Resenha: O lado bom da vida

Assim que a Intrínseca lançou esse livro e vi que teve uma adaptação (argh!) cinematográfica que está até concorrendo ao Oscar, eu resolvi me arriscar e o comprei.

Não me arrependo de forma alguma! A história de Pat é emocionante e já digo que é uma das histórias mais bonitas que já li. Vai ser complicado falar de um livro que eu gostei tanto, ainda mais sem soltar spoilers, mas ultimamente eu tenho tido sucesso nisso, então…

o lado bom da vidaSinopse: Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele ‘lugar ruim’, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um ‘tempo separados’. Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com o pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida. Fonte

Eu começo dizendo que comprei o livro em e-book e estranhei quando vi que no início do capítulo tinha um grande número quatro. Afinal, quando se abre o arquivo pela primeira vez, ele começa pelo capítulo um. Então lá fui eu procurar no índice, quando me dei conta de que TODOS os capítulos eram numerados como quatro.

Só isso já bastou para aguçar minha curiosidade.

Mas vamos ao livro: Pat recebe a visita de sua mãe, que consegue que ele saia do “lugar ruim”, desde que ele concordasse em não procurar Nikki. Pat decide ir, mesmo porque é muito mais fácil enganar sua mãe do que os médicos pessimistas do “lugar ruim”, onde ninguém acredita nos amor ou finais felizes e, principalmente, onde todo mundo diz que Nikki não vai querer vê-lo, falar com ele… Enfim, nunca davam esperanças de que Pat seria feliz novamente e ele definitivamente não queria ficar em um lugar  em que os médicos tem deprimentes filosofias de vida.

Ao sair do lugar ruim, Pat não tem noção do tempo em que ficou fora de casa, percebe a mudança na fisionomia de algumas pessoas, algumas diferenças de lugares e também não lembra o que aconteceu antes de chegar no lugar ruim. Só sabe que Nikki pediu o “tempo separados” e ele decidiu usar esse tempo para se tornar uma pessoa melhor para Nikki.

“Se as nuvens estão bloqueando o sol, sempre tento ver aquela luz por trás delas, o lado bom das coisas, e me lembro de continuar tentando (…)”

Tanto que, apenas para agradar Nikki, ele começa a ficar obsessivo quanto aos exercícios físicos, começa a ler os livros que Nikki pede para seus alunos lerem (e joga um deles pela janela – falando spoilers do tal livro, aliás), começa sua terapia com o Dr. Patel, um psiquiatra indiano muito gente boa e decide praticar ser gentil em vez de ter razão.

Sua relação com a família é um pouco conturbada, mais em relação ao pai, que inicialmente se mostra relutante em falar com o filho. A obsessão pelo futebol americano e o time do coração, Eagles (E-A-G-L-E-S!!!!) acaba por aproximá-los um pouco, mesmo que de forma muito discreta.

“Dói olhar para as nuvens, mas também ajuda, como a maioria das coisas que causam dor”.

E claro, não posso deixar de falar sobre ela: Tiffany. Ela é a cunhada de seu melhor amigo, Ronnie. Tiffany estava passando por uma fase bem difícil depois da morte do marido, tendo dificuldades de superação e tudo o mais, e sua família estava tentando ajudar. De certo modo, Ronnie depois fala que ela não é para Pat, ao passo que Pat diz que, de qualquer forma, ele era casado e não tinha motivo para se envolver com Tiffany.

A amizade entre os dois assusta Pat. Primeiro porque ele nem queria ser amigo dela. Eles se encontram na casa de Ronnie para um jantar e logo depois Tiffany pede que Pat lhe leve para casa e lhe faz uma proposta indecente. Pat é casado, afinal! (pelo menos é o que ele acredita). Foi o Dr. Patel cupido que deu a dica à Pat, dizendo que provavelmente ela só precisava de um amigo. E como Pat está tentando ser gentil em vez de ter razão, ele aceita ser amigo de Tiffany.

Pat é como uma criança: inocente, com uma fé que vai conseguir superar todos os obstáculos para ficar novamente com a esposa. Não tem muita noção da realidade. Vendo agora, ele me lembra Pollyanna com seu jogo do contente. Mas ele é muito além disso. Inclusive, ele tem como arqui-inimigo Kenny-G. Sua narrativa é fluida, não tem como você ler e não morrer de curiosidade sobre esse hiato na vida dele, por quê Kenny-G é o homem que ele mais teme, por quê Nikki não quer vê-lo e,  afinal, o que Pat fez antes do tempo separados e antes de ir para o lugar ruim.

Tiffany tem uma grande participação na vida de Pat, ainda mais quando aceita ser uma intermediária entre Pat e Nikki, pedindo apenas que Pat dance com ela em um concurso. Confesso que a descrição no momento da dança, a música que foi tocada, me emocionou bastante, a gente começa a sentir a dimensão do sofrimento da Tiffany e também de uma esperança que ela vinha alimentando há um certo tempo.

