Resenha: Querido Evan Hansen

Ficha técnica:

Título: Querido Evan Hansen

Autor: Val Emmich, Steven Levenson e Benj Pasek

Tradutor: Guilherme Miranda

Páginas: 336

Editora: Seguinte

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Sinopse:

Dos criadores do premiado musical da Broadway Dear Evan Hansen, esta é uma história emocionante sobre solidão, luto, saúde mental e amizades inesperadas.

Evan Hansen sempre teve muita dificuldade de fazer amigos. Para mudar isso, decide seguir as recomendações de seu psicólogo e escrever cartas encorajadoras para si mesmo, com esperança de que seu último ano na escola seja um pouco melhor. O que não esperava era que uma das cartas fosse parar nas mãos de Connor Murphy, o aluno mais encrenqueiro da turma.
Quando Connor comete suicídio e sua família encontra a carta de Evan, todos começam a pensar que os dois eram melhores amigos. Sem conseguir explicar a situação, Evan acaba refém de uma grande mentira. Ao mesmo tempo, graças a essa (falsa) amizade, o garoto finalmente se aproxima de Zoe, a menina de seus sonhos, e passa a ser notado no colégio. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter?
Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.”

Adoro um YA, e entre tantas leituras sombrias que eu faço, é sempre bom fazer uma pausa e ler algo mais leve. Mas Querido Evan Hansen passa longe disso; é um livro denso e triste, narrado por um personagem deprimido e com baixíssima autoestima. É um ótimo livro, mas também é um para se ler com cuidado porque sim, há gatilhos.

Evan Hansen é um garoto solitário; não tem amigos, não consegue se comunicar com a mãe, o pai vive longe e tem uma nova família. Nas férias de verão, Evan foi ajudante de guarda florestal e quebrou o braço, caindo de uma árvore, e esse gesso é muito importante para o livro. Além disso, ele vai à terapia e seu psicólogo o encoraja a escrever cartas de estímulo para si mesmo. O problema é que uma dessas cartas vai parar nas mãos de outra pessoa, Connor Murphy, o mesmo cara que já tinha encrencado antes com Evan. Só que, no dia seguinte, Connor comete suicídio e a família dele – e depois toda a comunidade – pensam que a carta de Evan era a carta de suicídio de Connor.

Bem, por aí vocês já veem que o assunto é delicado: suicídio. E sim, esse é o tema do livro inteiro. É claro que temos outras coisas, como relacionamento familiar, amizade, saúde mental, depressão e como uma mentira leva à outra, o que faz com que Evan só se complique ainda mais. A história é bem amarrada e interessante, mas não consigo analisar friamente esse livro, não dá pra falar aqui só de como a narrativa é fluida ou os personagens são bem construídos – e eles são. Essa história me impactou muito. E ela também me sufocou.

É difícil ler os pensamentos de Evan, repletos de autodepreciação, tão afundados em depressão e autocomiseração. É pesado e você fica mais triste a cada linha. Além disso, a maneira como ele se envolve com a família enlutada de Connor, como se torna dependente do amor deles, baseado em uma mentira, é muito doloroso de ler. A cada capítulo eu ficava mais desesperada com aquela farsa, sofrendo junto com aquela família, sofrendo com Evan. É sufocante.

Em certo momento da leitura, perto do final, precisei parar de ler. Percebi que estava tendo pensamentos horríveis, cada vez mais pra baixo, e a leitura certamente estava contribuindo para isso. Por mais que eu leia coisas bem pesadas às vezes, essa foi a primeira vez que eu literalmente larguei o livro porque precisava respirar; tive que me afastar do Kindle e me distrair com outras coisas, pois tudo se tornara excessivo. E eu nem me considerava, antes, uma pessoa que poderia ter um gatilho ativado, mas descobri que sim, o livro cutucou uma ferida lá no fundo, em algum lugar escondido dentro de mim.

Por isso recomendo que leiam esse livro com cautela. É um ótimo livro, com personagens fáceis de gostar e uma narrativa envolvente, uma história emocionante e importante, que merece ser discutida, mas que possui gatilhos fortes. Se você tem depressão, ansiedade, síndrome do pânico, pensamentos suicidas (ou alguém por perto que tenha ou que tenha se suicidado), passou por algum luto/perda de um familiar ou amigo, enfim, se você não está se sentindo bem, talvez esse livro não seja para você nesse momento. E é sempre bom lembrar: você não está sozinho. Acesse https://www.cvv.org.br/ ou ligue gratuitamente para 188. Peça ajuda. Fique bem <3

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Seguinte, selo da editora Companhia das Letras

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Comments

  1. Olá, tudo bem? Eu também amo um YA e desde que vi essa capa fiquei curiosa com a história! A sua resenha está muito chamativa e já vou sair daqui direto para a Amazon haha
    Amei ♥

