Resenha: O Nome do Vento

“Contada na voz do próprio Kvothe, essa é a história do jovem e talentoso rapaz que ao crescer torna-se o mais notório mago que o mundo já viu. A narrativa íntima de sua infância com uma trupe de artistas viajantes, seus anos passados como órfão em uma cidade movida pelo crime, sua ousadia descarada e bem sucedida de ingressar em uma escola de magia legendária, e sua vida como fugitivo após o assassinato de um rei formam uma história sobre crescimento incomparável na literatura recente. Uma história de ação escrita pelas mãos de um poeta, O Nome do Vento é uma obra-prima que transportará os leitores para dentro do corpo e da mente de um mago.” Fonte

Eu vinha ouvindo falar de O Nome do Vento há algum tempo já, fosse em blogs, nas recomendações do GoodReads ou apenas entre amigos. Algumas vezes cheguei a procurá-lo na livraria, quando nenhum outro livro me chamava a atenção, mas ao encontrar apenas o paperback – cuja letra é minúscula – sempre o deixei de lado. E então que em Abril chegou um pacote da Sabrina aqui em casa: meu presente de aniversário!

Só havia um pequeno “problema”: o livro estava em português. Agora, não me chamem de esnobe nem nada do tipo, porque honestamente não é assim. Faz quase 6 anos que moro no exterior e são raros os livros que leio em português – não por preferir ler em inglês, mas porque da mesma forma que é mais fácil adquirir livros em português no Brasil, é infinitamente mais fácil adquirir livros em inglês aqui. Por isso quando comecei a ler O Nome do Vento, eu empaquei completamente. Não consegui criar as vozes dos personagens na minha mente e sempre ficava imaginando como determinadas frases – especialmente as canções – seriam na língua original. Passei alguns livros na frente, tentando me livrar da seca literária com leituras mais fáceis, mas finalmente após terminar The Golden Lily e ficar inconsolável, eu sabia que Kvothe seria minha salvação. E ele foi, meus amigos. Ele foi!

A capa americana

Para mim, O Nome do Vento é dividido em quatro partes. A primeira parte do livro é composta pelo entendimento de que Kote – o dono da hospedaria – não é quem ele pretende ser. Quando o Cronista passa pela hospedaria, nós descobrimos que o ruivo que tenta se esconder na pele de um hospedeiro é Kvothe, o Sem-Sangue. Kvothe, o Arcano. Kvothe, o Matador do Rei. E ele decide contar sua verdadeira história para o Cronista – sem ensaios, sem mentiras, a história completa de como ele se tornou o homem que é. E é aí que vamos para a segunda parte, na qual conhecemos o jovem Kvothe, um Edema Ruh – grupo cultural nômade que vive para entreter seja em forma de teatro ou música. Eles viajam o mundo, parando onde desejam e indo embora quando bem entendem. É nesse ambiente que Kvothe – inteligente, esperto e cheio de potencial – cresce, até o brutal assassinato de seus pais. Não vou entrar em detalhes (mesmo que isso esteja na contracapa do livro) porque é muito mais interessante quando descobrimos por conta própria o que acontece, mas se eu ainda tinha alguma dúvida – mesmo após ler o prólogo maravilhoso – de que esse seria um livro especial, essa cena me convenceu.

Noite outra vez. A Pousada Marco do Percurso estava em silêncio, e era um silêncio em três partes.

Então nós temos a terceira parte da história: os anos que Kvothe passa como mendigo em Tarbean. Embora isso seja essencial para a história, era muito sofrimento pro garoto e eu confesso que algumas passagens me deixaram triste simplesmente por não fazerem parte apenas de um mundo fantástico, mas por serem um pedaço integral da nossa sociedade. Mas assim como o vento do qual Kvothe ainda não sabe o nome, isso passa e movido por um desejo selvagem de descobrir mais sobre os assassinos de sua família, ele decide tentar a sorte na Universidade. E é então que a quarta – e melhor – parte da história começa! Kvothe, com apenas 15 anos de idade, e com praticamente nada nos bolsos além de sua extrema inteligência e ousadia, parte para a Universidade para estudar magia. Agora, se quando eu digo “magia” você pensa em Expelliarmus e Expecto Patronum, já aviso que ficará decepcionado. A magia que permeia as páginas de O Nome do Vento é completamente diferente, extremamente complexa e infinitamente encantadora!

É por isso que as histórias nos atraem. Elas nos dão a clareza e a simplicidade que faltam à vida real.

