Resenha: Os Três

Não sei porque, mas a primeira vez que vi esse livro ele não me interessou. Acho que foi a sinopse, por algum motivo idiota eu fiquei com a impressão de que era um livro de zumbis (e não, NÃO É!). Mas aí eu li a resenha da Mari, do S2Ler… e pensei, bem, agora eu tenho que ler. Devo dizer que eu não sabia o que estava perdendo. Esse livro é fantástico. Chegou a me dar aquele arrepio na espinha que tenho – e adoro – quando leio livros do Stephen King. Não é à toa que tem uma recomendação dele na contracapa.

“Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele… Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.” Fonte

Os Três é um livro angustiante desde o começo. Logo a primeira cena é de arrepiar: uma mulher em pânico dentro de um avião em queda, prestes a morrer, sabendo que irá morrer. Depois dessa cena, começa o “livro dentro do livro” (livro Inception?); e não estou brincando, há realmente um livro dentro de Os Três: ele se chama Quinta-Feira Negra: da queda à conspiração, de uma personagem autora chamada Elspeth Martins. Através de entrevistas e transcrições de conversas, chats, depoimentos, documentos e matérias de jornais, Elspeth nos conduz pela história da queda de quatro aviões no mesmo dia, em quatro partes do mundo: EUA, Europa, Japão e África. Inexplicavelmente, três crianças sobreviveram quase ilesas desses acidentes, um menino americano, Bobby, uma menina inglesa, Jess, e um menino japonês, Hiro. A personagem que abre o livro na cena angustiante que mencionei (antes do livro dentro do livro) deixou uma mensagem desesperada e enigmática, que está na sinopse. E essa mensagem que precedeu sua morte desencadeada uma série de acontecimentos terríveis e transforma o mundo de maneira assustadora.

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Como o livro é feito de depoimentos, em sua maioria, temos quase sempre uma narração em primeira pessoa, com visões muito pessoais dos acontecimentos (mas há também as partes que há transcrições de conversas e até vários chats, que são muito divertidos e imersivos). Mesmo assim, a autora, em sua ideia muito criativa de criar um livro investigativo dentro do seu livro de ficção, acabou também nos dando inúmeras visões devido aos vários depoimentos de vários personagens. E mesmo lendo suas histórias por meio de fragmentos, nós realmente conseguimos nos ligar a eles. Todos são muito bem desenvolvidos e cativantes. Logo, o leitor se vê completamente inserido na história, quase acreditando que se tratam de fatos reais, tamanha é a imersão da narrativa.

A mensagem de Pamela May Donald antes de morrer, uma americana que frequentava uma igreja assiduamente – a igreja do Pastor Len, mencionado na mensagem – gera uma teoria conspiratória religiosa que cresce durante o livro de um jeito apavorante e nos remete às próprias loucuras que algumas vezes nos esbarramos no cotidiano. O pastor acredita que as três crianças sobreviventes são cavaleiros do apocalipse e que o fim está próximo. Tenso. E essa é apenas uma das teorias malucas que são mencionadas no livro em relação aos acidentes e às crianças; há várias outras, como alienígenas e coisas que assustadoramente se assemelham ao que sabemos que as pessoas fomentam em meio à tragédias como essa. Os humanos podem ser aterrorizantemente mórbidos.

“Parece amargo, eu sei, mas a gente descobre quem são os amigos de verdade quando a vida desmorona.” Página 47

Em paralelo, acompanhamos depoimentos dos familiares que restaram das crianças, das pessoas próximas a elas e, gradualmente, a autora vai inserindo gotas muito sinistras de horror. Há mesmo algo errado naquelas crianças, algo sombrio. A tensão vai crescendo a cada página, assim como o medo; vejam, o livro não é essencialmente um horror, é mais um thriller de suspense, mas traz sim medo e angústia característicos do gênero. Todo o livro, aliás, é uma mistura bem elaborada de suspense, drama e terror – uma mistura que acredito ser a melhor maneira de impactar, envolver e assustar o leitor. Ele é construído de maneira brilhante e deixa um gosto amargo no final. É aquele tipo de livro que a história fica por muito tempo na cabeça, e o leitor vai criando – ironicamente – teorias e mais teorias mesmo após fechar a última página. Isso porque o livro tem um final, mas um final que pode ter múltiplas interpretações; aquele final que você, leitor, vai precisar escolher em sua própria imaginação (ou conspiração).