A família de Pat não é tão feliz. O pai não ajuda em nada, não aceita a condição do filho. A mãe é a verdadeira fortaleza, mas mesmo ela teve seu momento de clicar aquela tecla com “F” que todo mundo gosta quando não suporta mais determinada situação. Por um momento achei que o pai de Pat tivesse salvação, mas… Enfim, ele também tem um irmão, Jake. Apesar de Jake não ter ido visitá-lo no lugar ruim, ele passa a dar todo o apoio possível para a recuperação de Pat já fora do lugar ruim.

A parte que me irritou um pouco, mas que fazia parte da vida de Pat, era o futebol americano. Concordo com Tiffany sobre deixar o futebol pra lá. A fixação pelo Eagles (E-A-G-L-E-S!!!) era quase comparada a uma torcida organizada de um time paulista ou carioca. Sério, nunca vi tanta mobilização por um time… Pensando bem, já vi…

Ah, eu disse ali em cima que o livro foi adaptado para o cinema. Mentira, o filme foi “levemente inspirado” no livro. Porque, embora tenha a história de Pat e Tiffany, um pai como Robert de Niro não pode, em hipótese alguma, ser o mesmo personagem do livro. Fala sério, eu quis chorar na hora em que eles tiveram que participar do concurso de dança, simplesmente porque a cena mais bonita do livro (pra mim) foi completamente destruída! Se, e apenas SE, eu não tivesse lido o livro, TALVEZ eu tivesse gostado um pouco do filme.

Sim, o filme é bem feito, as atuações são ótimas (Robert de Niro, você é o cara!), mas… transformaram uma história dramática em um romance, que só não foi atribuído como comédia romântica porque pelo menos tiveram algum respeito em relação às dificuldades de superação de Pat e Tiffany. Mas sinceramente, fiquei muito decepcionada com o filme, pela falta de semelhança com aspectos importantes do livro.

Ah, um dos trailers tem um spoiler GIGANTESCO que só aparece mesmo no penúltimo capítulo do livro. Me revoltei com isso. Embora também mostre um spoiler sobre Tiffany, me revoltei muito mais sobre os detalhes a respeito de Pat.

Bem, o trailer está abaixo, assistam por sua conta e risco. Se querem assistir o filme, recomendo que leiam o livro e que vão para o cinema com a mente aberta, fazendo de conta que não leram o livro. Sério, senão vocês ficarão indignados. Sabe a adaptação de Percy Jackson e o ladrão de raios? Harry Potter e o prisioneiro de Azkabam? Pois foi quase a mesma reação (acho que a de O lado bom da vida superou todas).

Mas é ÓBVIO que recomendo a leitura. Pat é cativante, não tem como não torcer para o seu final feliz, embora a felicidade seja algo relativo.

Ficha técnica:

Nome: O lado bom da vida
Autor: Matthew Quick
Páginas: 256 páginas
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Livraria Cultura
Minha avaliação: 

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  • Lany disse:

    Bom, você ja sabe que eu li esse livro por indicação sua né? Então vamos aos meus comentarios:
    – Eu também achei que o e-book estava com problemas quando eu abri e tinha o numero 4 hahaha!
    – Não importa se são classicos, Pat CONTA SPOILERS HAHAHA!
    – Eu adoro o Dr. Patel. Sério. Por isso que eu fiquei revoltada que ele quase não aparece no filme!
    – Minha unica reclamação do livro é que tem Eagles (E-A-G-L-E-S!!!) demais! Poxa, não dava pra ter cortado um pouquinho o futebol americano?
    – KENNY-G hahaha! Agora sempre que eu escuto uma musica dele, me lembro do Pat!
    – Todo o ensaio e a cena da dança foi uma parte LINDA do livro. Ousaria a dizer, um dos capitulos mais bem escritos que eu ja li até hoje.
    – Adorei a ultima frase da sua resenha awww!
    – Sim, o filme é levemente baseado no livro. Sim, se eu não tivesse lido o livro, provavelmente gostaria mais do filme!
    – POR QUE ELES CONTAM O QUE ACONTECEU COM O PATCH LOGO NO INICIO DO FILME?

    Resumindo, o livro é lindo e todo mundo deveria ler!

  • Lucy disse:

    Que bom que vc não se arrependeu da minha indicação! hahaha
    Pat é dos meus: contou todos os clássicos da Literatura americana (se não me engano hahaha), inclusive A letra escarlate XD
    Nossa, acho que um capítulo bem extenso o que tratava dos Eagles (E-A-G-L-E-S!), mas acho que foi pra cansar o público mesmo. hahahaha
    Acredita que houve uma época que eu ouvia Kenny-G direto? Nunca mais… o.o’ rsrs
    Concordo com vc sobre o filme. Teria sido muito mais amor se tivesse mantido algumas coisas…
    Bjos bjos!

