Resenha: O Momento

O momento“Thomas Nesbitt é um escritor recém-divorciado que está em crise de meia-idade. Vivendo de maneira bastante reservada no Maine — em contato apenas com a filha e tentando se recuperar pelo fim de um longo casamento – sua solidão é interrompida em uma manhã de inverno quando recebe uma caixa. O nome Dussmann, que está marcado no embrulho, o desestabiliza completamente, pois pertence à mulher com quem ele teve um caso de amor intenso, em Berlim, 25 anos antes. Durante um período em que a cidade era dividida em duas e as lealdades pessoais e políticas eram frequentemente intimidadas pelas sombras profundas da Guerra Fria. Recusando-se, inicialmente, a enfrentar o que ele pode encontrar na caixa, Thomas é forçado a lidar com um passado que manteve secreto durante toda a vida. No processo, ele acaba revivendo os meses que passou em Berlim, lugar onde pela primeira e única vez descobriu a força extraordinária do verdadeiro amor. Petra Dussmann, a mulher para quem ele entregou seu coração, não era apenas uma refugiada e sim alguém que vivia com uma tristeza profunda permanente que acabou reescrevendo o destino dos dois.”

Quando eu li a sinopse de “O Momento” a minha reação foi “Uau”! Eu amo romances, e esse parecia que seria um daqueles livros inesquecíveis, porque ele também tem todo um background histórico. Sim, eu nunca me esquecerei dele… Mas infelizmente, por causa de uma impressão negativa.

O livro O Momento é dividido em várias partes e a primeira delas conseguiu me prender. Thomas Nesbitt é um escritor que mora em uma pequena casa de campo, no Maine. A filha dele, Candance, fazia visitas uma vez por mês. Ele se lembra de um dia em que a filha pediu para que ele traduzisse uma frase em alemão:

“Quão rapidamente o “agora não” se transforma em “nunca”. – página 14

Eles começam a interpretar a frase e Thomas diz que o momento é um lugar muito superestimado, porque o passado existe e ele sempre informa o presente. E o momento em que Thomas se encontrava não era nada fácil, já que ele havia recebido os papéis do divórcio. Mas nesse ponto já começam as inconsistências. A própria  esposa disse que ele se importava mais com o passado do que com ela.  Bom, mas nesse ponto, o que importa é que Thomas resolve voltar a Wiscasset e quando pega as correspondências na agência dos correios, ele descobre que recebeu um pacote. O remetente? Petra Dussman, alguém do passado dele.

Então somos levado a um relato detalhado da infância do protagonista. Percebemos que o problema que ele tem com relacionamentos pode ser explicado por vários problemas familiares. Com tantos fantasmas ao redor, Thomas resolve pegar um manuscrito que ele havia escrito há seis anos atrás e tinha sido enterrado no arquivo. E com isso ele se pergunta:

“Quando uma história não é uma história?

Quando você a viveu” – página 33

E então começa a parte dois, que é o conteúdo desse manuscrito. Thomas estava morando em Berlim em 1984 e ele estava se preparando para escrever seu próximo livro. Ele anota tudo o que sente, o que presencia, os locais e as novas pessoas que ele conhece. E foi onde os problemas começaram.

Em primeiro lugar, o livro é extremamente descritivo, de uma forma excessiva. Existiram várias cenas que eu até agora me pergunto o motivo delas. Completarem mais de 500 páginas? Porque em várias delas não teve nenhuma adição ao enredo e nem desenvolvimento do personagem. Alguns parágrafos eram enormes e como a letra era muito pequena, quando eu percebia, já estava pensando no que tinha que fazer no dia seguinte e tinha me perdido completamente a leitura. Sendo sincera? Muitas partes me deram sono, porque faltou dinamismo em diversas cenas.

