Resenha: Mastigando Humanos

NHAC! Com fome de loucura? Pronto para fazer uma boquinha? Então Mastigando Humanos é o livro certo para você. Pegue seu chá de cogumelo, toque “Lucy in The Sky with Diamonds” e se prepare para a “viagem” que é este livro. Torça para não ser uma bad trip..

“Cuidado. Este livro quer te comer. O suculento naco que você tem agora em mãos (ou já sobre o prato?) traz os dentes afiados e a mais tenra fome temperada com fartas doses de apetite e gula. Mordisque algumas páginas, galerias e câmaras, e seu estômago é que gritará para devorá-lo! Porque são tantas as fomes salivando entre si, famélicas umas das outras, que, seja abocanhando, seja engolido, ao fim estaremos saciados. O que difere então uma isca do prato principal? Banquete e junkie food? Humano, animal, mente, corpo, civilização, barbárie, sol, luz fluorescente, desejo, moral…? “Preencher as frestas em silêncio” ou, parafraseando o jacaré narrador desta história, a vida é apenas o intervalo entre o que nos alimenta de verdade – e só a variedade alimenta. Por isso você lamberá os dedos para mudar essas páginas. Por isso regurgitar a digestão e vice-versa. Como bem disse Sebastian Salto: “minha fome é maior do que eu mesmo”. O mundo é definitivamente um grande estômago – e é preciso tê-lo para sobreviver engolindo sapos ou comendo moscas. Existe luz no fim do esgoto, ou melhor, dentro dele, melhor ainda: existe humor gourmet in natura. Enfim, você está lendo uma ORELHA, percebe? Feche com muito cuidado este livro (e sua boca) se não quiser tornar-se um suculento naco entre as patas do próximo leitor…” (Fonte: Skoob)

Importante: Esta resenha contém spoilers, porém a trama é tão insana que não estes não tiram a graça da leitura. Sem contar que é impossível spoilar piadas e divagações de um crocodilo.

Acompanhamos a história de um crocodilo que, chateado com a vida bucólica de seus semelhantes, resolve se aventurar por águas mais sujas e com sabor diferenciado – os esgotos de uma cidade qualquer. O livro é narrado por nosso amigo repitiliano, que afirma ter desenvolvido a capacidade de raciociínio devido aos tóxicos ingeridos no esgoto.

Podemos dividr o livro em três partes – Esgoto, Universidade e Motel. Bizarro? Sim, mas afinal em um livro narrado por um crocodilo, esse é o menor dos males. O livro peca mesmo, por ter somente um capítulo. Isso mesmo, um capítulo de 174 páginas, sem quebras ou divisões.

Na primeira parte, Esgoto, conhecemos os amigos do crocodilo: Brás, um cachorro – cujo alguns de seus amigos foram devorados – Santana, um velho tonel de óleo – sua primeira paixão – Vergueiro, o sapo fumante (entre outros vícios). Após instalar-se nos esgotos e se alimentar dos dejetos e detritos humanos, instaura-se uma ditadura dos ratos, que passam a controlar todos os objetos e alimentos que saem pelo esgoto, para desespero do narrador. Junte a fome com a oportunidade – uma moça que perde o sapato no esgoto e solicita a ajuda do narrador para recuperar o mesmo – e temos a primeira refeição humana do livro – Anhangabaú, o travesti.

 

Mastiguei-a demoradamente, separando o corpo da roupa, os ossos da carne. Ossos ocos como água de coco. – página 58

Com certeza você deve ter pego a impressão que este é um livro sarrista, impossível de ser levado a sério. Afinal com uma história tão absurda, como não rir, não é mesmo? Porém o autor  surpreende nesse quesito, tornando o crocodilo extremamente filosófico e analítico. Divagamos sobre sapos , cachorros, literatura, digestão, docência, cadeia alimentar, a humanidade entre outros. É bastante assunto pra digerir e por vezes pode causar indigestão (ok – parei com os trocadilhos), ou seja, um leitor não preparado para tantos monólogos e teorias pode se cansar facilmente.

