Resenha: O reino de Zália

Ficha técnica

Nome: O reino de Zália

Autor: Luiza Trigo

Páginas: 368

Editora: Seguinte

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Sinopse: No primeiro livro de fantasia de Luly Trigo, uma princesa se vê obrigada a assumir o governo do país em meio a revoltas populares, intrigas políticas, conflitos familiares e romances arrebatadores.

Por ser a segunda filha, a princesa Zália sempre esteve afastada dos conflitos da monarquia de Galdino, um arquipélago tropical. Desde pequena ela estuda em um colégio interno, onde conheceu seus três melhores amigos, e sonha em seguir sua paixão pela fotografia.
Tudo muda quando Victor, o príncipe herdeiro, sofre um atentado. Zália retorna ao palácio e, antes que possa superar a perda do irmão, precisa assumir o posto de regente e dar continuidade ao governo do pai. Porém, quanto mais se aproxima do povo, mais ela começa a questionar as decisões do rei e a dar ouvidos à Resistência, um grupo que lidera revoltas por todo o país. Para complicar a situação, Zália está com o coração dividido: ela ainda nutre sentimentos por um amor do passado, mas começa a se abrir para um novo romance.
Agora, comprometida com um cargo que nunca desejou, Zália terá de descobrir em quem pode confiar — e que tipo de rainha quer se tornar.

O livro O reino de Zália, da autora brasileira Luly Trigo, só vai ser lançado no mês que vem, porém recebemos uma prova do livro para lermos antes de todo mundo! Yaaay! :D Adoro conhecer autores brasileiros e tendo princesas fico ainda mais animada… E esse é um livro MUITO importante para o momento político em que nós estamos vivendo agora.

Zália é a segunda herdeira do trono de Galdino, e por isso, quem assume o reino caso algo aconteça com o pai é o seu irmão mais velho, Victor. Desde pequena ela estuda em um colégio interno e por isso é criada afastada do palácio e de quase todos os eventos da monarquia. Porém o rei já estava com a saúde debilitada e quem assume o posto é Victor… Até que ele sofre um atentado e não sobrevive. A única pessoa que pode continuar com o trabalho do atual rei é Zália, mesmo não sendo preparada para tal função. Só que nem todo mundo concorda com as atitudes do rei, e conforme Zália vai aprendendo mais sobre A Resistência, um grupo que quer mudanças na monarquia, ela fica mais ainda na dúvida sobre o que é certo e o que é errado…

O reino de Zália é um livro muito bom pela discussão política que ele traz para um público jovem adulto. Sim, Galdino (que é um arquipélago tropical) não existe, mas os problemas que essa monarquia enfrenta reflete o de vários países, incluindo o Brasil. Os problemas com a população mais pobres, desvio de dinheiro, roubos… É tudo o que tem no nosso dia a dia. Eu achei brilhante como a autora resolveu tocar nesse tema: sem querer “dar uma lição de moral” e sim discutir, alertar. Porém, a leitura foi arrastada e eu vou tentar explicar o motivo disso (sem spoilers!)

O inicio do livro – quando conhecemos os personagens e Galdino – foi muito interessante, assim como os desdobramentos do final. Porém, o desenvolvimento do enredo foi muito lento. Uma grande parte do livro é a Zália descobrindo que os seus conceitos não são corretos, o que é importante para o crescimento da personagem. Porém o final ficou muito corrido quando analisamos o enredo como um todo. O final é tão interessante quanto o início porque ele mostra a protagonista agindo com todas as informações que ela conseguiu. E tem sim algumas consequências drásticas mas tudo pareceu muito… Fácil. Eu não posso explicar muito porque teria que dar spoilers porém um sistema que funciona muito tempo da mesma forma não é desmontado assim de um dia para o outro. Sim, fica subintendido que o reino ainda tem um longo caminho pela frente e talvez uma revolta maior pode ter acontecido depois do ponto que o livro terminou… Porém eu acabei com a sensação de que foi mais difícil pra Zália entender e aceitar o que estava acontecendo do que para conseguir por seus planos em prática.