Além disso, o enredo e os personagens não conseguiram me prender. Eu achei muito interessante a iniciativa do autor de misturar fatos reais com ficção. A parte histórica foi muito bem trabalhada, mas o romance que estava escrito na sinopse deixou muito a desejar. Como o próprio Thomas diz no início da Parte dois:

“Até então sempre resisti em me apaixonar. Esquivava-me sempre de todo compromisso emocional e de toda declaração explícita de sentimentos. Todos nós revivemos repetidamente nossa infância durante a vida adulta, e para mim cada relação amorosa me parecia uma armadilha em potencial (…)” – página 37

Ele então descreve uma relação com uma violoncelista chamada Ann Wentworth em 1980 e eu comecei a criar realmente antipatia por ele depois disso. Grosso seria uma palavra que não começaria a defini-lo, e ele diz mais de uma vez que ele acredita que tudo sobre amar e ser amado era desprezível.

E então, como se uma fada madrinha tivesse jogado um pó mágico em Thomas em Berlim, ele se apaixona imediatamente. Tudo evoluiu muito rapidamente e no segundo encontro ele diz que a ama. Vocês escutaram um grito? Fui eu gritando “MAS O QUÊ?”. Eu fiquei observando o livro, incrédula.

Eu acredito no poder de mudança. Mas não tem como imaginar  que Thomas teria mudado de opinião assim tão facilmente, principalmente depois de todos os comentários feito sobre o amor durante o livro. E, com um livro com mais de 500 páginas, não tem como dar a desculpa de que não tinha espaço para desenvolver esse romance. E devemos lembrar que, esse é um dos pontos centrais do livro, e por isso deveria receber toda a atenção.

Thomas durante toda essa sua jornada praticamente não evolui! Em vários momentos ele poderia ter tentado mudar essa impressão negativa que ele teve do seu passado e mudado o seu presente. E voltando ao que eu comentei no início, sobre a relação dele com a “futura” ex-esposa: será que o problema era realmente ela? Será que quem terminou a relação não foi ele? E foi por isso que eu achei que diversos comentários que ele fez foram bem equivocados.

Enfim, não sei se eu comecei a ler com expectativas erradas mas O Momento teve tantos problemas que eu realmente não consegui aproveitar a leitura.

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Planeta.

 

Ficha Técnica

Título: O Momento
Autor: Douglas Kennedy
Editora: Planeta
Páginas: 528
Onde comprar: Livraria Cultura/ Livraria Cultura (e-book)/ Amazon
Avaliação: 

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  • Karen disse:

    Nossa, que desperdício de tempo e papel esse livro. Passarei LONGE!

  • Caroline Evans disse:

    Eu cairia no mesmo engano que você, o enredo conquista mesmo. No segundo encontro dizer que ama? rsrs. Nem se conhecem direito ainda.

  • Lany disse:

    Nem se conheciam direito e ele tinha toda essa coisa de não acreditar no amor. Eu que não consegui acreditar nesse romance!

  • Dâmaris Carvalho Lima disse:

    A história do livro parece ser um pouco cansativa, não me interessei em ler.

  • Lany disse:

    É beeem cansativo!^^

  • Mariana disse:

    Adorei, Lany.

    Tivemos a mesma opinião. Achei terrível a enrolação de algumas partes e a rapidez com que ele se apaixonou. É um livro inverossímil. Tirando a parte histórica, não há nada que salve. Não pretendo ter outra experiência com o autor tão cedo, rs.

    Bjs
    Mari

  • Lany disse:

    Obrigada pelo comentário Mari!
    Quando você comentou no twitter, eu já fiquei meio receosa… E não tem mesmo como acreditar naquele romance!
    Foi fugir desse autor por um bom tempo rs!

  • Jaynne Souza disse:

    Não consegui gostar da sinopse do livro, e olha que eu adoro romances…
    Então quando li a resenha me desanimei ainda mais :c esse livro eu passo.

  • Lany disse:

    É para isso que existem as resenhas, né rs?

  • camila rosa disse:

    Oi, quando eu vi o livro pela primeira vez me interessei por ele, ai eu fui na livraria e o vi lá, e pensei nossa ele é enorme, achei que era menor, mas essa é a primeira resenha que vejo dele, e já é negativa, nem quero mais ler ele não, creio que a historia não irá me prender.
    Beijos!!!

  • Lany disse:

    Quando eu fiz o pedido para resenha, não procurei o número de páginas. Fiquei surpresa quando o livro chegou hahaha!