Não está ao meu alcance dizer mais nada sobre a história sem revelar pontos importantes, e se você ainda não leu O Nome do Vento, acredite: você não quer spoilers. A história de Kvothe vai te fazer rir, chorar, se emocionar e ansiar por mais. Ela vai te deixar numa mistura de contentamento e desconsolo, vai te fazer querer devorar as páginas ao mesmo tempo que desejará saborea-las vagarosamente. Ela vai te encher de um silêncio tão profundo que você sentirá que pode tocá-lo. Todas as suas três partes.

O Nome do Vento é o primeiro volume (ou o Primeiro Dia) da série A Crônica do Matador do Rei. O Segundo Dia – O Temor do Sábio – foi lançado no Brasil em 2011.

Ficha Técnica:

Título: O Nome do Vento (The Name of the Wind)
Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Páginas: 656
Onde comprar: Livraria Cultura
Minha opinião: 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...


  • Sabrina Inserra disse:

    Ai que coisa mais linda!!!!
    Amei a sua resenha Ily!!!!
    Transmite muito bem os sentimentos de ler esse livro!
    Bateu uma saudade aqui… Estou pensando seriamente em reler os dois primeiros antes do terceiro. Quem sabe?
    Beijocas!

  • Vania disse:

    @Sabrina Inserra, Eu nem terminei o segundo e já estou desesperada pra reler o primeiro. Tudo culpa sua, Sá. Estou te dizendo três vezes, é tudo culpa sua! :))))

  • Carolina disse:

    Oi Vania, tudo bem? Eu ainda não li esse livro. Não sei te explicar o porque, mas não me senti atraída por ele. Depois da sua resenha, eu confesso que fiquei um pouco intrigada, mas com tantos livros que tenho na minha lista, não sei se ele vai para o topo.
    Parabéns pela resenha.
    beijos

  • Vania disse:

    @Carolina, obrigada pelo comentário! Assim, O Nome do Vento nunca esteve no topo da minha lista, sendo bem honesta. Se ele estivesse, eu teria dado um jeito de adquiri-lo logo. Mas como foi um presente (e eu acho muito chato não ler livros que ganho de presente) e recomendação de uma amiga que eu admiro demais, acabei passando na frente. Não foi fácil, especialmente o começo, mas não sei se foi por causa da língua (fazia quase 2 anos que eu não lia um livro em português) ou se foi por causa da história só se tornar desesperadamente interessante quando ele chega à Universidade. De qualquer forma, digo que valeu a pena, e agora que estou quase no final do segundo volume, quero reler o primeiro pra pegar as peças que perdi a primeira vez. Se você gosta de fantasia, recomendo demais!!!!

    Abraços!!

  • Lany disse:

    Eu realmente não conhecia esse livro. Ja tinha ficado curiosa pelo o que voce e a Sabrina haviam me falado. Agora então com essa resenha, o livro esta na minha (enorme) lista de leituras!
    Voce sabe que eu posso demorar um pouco, mas eu sempre acabo lendo as suas recomendações hahaha!

  • Vania disse:

    @Lany, Lany, Lany…. só te digo uma coisa: Kvothe. Kvothe se tornou meu segundo quase primeiro ruivo preferido ever. É um livro que vai te fazer rir e chorar, sendo bem honesta. Eu enrolei no começo, devorei o meio, e quando faltavam umas 20 páginas pra terminar, eu larguei, não queria terminar. Não porque a história seja ruim, mas porque eu sabia que ficaria com o coração partido simplesmente porque O Nome do Vento é esse tipo de livro: ele vai quebrar seu coração. E você vai amar cada minuto de agonia!

  • Melissa disse:

    Okay, não li porque PRECISO desesperadamente ler esse livro. Então to agora fuçando as edições em e-book pra comprar. Obrigada.

  • Vania disse:

    @Melissa, Hahaha não dei spoilers na resenha, Mel. Bem, nada além do que temos na contracapa basicamente. Mas leia o livro sim. Eu me apaixonei perdidamente, estou quase no fim do segundo volume e já desesperada pelo terceiro que ainda não foi lançado… acho que você vai amar!!!

  • Queridinho do Mês: Bast « Por Essas Páginas disse:

    […] brilha) aqui no Queridinho e eu cheguei a começar o post. Então em meio à minha releitura de O Nome do Vento, pensei que Kvothe seria um queridinho mais apropriado e minha mente se perdeu em meio à tudo que […]

  • Dâmaris Carvalho Lima disse:

    Comecei a ler esse livro e gostei, não finalizei por falta de tempo, muito bom mesmo (até onde eu li). Eu gostei mais da capa brasileira, ela é mais bonita 😉

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem