Resenha: Ruína e Ascensão

Eu gostaria de falar muitas coisas sobre Ruína e Ascensão, terceiro é último volume da Trilogia Grisha, mas está bem difícil alinhar meus pensamentos após esse final. Fiquei dividida, confesso, entre me sentir satisfeita por um desfecho, mas discordar em grande parte dele. Quem disse que um leitor precisa sempre concordar com o autor, afinal? Leigh Bardugo construiu um mundo grandioso e fantástico, com dois livros excepcionais precedendo esse volume, e acho que exatamente por isso, por tantas promessas e pela escrita apaixonante da autora, eu esperei demais. E, sim, me decepcionei um pouco.

Aviso: essa resenha contém spoilers do primeiro e segundos volumes da Trilogia Grisha: Sombra e Ossos Sol e Tormenta. Leia as resenhas clicando aqui e aqui.

“A capital caiu.
O Darkling comanda Ravka em seu trono das sombras. Agora o destino da nação depende de uma Conjuradora do Sol arruinada, de um rastreador desonrado e dos cacos do que antes fora um grande exército mágico.
No fundo de uma antiga rede de túneis e cavernas, uma fraca Alina deve se submeter à duvidosa proteção do Apparat e daqueles que a veneram como uma Santa. Porém, sua mente está na busca pelo misterioso pássaro de fogo e na esperança de que um príncipe foragido ainda esteja vivo.
Alina deverá formar novas alianças e deixar de lado velhas rivalidades, enquanto ela e Maly buscam pelo último dos amplificadores de Morozova. Mas assim que começa a elucidar os segredos do Darkling, ela descobre um passado que mudará para sempre seu entendimento sobre a ligação que os une e o poder que ela carrega. O pássaro de fogo é a única coisa que está entre Ravka e a destruição — e reivindicá-lo pode custar a Alina o futuro pelo qual ela tem lutado.” Fonte

Ruína e Ascensão começa um pouco depois do final chocante de Sol e Tormenta. Alina está praticamente enterrada viva no subsolo, “protegida” pelo duvidoso Apparat e cercada de seguidores que a veneram como uma Santa. Ela está cada vez mais fraca pela falta de luz e, como se isso não bastasse, a vigilância constante do Apparat a impede de ter contato com seus amigos, especialmente Maly. A crueldade do Darkling excedeu todos os limites, dizimando incontáveis Grishas, e Nikolai está desaparecido; debaixo da terra, Alina não sabe se ele está vivo ou morto, o que a consome. O cenário é desolador. Há ainda alguma esperança de derrotar o Darkling e salvar Ravka?

Há, sim, uma pequena esperança, afinal: encontrar o pássaro de fogo, o terceiro amplificador de Morozova que promete trazer todo o esplendor para a Conjuradora do Sol. Alina não sabe se sua busca é motivada por altruísmo ou cobiça pelo poder, mas mesmo suas dúvidas não a impedem de seguir adiante. E é quando ela, Maly e os outros conseguem escapar do subsolo e reencontram Nikolai que as coisas começam realmente a ficarem interessantes.

“Sofrimento é barato como barro e duas vezes mais comum. O que importa é o que cada homem faz com ele.”

A exemplo do volume anterior, Ruína e Ascensão também foi um livro denso e político. É preciso dizer que nenhum dos dois livros finais conseguiu tirar o meu fôlego tanto quanto Sombra e Ossos, que foi uma estreia espantosa. Isso não é verdadeiramente um problema, já que é preciso dar uma solução a todos os enigmas e dificuldades erguidas nos livros anteriores e concluir a história. E, como estamos falando de um reino em guerra e em luta pelo poder, é claro que a parte política é muito esperada e extremamente bem-vinda, mas talvez a autora pudesse tê-la dosado um pouco mais para evitar que o começo do livro – até mais ou menos sua metade – ficasse com um ritmo tão lento. Claro, já li livros mais lentos, mas fiquei surpresa de como minha leitura demorou em vista da série que estava em minhas mãos, uma trilogia pela qual me apaixonei instantaneamente nas primeiras páginas do volume de abertura.

Acredito que faltaram mais cenas que fizessem a manutenção do elo emocional entre o leitor e os personagens, além da própria Alina, que é a narradora. Cenas que nos conectassem mais aos demais personagens, até mesmo os que já conhecíamos. Cenas como as que ela dividiu com Nikolai (de longe meu personagem preferido agora que tenho uma visão completa da obra), que valeram todo o livro. Aliás, essas cenas são as melhores, na minha opinião, e me conquistaram por completo. Se no livro anterior fiquei dividida entre o que um dia senti pelo relacionamento de Alina e Maly, nesse último livro minhas dúvidas foram catapultadas para a Dobra, e torci verdadeiramente por Alina e Nikolai. As interações dos dois foram naturais e cativantes, e sempre me arrancavam suspiros e sorrisos.