  • Melissa de Sá disse:

    Eu assisti o filme e amei. Sério. Não tem como não amar aquele filme. hahahaha Inlcusivem, adorei a interpretação da Jennifer Lawrence! Ela é incrível mesmo. Achei que o filme teve boas doses de comédia e drama, pra mim, ficou ótimo. Mas eu não li o livro…

    Com certeza esse livro está na minha lista. Assim que esse ano acabar e eu terminar minha dissertação (será que vou conseguir? affe), vou ler.

    Adorei a resenha com t

  • Lucy disse:

    Mel, eu teria amado se não tivesse lido o livro. Tá, talvez nem tanto, mas… Acho que como vc ainda não leu, talvez vc ainda prefira a versão do filme (mais light), mas vc vai ver a discrepância que foi.

    Quando der uma folguinha da sua dissertação, dá uma lida. Ele é curtinho, vc lê em um dia. hahah 😉
    bjos!

  • Karen disse:

    Uau, Lucy, que resenha apaixonada! Você realmente gostou do livro, porque essa resenha tá irretocável e do jeito que você tá revoltada com o filme, é porque o livro é muito bom e o filme não fez jus a ele mesmo.
    Agora fiquei com vontade de ler! Nhaim. O_o
    A sua última frase da resenha foi realmente bonita…

  • Lucy disse:

    Eu me empolguei com a resenha, acho que nunca tinha feito uma tão grande. o.o’ hahahahah
    Meu, não tem como não ficar revoltada com o filme! rsrs
    Eu fiquei imaginando como seria a cena X, a cena Y… E não teve! u__u’ Fora umas mudanças que não posso falar, mas q o começo do filme também já entrega! Argh!
    Hahah Espero que vc goste do livro, Kakazinha!
    Bjos bjos!

  • Adriana Henrique disse:

    Perfeita sua resenha! O livro é tudo isso mesmo… e sim, também chorei ao assistir o filme… chorei de raiva… porque amei o livro e tudo era diferente (Argh!).

    Adoro livros com personagens de psicológico complicado, nas quais a gente tem que mergulhar e se sentir um pouco como elas pra poder entendê-las. Ou seja, não tinha como não amar Pat e Tiffany, com suas paranoias, suas medicações, seus probleminhas de sociabilização (hehe).

    Lu, valeu a dica e o empréstimo do Kindle! 😉

  • Lucy disse:

    Né? Não desmereço os atores, eu realmente teria gostado do filme se não fosse por já ter lido o livro, mas não é uma adaptação nem aqui, nem na China!

    Sabia que vc ia gostar deles! XD

    Qdo precisar, é só falar! Mas trate com carinho. o.o’ (bricadeira! ;))
    Bjos bjos

  • Vania disse:

    Putz, pior que Percy Jackson? Ainda bem que não vi o filme então hehe. Estou com o livro aqui (não resisti e semana passada acabei comprando), e vou ler assim que sobrar um tempinho!!

  • Lucy disse:

    Vendo agora, não sei se exagerei sobre o filme hahaha. O filme é legal, mas não chega perto do livro. Não sei se foi por causa dos traumas das adaptações, mas tinha cenas que eu queria realmente ter visto (como uma em que o Pat está na praia… e deixa eu parar porque é SPOILER) e outras cenas que considero importante.

    Leia primeiro, depois assista ao filme e me conte o que achou. rsrs
    Bjos bjos

  • Carolina disse:

    Oi Lucy, tudo bem com você?
    Eu não li o livro, mas acabei indo assistir ao filme… Agora que eu sei que um não tem nada a ver com o outro, desanimei um pouco rs, mas pretendo ler o livro (só não sei quando).
    Parabéns pela resenha!
    Beijos

  • Lucy disse:

    Carolina, pegaram a essência do livro e fizeram o filme. Mas tem muitos fatores que diferenciam um do outro para que eu considere uma boa adaptação. Leia o livro e tire suas conclusões, depois me fala o que achou. 😉
    bjos!

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  • Heracléia Scala disse:

    realmente o livro é muito bom,não assisti o filme ainda,pois não havia acabado de ler o livro e quase sempre me deparo com fato de que poucos filmes conseguem se manter fieis a essência do livro,parabéns pela resenha

  • Lucy disse:

    Oi, Heracléia! Se eu tivesse assistido ao filme antes de ler o livro, eu teria gostado mais. Mas eu gostei TANTO do livro, que fiquei um pouco revoltada com o filme. rsrs Claro q nem é pra tanto, o filme é muito bom, mas… perdeu um pouco a essência, infelizmente.
    Obrigada!
    bjs

  • Gabriela S. disse:

    Adorei tanto o filme, que não sei se preciso ler o livro! HASUHSUSAH
    Mas fiquei curiosa, vou procurar comprar! ♥

  • Lucy disse:

    Olha, precisa ler sim. Porque é MUITO diferente – e melhor, mais emocionante. rsrs
    Compre, que vale a pena.
    Bjos

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    […] 6 – O Lado Bom da Vida, Mathew Quick – Eu comecei a ler o livro e acabei me apaixonando pelo jeito louco do Pat. Uma pena que o filme não fez jus ao livro. Podem conferir a resenha aqui. […]

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