  • Marília Sena disse:

    Livros muito descritivos me cansam, e principalmente quando descrevem demais coisas banais e deixam a desejar em aspectos mais importantes, como o desenvolvimento das personagens. Do jeito que você falou ele O momento me pareceu bastante superficial. Adoro romances, mas esse eu passo.

  • Lany disse:

    Na parte histórica, ele desenvolveu bem. Mas no romance? Foi superficial, porque ele não foi desenvolvido.

  • Cris Aragão disse:

    Parece ser confuso, acho uma pena porque poderia ser uma história bem bacana.

  • Lany disse:

    Ele é muito confuso, até porque ele não conta a história de uma forma linear. E eu acho que o que me deixou mais frustrada foi que ele tinha tudo pra ser MUITO bom!

  • Gustavo disse:

    Quando eu li a sinopse eu quase corri pro site de compra mais próximo pra começar a executar meu pedido kkk ai li a resenha kkk. Eu ODEIO livro em que tem páginas e páginas de descrição, são cansativos, e extremamente irritantes, chegam a transformar um ótimo livro em uma experiência de tortura. Não lembro qual livro que eu li que era assim, eu, que costumo a ler deitado, muitas vezes caia de sono sobre o livro, era ótimo porque tenho uma insônia ferrada kkkk mas fui obrigado a ler porque era pra escola kkk uma experiência só de livro maçante já basta pro resto da vida kkk e a visão do cara sobre amor me irritou (já estamos num mundo tão cheio de desesperança não quero ler um livro que transmita isso kk) e depois ele falar que ama a mulher depois de três encontros -.- nossa, quem dera o amor fosse tão fácil quanto foi pra esse cara kkk

  • Lany disse:

    As descrições foram muito cansativas. Em algumas páginas, era praticamente um parágrafo, com letras pequenas. A leitura não andava! Eu quase dormi com esse livro uma vez rs!

  • Nayara disse:

    Uau! Concordo com a Karen: desperdício de tempo e de papel!
    Não gosto quando acontece tudo de uma hora para outra… parece que o autor tava com preguiça ou falta de imaginação para escrever o meio da história… triste =/
    E se ao menos algum personagem salvasse a história, mas parece que não =(
    Bom, sei que não vou passar perto desse livro!
    Beijos

  • Lany disse:

    E o pior que o livro é grande! Se fosse pequeno, tudo bem não desenvolver certas coisas, mas nem essa desculpa ele pode usar!
    Se os personagens fossem interessantes, talvez até o livro fosse melhor mesmo…

  • Douglas Fernandes disse:

    vou fazer um comentário idiota aqui… na hora que eu li que uma personagem tinha o nome de Candance eu lembrei do desenho Phineas e Ferb, eu adoro o desenho… hahahahahahaa
    mas então, eu ja nao sou muito chegado a esses romances, gosto mais de livros de magia, ficção, terror, suspense, romance policial, enfim é um livro que não me despertou interesse nenhum, realmente é um balde de água fria…. rsrs

  • Lany disse:

    Pela sinopse, até parece que esse livro tem um pouco de suspense… Mas não! XD

  • Fabiana Strehlow disse:

    Oi, Lany!
    Eu gosto de romances históricos.
    Mas, neste livro, pelo que entendi da sua resenha, o autor perdeu-se no caminho.
    Aí, fica mesmo muito difícil entender, quem dirá, gostar!!

  • TTT: Dez livros que eu quase desisti de terminar de ler « Por Essas Páginas disse:

    […]  O momento, Douglas Kennedy [Resenha] – Esse foi o primeiro livro que eu me lembrei porque foi o último que eu li. O pior de tudo […]

  • Ana disse:

    Na maioria das vezes não vejo necessidade de um livro que não é série ter mais de 500 páginas, dá pra fazer muita história ai, um ótimo enredo, detalhes na medida certa e ainda sobra páginas. Se o autor não conseguiu desenvolver isso, deve se preocupar hahahaha. A parte do romance sempre é difícil de agradar né, eu quase nunca leio romances por conta disso, a rapidez, a “impossibilidade”, mas fora o romance o restante da história me pareceu interessante

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