Resenha: Lobo por Lobo

Conheci Ryan Graudin com o brilhante A Cidade Murada, que li ano passado (resenha aqui). Quando vi Lobo por Lobo, não dei muito por ele, mas ao perceber o nome da autora na capa, quis lê-lo sem pensar duas vezes (sem nem ler direito a sinopse, aliás). Foi a melhor coisa que fiz. Ryan Graudin é daquelas autoras que você deve ler obrigatoriamente, sem piscar, até mesmo sua lista de compras no supermercado. E Lobo por Lobo, por sua vez, é um livro empolgante, que traz à tona questionamentos complexos, sobretudo a pergunta: “E se?”

(Aliás, eu adoro tanto essa pergunta que também a exploro em meus próprios livros. E aqui, nesse livro, ela é ainda mais aterrorizante.)

lobo-por-lobo“O Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial, e a Alemanha e o Japão estão no comando. Para comemorar a Grande Vitória, todo ano eles organizam o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas através das antigas Europa e Ásia. O vencedor, além de fama e dinheiro, ganha um encontro com o recluso Adolf Hitler durante o Baile da Vitória. Yael é uma adolescente que fugiu de um campo de concentração, e os cinco lobos tatuados em seu braço são um lembrete das pessoas queridas que perdeu. Agora ela faz parte da resistência e tem uma missão: ganhar a corrida e matar Hitler. Mas será que Yael terá o sangue frio necessário para permanecer fiel à missão?” Fonte

E se o Eixo tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial? É com base nessa pergunta que o livro se desenvolve. Yael é uma adolescente que faz parte da resistência contra Hitler e o Império Japonês. Judia, quando menina, foi prisioneira em um dos campos de concentração nazistas; as partes em que são narradas suas experiências e perdas no passado são as mais dolorosas e muito emocionantes. Foi utilizada em um experimento terrível com a finalidade de transformá-la em ariana, o que poderia tê-la matado no processo, como aconteceu com muitos outros, porém Yael resistiu e acabou adquirindo a habilidade de se transformar em outras pessoas, sempre mulheres.

Todos os anos, o Eixo promove uma corrida para demonstrar sua força sobre os territórios conquistados no globo. Vinte adolescentes, dez da Germânia (nova Alemanha) e dez do Japão, competem por dias e quilômetros a fio em cima de suas motos, passando por privações e perigos. No ano anterior, uma garota ganhou pela primeira vez e teve a oportunidade de dançar com Hitler na cerimônia de premiação. Dessa vez, Yael precisa roubar a identidade dessa garota, competir e ganhar para, no final, dançar com Hitler e matá-lo.

Mamão com açúcar, né?

Yael é uma personagem excepcional. Ela é muito mais do que a maioria das protagonistas distópicas de YAs, e olha que eu costumo gostar muito dessas personagens (exceto a Tris, a Tris não dá, foi mal). Yael é diferente porque ela tem camadas muito mais profundas, dilemas muito mais complexos e o sofrimento de todo um povo em cima de seus ombros. Ela tatua cinco lobos em seu braço, em cima do seu número de identificação no campo de concentração, cada um para alguém que morreu e/ou marcou sua vida. Junte a isso o horror que foi o holocausto, uma mancha na nossa história, e a coisa fica toda bem mais pesada, muito mais do que os horrores de uma ficção, que pode parecer próxima quando estamos lendo, mas fica distante quando nos separamos do livro. No final, é imaginação, mas nesse livro, não é. Poderia ter acontecido. Poderia ter sido real. E grande parte do livro foi real, pessoas foram torturadas e morreram, exatamente como Ryan Graudin descreve nesse livro. É doloroso, impactante, aterrorizante. E muito verdadeiro.

loboporlobo

Esse é exatamente aquele tipo de livro que você lê como bebe água no deserto. Você quer dormir, comer, viver, mas não dá, porque você precisa terminar esse livro antes, é quase uma necessidade física. Toda a narrativa, a forma como a história é contada, alternando-se entre presente e passado, os personagens… tão bem construídos que você chega a se afeiçoar com todos eles, até mesmo aqueles que deveria temer. Todos eles possuem nuances, e é difícil rejeitá-los, mesmo sabendo que eles podem representar a morte para Yael (e que representam/são omissos/apoiam um regime horrendo). É completamente hipnotizante.

A edição é uma delícia de ler. Diagramação confortável, letras um pouco maiores que o padrão, mas ainda num tamanho ótimo, papel amarelado, capa aveludada, revisão impecável. Lobo por Lobo é uma série, mas definitivamente não é daquelas que forçam novos livros, mas uma série que faz você pedir por mais, uma história grande demais para um livro só. Você vai ler esse livro no mesmo ritmo que as motos percorrem o Tour do Eixo: alucinante e sedento pela linha de chegada.

Livro gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Seguinte!

logo_seguinte

Ficha Técnica

Título: Lobo por Lobo
Autor: Ryan Graudin
Editora: Seguinte
Páginas: 360
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon / Saraiva / Livraria da Folha / Livraria da TravessaSubmarino / Shoptime
Avaliação: 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  


  • Shadai disse:

    Tenho “A Cidade Murada”, mas ainda não o li – e, nem sabia que foi escrito por uma mulher, muito bom!
    Não estava sabendo desse livro dela, e me interessei. Parece ser uma história incrível, extremamente criativa.
    Mas, como é uma série, acho que esperarei próximos volumes para saber se compro.

  • Resenha: Sangue por Sangue « Por Essas Páginas disse:

    […] Graudin. Sangue por Sangue, o segundo volume de uma duologia que começou com Lobo por Lobo (leia a resenha) é o terceiro livro que li da autora e, se já não estava apaixonada (acho que eu estava), agora […]

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem