Resenha: Piano Vermelho

O livro chegou para a Karen ler primeiro, mas ela estava viajando… o livro estava aqui… adorei Caixa de Pássaros… a sinopse me chamou a atenção… então resolvi ler também. E aí a Lucy deu a ideia de uma resenha dupla. Então, aí está. (Drika)

Pois é, eu (Karen) estava viajando quando o livro chegou, aí a Drika leu primeiro! Assim como ela, também adorei Caixa de Pássaros (resenha aqui) e fiquei completamente fascinada pela escrita de Josh Malerman (e consegui pegar autógrafo dele no livro lá na Bienal do Rio de 2015!). Enfim, eu estava ansiosa, eu estava curiosa e eu… me decepcionei muito lendo Piano Vermelho


Ex-ícones da cena musical de Detroit, os Danes estão mergulhados no ostracismo. Sem emplacar nenhum novo hit, eles trabalham trancados em estúdio produzindo outras bandas, enchendo a cara e se dedicando com reverência à criação — ou, no caso, à ausência dela. Uma rotina interrompida pela visita de um funcionário misterioso do governo dos Estados Unidos, com um convite mais misterioso ainda: uma viagem a um deserto na África para investigar a origem de um som desconhecido que carrega em suas ondas um enorme poder de destruição.
Liderados pelo pianista Philip Tonka, os Danes se juntam a um pelotão insólito em uma jornada pelas entranhas mortais do deserto. A viagem, assustadora e cheia de enigmas, leva Tonka para o centro de uma intrincada conspiração.

Seis meses depois, em um hospital, a enfermeira Ellen cuida de um paciente que se recupera de um acidente quase fatal. Sobreviver depois de tantas lesões parecia impossível, mas o homem resistiu. As circunstâncias do ocorrido ainda não foram esclarecidas e organismo dele está se curando em uma velocidade inexplicável. O paciente é Philip Tonka, e os meses que o separam do deserto e tudo o que lá aconteceu de nada serviram para dissipar seu medo e sua agonia. Onde foram parar seus companheiros? O que é verdade e o que é mentira? Ele precisa escapar para descobrir.

Com uma narrativa tensa e surpreendente, Josh Malerman combina em Piano Vermelho o comum e o inusitado numa escalada de acontecimentos que se desdobra nas mais improváveis direções sem jamais deixar de proporcionar aquilo pelo qual o leitor mais espera: o medo.

Cem mil dólares para descobrir a origem de um som. Que tal? Para os Danes, a resposta foi sim. E lá se foram para o deserto do Namibe. Mas o que aconteceu lá o leitor só descobre aos poucos, conforme avança na leitura dos capítulos que se intercalam entre a recuperação de Philip Tonka, pra lá de estranha (afinal, pra quem quebrou todos os ossos do corpo, ficou em coma por 6 meses e está todo deformado, de repente começar a se mexer e falar, quando o esperado é que estivesse morto, só pode ser estranho!) e sua incursão no deserto, mais estranha ainda (com um fantasma da época da Guerra Civil Norte-Americana, um soldado achatado como uma folha de papel com o uniforme da época da Guerra de Secessão e o tal som os acompanhando). Ah, um detalhe: o som causa náuseas, vômitos e convulsões!

Eles são acompanhados por um fotógrafo, um soldado e o líder do pelotão, um sargento veterano da Segunda Guerra Mundial meio louco.

Uma premissa bem bizarra e curiosa, não? Se a gente lendo ficou intrigado para descobrir que som é esse, imagine Philip e os Danes. Porém, para mim, os problemas do livro começaram por aqui mesmo, no começo. São muitos personagens e a impressão que me deu foi que nós, leitores, não fomos apresentados a eles apropriadamente. O resultado foi uma narrativa e diálogos confusos, nos quais frequentemente eu esquecia quem era quem. E mesmo aqueles que são mais aprofundados, como o próprio Philip – que acompanhamos no passado, na viagem ao deserto, e também no presente, no hospital, recuperando-se de um coma de seis meses e fraturas horríveis e inexplicáveis em todos os ossos de seu corpo -, não me conquistaram. Para mim, Philip parecia um personagem de plástico, cujas reações não faziam sentido, cujos sentimentos eu não conseguia compreender e sentir qualquer tipo de empatia. 