Um ponto interessante desse livro é que, enquanto livros para essa faixa etária tendem a esquecer os pais, eles são extremamente importantes aqui. Eu adorei o desenvolvimento tanto da mãe (aliás, principalmente dela) quanto o do pai – eles não são perfeitos, longe disso, mas eles são importantes para Zália de formas diferentes. E no caso da mãe, esses conflitos foram  muito mais interessantes do que o triângulo amoroso. É interessante que o triângulo amoroso está presente mas não como se fosse uma “obrigação” por causa da faixa etária – ele tem uma importância para o enredo em si. Eu só fiquei sentindo falta de um desenvolvimento um pouco maior dos sentimentos dos personagens mas talvez, se isso acontecesse, ofuscaria um pouco a parte mais importante do enredo.

Enfim, O reino de Zália é um livro bastante interessante por tratar exatamente de política para um público mais jovem e principalmente falando a linguagem dele. Ele é um daqueles livros que apesar dos problemas que eu citei eu o coloco sem dúvidas na lista “todo mundo deveria ler”. Esse lançamento veio exatamente no momento certo para o nosso país. Eu acho que muito dos problemas que nós temos vem do fato que as pessoas não leem – e com isso não desenvolvem pensamento crítico e nem conseguem se colocar na pele de pessoas em situações diferentes da sua. Eu já mudei de opinião de vários assuntos por causa de livros que eu li… E, sinceramente, essa é uma das coisas que falta nesse país.

Este livro (em formato de prova) foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Seguinte, selo da Companhia das Letras.

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  • Jéssica Martins disse:

    Olá! :D
    Tenho muita vontade de ler esse livro, apesar de só ter ouvido falar dele recentemente. Adorei saber o quanto as questões políticas podem ser relacionadas às que vivemos em nosso país. Não costumo ser muito fã de triângulos amorosos, mas fico muito feliz em saber que o que existe na narrativa apresenta importância direta para o enredo. Penso que eu adoraria ler o livro e sua resenha aumentou ainda mais meu interesse por ele. Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

  • Ana Caroline disse:

    Olá!

    Li a resenha desse livro recentemente, e como havia dito, a autora aborda um tema que estamos vivenciando bastante ultimamente, que é a política.
    É bom saber que a autora não foca nesse triângulo amoroso, mas é ruim a falta de desenvolvimento do romance, todo livro sempre tem que ter um romance mínimo, ahahaha.
    Se eu tivesse a oportunidade, leria o livro para conhecer a escrita da Luly!

  • Beatriz Andrade disse:

    Eu terminei a leitura desse livro esses dias e adorei demais o enredo e a Zália. Também gostei muito da mãe dela, desde o começo eu imaginava que ela seria uma personagem com surpresas e gostei muito das surpresas que ela reservou para contar à filha. Achei muito interessante poder ler a sua opinião sobre a obra e concordo com você, a leitura tem o poder de criar o senso crítico no leitor e falta muito isso no Brasil, mas pra que os políticos vão querer incentivar a leitura, né? Eles preferem a população bem ignorante quando o assunto é política.

  • Lany disse:

    Mas claro que eles preferem que a população seja ignorante quanto à política: assim nós somos apenas fantoches!
    Fico feliz que você tenha curtido a leitura dele também :)

  • Pollyanna Assis Campos disse:

    Olá, tudo bom?
    Nunca li nada da autora, mas se eu fosse começar por uma de suas obras, seria por essa. Achei que a premissa me lembrou um pouco A seleção – que eu adoro – e curti saber que a autora cria mais que um jovem adulto aqui, que ela ajuda a aguçar o senso crítico, a demonstrar a importância da política. Outro ponto que curti conhecer também foi a questão dos pais serem bem presentes na trama e terem papéis fundamentais. É como você disse, em livros assim eles geralmente ficam esquecidos. Adorei sua resenha e espero poder ler este livro em breve, já ciente das ressalvas que fez ♥
    Beijos!

  • Michele da Silva Lima disse:

    Oi Lany, tudo bem? Eu estou bem curiosa com esse livro e nem sou muito de ler mais fantasia rsrs mas a premissa é interessante, principalmente porque envolve aspectos políticos. Que bom que os pais tem um papel importante na narrativa. Eu espero gostar!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

  • Dayhara Ribeiro Martins disse:

    Eu li uma resenha da Bea sobre esse livro e ela também ressaltou a importância dessa obra no contexto atual em que vivemos, e acho que esse ponto é o mais bacana da obra né? Como conseguimos projetá-lo em nossa realidade, isso é bom demais! Adorei sua resenha, a obra até então não havia me interessado mas hoje vejo com outros olhos.