  2. Oie, eu ganhei esse livro e não consegui ler exatamente por conta dos gatilhos, eu sou ansiosa e minha auto estuma não é lá essas coisas.. E quando começei a ler me incomodou muita coisa. Eu entendo o que ele passa e escrever sobre as coisas é um modo de colocar para fora.
    Acredito que o livro seja excelente, mas precisa ser lido com uma boa cabeça

  3. Sou estudante de psicologia e adoro esse tipo de livro que tratam sobre transtornos mentais em adolescentes, mas um ponto me preocupou foi o fato da trama ser tão intensa ao ponto de fazer com que o leitor também vivencie os pensamentos de autodepreciação. Temos de tomar cuidado pois um adolescente com ideação suicida ou até mesmo depressão e baixa auto estima podem utilizar essa trama como gatilho. Eu particularmente me interessei muito pela leitura, e acredito que essa história irá contribuir e muito para a minha profissão.

  4. Olá!
    Eu estou doida para ler esse livro mas sei que será preciso preparar o psicológico por conta da carga dramática que o personagem tem. Mas acredito também que seja um YA pra refletir.
    Acho que vou gostar!

  5. Olá! Eita, essa é a primeira resenha que vejo desse livro, curto muito um Young Adult, e cheguei a conclusão que preciso primeiro prepara muito bem meu psicológico antes de fazer essa leitura, trama mega tensa.

  6. Gosto muito dessas leituras, pois retratam-se temas que estão em nossa realidade. Essa obra com certeza entrou na minha lista pela premissa que está abordando e chamou demais minha atenção.

  7. Acho essa capa demais e fico feliz que um autor nacional quem tenha feito ela, entendo a sua situação ao ler o livro, esse tipo de coisa é realmente sufocante demais as vezes, você tem total razão, mas ainda assim é um tema bastante necessário.

  8. Olá! Eu estou com esse livro pra ler e tenho medo dele me fazer sentir um pouco de tristeza, eu sou bem chorona, e quando pego algo assim, eu sei que sofro bastante durante a leitura. Gosto do assuntos que ele aborda, e mesmo que não me afete de maneira negativa, acabo sempre com uma ressaca meio chata.. Obrigada pela resenha!

    Bjoxx ~ Aline ~ http://www.stalker-literaria.com

  9. Oi, Karen.
    Recebi esse livro de parceria com a Cia das Letras, mas não sei se me animo a ler. Não ando muito na pegada de livros adolescentes, ainda mais agora sabendo que é um livro triste e pesado!
    Não acho que é a minha! Uma pena!
    Beijos
    Camis – blog Leitora Compulsiva

  10. Olá
    Meu Deus! Havia visto a capa desse livro e achado bem linda pelo contraste, mas não fazia ideia que abordava um tema tão “pesado” quanto suicídio. Fiquei curiosa para fazer a leitura do livro o bom e que já vou mais preparada emocionalmente para esse livro. Creio que no final somos apresentados a uma mensagem que vamos guardar para sempre. Amei sua resenha, sério ♥

    Beijos!

  11. Oi!
    Eu tinha lido uma resenha desse livro, mas não tinha me interessado pela história (e sinceramente, ainda não sei se leria), mas acho muito importante termos livros tocando nesses assuntos.
    Fico feliz que tenha gostado, mas sempre temos que estar atentas com o fato da leitura estar fazendo bem ou não.
    Sua resenha está ótima. Parabéns!
    Bjss

  12. Que capa enganosa! Achei que seria leve, até infantil.
    Gosto de histórias que incomodam, mas tem algumas, e essa parece ser um bom exemplo, de que prefiro não arriscar.
    Pessoa tem que estar com a vida muito bem resolvida e ainda assim ler preparado para se sentir angustiado.
    Talvez, esse livro poderia vir com uma “jacket” alertando para os gatilhos.

  13. Olá, desde que esse livro foi lançado eu tenho bastante curiosidade de lê-lo, pelos seus comentários a autora trabalhou tão bem esse tema, suicídio, que a leitura acabou se tornando bem pesada, então é sempre bom não lê-lo em momentos que não estamos bem. Adorei a resenha *-*

  14. olá… eu confesso que tenho certo receio com obras que retratem a temática de suicidio, principalmente quando se trata de YA, que em sua maioria – pra mim – se revelaram experiências rasas e trataram o tema de maneira leviana e diria até irresponsavel… nao sei se isso se aplicaria a essa leitura, caso eu fizesse… de qualquer forma, acabo deixando passar a dica…

    realmente a leitura te impactou demais, ne?
    percebe-se bem pelo texto…

    bjs…

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