Resenha: Outsider

Ficha técnica:

Nome: Outsider

Autor: Stephen King

Tradutora: Regiane Winarski

Páginas: 528

Editora: Suma

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Sinopse:

O corpo de um menino de onze anos é encontrado abandonado no parque de Flint City, brutalmente assassinado. Testemunhas e impressões digitais apontam o criminoso como uma das figuras mais conhecidas da cidade — Terry Maitland, treinador da Liga Infantil de beisebol, professor de inglês, casado e pai de duas filhas.

O detetive Ralph Anderson não hesita em ordenar uma prisão rápida e bastante pública, fazendo com que em pouco tempo toda a cidade saiba que o Treinador T é o principal suspeito do crime. Maitland tem um álibi, mas Anderson e o promotor público logo têm amostras de DNA para corroborar a acusação. O caso parece resolvido.

Mas conforme a investigação se desenrola, a história se transforma em uma montanha-russa, cheia de tensão e suspense. Terry Maitland parece ser uma boa pessoa, mas será que isso não passa de uma máscara? A aterrorizante resposta é o que faz desta uma das histórias mais perturbadoras de Stephen King.

Fiquei muito curiosa quando vi o lançamento de Outsider. Ele é mais uma das obras policiais de Stephen King, a exemplo da Trilogia Bill Hodges (resenhas aqui, aqui e aqui) – e, aliás, com grandes referências a esses livros (o que não é nenhum spoiler, afinal a própria Editora Suma faz propaganda disso, e devo dizer que animei mais quando soube!). Porém, aqui temos um novo detetive, Ralph Anderson, e um crime impossível: um assassino brutal que aparentemente estava em dois lugares ao mesmo tempo.

O livro começa com a prisão pública de Terry Maitland, membro honrado da comunidade, pai de família, professor e treinador da liga infantil de beisebol. Mas as evidências são contundentes: várias testemunhas oculares e muito DNA envolvido. Porém, Terry tinha o álibi perfeito (e que torna tudo inacreditável): no mesmo momento do crime, ele estava em uma convenção em outra cidade a muitos quilômetros de distância, com outras tantas testemunhas, provas de digitais e até mesmo um vídeo no qual faz uma pergunta a um escritor famoso. E é aí que está o impasse: ao mesmo tempo que há provas irrefutáveis de que ele é o criminoso, há outras tantas provas também incontestáveis de que ele não é.

Apesar de muitas coisas acontecerem na primeira parte do livro: a prisão, as entrevistas e até algumas mortes, esse começo é bastante arrastado. Sinto que demorei muito mais (e me senti mais cansada) nas primeiras 100, 150 páginas, do que no restante do livro. O fato é que não me apeguei aos personagens logo de cara, e tampouco o detetive Ralph Anderson conseguiu ser carismático a ponto de me conquistar – com certeza não chegou nem perto do saudoso Bill Hodges, com quem logo de cara o leitor já se conectava. A verdade é que a coisa só foi engrenar um pouco depois do meio para o final, quando uma personagem-chave da série que se iniciou com Mr. Mercedes reaparece: Holly Gibney. E ela transforma o livro – para melhor.

Holly é sem dúvida a melhor personagem da obra. Se, na outra série, ela era importantíssima, mas uma coadjuvante perto de Bill, aqui ela toma as rédeas do livro e brilha como nunca. É ela quem conduz toda a história a partir do momento que aparece, a verdadeira detetive da obra, com sacadas fenomenais e um faro de fazer o queixo cair. E, claro, temos toda a sua personalidade excêntrica e complicada para criar ainda mais camadas e deixar tudo melhor. É só aí, com o aparecimento de Holly, que finalmente conseguimos gostar de Ralph, que com certeza se beneficia da luz que a personagem emana.

Então o leitor é conduzido finalmente por uma trama de tirar o fôlego, com um elemento sobrenatural bizarro e curioso. Confesso que, lá pela metade do livro, saquei em grande parte do que se tratava o antagonista, mas isso não tirou a graça do final e a maneira como a aventura e as descobertas foram conduzidas. Por isso, por toda a emoção que o livro foi capaz de causar, por Holly e pela jornada muito mais que pelas surpresas, dei 4 estrelas. Porque, no saldo final, o livro me divertiu e envolveu. Mas, não: Outsider, mesmo sendo um bom livro, não consegue superar nenhum dos três livros da série Bill Hodges. Mas continuo querendo ver mais obras policiais de Stephen King (afinal, quem não quer?; leio até a lista de compras desse sujeito).

A edição é competente; confortável, no estilo da Suma, com uma capa bacana e coerente. Para fãs do Mestre do Terror, um livro indispensável para se ter na estante, que une uma boa investigação policial, personagens interessantes, a nostalgia de relembrar outra obra e ainda um elemento sobrenatural de arrepiar até os ossos. Recomendado.

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Suma, selo da Companhia das Letras.

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  • Andressa Ledesma disse:

    Eu nunca li nenhum livro policial do autor, e nem conhecia Outsider, é a primeira resenha que eu acompanho da obra. Esse é um gênero que eu gosto bastante de ler, e ser de um autor que eu quase não tenho nenhum contato é ainda mais empolgante. Gostei da premissa, e fiquei curiosa pelo final sobrenatural.
    beijos

  • Andrea Morais disse:

    Sinceramente, tenho um certo ranço de Stephen King! kkkkkkk Sua resenha ficou muito legal e fez um bom panorama do livro, mas não consegui me interessar pela história, ademais, ao dizer que a leitura só ficou instigante do meio para o final, já me deu a certeza de que não será esse o livro que me tirará dessa fatiga que tenho do autor.

  • Camila de Moraes disse:

    Olá!
    Eu gosto da escrita do autor, mas ultimamente não tenho me empolgado com os lançamentos, talvez seja o momento.
    Gostei de conferir suas impressões e saber que ele tem uma correlação com a outra trilogia é interessante e talvez agrade os fãs de seus trabalhos.
    Beijos!

  • Vitoria Doretto disse:

    Ah King… ando percebendo que não importa o que ele escrever, a qualidade do texto sempre se mantém. Terminei de ler Outsider esses dias e apesar de realmente se arrastar no começo, é inegável que a trama consegue prender nos primeiros capítulos. E tenho que concordar com você, também leria até a lista de compras desse senhor haha
    Beijos!

  • Saga Literária disse:

    Olá, tudo bem?

    Eu comprei “Outsider” assim que lançou, mas ainda não realizei essa leitura, pretendo ler alguns livros do King no início de janeiro para movimentar o desafio literário, vamos ver se consigo. Parabéns pela resenha, ficou bem legal!
    Abraço!

  • Carla disse:

    Oie!
    Acredita que ainda não li nenhum livro do autor?
    Sério, já recebi várias indicações, mas ainda não escolhi nenhum para começar. Eu fico com um pouco de medo das sinopses, e por isso que não ome aventuro na leitura.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

  • Pollyanna Assis Campos disse:

    Olá, tudo bom?
    Ano passado me propus a conhecer mais obras do King e acho fascinante a forma como ele cria enredos que chamam a atenção do leitor né? Uma pena que o início desse livro seja um tanto quanto arrastado e que só melhore quando a outra personagem aparece. Anotei a dica, mas vou deixar para ler após conferir a série Bill Hodges! Ótima resenha!
    Beijos!

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