Philip fica obcecado pela imagem de um bode branco e o fundo vermelho e de um piano vermelho enquanto se recupera. Por mais que seja interrogado, ele diz não se lembrar de nada do que aconteceu no deserto e como ele ficou naquela situação, e também não sabe o que aconteceu com seus companheiros.

Em alguns momentos fica claro que existe algum tipo de conspiração por parte do exército e do médico que está tratando de Philip. E no hospital, apenas a enfermeira Ellen, que tem cuidado de Philip durante todo o tempo que ele está lá, está disposta a descobrir o que está acontecendo e a ajudar Philip.

Nós vamos acompanhando essas duas linhas do tempo – o passado, no deserto, e o presente, no hospital -, tentando entender e adivinhar o que raios aconteceu no meio deles. E devo dizer que isso foi a única coisa que me moveu durante o livro, o suspense, o mistério, o que de fato seria aquele som maligno. As bizarrices que Philip encontra e pede para Ellen desenhar também ajudaram a aumentar a aura de mistério e deixar o leitor curioso. Foi uma boa jogada intercalar os tempos, porém, no meio do livro, o autor deixa crescer uma barriga enorme, e o livro se arrasta em um ritmo moroso, descrições infinitas, mistérios insolúveis, uma enrolação que parece não ter fim.

Em dado momento, a história finalmente parece pegar no tranco e engata: os mistérios funcionam, o suspense deixa o leitor angustiado, os personagens finalmente agem. Porém, a felicidade dura pouco; assim que parte do mistério é solucionada e algo incrível acontece, o livro, da enrolação de antes passa a uma correria insana, explicando com pressa e respondendo sem cuidado às perguntas que promoveu durante todo o resto da obra. Parece que o autor percebeu que precisava terminar – e logo! – e havia um limite de páginas que ele não podia ultrapassar. 

Quanto ao que aconteceu no deserto, bem… não dá bem pra explicar… então, vocês vão ter que ler! :-p (Eu li e não entendi. Explicação confusa e mirabolante demais. Não funcionou para mim.)

Não tem como não comparar este livro ao livro de estreia do autor, Caixa de Pássaros (resenha aqui). E aí, o Piano Vermelho perde um pouco do seu brilho. Apesar de achá-lo surpreendente, diferente e meio maluco, não é tão perfeito quanto Caixa de PássarosE não é mesmo. Para mim, que achei Piano Vermelho um livro fraco, confuso e com personagens rasos, ao compará-lo com o magnífico Caixa de Pássaros a coisa toda simplesmente fica pior e o segundo livro de Josh Malerman perde feio, perde forte. Ficou a sensação de que o autor, que tinha brilhado tão intensamente em seu primeiro livro, perdeu a mão por completo no segundo.

O autor deve ser meio obcecado pelos cinco sentidos. O primeiro livro tinha a ver com a visão, o segundo com a audição. Quem sabe ele escreva os próximos envolvendo o paladar, o tato e o olfato! (Há! Fato, não tinha pensado nisso, mas faz total sentido.)

Em uma das vezes que Philip ouve o som gravado, ele desacelera a fita e acredita que está ouvindo um acorde. Assim que ele diz isso eu me lembrei do “acorde do diabo”, conhecido como trítono. Na música, um trítono é formado por 2 ou mais notas separadas por 3 tons, então, dó e fá sustenido formam um trítono, que é um som totalmente dissonante e desagradável aos ouvidos e, por isso, na Idade Média ficou conhecido como “acordo do diabo” e foi proibido. Acho que pensei nisso principalmente por causa das lembranças de Philip do deserto que envolvem cascos, chifres e vermelho. (É… e – spoiler? – eu tava achando que ele ia encontrar o demônio no deserto, mas…) Sei lá!