“Talvez o amor apenas significasse ansiar por alguém incrivelmente brilhante e para sempre fora do alcance.”

Não tem como: Maly nunca mais foi o mesmo pra mim depois dos seus ataques histéricos no segundo livro. Eu o encarava como um personagem um tanto imaturo, mas com potencial para crescer, mas Bardugo o conduziu para um caminho totalmente contrário ao que eu imaginava e, pelo menos na minha visão, ele não amadureceu, não evoluiu como personagem. Estagnou. Comecei a desgostar ainda mais das interações dele com Alina, que me pareceram forçadas, anti-naturais, e não convenceram. Talvez isso tenha prejudicado um pouco minha leitura, afinal de contas. Mas se fosse só isso, eu teria ficado irritada, mas não decepcionada.

O que realmente me decepcionou nessa obra foi que sempre houve uma sensação de perigo real no livro, o sentimento da crueldade sem limites do Darkling, o desespero de saber que ninguém estava seguro. Por isso, eu esperava grandes perdas após a grande batalha final, mas o que autora me passou foi medo de matar personagens importantes. Sim, há mortes, mas não mortes que realmente impactem tanto assim o leitor, ou ao menos não me impactaram. O livro correu muito bem para um desfecho épico, surpreendente e de partir o coração, mas no final a autora encheu o livro de freios e soluções mágicas para acontecimentos que simplesmente não deveriam ter solução. Em um livro tão cruel, eu esperava bem mais sangue-frio no final.

ruina

Li o livro na prova da sempre maravilhosa Editora Gutenberg, que me deu esse presente de final de ano, já que eu estava me descabelando por esse final. Obrigada, editora! Por isso, não posso opinar em assuntos como diagramação, detalhes ou revisão da obra, já que a prova estava ainda bastante crua. Apenas posso dizer que gostei e muito da capa, ela combinou perfeitamente com a trama e é a minha preferida de toda a série.

O último volume da Trilogia Grisha me decepcionou sim: foi bom, mas poderia ter sido extraordinário. Não me desiludiu a ponto de arruinar a leitura da série, no entanto; continuo recomendando para todos que gostam de alta fantasia com uma pitada de romance sobrenatural, sem cair no piegas – ao menos nos primeiros volumes. A escrita de Leigh Bardugo é maravilhosa e, certamente, lerei mais livros de sua autoria. Só espero que ela seja mais consistente (e mais cruel, sem medos) em suas próximas obras.

Prova cedida gentilmente para leitura e resenha pela Editora Gutenberg.

gutenberg

Ficha Técnica

Título: Ruína e Ascensão
Autor: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Páginas: 368
Onde comprar: Livraria Cultura
Avaliação: 

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  • Gustavo disse:

    Eu estou muito curioso com essa trilogia, e fiquei extremamente feliz quando soube que finalmente saiu o último livro, não li a resenha, porque não quero spoilers kkk mas li os dois primeiros parágrafos e fiquei com “receio” desse último livro, mas ainda assim quero ler, só vou com menos expectativas para não me decepcionar tanto quanto você…

  • Brenda Carolina disse:

    Não li a resenha para não pegar nenhum spoiler dos outros dois livros. Mas achei super interessante a sinopse e estou com muita vontade de ler essa série!
    Beijos

  • Douglas Fernandes disse:

    Outra série que quero ler, adoro livro de fantasia, com uma pitada de sobrenatural entao, me conquista so de saber disso…rsrs nem preciso falar que ja ta na minha lista né !

  • Promo "Ruína e ascensão" | Pavablog disse:

    […] Por Essas Páginas […]

  • Karen Micaele Nora disse:

    Eu amo Nikolai akele lindo
    Se a Alina nao ker ele eu kero <3

  • Andressa Dalzoto disse:

    Faz uns vinte minutos que terminei o livro ruína e ascensão, e gostei bastante da trama, concordo que depois de tudo que aconteceu entre alina e Nicolai, ele se mostrou um personagem incrível e graças a ele a história rendeu alguns dos melhores momentos, torci que eles tivessem quem sabe um final juntos, e esperava muito mais do personagem darkling que confesso ser o meu personagem preferido, ele não foi só um vilão, ele era muito mais do que isso fazendo com que fosse realmente visto o que o mundo faz com alguém excluído e sozinho, me fazendo não odiar um antagonista, eu queria que o valor dele realmente fosse mostrado como é, eu amei o livro mesmo preferindo o sol e tormenta, e eu confesso que chorei no fim, mesmo não sendo tão magnífico quanto eu h esperei recheado com toda aquela magia que a autora nos presenteia durante a historia, mesmo assim achei um desfecho surpreendente mesmo sendo bem surreal, ela usou bem seus artifícios pra prender qualquer leitor que chegasse até o último livro, e definitivamente está entre meus livros preferidos, espero que realmente lancem o filme e que ele seja digno de tudo que eu imaginei enquanto li.

