Resenha: Mundo Novo

Mundo Novo“Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos.
Imagine uma Nova York em que animais selvagens vivem soltos no Central Park, a Grand Central Station virou um enorme mercado e há gangues inimigas por toda a parte. É nesse cenário que vivem Jeff e Donna, dois jovens sobreviventes da propagação de um vírus que dizimou toda a humanidade, menos os adolescentes.
Forçados a deixar para trás a segurança de sua tribo para encontrar pistas que possam trazer respostas sobre o que aconteceu, Jeff, Donna e mais três amigos terão de desbravar um mundo totalmente novo. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos – afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.”

Vou começar essa resenha sendo bastante sincera: eu fiquei com uma dúvida muito grande se eu lia Mundo Novo ou não. A sinopse dele me chamou muito atenção, porém… Ele tinha todos os requisitos para ser uma grande decepção. Então eu pensei… Pensei uma outra vez… Pensei novamente… E depois de algumas mensagens da Lucy, resolvi arriscar. E que bom que isso aconteceu – porque Mundo Novo foi uma leitura deliciosa e exatamente o que eu precisava nesse momento.

Em Mundo Novo, o planeta Terra está bem diferente do que nós conhecemos. Um homem havia dado entrada em um hospital se queixando de dores no peito. Dentro de um dia o hospital inteiro foi varrido pela doença. O vírus não deixou nenhuma chance: ninguém conseguia contê-lo e rapidamente ele foi se espalhando pelo mundo todo. A internet e todos os meios de comunicação começaram a sair do ar, um a um, e a histeria começou a tomar conta da população. Mas essa doença tinha uma característica peculiar: ela só atacava adultos e crianças pequenas. Depois de um mês, em Nova York, só tinham restado os adolescentes. Para tentar sobreviver, os jovens dividiram-se em tribos, cada um com uma filosofia diferente. Mas todos eles sabem do seu fim certo: aos 18 anos, por causa do vírus, todos eles irão morrer.

E é assim que o livro começa, com Walsh, líder da tribo da Washington Square, “comemorando” o seu aniversário de 18 anos. Após a sua morte, mesmo sem achar que merece o cargo, Jefferson (irmão de Walsh) acaba assumindo a liderança da tribo. A primeira missão que ele resolve fazer parte é logo uma super arriscada. Crânio encontrou um resumo de um artigo científico que tem algo a ver com o Ocorrido (que é como eles chamam quando a Terra foi varrida pelo vírus) e que, com base nele, talvez eles conseguissem uma cura para a doença. Só que na biblioteca eles só tem o resumo, e ele precisaria ir na biblioteca principal para ter acesso ao texto inteiro. Mesmo sendo totalmente perigoso, e até mesmo considerado loucura, Jefferson embarca na ideia. Mas os dois não vão sozinhos, e contam com a ajuda de Donna, Peter e Minifu.

MUNDO NOVO É ÓTIMO! Mas eu fiquei pensando… Se eu fosse ler isso em uma resenha, também não acreditaria. Então eu vou dar uma de Donna (vocês vão entender mais sobre ela daqui a pouco), e ao invés daquele texto todo bonitinho, vou dar uma modificada. Vou fazer uma lista de tudo o que me chamou atenção nele!

1. Sim, ele é Jovem Adulto. Então, o mundo pós-apocalíptico é descrito com base para essa faixa etária. Mas não vão pensando que esse é um livro 100% leve por causa disso. Claro que ele não tem cenas estilo filme de terror, mas ele tem partes extremamente cruéis e outras que me deixaram “Ewww que nojo”. Se eu tivesse que comparar (odeio fazer comparações, mas às vezes elas são necessárias), ele segue um pouco o estilo de Jogos Vorazes. Ele assusta, sem ser apelativo. E posso dizer que o autor mostrou que consegue ser cruel quando necessário;

2. Vamos falar sobre o autor. Vocês provavelmente já conhecem Chris Weitz mesmo esse sendo o seu primeiro romance, já que ele é produtor, roteirista e diretor de cinema! Por exemplo, ele dirigiu e escreveu o roteiro de Um grande garoto, dirigiu A bússola de Ouro e Crepúsculo: Lua Nova. E deve ser exatamente por causa dessa base que ela inseriu várias referências nerds, que deram todo um charme especial para o livro. Sim, ele menciona Edward Cullen – de uma forma que me arrancou muitas risadas.

“Não é exatamente a Sociedade do Anel, mas não é tão ruim assim, quando se pensa com calma a respeito. Não posso dizer que o pessoal tenha feito um ótimo trabalho no Conselho de Elrond. Quatro hobbits? Sério? De um total de nove? Sei que tudo deu certo, mas… gerenciamento questionável.” – página 53 (Jefferson)

3. Se nós formos analisar os protagonistas desse livro, a primeira coisa que nós pensamos é “Lá vem os clichés”. Mas Chris pegou os clichés e os transformou de uma forma que você fica UAU! Na verdade, foi isso o que me chamou muita atenção. Como podemos notar na sinopse, existe um romance nesse livro entre Jefferson e Donna, que aliás são os dois narradores do livro. O livro é em primeira pessoa com capítulos intercalados de cada um dois (inclusive a fonte usada em cada capítulo é diferente, achei bem interessante isso). É muito difícil você ter um livro em que o rapaz é completamente o romântico e apaixonado, enquanto a menina é toda “Não, não sei se gosto de você. E o mundo vai acabar DUH para que eu vou me preocupar com isso?”. Eu ADOREI o contraste na narração dos dois, porque era tão diferente. Jeff todo certinho e compenetrado, com toda aquela mania de tenho-que-salvar-o-mundo. Donna, contando a realidade sem colocar nenhuma lente colorida na frente. Ela usa gírias sem parar enquanto Jeff adora descrever os lugares. Se você abrir em qualquer página, e ler qualquer trecho, você consegue identificar quem é o narrador.

“Em muitos livros, o autor acha que é legal ter um “narrador não confiável”. Para fazer com que a gente fique na dúvida, e para reconhecermos que nada é absoluto, tudo é relativo, ou qualquer coisa assim. Eu acho isso meio furado. Então, só para você saber, vou ser uma narradora confiável. Tipo, totalmente confiável. Pode confiar em mim.

A primeira coisa a meu respeito: não sou bonita. Se você está tentando imaginar como eu sou, não imagine uma estrela de cinema ou algo assim.” – página 20 (Donna).

Outra diferença é que o Jeff escreve os diálogos da forma normal, e Donna, quando várias pessoas estão conversando, escreve de uma forma que eu nunca vi. Ela vai colocando o nome das pessoas ao lado, como por exemplo:

Peter: Você está sendo paranoica.

Eu: Sim, com certeza, estou reagindo de maneira exagerada a todos aqueles bandos armados.” – página 50.

Eu achei muito estranho no início e fiquei um pouco incomodada até eu me acostumar… Porém isso demonstra mais uma característica da Donna: ela não tem paciência de ficar colocando travessão e explicando com frases bonitas quem disse aquela frase. Ela só quer passar a mensagem dela da forma mais rápida possível.

4. Esse livro tem uma das declarações de amor mais sensacionais que eu já li até hoje. Não contarei mais porque é spoiler, mas…. UOW!

5. A descrição de todo o mundo pós-apocalíptico foi muito bem feita. Primeiro, é muito interessante ter os dois narradores, porque nós temos uma visão toda esperançosa de Jeff e uma completamente realista de Donna. Mas aos poucos nós vamos descobrindo o motivo de ela ser assim… E, em vários momentos nós conseguimos realmente perceber o desespero desses adolescentes em sobreviverem em um mundo sem nada do que nós estamos tão acostumados hoje em dia. É realmente muito triste pensar na situação em que eles estavam.

“Mas, quando ela canta, minha mente é inundada por todas as preciosas coisas idiotas que tínhamos e perdemos – paquerar, querer saber se um cara gostava de você, dar seu número de telefone, escolher a roupa, mandar mensagens pelo celular, acessórios, olhares e risos, e a TV idiota, música idiota, pizza idiota, jogos idiotas, revistas idiotas, maquiagem idiota, livros idiotas e tudo idiota” – página 196 (Donna).

Enfim, já falei muito e essa resenha está enorme! Prometo que vou terminar, mas só gostaria de dizer que o final me deixou na ponta da cadeira e eu fiquei “CADÊ O SEGUNDO VOLUME?” (sim, é série, o que vocês esperavam?). E é claro que eu vou terminar com um aviso de LEIAM Mundo Novo!