  • Marijleite disse:

    Olá, que bom saber que mesmo com alguns pontos que você acredita que poderiam ser melhorados, é uma leitura que você considera importante de ser feita por todos. É um livro que estou ficando curiosa para ler, pois gostei de ser para um público mais jovem e falar sobre assuntos importantes.

  • Luna disse:

    Olá, Lucy!

    Eu tenho dito que as eleições deste ano são as mais negras da minha vida, as mais decepcionantes. E quanto mais leio comentários na internet e fora dela, quanto mais vejo os discursos de ódio, de intolerância, de desrespeito pelo próximo e pessoas dispostas a votarem em alguém que elas sabem bem que melhoria nenhuma vai trazer, muito pelo contrário! Quanto mais vejo tudo isso percebo o quanto o meu país é formado por ignorantes. Também acho que a leitura é essencial. Que poderia provocar mudanças. Mas vejo até mesmo leitores entrando nesse barco de divisão e desprezo pelo outro. Então, chego à conclusão que livros não operam milagres. Não adianta a pessoa ler se não tem a menor intenção de abrir a mente e absorver conhecimento e senso crítico, além de compaixão, empatia.

    Acho extremamente positivos livros assim, que abordem a política e a realidade de uma forma fácil de compreender, capaz de provocar reflexões. Lamento que a narrativa seja lenta, que a história demore para se desenvolver, mas ainda assim, como você mesma disse, vale a pena. Deve ser lido. E eu quero ler! :)

    Gosto do fato do livro aparentemente ter uma protagonista forte. Só não gosto da questão do triângulo amoroso, pois detesto isso nos livros.

    Bjs!

  • Lany disse:

    Sobre o triângulo amoroso, não precisa se preocupar, ele é uma parte mínima no enredo. A parte política é bem mais importante!
    E sobre o que você falou das eleições… Eu concordo, essa eleição está completamente difícil e eu nunca fiquei tão mal assim. Eu acho que a nossa nação seria muito melhor se as pessoas lessem mais, porque quando você lê, você abre portas para “vivenciar” outras realidades que não são as suas. Só que isso tem um outro lado… será que as pessoas que estão lendo realmente estão abertas? Uma coisa é você ler, outra coisa é você absorver a informação. Uma das coisas que eu mais amei em “Como eu era antes de você” foi como ele me deu outra visão sobre a questão dos deficientes e da eutanásia. Enquanto isso, algumas pessoas leram o mesmo livro e não escutaram a verdadeira mensagem que o livro quer passar…

  • Camila de Moraes disse:

    Olá!
    Esse é o tipo de leitura que me tira da zona de conforto, mas tenho gostado muito de ler mais dos livros publicados pela editora Seguinte. Saber que a autora traz temas importantes e necessários para nos fazer refletir, principalmente aos jovens é um ponto que me chama muito atenção.
    Dica anotada.
    Beijos!

  • Aline M. Oliveira disse:

    Olá! Não conhecia o livro ou a autora, mas achei super legal, essa pegada de reinos e políticas! ainda mais sendo um nacional! Gostei do modo que a autora fez a protagonista, forte e decidida, e tem essa pitada de romance.. Gostei muito da dica, a capa é lindinha!

    Bjoxx ~ http://www.stalker-literaria.com

  • Carolina Durães de Castro disse:

    Oi Lany, tudo bem com você?
    Esse livro está nos meus desejados e após ler a sua resenha, tenho ainda mais certeza de que vou gostar bastante da leitura.
    Bjkas

  • FALANDO DEMAIS disse:

    Oi, tudo bem?
    Essa autora é bem conhecida por mim, gosto do trabalho dela, mas essa obra em questão ainda não li. Fico muito feliz ao ver uma mocinha de tamanha representatividade e de uma autora nacional. Achei a capa meio infantil, mas vale pro seguimento e segue no estilo da autora. Adorei a resenha! Beijos

  • Anelise Besson Almeida disse:

    Oie!

    É a segunda resenha que leio desse livro e confesso que não me atrai muito por ele, apesar de trazer a política para um entendimento mais juvenil. Tenho buscado leituras mais densas e adultas, mas com certeza fica a dica. É uma pena que o livro tenha sido um pouco arrastado e cansativo, às vezes os autores perdem um pouquinho da mão, rs. Enfim, eu achei a ilustração da capa lindíssima, anotei a dica para um futuro!

    beijos

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