Resenha: Roleta Russa

Roleta RussaDesde pequena, o sonho de Dominika Egorova era fazer parte do Bolshoi, o balé mais importante da Rússia. Após ser vítima de uma sabotagem, porém, ela vê sua promissora carreira se encerrar de forma abrupta. Logo em seguida, mais um golpe: a morte inesperada do pai, seu melhor amigo.

Desnorteada, Dominika cede à pressão do tio, vice-diretor do serviço secreto da Rússia, o SVR, e entra para a organização. Pouco tempo depois, é mandada à Escola de Pardais, um instituto onde homens e mulheres aprendem técnicas de sedução para fins de espionagem.

Em seus primeiros meses como pardal, ela recebe uma importante missão: conquistar o americano Nathaniel Nash, um jovem agente da CIA, responsável por um dos mais influentes informantes russos que a agência já teve. O objetivo é fazê-lo revelar a identidade do traidor, que pertence ao alto escalão do SVR.

Logo Dominika e Nate entram num duelo de inteligência e táticas operacionais, apimentado pela atração irresistível que sentem um pelo outro. (Fonte: Skoob)

Para aqueles que como eu já estão com seus 30 e tantos anos de idade, vocês devem se lembrar da antiga União Soviética, da Guerra Fria, dos filmes e livros de espionagem da década de 1980. Eu gostava muito do tema. Era muito interessante assistir ou ler sobre os planos de espionagem e contraespionagem, que por vezes pensávamos ser forçados e exagerados, mas que podiam ser bem reais!

Você deve estar se perguntando: tá, mas por quê este passeio pelo museu da memória? Bom, há tempos não vejo um livro de espionagem tão legal! (Claro que sou super fã das obras de Ken Follet, que também abordam o tema. Mas isso fica para outro post.)

O que me prendeu muito foi que o livro não é ambientado entre as décadas de 1950 a 1980, ápice da Guerra Fria (conhecida assim por não ser uma guerra com batalhas, bombardeios e ataques, mas uma guerra de bastidores, uma competição entre as super potências mundiais da época: União Soviética e os Estados Unidos). A história se passa nos dias de hoje. Com o próprio Vladmir Putin (atual Presidente da Rússia, anteriormente Primeiro Ministro da Rússia, como é mencionado no livro) como um dos personagens. Aliás, muitas vezes comparado ao próprio Stalin ao longo da história, dando-lhe características de um governante paranoico e melindroso.

Mas estou falando demais de política, né? Pra quem se interessa pelo assunto, vai adorar.

Pra quem não curte tanto assim o lado político, ainda assim vai adorar. Rsrs

O início da leitura foi um pouco emperrada por causa dos muitos termos em russo. Como não tenho conhecimento nenhum do idioma tive um pouco de dificuldade para ler os termos. Mas depois eles passam a aparecer apenas esporadicamente.

O livro começa nos apresentando Nathaniel (Nate) Nash. Um operador de informantes da CIA dedicado, esforçado e sempre preocupado em manter seus ativos (informantes) em segurança, mesmo que para isso tenha que deixar o treinamento de lado.

Depois conhecemos a fundo a história de Dominika Egorova. Os pais já conheciam bem a crueldade do sistema russo, mas quiseram dar à filha a possibilidade de enxergar a verdade com seus próprios olhos. Ela teve que pastar bastante pra entender que ou você tem uma fidelidade cega pela pátria e faz o que seus superiores mandarem (mesmo que seja seu tio cruel!) ou, no mínimo, sua família pode ser ameaçada, ou você pode ser torturado, ou até mesmo morto. Quando o pai morre, o tio aproveita o momento (que timing infeliz, hein!) para recrutá-la para um serviço de espionagem (mal sabe ela que está sendo usada para outra coisa! SEM SPOILERS. Leia!). Ela entra para a SVR (agência de inteligência russa), mas é manipulada pelo próprio tio (homenzinho asqueroso!), que considerando a beleza de Dominika a envia para a Escola de Pardais, um treinamento para o uso da sedução (leia-se sexo) como arma (nessa parte, o livro fica bem pesado, com alguma pornografia e requintes de crueldade. Não é pra qualquer um!). Depois disso continua fazendo dela o que bem entende, sempre ameaçando o bem estar de sua mãe.

