Resenha: Máquinas como eu

Máquinas como EuFicha técnica:

Nome: Máquinas como eu

Autor: Ian McEwan

Tradutor: Jorio Dauster

Páginas: 328

Editora: Companhia das Letras

Londres, 1982. A Grã-Bretanha perdeu a Guerra das Malvinas. A primeira-ministra Margareth Thatcher tem seu poder desestabilizado ao ser desafiada pelo esquerdista Tony Benn. O matemático Alan Turing vive sua homossexualidade plenamente e suas contribuições para o avanço da tecnologia permitiram não só a disseminação da internet e dos smartphones como a criação dos primeiros humanos sintéticos, com aparência e inteligência altamente fidedignas. É nesse mundo que Charlie, Miranda e Adão — o robô que divide a vida com o casal — devem encontrar saída para seus sonhos e ambições, seus dramas morais e amorosos. O novo romance de Ian McEwan desafia nosso entendimento sobre humanos e não humanos e trata do perigo de criar coisas que estão além de nosso controle. Fonte

Ian McEwan, nesta obra, leva o leitor a um mundo paralelo, um espelho do nosso mundo, mas com detalhes históricos bem diferentes. O livro se passa em 1982 mas, diferente da história que conhecemos, com a Inglaterra perdendo a Guerra das Malvinas (na verdade foi a Argentina que se rendeu); Margaret Thatcher renunciando ao cargo de Primeira-Ministra devido à derrota das Malvinas (a renúncia só ocorreu novembro de 1990 depois de ser derrotada em uma eleição interna de seu partido) e Tony Benn, um político de esquerda de destaque do Reino Unido, assumindo o posto de Primeiro-Ministro; Alan Turing, morto em 18 de junho de 1954 (suicídio ou morte acidental, não se sabe), com 70 anos, desenvolvendo seu trabalho incrível em física e computação e vivendo abertamente com seu companheiro; entre outros detalhes como carros autodirigíveis, celulares, internet em plena década de 80.

Em meio a esse mundo paralelo,  Charlie Friend, um cara que não gosta de trabalhar e passa o tempo tentando investir dinheiro via internet para viver de lucro, mas que não é muito bem sucedido, usa o dinheiro de uma herança para comprar Adão, o primeiro robô com IA que poderia se passar por um humano. Charlie resolve compartilhar a configuração de Adão, as escolhas de suas características “pessoais” com Miranda, que mora no andar de cima e por quem ele é perdidamente apaixonado.

A partir daí acompanhamos o triângulo formado pelos três.

O autor aborda questões éticas interessantes, pois como humanos encaramos o relativismo como uma coisa normal e aceitável. No geral, tendemos a avaliar as coisas por diversos ângulos e levando várias coisas em consideração. Adão, por sua vez, funciona à base de logaritmos, sem nenhum relativismo, e isso fica claro no desenrolar da história. E há também as questões éticas em relação à IA e até que ponto é possível que desenvolva sentimentos e o respeito às máquinas como seres.

Achei o tema interessante e há várias questões que poderiam ser muito bem desenvolvidas, mas parece que ficam só na superfície. Isso pra mim foi um pouco frustrante!

Ele fala sobre estupro e uma falsa acusação de estupro, maus tratos infantis e adoção, o processo de aprendizado e superação da criança, as questões éticas e filosóficas que envolvem a IA. Todos temas super interessantes. Mas tive a sensação de que nada disso foi explorado ao máximo ou pelo menos desenvolvido de forma um pouco mais profunda. Ficou tudo muito superficial.

Não foi uma leitura ruim.

No começo tive um pouquinho de dificuldade para encaixar a história neste mundo paralelo e se você não tem algumas referências históricas muito disso pode passar batido. E as coisas ficam mais superficiais ainda.

No meu caso, como gosto muito de história, achei essas questões interessantes, mas não sei até que ponto necessárias.

Não sou escritora nem crítica de literatura, mas na minha mais humilde opinião, o livro poderia ter rendido muuuuuuito mais.

Considerando que Ian McEwan é autor de um dos meus livros mais amados de todos os tempos, “Reparação”, vou continuar lendo os livros dele que vierem parar em minhas mãos!

Para quem já leu Ian McEwan e gostou, recomendo a leitura. Se você não gostou, eu indicaria “Reparação”. Se você ainda não leu nada do autor, também indico “Reparação”! hehe

Este livro foi gentilmente cedido pela editora para resenha.

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  • Diane Ramos disse:

    Olá…
    Minha última leitura que realizei foi um livro desse autor e simplesmente não funcionou pra mim! Estava com muita expectativas porque ele é um autor muito amado, mas, no final das contas quase que abandonei a leitura… Desta forma, prefiro dar um tempo dele rsrs…
    Mas, quem sabe no futuro, né?

    Bjão

  • Rayanni Kellsin disse:

    Olá, tudo bem?
    Não conhecia a obra e confesso que não é muito do que leio atualmente, mas tenho que admitir que fiquei bem curiosa com as suas considerações, vou ficar de olho!
    Um beijo.

  • Tay Meneses disse:

    Nunca li nada do autor, mas só pela premicia do livro eu o leria. Gosto quando o autor mescla fatos históticos a seu enredo. Gosto também dessa interação entre inteligência artificial e os humanos. Quem sabe qualquer dia eu dê uma oportunidade a essa obra, quem sabe!

  • Camila - Leitora Compulsiva disse:

    Oi, Drika.
    Eu ainda não li nada do autor, mas sempre li excelentes críticas sobre os livros dela. Uma pena que essa história não tenha atingido todo o seu potencial. Não sei se o autor fez isso de propósito ou não, mas mesmo assim achei a premissa curiosa o suficiente para eu querer tirar a prova! Rs…
    Beijos
    Camis – blog Leitora Compulsiva

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