Acredito que algo importante a ressaltar aqui é o romance completamente desnecessário e mal desenvolvido que foi injetado na obra. Os dois personagens não tinham química alguma, muitas das ações deles no final (apaixonadíssimos!) são totalmente desconexas e o romance não funciona, não convence. Foi uma péssima ideia e deu até raiva. Seria muito melhor se os dois personagens continuassem amigos, apenas.

Enfim, apesar de ter visto muitas resenhas negativas, eu curti. Em alguns momentos achei muito louco. Um louco que prendeu ainda mais minha atenção. Acho que o autor manteve seu estilo de escrita e, mesmo não sendo tão bom quanto Caixa de Pássaros, é uma leitura intrigante e surpreendente. Então, se você curte umas coisas meio loucas eu recomendo a leitura, sim! Só não se decepcione se sentir que faltam algumas respostas! Quanto a mim, preciso discordar da Drika; a escrita não é ruim, mas não é tão empolgante quanto eu esperava de Josh Malerman; achei sim um livro fraco e decepcionante. Uma história enrolada e confusa, respostas apressadas e sem sentido, personagens rasos e pouco interessantes, uma narrativa arrastada em grande parte do livro. Mas, como vocês puderam ver nesta resenha dupla, cada um pode (e deve!) ter sua visão sobre um livro – uma pessoa dizer que não gostou não necessariamente o condena. Portanto, fica minha dica para darem uma chance a Piano Vermelho (só não vá com muitas expectativas). 

Este livro foi gentilmente cedido pela editora Intrínseca para resenha.

 

Ficha técnica:

Título: Piano Vermelho
Autor: Josh Malerman
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Livraria Cultura / SaraivaAmazon / Submarino / Shoptime / Livraria da Folha / Livraria da TravessaAmericanas
Minha avaliação (Drika):
Minha avaliação (Karen): 

 

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  • Cabine de Leitura disse:

    Eu li Caixa de Pássaros mês passado e digo que amei, por isso estou tão curiosa para ler Piano Vermelho, mas fiquei triste em saber do romance que não convence, mesmo assim a curiosidade é maior em saber de onde é o som e o que aconteceu com o Philip que todos tentam esconder.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/2017/09/vida-em-marte.html

  • Milena Soares disse:

    Estou doida pra ler esse livro, gostei muito de Caixa de Pássaros, curto muito suspense e sobrenatural, essa resenha me deixou ainda mais curiosa em conferi essa história.

  • Layana disse:

    Ainda nem li caixa de pássaros e já quero ler esse!
    2017 está com tantos livros bons que estou pensando sinceramente em largar tudo e ir ler kkkk

  • Cibele Gonçalves Morales disse:

    Nossa, os dois estão na minha lista, mas agora se eu ler o Piano vermelho, não vou ir com muitas expectativas. Rsrs
    A caixa de pássaros não li, mas vejo que divide opiniões, muitos não gostaram do final. Vamos ver qual vai ser minha opinião quando ler.
    Gostei da tua sinceridade na resenha. Beijos ❤

  • Larissa Dutra disse:

    Olá, tudo bem? Adorei a ideia da resenha dupla, é sempre bom vermos mais de uma opinião. Eu, particularmente, fiquei bem curiosa com a sinopse do livro; acho que vou ler.

  • Beatriz Andrade disse:

    Eu estou louca para ler esse livro, é do meu gênero preferido e a premissa super me atraí. Eu gostei de ver sua sinceridade na resenha e gostei de conhecer um pouco mais sobre a obra. Fiquei foi mais curiosa para ler esse livro e entender o que acontece.

  • Camila de Moraes disse:

    Olá!
    Sou apaixonada por Caixa de pássaros e to bem confiante no desenrolar dessa trama. Josh tem uma escrita bem peculiar, bem do tipo ou amamos ou odiamos né. Espero que essa trama cause o mesmo efeito em mim que a anterior.
    Beijos!

