Resenha: O Impulso

Ficha técnica:

Título: O Impulso

Autor: Ashley Audrain

Tradutor: Lígia Azevedo

Páginas: 328

Editora: Paralela

Blythe Connor está decidida a ser a mãe perfeita, calorosa e acolhedora que nunca teve. Porém, no começo exaustivo da maternidade, ela descobre que sua filha Violet não se comporta como a maioria das crianças. Ou ela estaria imaginando? Seu marido Fox está certo de que é tudo fruto do cansaço e que essa é apenas uma fase difícil.

Conforme seus medos são ignorados, Blythe começa a duvidar da própria sanidade. Mas quando nasce Sam, o segundo filho do casal, a experiência de Blythe é completamente diferente, e até Violet parece se dar bem com o irmãozinho. Bem no momento em que a vida parecia estar finalmente se ajustando, um grave acidente faz tudo sair dos trilhos, e Blythe é obrigada a confrontar a verdade.

Neste eletrizante romance de estreia, Ashley Audrain escreve com maestria sobre o que os laços de família escondem e os dilemas invisíveis da maternidade, nos convidando a refletir: até onde precisamos ir para questionar aquilo em que acreditamos? (Fonte)

O livro é um desabafo escrito por Blythe para contar seu lado da história. Este desabafo é intercalado por alguns capítulos em itálico que nos trazem o passado de Blythe, desde a infância de sua avó, a infância de sua mãe e a infância da própria Blythe, que já nos dão uma base para interpretar o comportamento de Blythe. Mas seria possível estabelecer como age uma pessoa porque seus pais e avós agiram de uma determinada maneira? O livro me trouxe este questionamento, não de uma forma explícita, mas achei muito interessante e inteligente a ferramenta utilizada pela autora. Já ganhou pontos aí!

Blythe conta, em suas próprias palavras, como foi ter sua primeira filha, Violet, e todas as questões envolvidas em seu relacionamento. Mas esqueça aquele relato das mães apaixonadas que com um sorrido cansado dizem que “tudo vale a pena”. Este é um outro ponto muito interessante neste livro. A maternidade não tem aquele ar romantizado de que todas as criancinhas são fofas e amáveis. Em um determinado momento me senti dividida entre entender os problemas de Blythe e ver que Violet não era uma criança tão lindinha, e ficar com dó de Violet e entender a tristeza de Fox, o marido, que em muitas vezes questiona o comportamento da mulher.

E então vem Sam, o segundo filho do casal. E Blythe parece tão diferente. Sua relação com o bebê desde o momento do seu nascimento nos traz aquela imagem da mãe amorosa que, mesmo com um olhar cansado, diz que “tudo vale a pena”. A própria Blythe se questiona: “então é assim que deveria ser?”. E então, o mundo de Blythe desmorona de vez quando um acidente a faz colocar todos os seus questionamentos em foco e a buscar dentro de si as respostas para eles. E, então, voltando ao primeiro parágrafo aí acima, nos perguntamos, será que o problema da família de Blythe está nas relações entre mães e filhas?

Este não é exatamente um thriller. Está mais para drama, nos mostrando a fundo os sentimentos feridos de uma mulher, seus próprios questionamentos e a busca para respondê-los. E então… a última frase do livro, a última mesmo, transforma toda a história de forma magistral. Aplausos para a autora!

Foi meu último livro do ano e acho que encerrei as leituras do ano muito bem!
Eu indico!

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Paralela, selo da editora Companhia das Letras.

 

Compartilhe:
  •  
  •  
  •  
  •  


  • Bianca Ribeiro disse:

    Oi!!

    Eu recebi o livro também e terminei pouco antes do ano acabar hahahahah eu gostei muito de como a história se deu, muito bacana! Parece muito com outros livros que eu já li então eu já tava esperando pelo que aconteceu no final, também porque eu leiomuito do genero, mas adorei a escrita da autora e como ela desenvolveu tudo, ficou muito bom mesmo!!
    Adorei sua resenha!!

    [Reply]

    Drika Reply:

    Oi Bianca.
    Que legal que gostou! Como eu disse em alguns outros comentários, apesar de ler muitos thrillers, acho que eu mudei a minha perspectiva durante a leitura e encarei como drama, talvez isso tenha me surpreendido um pouco. Pra mim, o final foi como colocar o pingo no i e definir de uma vez o que era real.

    [Reply]

  • CRIS disse:

    Oi Drika!
    Olha fiquei com os olhos pregado na sua resenha, muito curiosa com o desenrolar da trama, mas vou ser sincera fiquei com medo pois tenho certo receio de ler livros com crianças com dupla personalidade quando a mãe tem suas dúvidas, tem coisa aí kkk. Parabéns pela resenha, dica anotada, bjs!

    [Reply]

    Drika Reply:

    Oi Cris.
    Não tema! hahaha Se tem coisa aí? Pode ser. Mas como não é daqueles thrillers que mal te dão tempo para recuperar o fôlego, dá pra ir digerindo bem a história e tirar suas próprias conclusões. Eu, por exemplo, me surpreendi com o final, apesar de não ser tão inesperado, porque durante a leitura eu mudei minha perspectiva. Põe na lista! 😉

    Bjs

    [Reply]

  • Gisele disse:

    Olá tudo bem ? Que intenso não ?!
    É um fato que os relacionamentos que temos de referência maternas nos criam sim algo, mas temos sempre a opção de ser diferente daquilo que tivemos. E ainda é sim outro fato que romatizam demais a maternidade, que não é algo tão simples, mas me parece que temos algo bem mais enraizado aí.
    Fiquei bem curiosa. Parabéns por sua resenha.
    Beijos

    [Reply]

    Drika Reply:

    Nossa, Gisele, seu comentário casa super bem com a história e é bem por aí mesmo. Acho que você vai curtir esta leitura!

    Beijos

    [Reply]

  • Ana Caroline Santos disse:

    Olá, tudo bem? Estou mega curiosa com o livro, ainda mais por saber que mais é drama que thriller. Lembro que quando foi anunciado, fiquei curiosa com a temática ser atual e que conversa com um público que estar ao meu redor. Espero curtir! Gostei de saber sua opinião sobre!
    Beijos

    [Reply]

    Drika Reply:

    Oi! Mantenha essa curiosidade bem aguçada e coloca logo ele na lista! 😉

    Beijos

    [Reply]

  • Erika Monteiro disse:

    Oi, tudo bem? Tenho visto alguns comentários sobre o livro e confesso que fiquei bem curiosa principalmente para saber quais são esses questionamentos. Acredito que cada família tem suas particularidades, seus segredos, e sua maneira de encarar a vida. É uma linha invisível que muitas vezes não devemos ultrapassar. Também achei que o enredo parece mais um drama do que thriller. Um abraço, Érika =^.^=

    [Reply]

    Drika Reply:

    Olha, eu acho que se ler pensando naquelas cenas de perder o fôlego dos thrillers, pode decepcionar um pouco. Mas que o leitor fica com uma pulguinha atrás da orelha o tempo todo, fica sim!
    Espero que tenha a oportunidade de lê-lo.

    Abraços!

    [Reply]

  • Delmara Silva disse:

    Oie,
    eu fiz essa leitura recentemente e adorei. Concordo com você que a trama é muito mais voltada para o drama. Eu gostei bastante também da narrativa singular que a autora usou e das passagens de tempo. Mas o desfecho deixou um gostinho agridoce, fiquei com muita dó da Blythe, queria que ela tivesse conseguido alcançar a felicidade de alguma forma.

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

    [Reply]

    Drika Reply:

    Oie!
    Mas, olha só, o bom é que a Blythe pelo menos teve algum tipo de resposta para as indagações dela. Acho que isso a ajudaria a se encontrar, naquele universo depois do ponto final, sabe!

    Abraços!

    [Reply]

  • Gustavo (Leitura Enigmática) disse:

    Esse livro está me deixando muito curioso para ler,pois só leio resenhas super positivas sobre ele, espero ler, assim que ele for lançado, pois desejo saber dessa história na íntegra.

    [Reply]

    Drika Reply:

    É mais difícil que um livro com tantas resenhas positivas decepcione, né! Espero que você curta!

    [Reply]

  • Lauri Brandão disse:

    Oi, tudo bem?
    Não conhecia esse livro, mas a premissa é ótima.
    Adorei sua resenha, e anotando essa dica, pois quero ler.

    Bjs.
    Manuscrito de Cabeceira

    [Reply]

    Drika Reply:

    Põe na lista! Espero que a resenha tenha te ajudado a ter uma ideia legal do livro.
    Bjs

    [Reply]

  • Maria Luíza Lelis disse:

    Oi, tudo bem?
    Eu li esse livro mês passado, foi uma das minhas primeiras leituras de 2021 e gostei muito. Confesso que eu estava esperando um thriller e nesse ponto me decepcionei um pouco. Mas é um drama psicológico muito intenso e bem construído. Adorei a forma como a autora abordou assuntos tão fortes e importantes através da protagonista e os conflitos que ela teve. Não achei o final surpreendente, pelo contrário, para mim foi algo bem óbvio desde o início. Porém, gostei do desfecho mesmo assim, porque achei que foi muito coerente com a história.
    Beijos!

    [Reply]

    Drika Reply:

    Pois é Malu, acho que o final acabou me surpreendendo por eu ter “baixado a guarda”. rs Quando tudo pareceu mais um drama do que um thriller, comecei a pensar que era tudo da cabeça da Blythe. Mas de qualquer forma, também achei coerente. Legal poder trocar ideia com quem já leu! 😉
    Beijos!

    [Reply]

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem