Resenha: Malorie

Ficha técnica:

Nome: Malorie

Autor: Josh Malerman

Tradutor: Alexandre Raposo

Páginas: 288

Editora: Intrínseca

Doze anos se passaram desde que Malorie e os filhos atravessaram o rio com vendas no rosto, mas tapar os olhos ainda é uma regra que não podem deixar de seguir. Eles sabem que apenas um vislumbre das criaturas pode levar pessoas comuns a uma violência indescritível.

Ainda não há explicação. Nenhuma solução.

Tudo o que Malorie pode fazer é sobreviver… e transmitir aos filhos sua determinação. Não se descuidem, diz a eles. Fiquem vendados. E NÃO ABRAM OS OLHOS.

Quando eles tomam conhecimento de uma notícia que parecia impossível, Malorie se permite ter esperança pela primeira vez desde o início do surto. Há sobreviventes. Pessoas que ela considerava mortas, mas que talvez estejam vivas.

Junto dessa informação, porém, ela acaba descobrindo coisas aterrorizantes: em lugares não tão distantes, alguns afirmam ter capturado as criaturas e feito experimentos. Invenções monstruosas e ideias extremamente perigosas. Além disso, circulam rumores de que as próprias criaturas se transformaram em algo ainda mais assustador.

Malorie agora precisa fazer uma escolha angustiante: viver de acordo com as regras de sobrevivência que funcionaram tão bem até então, ou se aventurar na escuridão e buscar a esperança mais uma vez. (Fonte)

Esta resenha pode conter SPOILERS de Caixa de Pássaros.

No final de Caixa de Pássaros, Malorie e as crianças chegam a um refúgio onde ela acredita que eles poderão ficar seguros, na medida do possível.

Mesmo assim, depois de alguns anos vivendo na escola para cegos com seus filhos, Tom e Olympia, Malorie continua seguindo a filosofia que a manteve viva: “viva pela venda”. E ela sempre se preocupa em manter as crianças na linha.

Infelizmente algo acontece que faz com que partam e deixa Malorie ainda mais precavida (ou seria paranoica?). Agora ela acredita que as criaturas podem enlouquecer você pelo toque. Agora não só a venda é necessária, mas também mangas longas, capuz e luvas.

O tempo passa. Tom e Olympia agora são adolescentes de 16 anos. Olympia sempre preocupada em seguir os conselhos da mãe, mas que não deixa de fugir um pouco às regras e que se interessa por livros que falam sobre o “velho mundo”. Tom é um adolescente criativo, desafiador, rebelde e inconsequente (como muitos de nós fomos um dia).

Achei engraçado que muitas vezes me peguei com uma raiva terrível de Tom, até que identifiquei que fui uma adolescente muito parecida com ele. Quando ele é desafiador não é para ir contra ninguém, é porque ele acha que sabe o que pode ser melhor! Quando é inconsequente, está simplesmente agindo como se fosse imortal, como tantos de nós já nos sentimos um dia!

Depois de anos vivendo na “segurança” de seu abrigo, uma notícia faz com que Malorie decida arriscar a si e às crianças em busca de pessoas que ela há muito considerava mortas. Mas será que o risco vai valer à pena?

O título do livro se encaixa muito bem, considerando que desta vez mergulhamos fundo nos sentimentos e memórias de Malorie. No início, chega até mesmo a ser repetitivo, mas acho que isso só mostra a insistência dos pensamentos na cabeça da personagem. Sabe aqueles momentos em que nossos pensamentos sempre se voltam para determinada preocupação? Então, apesar de parecer repetitivo, é bem verossímil e só demonstra a obsessão de Malorie.

Não dá pra contar muita coisa sem dar spoiler, coisa que raramente faço. Mas só pra atiçar vocês, aí vai um: *ALERTA DE SPOILER* (selecione o texto ao lado para ler)  parte da viagem é feita em um “trem cego”. Dá pra imaginar?

Acho que Caixa de Pássaros foi uma novidade tão avassaladora que seria impossível manter esta mesma sensação em uma sequência. Até porque, “viver pela venda” não é mais uma novidade para nós, leitores. As criaturas, apesar de nunca terem sido descritas, também não são mais novidade. Com isso, a história perde um pouquinho de força.

Mas da metade até o fim eu li de uma só vez. Ainda é uma história de muito suspense, com alguns momentos de prender a respiração! E apresenta pontos interessantes, que nos fazem pensar sobre família, confiança, correr riscos…
Outro ponto interessante é que tudo fica bem (na medida do possível, né) quando há um equilíbrio entre a coragem, a curiosidade e impetuosidade, e a prudência e segurança. A vida não é mais ou menos assim?Quando arriscamos demais há um risco, mas quando não arriscamos, nada muda.