  • Thalyana disse:

    Não esperava que essa trilogia me pegasse da forma como me pegou. Comecei a trilogia ontem a tarde e já estou começando o terceiro livro, to muito ansiosa pra saber o que me espera no terceiro livro e vim aqui ver se pescava alguns spoilers. Vi que meu ship supremo no livro não vai rolar (AlinaXDarkling) esperava que o que aconteceu com eles do primeiro livro tivesse significado algo para Alina já que o personagem do Darkling me cativou bastante, esperava que ela tentasse romper as barreiras entre eles e mostrar como o mundo poderia ser um lugar melhor, ou como era se sentir especial por alguém, mesmo que ele morre-se no final e ela vivesse uma vida longa e tediante ao lado do mais entediante Maly, esperei de mais e em qualquer interação por mais brutal que fosse entre eles no segundo livro eu vasculhava cada frase atrás de algum significado nas entrelinhas de algo minimamente romântico resultando em lágrimas ridículas MAS EU AINDA N CONSIGO ODIAR ELE. Como eu sei que é bastante improvável que o meu shipp supremo no livro der certo, espero pelo meu bem que ela fique com Nicolei já que não suporto o Maly, tudo nele me irrita e confesso que tenho que lutar contra minha vontade de pular as partes do livro que possuem alguma interação romântica entre ele e a Alina. Torço muito por Nicolei e confesso que não tenho nem ideia de como a história se desenrolará nesse terceiro livro, e depois de ler a sua resenha, maravilhosa por sinal, não sei se quero criar expectativas.

  • Karen disse:

    Ai, lindona, compartilho contigo o sentimento sobre o Maly. Blergh, também detesto ele. Eu sentia isso do Darkling no primeiro livro, mas depois, sei lá, acho que ele foi ofuscado pra mim pelo Nicolai! hahahaha
    Depois passa aqui quando terminar o livro, fiquei curiosa com o que vai achar!

  • Thalyana disse:

    Oi, voltei pra falar o que achei do fim da trilogia
    Eu de verdade me surpreendi em cada página do livro, quando eu achava que sabia como a história ia acabar a página seguinte me mostrava o contrário e leitura acabou fluindo tão naturalmente quando nos outros. Quanto ao final eu gostei (um gostado meio assim né) mas odiei ao mesmo tempo, não gosto muito do Maly, por mais que a Alina a cada fala dela tente demonstrar o quão maravilhoso ele é eu não consigo enxerga-lo. Chorei horrores (foca no chorei horrores) com o fim do Darkling, amei a forma como ele ficou vulnerável no fim mas ainda acho que dava pra ter feito melhor, era como se a autora não visse a hora de parar de escrever sobre ele porque foi tão assim, sei lá, a morte dele mas ao mesmo tempo os olhares e as pequenas falas significaram um mundo inteiro. Agora o que me deixou mais decepcionada ainda foi o fim do Nicolai, nesse livro eu comecei a amar ele mais do que eu já amava, e apesar do jeito que a Alina era com o Maly eu queria acreditar que ele morreria para que ela terminasse com o Nicolai. Ele acabou perdendo muito no livro e na verdade não é como se ele tivesse tido algo na vida dele inteira, queria que a autora tivesse aprofundado mais o personagem, mostrado mais a personalidade dele, falado sobre a infância ou mais sobre o futuro que ele teve, se ele tinha ficado feliz ou não, ele pra mim era o que mais merecia um final feliz no livro eu já tava meio que se dane a Alina o Maly o Darkling (mentira ele não) mas desde que o Nicolai terminasse feliz eu tava feliz. Mas ainda sim acho que tudo tinha ficado 100 vezes melhor se o encosto do Maly tivesse continuado morto, Alina tinha reinado com Nikolai e teria sido tão feliz quanto, eu não posso imaginar uma mulher q conseguiria n ser feliz ao lado dele, mas enfim, foi um final satisfatório, eu entendo que a autora não pode satisfazer todo mundo e que é mais legal quando a história sai daquele clichê e quem mandou eu shippar o casal errado, mas é isso ai, o que me resta agora é achar alguma fanfic AlinaXDarkling e AlinaXNicolai e tentar juntar os cacos do meu coração.

  • Rosana disse:

    Adorei descobrir essa trilogia. Só o fato de fugir ao lugar comum e trazer uma Rússia estilizada como cenário já valeria a leitura. Pelos comentários aqui, acho que não leram ainda a Trilogia do Mago Negro, da australiana Trudi Cannavan, que recomendo. Essa série me lembrou muito o trabalho de Trudi e entendo a decepção com o fim pouco ousado, a relação de Alina e o Darling me trouxe uma nostalgia de Sonea e Akarin, o Lorde Supremo.

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