fizeram gostar tanto da personagem. Não posso dizer que me identifiquei ou torci por nenhum outro personagem, nem mesmo o protagonista (que na verdade é um anti-herói), que nunca me “ganhou”. Talvez este tenha sido um dos motivos que me fizeram perder aos poucos a empolgação pela história.

O ponto positivo da obra é a descrição dos lugares e criaturas fantásticas. Algumas delas eu inclusive pesquisei na internet e encontrei desenhos muito legais que me fizeram ter uma ideia melhor dessas criaturas. Uma delas, por exemplo, o Sasabonsam, um dos principais vilões. A parte política da trama também me chamou a atenção e talvez até seja mais explorada nos próximos livros (será uma trilogia). Os diálogos por vezes irônicos e/ou cômicos também trazem mais leveza à leitura (e olha que ela é bem necessária!).

Em relação aos lugares, no início de cada parte, é apresentado um mapa do lugar a ser narrado. Isso e a descrição colocam o leitor praticamente dentro das ruas e casas. O mais legal foi a descrição da cidade fantástica chamada Dolingo. É uma cidade inteira construída em árvores gigantescas e super “tecnológica”. Com tudo funcionando misteriosamente como se fosse tudo comandado por computador, mas é um mundo ancestral no qual não havia nem eletricidade! Mas há um mistério escondido nas paredes! Que não vou contar, porque sei que já tem bastante gente lendo ou interessada em ler o livro! :-p

Mas o que pegou pra mim foram os pontos negativos. O livro é definitivamente para maiores de 18 anos e para pessoas menos sensíveis. Acho até que deveria vir com alguma forma de aviso. Há tantas cenas de estupro, sexo e violência explícitos e, ao meu ver, muitas vezes desnecessárias, que me causaram um certo mal estar. Sério… são muitas! Fora algumas cenas de embrulhar o estômago (literalmente) pela nojeira com um exagero de fezes, urina e sujeira. Acho que o autor conseguiria mostrar suas ideias e chocar bastante com metade ou menos dessas cenas todas. Além do sumiço do Leopardo, esta foi uma outra questão que me fez perder qualquer conexão com a história. Com isso, a leitura ficou mais pesada e arrastada pra mim.

Enfim, este definitivamente não é um livro indicado para todos os gostos. Vi muitas avaliações de 5-4 estrelas do livro. Questão de gosto!
Mas caso você seja mais sensível em relação aos pontos que apontei acima, realmente não acho que valha a pena pra você. Caso seja uma pessoa que não fica tão mexida com tudo isso, goste de narrativas fantásticas e não se importe com uma leitura mais densa, talvez você curta mais do que eu.

Este livro foi gentilmente cedido pela Editora Intrínseca para resenha.

 

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