Resenha: O Príncipe da Névoa

O que você faz quando está de ressaca literária? Bem, eu passei por uma terrível esse mês e a solução que encontrei foi: apanhar um livro de um dos meus autores favoritos na estante, esquecer por uns dias a pilha de leituras e mergulhar em um universo que eu tinha certeza que me emocionaria. E o resultado? Claro que emocionou, claro que o livro foi perfeito! Como não poderia ser, quando estamos falando de uma obra – e não qualquer uma, mas a primeira! – do magnífico Carlos Ruiz Zafón?

“A nova casa dos Carver é cercada por mistério. Ela ainda respira o espírito de Jacob, filho dos ex-proprietários, que se afogou. As estranhas circunstâncias de sua morte só começam a se esclarecer com o aparecimento de um personagem do mal – o Príncipe da Névoa, capaz de conceder qualquer desejo de uma pessoa, a um alto preço.” Fonte

Para mim Zafón é sinônimo de uma boa leitura. O Príncipe da Névoa foi o terceiro livro que li de sua autoria e, a exemplo dos outros livros dele que li, Zafón novamente não me decepcionou e, melhor ainda, conseguiu novamente me encantar e surpreender.

Juvenil, com um certo toque inocente, mas ainda extremamente misterioso, repleto de ação e cenas tocantes, O Príncipe da Névoa foi o primeiro livro escrito pelo autor e, por esse motivo – e por ter lido outros mais maduros, como A Sombra do Vento, por exemplo – percebe-se sim a “imaturidade” do autor, as ansiedades e pequenos defeitos do texto de um escritor iniciante. Porém, o primeiro livro de Zafón poderia facilmente ser o último livro de vários autores; já em sua primeira obra literária, o autor mostra a que veio, com habilidade e um sentimento único, pessoal e inconfundível, em cada linha, cada palavra. Não é à toa que o livro, inclusive, foi premiado no primeiro concurso literário do qual participou.

O Príncipe da Névoa conta a história de Max, um menino que precisou se mudar com a família para uma misteriosa casa à beira do mar, em uma cidadezinha pequena com um farol cheio de segredos. A casa de Max também esconde seus próprios mistérios; quando chegam lá, o pai do menino conta que ali viveu uma família com uma história muito triste: um casal que não conseguia ter filhos e, quando finalmente conseguiram, o menino morreu na mais tenra idade, destroçando os pais. Mas há ainda segredos mais profundos, envolvendo uma entidade maligna, chamado “O Príncipe da Névoa” e também o amigo que Max faz na cidade, Roland.

“O relógio não estava desregulado; funcionava perfeitamente, mas com uma peculiaridade: andava para trás.” Página 17

Todos os personagens são incríveis e especiais nesse livro. É de impressionar como Zafón consegue dar voz própria e sentimento a todos os personagens em suas obras, desde os protagonistas, nesse caso, Max, Roland e a irmã de Max, Alicia, até os personagens menos expressivos, como a pequena irmãzinha mais nova de Max, Irina. Todos, todos parecem reais, e o leitor se apega a cada um deles.

Nem preciso dizer o quanto o tal do Príncipe da Névoa é de arrepiar. Aliás, nesse livro, Zafón conseguiu me fazer atingir um nível de medo que eu não sentia há muito tempo. Não sou uma pessoa fácil de assustar, mas houve um momento nesse livro que gelou minha espinha e me fez ter, de verdade, aquele medo real, sólido, frio. Mas não pense que esse é um livro de terror; como em suas demais obras, Zafón consegue ser mestre em misturar gêneros, tornando impossível classificar o livro, já que o mesmo envolve terror, romance, drama, fantasia, mistério, suspense, em uma mistura arriscada para autores comuns, mas que no final dá muito certo para o autor espanhol. É como um prato cheio de ingredientes que tinham tudo para se perderem na refeição, mas, misturados, geram um prato com um sabor sem igual. Esse é Zafón.

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A edição da Suma das Letras é competente, sem nenhum problema de revisão, com uma capa simples, mas que faz sentido no contexto da história, páginas e diagramação que propiciam uma leitura confortável, e pequenos detalhes em cada capítulo que dão um toque suave e especial à obra. É claro que Zafón é tão incrível que é brilhante até mesmo rabiscado em papel de pão, mas uma boa edição sempre agiganta um livro que já é maravilhoso.

Se você nunca leu nada do autor, não sabe o que está perdendo. O Príncipe da Névoa é um ótimo começo para quem procura uma leitura menos densa, mas ainda com o toque pessoal e brilhante de Carlos Ruiz Zafón.

Ficha Técnica

Título: O Príncipe da Névoa
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras
Páginas: 184
Onde comprar: Livraria Cultura / Livraria Cultura (e-book)Amazon
Avaliação: 

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  • Gustavo disse:

    Eu amei esse livro quando o li, também esse ano *——–*. Esse autor é incrível, e concordo com cada palavra, cada virgula da sua resenha. É impossível você ler esse autor e não gostar, isso é ponto. Adoro esse jeito dele de me dar medo, mesmo o terror não sendo o foco principal do livro, ele o trás a tona com uma maestria que não tem como não se arrepiar kkkk *-*. E me impressiona como ele consegue me dar medo em um livro, e algumas paginas adiante me fazer ter tanta empatia pelo personagem em foco que me da vontade de chorar… Nunca senti isso com nenhum outro autor, nem diretores kkkk nem filmes são tão tocantes assim kkkk. Esse autor é incrível, mesmo com seu livro mais “imaturo” na forma de escrita.
    Só tenho uma coisa a reclamar dele… Ele não lançou mais nada T-T kkkkkkk quando acabar os livros que ainda tenho dele vou ficar com muita saudade de novos trabalhos kkkk
    Ta, já deu muito uma de tiete aqui, vergonha de mim mesmo kkkkk. AMEI a resenha, e espero ver ao menos mais uma dele ano que vem kkkk *-*

  • Karen disse:

    AHHHHHH eu também sou muito tiete dele. Tenho todos os livros do Zafón em casa, mas justamente leio devagar porque não quero que acabem! o.O
    Tudo dele é bom. Não sei como ele consegue, ele mistura tão bem os gêneros, é o único autor que consegue lidar tão bem assim com os gêneros. Ahhhh, ele é perfeito! *_*

  • Nayara disse:

    Preciso dizer que fiquei mega curiosa, como sempre??
    Karen, suas resenhas são ótimas! Sempre fico tentada a comprar logo de cara os livros. hahahaha.
    Esse gênero me lembrou muito os livros do Harlan Coben (me corrija se estiver errada!)
    Achei incrível!
    Beijos

  • Karen disse:

    Nhaim, obrigada lindona! *_*
    Ah, eu ainda não li Harlen Coben, mas ele é mais direcionado para mistério, não? O Zafón é mais um mix de gêneros mesmo, tem de tudo nos livros dele e fica incrível!

  • Patrini Viero Ferreira disse:

    Tenho esse livro há algum tempo na minha estante, mas devido aos outros mais desejados acabei deixando ele de lado. Mas a curiosidade sobre a escrita do autor é imensa, visto que em cada resenha que leio de seus livros descubro mais apaixonados pelas histórias de Zafón. Com certeza ele deve ter algo de único para atrair tantos leitores assim. Espero que eu seja mais uma.

  • Shadai disse:

    O último parágrafo da resenha foi escrita para mim, que nunca li nada do autor; apesar de ouvir falar muito bem dele há uns 2 anos.
    Fiquei um pouco curioso, mas penso que não o suficiente para comprar tão cedo, já que ainda tenho muita coisa ler.

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