Resenha: Pequenos Deuses

PEQUENOS_DEUSESPequenos Deuses – “Só porque você consegue explicar não significa que não seja um milagre.”

Religião é um assunto controverso em Discworld. Todo mundo tem sua própria opinião e até seus próprios deuses, que podem ser de todas as formas e tamanhos. Nesse ambiente tão competitivo, as divindades precisam marcar presença. E a melhor maneira de fazer isso certamente não é assumindo a forma de uma tartaruga. Nessas situações, você precisa, e rápido, de um assistente. De preferência alguém que não faça muitas perguntas…

“Esta sátira sobre a religião institucionalizada e corrompida sugere, com um humor ágil e intrigante, que o poder dos deuses talvez seja proporcional à crença de seus seguidores.” – The Independent

“A inventividade espetacular de Terry Pratchett faz da série Discworld um prazer incessante na ficção moderna.” – Mail on Sunday Fonte

A Bertrand enviou esse exemplar para nós e eu resolvi me arriscar na leitura. Curiosamente eu tenho os livros anteriores da série Discworld, mas nunca li. Como após determinado número é possível ler fora de ordem, eu resolvi ler justamente esse que não tinha. Foi meu primeiro contato com a série e também com a escrita de Terry Pratchett.

A história se passa em Omina – pelo menos boa parte dela, uma cidade que cultua o grande deus Omn. Lá, nós conhecemos Brutha, um rapaz ingênuo com uma memória impressionante. Ele é um noviço e não tem muita ambição na vida, sendo um verdadeiro devoto de Om, seguindo todos os preceitos de sua religião. É por isso que o deus Om, na forma de tartaruga, que Brutha o ajude a se fortalecer novamente. Pois é, por algum motivo – leiam para saber –  os poderes de Om acabaram diminuindo, a ponto de ele conseguir apenas se manifestar em forma de uma forma de tartaruga, um ser super frágil e muito visado por águias. Vai entender.

No começo eu confesso que não consegui me encontrar muito bem na leitura, não consegui vislumbrar um objetivo. Mesmo assim, eu insisti, mesmo porque, apesar de não saber aonde eu ia parar, o autor demonstra um senso de humor ácido e uma crítica bem construída desde o início. Quando enfim eu entendi qual o sentido da vida, o universo e tudo o mais (42!) (ops, história errada), a leitura deslanchou e eu me surpreendi bastante com o desenrolar da trama e ainda por cima a forma como Pratchett conduzia a história e seus personagens, incluindo ainda em sua sátira ateus e filósofos – sim, ninguém  escapa desse autor!

Pratchett soube manifestar de forma bem primorosa sobre o fanatismo religioso, a forma como a fé e seus ensinamentos são deturpados e ainda usados de forma corrupta por seus líderes, sobre a existência de deuses e as consequências de se seguir uma religião cegamente. Tudo isso foi muito legal, ainda mais quando você percebe a semelhança com a religião na época da Idade Média (se bem que de lá pra cá algumas coisas continuam… e não necessariamente no catolicismo). E tudo isso dentro do contexto, sempre dando uma alfinetada aqui e ali no fundamentalismo religioso (ou não religioso).

Como primeiro livro de Pratchett, eu achei muito legal. Já imaginava que ele teria esse senso crítico atrelado ao lado mais bem humorado e cínico. Eu vou me arriscar em outros livros dele, mesmo que não sejam de Discworld. Uma pena ele ter falecido justamente esse ano…

Para quem é fã de ficção e fantasia, um prato cheio! Recomendo!

Esse livro foi cedido para resenha pelo Grupo Empresarial Record.

record

Ficha técnica:

Nome: Pequenos Deuses
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 308
Editora: Bertrand Brasil
Onde Comprar: Livraria Cultura / Saraiva / Submarino / Amazon
Minha avaliação:

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  • Douglas Fernandes disse:

    Bacana… Achei a capa bem chamativa, me atraiu muito e o nome tbm, já imagino mitologia, geralmente é assim né, historias sem pé nem cabeça, mas que conseguem ser interessantes.
    Pois é, seguir uma religião é bom, mas ser fanático já não é bom… não só em relação a religiao, em tudo, politica, futebol, enfim, poxa não conhecia o autor e triste ter falecido esse ano.. 🙁

  • Larissa Oliveira disse:

    Olá! Primeira resenha que leio sobre o livro e posso dizer que achei fantástica a proposta do autor. Abordar um tema tão presente na nossa realidade, usando sátiras, um enredo bizarro, críticas bem construídas, me pareceu incrível e extremamente inteligente. Quero ler, com certeza.

  • Gustavo disse:

    Esse autor parece mesmo interessante, já havia visto alguns livros dele, acho que dessa série mesmo, e algumas vezes me interessou e outras eu simplesmente ficava meio “nunca vou ler esse livro”. Mesmo que seja uma crítica e provavelmente tenha partes engraçadas, quando o livro aborda o fanatismo religioso eu sempre pego raiva dos personagens fanáticos e começa a me irritar o livro porque tenho vontade de dar na cara dos fanáticos, principalmente quando eles fazem algo errado mesmo “impondo” o bem, ou quando eles tem preconceito com alguém. Odeio kkkk. Sinceramente não acho que leria o livro

  • TTT: Dez “Novos” Autores Favoritos que Li pela Primeira Vez em 2015 | Por Essas Páginas disse:

    […] Terry Pratchett (Pequenos Deuses): Sério, com tantos livros que ele lançou eu ainda não tinha lido nenhum até esse ano (e não […]

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