Essa ditadura dos esgotos é rompida, com a introdução de Vergueiro – o lagostim, o qual incitará idéias revolucionárias na mente de nosso amigo de sangue frio. É aqui que o bicho pega, literalmente. Nosso narrador finalmente se solta e devora tudo que vê pela frente, ratos, esquilos e um verdadeiro buffet de humanos. Infelizmente a festa não dura muito tempo devido à uma construção que chega até o lar do crocodilo e seu subsequente envio à universidade para estudos.

Começamos então à espiral descendente do livro. A universidade revela-se um centro de estudos para outros animais tão ou mais inteligentes como o nosso narrador, todos estudando e lecionando outros animais, sem necessariamente um motivo específico à não ser controlar seus instintos básicos. É um lanche rápido e sem graça comparado com o verdadeiro banquete filosófico e cômico que foi o Esgoto. Temos uma nova fauna divertida para acompanhar nosso réptil-autor, com destaque para a sucuri Jasmin, altamente cínica do status do qual os animais inteligentes conquistaram.

Fechamos o livro com o crocodilo se mudando para um hotel para focar na escrita de suas memórias e suas teorias – o livro que você possui em mãos. Aqui o autor já mostrou que não tem mais cartas na manga e continua repetindo a fórmula ao inserir personagens bizarros e filosofias crocodilianas (um notebook com personalidade e uma aranha escritora). A essa altura o material está gasto e o leitor ansioso por um desfecho, algo novo, um sentido para essa loucura toda, e o autor não entrega. O leitor ficará na mão se espera uma lição de moral, uma reviravolta ou conclusão. É melhor apreciar o livro pelo que ele é, um buffet de idéias sem sentido com direito a loucura como sobremesa.

 

Ficha Técnica
Título: Mastigando Humanos
Autor: Santiago Nazarian
Editora: Record
Páginas: 176
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (E-book)/Amazon(E-book)
Avaliação: 

 

 

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  • Suelen Mendes disse:

    Eu realmente não me interessei pelo livro,nunca tinha ouvido falar dele,mas varias coisas que vc disse durante a resenha só me fizeram não querer ainda mais o livro,não é o tipo de leitura que eu vá gostar.
    Bjus

  • Douglas Fernandes disse:

    Eu quero esse livro, adorei, ri demais lendo essa resenha, imagina lendo o livro…kkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Sério?? só 1 capitulo de 174 páginas?? O.o
    achei muito legal, ja disse que quero esse livro?? rsrs

  • Gustavo disse:

    Eu detestei a sinopse kkkk muito louca e sem noção, não compraria o livro baseado nela, mas sua resenha me fez relevar um pouco a situação toda, não sei se vou obter o livro, mas já não é uma impossibilidade kkk ele parece engraçado, mas sei la, odeio livros com capítulos enormes (se um capítulo tem mais de 25 páginas já fico incomodado, imagina um com 174 kkk), sou uma pessoa que para muito a leitura, e não gosto de parar no meio de um capítulo, sei la né, estou em um complexo dilema agora kkk

  • Patrini Viero disse:

    Ok, eu estou confusa haha literalmente confusa. Não consegui entender o livro, não entendi a proposta, mas tenho certeza que vou rir bastante. Gostei do crocodilo filosófico, acho que ele será um personagem difícil de esquecer. Mas confesso que achei desnecessário tanta esquisitice para um final sem sentido.

  • Nathalia Simião disse:

    Caraca que louco! Já vi livro narrado por cachorro e por gato mas por um crocodilo é a primeira vez. Achei bem legal a resenha e o que o autor fez com o livro, fiquei louca pra ler.

  • Patricia Moreira disse:

    Que loucura! Hahahaha. Achei muito engraçado, mas não sei se faz meu estilo. Teria sérios problemas por ser um cap só já que eu sempre paro de ler em um cap.
    E essa capa? Achei simplesmente linda! Esse rosa + título + crocodilo na capa com certeza chama a atenção.

    Bjs

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