(Eu sei gente, eu ando muito rigorosa ultimamente, e esse foi o motivo de eu não ter dando cinco estrelas. Mas é que alguns detalhes no enredo me incomodaram um pouquinho porque arrastaram muito o livro. Pode ser porque eles vão ser relevantes para os próximos livros, mas enquanto isso, fica a minha opinião de quatro. E também por causa da capa. Esse livro merecia uma capa muito mais bonita e que demonstrasse melhor a ideia central dele. Mas é um 4-quase-5 estrelas).

 Livro gentilmente cedidos para resenha pela Editora Seguinte!

Ficha Técnica

Título: Mundo Novo
Autor: Chris Weitz
Editora: Seguinte
Páginas: 323
Onde comprar: :Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Amazon
Avaliação:

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  • Cecília Martinns disse:

    Olá, nossa eu estou muito na vontade de ler esse livro, a capa dele me chamou muito a minha atenção.
    E a sinopse é muito interessante, gostei dessa mistura de que tem nesse livro, é bom ler é uma resenha positiva desse livro, com certeza vai entrar na minha lista de compras.

  • Gustavo disse:

    Jura que você não gostou da capa? Eu achei ela tão legal, nada incrível, mas achei bem bonita. Eu nunca tinha ouvido falar do livro, mas achei a sinopse muito legal e também fiquei bem em dúvida se leria ou não, e sua resenha me comprovou que tenho que ler. Parece ótimo e muito bem construído. Quero muito ler, muito mesmo, e espero que as continuações cheguem logo… Alias, já foi divulgado quantos livros a série terá?
    Adorei a resenha, e adorei o estilo listinha kkkk

  • Karen Alvares disse:

    Lany, você me deixou com vontade de ler esse livro! Aaaaahhhh, e a pilha, como fica?
    Eu já tinha visto esse estilo de diálogo. É muito bacana, e parece que combina bastante com a personagem no livro. :)
    Gostei, só ficou aquele pequeno desânimo por ser, mais uma vez, uma série… se bem que agora não posso mais dizer isso, eu escrevi uma série (mas é pequena e já terminei!) hahahaha :D

  • Netto Baggins disse:

    Nossa, achei essa sinopse tããão clichê que mesmo com seus elogios no início da resenha nâo fiquei muito convencido de que o livro pudesse ser bom, mas depois da listinha, fiquei bem mais interessado!

  • Matheus Braga disse:

    Hey Lany, tudo bem?

    Infelizmente não consegui ter uma leitura tão prazerosa quanto a sua, eu odiei Mundo Novo. Realmente devo concordar que a narrativa dele é diferente e eu particularmente amei os trechos narrados por Donna, mas o livro me passou uma premissa de mundo pós apocalíptico no qual todos estão fazendo de tudo para sobreviver, mas o que eu realmente tive a impressão era que o foco do autor estava mais no relacionamento entre a Donna e o Jeff do que realmente focado no apocalipse. Tudo bem, ele estava presente, mas a meu ver houve uma inversão ali, era para o fim do mundo ser o foco principal, mas ele foi apenas um coadjuvante. Pelo menos essa foi a impressão que tive XP

    PS: Achei bacana colocar os motivos pelo qual gostou da obra como lista, é raro ver isso em uma resenha ^_^

    Grande abraço,
    Matheus Braga
    Vida de Leitor – http://vidadeleitor.blogspot.com.br/

  • Carolina disse:

    Oi Lany, tudo bem?
    Eu já tive a oportunidade de ler “Mundo Novo” e adorei. Achei diferente e os personagens principais intrigantes. Houve situações que também não me agradaram, mas no geral, foi um primeiro livro muito bom.
    Parabéns pela resenha!
    Bjkas

  • Brenda Carolina disse:

    Eu já tinha ouvido falar desse livro mas não tinha me interessado muito não. Mas depois dessa resenha maravilhosa, como não ler?
    Parece ser muito bom e acho que irei gostar demais. Está na minha wishlist!
    Beijos

  • Douglas Fernandes disse:

    Gente, adoro historias pós apocalipticas, e fui lendo sua listinha ali e UAU, preciso desse livro, agora fiquei curioso sobre essa declaração, quero saber que declaração foi essa!!!!!!!!! hahahahaha

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