Quando Nate e Dominika se encontram, Nate não sabe que na verdade ele mesmo é a missão de Dominika. Ela deve extrair dele o nome do traidor russo que tem passado informações confidenciais há anos para os EUA. Esse traidor é Marble, o melhor ativo da CIA e o mais querido por Nate. Quando os superiores de Nate investigam o histórico de Dominika, ela passa a ser a missão de Nate. Ele deve recrutá-la para trabalhar para a CIA. Mas neste ponto ele ainda não conhece a missão dela.

Aí fica uma coisa meio “ele não sabe que ela sabe” e “ela não sabe que ele sabe” que torna a coisa toda bem interessante. Você fica naquela expectativa do que vai acontecer em seguida!

Mostra também um pouco das picuinhas entre FBI e CIA (outro assunto que me atrai). Quem estragou o quê? De quem é a culpa? De quem é o sucesso?

E assim segue o desenrolar da história. Cada vez prendendo mais a atenção. A expectativa de saber se os planos elaborados vão realmente dar certo. E se descobrirem? O que vai acontecer em seguida?

Ah, e tem um aspecto muito legal do livro: Em cada capítulo alguém está comendo alguma coisa ou preparando algum prato, e ao final do capítulo há uma caixa de texto com aquela determinada receita! Achei muito inusitado em um livro de espionagem, e dá pra conhecer pratos de diferentes partes do mundo. Muito legal!

Mas a trama só podia mesmo ser ótima, afinal o próprio autor trabalhou na CIA!

Acho que fiquei meio empolgada com o livro, então é melhor eu parar de escrever, senão ninguém vai aguentar o tamanho da resenha! rsrs

Bom, resumindo: pra quem curtia histórias de espionagem (os mais velhinhos, como eu!), é ótimo pra relembrar os velhos tempos. Pra quem não conhece muito a respeito, vale a pena pela ótima trama e pra conhecer um pouquinho os bastidores da espionagem. Pra quem não curte, talvez, até mesmo assim, valha a pena, pelas receitas!

Este livro foi gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Arqueiro.

Arqueiro_parceria

Ficha Técnica

Título: Roleta Russa
Autor: Jason Matthews
Editora: Arqueiro
Páginas: 423
Onde comprar: Livraria Cultura/Livraria Cultura (e-book)/Amazon
Avaliação:

 

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  • Douglas Fernandes disse:

    Tbm gosto dessas historias de espionagem, acho que vou gosatar desse livro, diferente esse negocio da receita né, pra um livro com esse tema bem diferente, mas ja li um livro que tinha receitas no final dos capitulos tbm e achei bem legal e fiquei me imaginando preparando alguma dessas receitas… hahahaha

  • Drika disse:

    Pois é, Douglas
    Estou escolhendo ainda, mas acho que vou tentar alguma das receitas.
    Algumas são meio estranhas pro nosso paladar, mas, sei lá, de repente, vale a pena tentar. hehe

  • Gustavo disse:

    Eu amei essa capa e a sinopse, adoro coisas de espionagem, mesmo não sendo “tão velhinho” kkkk uma das minhas séries preferidas é Chuck, com aquele jeito louco dele espionar kkk *-*
    Nossa, esse tio realmente parece ser cretino pakas -.- odeio gente assim.
    Adorei o detalhe de ter receitas no final dos capítulos, um livro de espionagem e culinária juntos *-* kkk estou louco pra ler, esse vai pra lista de prioridades *-*

  • Drika disse:

    Oi Gustavo
    O tio é péssimo mesmo!
    O legal das receitas é que não estão simplesmente lá no fim do capítulo. O prato é mencionado de alguma forma na narrativa. Depois de uns 2 ou 3 capítulos você já começa a esperar em que parte do capítulo vai aparecer alguém comendo ou cozinhando. rs
    Espero que curta sua leitura!