  • Jessica Luise disse:

    Olá!
    Eu também li Caixa de Pássaros e AMEI!
    Já tem um tempo que quero muito ler Piano Vermelho, mas ainda não tive a oportunidade. Alguns pontos negativos que você apontou não me desanimaram da leitura e isso é bom.
    Beijos
    Blog Relicário de Papel

  • Jennifer Silva disse:

    Adoreei a resenha dupla, ficou muito interessante e bem divertida! Confesso que só li um pedaço do primeiro livro porque estava com um pouco de medo haha, mas estou pensando em recapitular a leitura, ainda mais depois de ler a opinião positiva de vocês. Eu estava curiosa para ler o segundo livro, mas ainda não conhecia a história, parece ser bem intrigante essa parte do som e o mistério sobre o que ocorreu no deserto. Espero gostar das duas obras, obrigada pela dica, meninas! E a resenha ficou maravilhosa! Bjss.

  • Bruna Costabeber disse:

    Oie!
    Essas resenhas duplas são fascinantes, pois fazem a gente ver como as leituras funcionam de forma diferentes para vários leitores.
    Ainda não li nem Caixa de Pássaros nem Piano Vermelho, mas tenho muita vontade, pois são muitos elogios para os livros.
    Piano vermelho que pareceu bastante confuso, principalmente, pela parte do deserto que uns entendem e outros não. Ele parece ter também muitas coisas subentendidas e não sei se isso vai me agradar ou me incomodar.
    Acho que preciso ler os dois livros para ver o que vou achar.
    Beijos

  • Kamila Villarreal disse:

    Olá!

    Tenho aqui o Caixa de Pássaros para ler, mas ainda não tive tempo para tal. Mas que pena que a leitura não foi tão boa assim para vocês, agora lerei o primeiro com receios.

  • Claudia Del Santo disse:

    Oi. Achei muito interessante essa resenha dupla. Acho que nunca li uma resenha assim.
    Então, tenho A Caixa de Pássaros aqui, mas ainda não li o livro. Minha irmã leu e amou muito. É uma pena que o autor não tenha conseguido alcançar a aprovação do primeiro livro, pois achei a resenha intrigante. Tinha tudo para ser uma obra e tanto. Boas ideias esse autor tem, sem dúvida. Sei que ele é muito amado por esse mundo literário. Ainda não tive a oportunidade de ler nada dele, mas sem dúvida é um autor que quero conhecer logo. Amei a resenha e a opinião de vocês. Um beijo e sucesso sempre.

  • Angélica disse:

    OI, tudo bem?
    Quero muito ler este livro, mas confesso que o romance desnecessário me deixa com receio. Então nem vou dar prioridade para ele no momento, vou ler o que tenho aqui antes.
    Bjs

  • Ana Paula Medeiros disse:

    Oi! Que ideia legal uma resenha dupla, pois assim podemos ver mais de uma opinião ao mesmo tempo :)
    Estou doida para ler Caixa de Pássaros e logo que lançou Piano Vermelho, já adicionei na minha lista de “desejados”. Pela premissa parece bem interessante, mas as ressalvas das duas fiquei com o pé atrás já rsrs
    Ainda assim vou ler para tirar minhas conclusões.
    Beijão!

  • Lorena Caribé disse:

    Olá! Tenho visto muitos comentários sobre a obra e estou curiosa, ainda mais agora com sua resenha. Vou anotar a indicação. Espero ter oportunidade de ler também. super bjooo

  • Vivianne Sophie disse:

    Olá,

    Gostei muito da sua resenha e consegui ter um vislumbre excelente da história. O livro parece ser uma leitura que vale a pena e com certeza já está na minha lista. Excelente post!

    Abraços,
    Cá Entre Nós

  • Carolina Ramires disse:

    Olá!
    Eu não li Caixa de Passáros até hoje, acredita? Mas achei bem interessante que nesse livro temos duas linhas do tempo, gosto muito de livros que trabalham isso. Com certeza vou deixar a dica anotada, espero curtir tanto que nem você!
    Beijos.

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