Resenha: O Manuscrito

Falou em thriller eu já quero ler! Por isso, quando vi O Manuscrito na lista de lançamentos da Editora Arqueiro sabia que precisava lê-lo. A sinopse, a capa, a chamada do livro, tudo é tão urgente. E, assim que o livro chegou, comecei a lê-lo com a mesma urgência. No entanto, apesar de consistente e bem escrito, o suspense não foi tão empolgante quanto pensei. Um tanto previsível e bastante descritivo, O Manuscrito poderia ter sido ótimo, mas foi apenas bom.

O Manuscrito_16mm.indd“Não existe no mundo uma única pessoa que possa comprovar tudo o que está nestas páginas. Mas há uma pessoa que pode chegar perto disso. Há outras pessoas que poderiam, se devidamente motivadas, confirmar certos fatos. Talvez este livro seja a motivação para essas testemunhas, um impulso para revelarem suas verdades, para comprovarem esta história. Mas o autor não é uma dessas possíveis testemunhas. Porque, se o que você está lendo for um livro concluído, impresso, encadernado e distribuído para o mundo, é quase certo que eu já esteja morto.” Fonte

O Manuscrito tem uma peculiaridade interessante em relação aos demais thrillers que eu li; enquanto a maioria começa lenta e então acelera à medida que as páginas avançam, tornando-se enlouquecedores próximos do final, esse livro simplesmente faz o contrário. A leitura estava muito mais empolgante no início e, mais ou menos do meio para o final, tornou-se um tanto cansativa. E eu só ficava pensando: mas como, como assim, eu deveria estar louca para chegar ao final!

Um original de uma biografia polêmica chega às mãos de uma agente literária. O manuscrito, se publicado, acabará com a carreira de um figurão empresário e potencialmente destruirá sua empresa. É a partir dessa premissa que o livro se baseia, e então acompanhamos o desenrolar dos fatos desencadeados por isso. A agente, Isabel, fica alucinada pelo original e o oferece ao seu editor mais confiável, Jeff, e aí vocês já sabem: é claro que o manuscrito deixa de ser segredo. Várias cópias são feitas, todo mundo querendo um quinhão do sucesso. Ao mesmo tempo acompanhamos a perseguição alucinante aos manuscritos, com o lado dos “vilões” – mas na verdade ninguém é mocinho ou vilão por aqui -, que tentam destruir os originais a todo custo. Em meio a tudo isso, ainda temos partes do manuscrito dentro do livro, com a história do tal figurão, Charlie Wolfe.

manuscrito

O grande ponto positivo desse livro talvez seja, além da originalidade da trama, os vários pontos de vista, até mesmo dos personagens mais perigosos do livro, que estão à caça do manuscrito. Ao mesmo tempo que temos a visão dos gatos, temos as dos ratos, e o livro se divide em trechos da adrenalina da fuga e da perseguição. Cada personagem tem seu próprio background, estão longe de meros figurantes na história; mas, como todos estão em perigo, cuidado, não se apegue a ninguém! Porém, ao mesmo tempo, essa qualidade pode se voltar contra a narrativa, que ficou excessivamente dividida e com muitos personagens. É difícil se lembrar de todos, é difícil se apegar a todos – ou à maioria.

Mas o maior pecado para mim nesse livro foi a sua previsibilidade. Desde o início já descobri uma porção de coisas – e quando cheguei ao final, percebi que estava correta em todas! O maior mistério que se sustentou na minha leitura foi algo não tão impactante e, mesmo ele, descobri cerca de 50 páginas antes do final, portanto, não foi assim uma grande revelação. No final, nada me surpreendeu. E o pior é que eram tramas inteligentes, que poderiam sim surpreender, mas o autor pecou na montagem das peças de sua narrativa, contando fatos importantes logo no início, o que prejudicou a leitura. Além disso, há trechos excessivamente descritivos, que tornaram tudo ainda mais cansativo.

A edição da Arqueiro está competente como sempre, e gostei bastante da capa, achei que teve tudo a ver com a história e foi bastante instigante. No final, o saldo da leitura de O Manuscrito foi positivo – há trechos definitivamente tensos, com sequências de ação angustiantes, mas o todo o mistério foi decepcionante. Diverte, mas não surpreende.

Livro gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Arqueiro!

Arqueiro_parceria

Ficha Técnica

Título: O Manuscrito
Autor: Chris Pavone
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Onde comprar: Saraiva / Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book) / Amazon / Livraria da Folha / Travessa
Avaliação: 

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  • Larissa Oliveira disse:

    Olá! Também sou fãzona de thrillers. Ainda não havia lido nenhuma resenha do livro e achei interessante isso que você mencionou de O Manuscrito seguir um ritmo diferente dos demais livros do gênero, começando bem mais empolgante. É uma pena que, ao longo da trama, a leitura tenha se tornado cansativa e não conseguido manter o nível de adrenalina lá no topo. Esse lance da previsibilidade acaba me desanimando um pouco, mas a premissa me chamou muito a atenção e pretendo dar uma chance ao livro.

  • Shadai disse:

    confesso que não li toda a resenha, não por culpa sua Karen, mas do Pavone.
    só li o primeiro e último parágrafos, para saber sua opinião.
    tenho pavor do Pavone (trocadinho infame). li Os Impostores e achei muito ruim, cansativo, chato, decepcionante!

  • Douglas Fernandes disse:

    Adoro esse gênero e fiquei triste por ser previsivel, o gostoso é ter aquele impacto e te deixar ate arrepiado…hahahaha
    me interessar eu me interesso pelo livro, mas fico com um pé atras né ….rsrs

  • Gustavo disse:

    O livro realmente parece ter uma capacidade muito melhor do que foi aproveitada, uma pena, mas eu estou vendo bastante isso ultimamente. Parece que o autor tem uma ideia maravilhosa para começar um livro mas fica perdido para terminar, ou não faz a minima ideia de como continuar e acaba perdendo o impacto inicial. Foi ótimo ler sua resenha, ai não perco tempo com expectativas que não irão ser atendidas e posso pular para outro livro que me chame mais a atenção, afinal, só podemos ler um número finito de livros, não quero “perder” meu tempo com um cansativo rs

  • Melissa de Sá disse:

    Sabe, às vezes eu acho que quanto mais a gente lê, mais difícil é se surpreender com livros de mistério.

  • Resenha: O Manuscrito | Livros só mudam pessoas disse:

    […] Karen, no Por essas páginas […]

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