  • Giovanna territsen disse:

    Caramba, eu não esperava tanto desse livro mas depois dessa resenha.. adorei! e essa historia das receitas eu achei muito legal. Não sou muito fan de livros de politica e espionagem mas eu fiquei muito curiosa com esse, ainda mais com toda publiciade envolvida. Com certeza lerei!

  • Drika disse:

    Giovanna
    Acho que este merece uma chance. Afinal, às vezes quando a gente sai da “zona de conforto” acaba descobrindo coisas legais!
    Boa leitura!

  • Ana disse:

    Simplesmente to louca pra ler esse livro. Amei!!!!! espionagem é meu assunto favorito quando abordado de uma forma legal, e o autor parece ter acertado. Amei saber que tem romance, pelo menos pareceu que vai ter, e toda essa coisa de “ele não sabe que eu sei” é emocionante. Vou correndo ler 🙂

  • Drika disse:

    Corra, Ana.
    É muito legal!
    Tem romance sim, mas não é água com açúcar. E no final…. ah, deixa pra lá. Sem spoilers! hehe

  • Érika Rufo disse:

    Eu já estava com vontade de ler esse livro e depois dessa resenha fiquei com mais vontade ainda!! Adoro livros com espionagem e tal. Achei a ideia de colocar as receitas no final do capítulo muito original e criativa. Com certeza irei ler!!

    Beijos!!

  • Drika disse:

    Oi Érika
    Que bom que gostou da resenha!
    As receitas no final dos capítulos dão uma quebrada na tensão. E não dá pra pular e ler depois. Dá vontade de ler mesmo. rs
    Boa leitura!

    Beijos!

  • Nayara disse:

    Oi Drika! Adorei a resenha!
    Fiquei beeem curiosa para ler. E pela sua resenha, realmente, não é pra qualquer um mesmo!!!
    E o livro junta duas coisas que eu adoro: espionagem e receitas! :DD
    Achei bem interessante e diferente essa ideia!
    Beijos

  • Drika disse:

    Obrigada, Nayara!
    O legal é que os pratos fazem parte da narrativa. Dá até pra imaginar a cara do prato! rsrs
    Ainda vou arriscar e preparar uma das receitas. hehe
    Beijos

  • Fabiana Strehlow disse:

    Oi, Drika!
    Mesmo tendo bem mais idade que você, eu também já curtia uma história de espionagem, mas só na ficção.
    Porque sabemos ou não, que na vida real tudo é muito diferente.
    A própria Guerra Fria, apesar de você conceituá-la de forma tão “carinhosa”, foi extremamente cruel e deixou marcas profundas na história da humanidade, como a Guerra do Vietnã (onde foram usadas armas químicas terríveis), a Guerra da Coréia (que está dividida até hoje) e a Alemanha (dividida até 1989 pelo vergonhoso Muro de Berlim).
    Tudo bem, voltando ao livro, achei interessante o lance das receitas culinárias ao final dos capítulos. Só!

    Abraços!

  • Drika disse:

    Oi Fabiana
    Não entenda mal minha forma “carinhosa” de abordar o tema.
    O carinho foi em relação às lembranças que a época me traz. Como, por exemplo, lembrar como o tabuleiro do War era tão diferente e como era gostoso passar horas jogando com meu irmão.
    Concordo totalmente com você. Foi uma época cruel e que deixou marcas terríveis.

    Abraços!

  • Ale Gilos disse:

    Que vontade de ler esse livro! Parece o tipo de livro que não queremos parar de ler JA-MAIS! *_*
    A capa e o nome já me chamaram muito a atenção. Com a resenha, então!
    Adicionado aos desejados. HAHAHAH

  • Drika disse:

    Oi Ale
    O livro é bom mesmo. rs
    Espero que leia em breve!

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