A edição da Arqueiro está impecável. As bordas das folhas são pintadas de preto, dando a impressão, quando o livro está fechado, de que ele é a caixa-preta de um avião. Genial!!! O livro não tem orelhas, mas não me importei (geralmente prefiro livros com orelhas), porque percebi que era realmente para trazer essa sensação de estar abrindo uma caixa-preta de segredos, e as orelhas talvez atrapalhassem essa ideia. Encontrei alguns erros de revisão, bem poucos, que não dificultaram nem incomodaram durante a leitura. A capa tem um relevo nas manchas vermelhas e, se você chegar bem perto, consegue identificar os rostos das três crianças.

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Os Três é um livro que você tem que ler, especialmente se for fã de thrillers de suspense e gostar de toques sombrios de horror. É uma obra imersiva e inteligente que vai prendê-lo da primeira à última página. Uma das minhas melhores leituras do ano. Simplesmente brilhante!

Esse livro foi gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Arqueiro!

Arqueiro_parceria

Ficha Técnica

Título: Os Três
Autor: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon (e-book)
Avaliação: 

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  • Érika Rufo disse:

    A capa desse livro é muito sombria, adorei!! Esse detalhe das bordas pintadas de preto para parecer uma caixa preta eu ainda não tinha visto em nenhum lugar e achei muito legal! Cada vez fico mais curiosa e com vontade de ler esse livro. é o tipo de história que amo, um suspense com algumas doses de terror. Preciso ler logo!!

    Beijos!!

  • Douglas Fernandes disse:

    Adoro thrillers, com toques sombrio de horror entao… *-*
    A cada resenha que vejo só aumenta minha vontade de ler esse livro, adorei a capa, sombria e chamativa.

  • Franciely Bortoski disse:

    Eu estou doida pra ler esse livro. Passei na Fnac e ele ficou lá me olhando dizendo “me compra”, mas como eu já tinha que comprar outro livro pra fechar uma série, acabei não levando =( Já me arrependo hehehehe
    Ainda bem que ele não é de horror. Prefiro muito mais thriller, já que eu fico com medo =P Fiquei bem curiosa pra saber sobre a historia dessas 3 crianças e achei interessante o jeito da narrativa pelo q vc contou: essa coisa de uma história dentro da história e tal. Não tinha me dado conta de que o disign legal da capa era pra parecer uma caixa preta, mas ok, faz sentido (que nem o monolito do 2001). Assim que puder vou dar um jeito de ter o meu exemplar.

  • Nayara disse:

    Que sinistro esse livro!! Principalmente o relevo vermelho com o rosto das três crianças!
    Eu achei um pouco confuso o livro assim. Só lendo mesmo, porém, achei a histório bem pesada…. bem lado negro da força (que nem o Darth Vader! ahaha).
    Beijos.

  • Fabiana Strehlow disse:

    Menina, que livro é esse?
    Eu não tinha a menor ideia de que esse livro pudesse ser assim tão interessante.
    Sabe, eu não dei muita importância para Os Três, porque imaginei tratar-se de um livro de fantasia. E assim como você, eu me enganei.
    Pois é, agora “preciso e quero” ler Os Três!
    Parabéns pela resenha!

  • Gustavo disse:

    Nossa, eu vi esse livro uns três dias atras e já estava com vontade pra caramba pra ter ele, agora então estou com um fogo quase impossível de controlar *-* eu preciso desse livro. Ele parece incrível e realmente, fui procurar a capa novamente e vi os rostos das crianças, mas um motivo pra eu ter amado essa capa. Aliás, o que me chamou tanta atenção pra começo de conversa foi a capa, que eu adorei o detalhe de ter quatro riscos, mas um apagado pela passageira não ter sobrevivido *-*

  • Ana disse:

    Eu tenho uma opinião bem dividida sobre thrillers, na maioria das vezes eles não me agradam. Mas… eu amei essa resenha, é do tipo que faz você se apaixonar pela história sem nem ter lido. Fiquei um pouco confusa com tantos acontecimentos mas mesmo assim me interessei.

  • Lauren Alice disse:

    Eu li a sinopse desse livro e achei que ele seria muito interessante!
    Achei a capa super criativa!
    Estou ansiosa por conhecer esse livro!

  • Top Ten Tuesday: Top 10 livros que vou ler no verão « Por Essas Páginas disse:

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