Muito já foi dito em relação ao simbolismo da venda ou das criaturas, principalmente quando o filme Bird Box foi lançado e você pode encontrar várias teorias na internet.
Eu, pessoalmente, acredito que a aparência das criaturas nunca é descrita em detalhes porque elas representam qualquer coisa que possa mexer com a cabeça de alguém. Cada pessoa tem medos diferentes, não só medos concretos, como medo de cobras ou aranhas (esse é o meu!!!), mas de coisas como: não ser aceito, ser menosprezado, ser traído, coisas ruins que podem acontecer com quem amamos… medos mais profundos que nos atingem bem lá na alma. Por isso, ficar cara a cara com este medo na sua forma mais pura poderia “enlouquecer” a pessoa.

O momento (distópico) atual que estamos vivendo torna impossível não relacionar a venda à máscara. Muitos não acreditavam na criatura e agiram de forma descuidada, desprezando o uso da venda e colocando a si e a outros em perigo. Qualquer semelhança é mera coincidência ou isso apenas mostra o lado pior do ser humano? É pra se pensar…

Não sei se haverá mais sequência(s). O livro não termina com um gancho, mas as criaturas ainda estão por aí. Dá pra ter prequel contando como chegaram ou uma sequência, mostrando como vai o mundo anos depois. Mas para mim, seria bem desnecessário. Este livro trouxe uma boa conclusão. Nada de extraordinário, mas conclusivo, e com um raio de esperança, que é um sentimento bem necessário atualmente, né!

A parte de agradecimentos traz um pouco sobre o processo criativo do autor. Acho super interessante poder entrar um pouco na cabeça de escritores e suas semelhanças e diferenças.

Se você curtiu Caixa de Pássaros, você vai gostar de saber o que acontece depois. Mas não espere que tenha todo aquele impacto.

Se você ainda não leu Caixa de Pássaros, leia-o! E depois leia Malorie. Realmente não dá pra ler Malorie primeiro, várias coisas não vão fazer sentido e não vai ter graça nenhuma. hehe

 

Este livro foi cedido pela editora para resenha.

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  • Debyh disse:

    Olá,
    Vi o filme porém não li o livro e muitas pessoas que leram falaram que o livro é mais aterrorizante, e deve ser, quando o autor é bom nisso fica bem aterrorizante este tipo de história. Não sei se sou muito a favor de continuações para este gênero de livro, as poucas continuações de terror que li não foram boas, ou perderam completamente o terror para mim.

  • Viviane Almeida disse:

    Oi, eu ainda não consegui assistir ao filme Caixa de Pássaros porque, não realizei a leitura do livro, agora ele teve uma continuação e estou pensando: “Será que era necessária essa continuação?” Sei lá, as vezes eu percebo que os autores fazem continuações de livros apenas para vender mais, e não que eles tivessem mais histórias para contar.

  • Nina Spim disse:

    Oi, tudo bem? Confesso que nunca me interessei por Caixa de pássaros, mas vi muita gente feliz com a continuação. No entanto, acho que ele é uma boa metáfora para a vida, também, sobre as vendas que nós nos colocamos ou que os outros nos colocam. Que bom que gostou da leitura, às vezes, depois de um hype tão grande, é arriscado dar uma continuação a isso, mas que bom que ela funcionou e que ainda tem pano pra manga, rs.

    Love, Nina.
    http://www.ninaeuma.blogspot.com

  • Maria Luíza Lelis disse:

    Olá, tudo bem?
    Acredita que eu vi a capa desse livro por aí e nem percebi que era uma continuação de Caixa de Pássaros? Sou bem distraída mesmo kkk. Confesso que não tenho a menor vontade de ler o primeiro e, por isso, essa continuação não despertou meu interesse. Mas acredito que, quem curtiu Caixa de Pássaros deve estar curioso para ler esse. Adorei ler sua resenha e que bom que, mesmo que não seja tão impactante, esse livro tem um bom desfecho.
    Beijos!

  • Lilian Farias disse:

    Eu fiquei curiosa, muito mesmo com esse livro, acho interessante a ideia da continuação, de alguma forma, me remete ao Mito da Caverna, bem como desses religiosos neuróticos que encontramos com muita frequência por aí, lógico que é uma referência simbólica.

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