Resenha: S.E.G.R.E.D.O

“Ao contrário de outros romances que retratam situações e pessoas quase irreais, S.E.G.R.E.D.O. traz como protagonista uma mulher como muitas que deixou sua sexualidade de lado – e que não vê a hora de retomá-la.

Cassie, uma viúva de 35 anos que vive sem nenhum luxo em um quarto alugado, trabalha como garçonete em Nova Orleans e tem uma vida amorosa nula, deixa para trás as incertezas que a marcaram durante seu casamento com um marido alcoólatra e egoísta para descobrir seu potencial como mulher. Cassie é chamada a participar de uma sociedade secreta essencialmente feminina, que tem por objetivo “ajudar mulheres a entrar em contato com seu lado sexual. E, assim fazendo, elas tornam a ter contato com a parte mais poderosa de si mesmas. Um passo de cada vez”, e 10 Passos no total.

Dentro de S.E.G.R.E.D.O., as integrantes são convidadas a redescobrir sua feminilidade e sensualidade a partir das fantasias que elas mesmas escolhem (mesmo sem saber ao certo como ou quando elas se realizarão). Os homens, neste contexto, apenas ajudam a organização a realizar os desejos mais íntimos das participantes em cada um de seus 10 Passos. Ao longo dessas etapas, elas ganham a confiança para buscar novos amores: o seu amor próprio e o de uma nova paixão.” Fonte

Tenho que confessar: fiquei muito curiosa quando descobri esse livro. Li algumas resenhas e críticas muito boas, mas já pela sinopse dava para perceber o que mais me atraiu: era um livro erótico diferente dos livros eróticos atuais. Para começar, Cassie não era uma garotinha virgem, mas sim uma mulher já madura e viúva, com experiências sexuais. E gostei também da premissa de uma sociedade secreta que ajudasse as mulheres a se redescobrirem. Aí encontrei uma bela promoção no Submarino (e até veio uma linda pulseirinha) e, pronto, comprei e passei o livro à frente de todas as leituras. Valeu a pena? Sim, mas nem tanto.

Não posso negar que o livro – principalmente nas suas primeiras 150 páginas – é viciante. Fui devorando a leitura, acompanhando Cassie em suas fantasias, descobertas, aventuras… Cassie parecia uma mulher interessante, com uma história que realmente justificava suas ações, e eu pensava, bem, ela é uma mulher, não uma garotinha, então esse livro será mais maduro. Toda a história da sociedade chamada S.E.G.R.E.D.O – onde cada letra representa os critérios da sociedade – chamou bastante minha atenção, ainda mais pelo fato de ser uma sociedade um tanto quanto feminista, cuja razão de existir era aumentar auto-estima das mulheres. E aqui gostei da tradução, pois as regras da sociedade foram colocadas seguindo as letras do título em inglês: “Secret”; também outras coisas que eram muito difíceis de serem traduzidas e manterem o mesmo apelo foram mantidas no inglês ou foi utilizado o recurso das notas de rodapé para explicar o original. Gostei muito disso, mas ao mesmo tempo achei que algumas notas de rodapé foram exageradas, tentando desesperadamente descrever lugares ou costumes de New Orleans. Às vezes tantas notas tornavam a leitura cansativa, porém, depois de algumas páginas, felizmente elas se tornaram mais raras.

Mas por que eu disse “as primeiras 150 páginas”? Bem, é porque é a partir daí que o livro começa a não ficar mais TÃO legal como era no começo. Então nós temos o livro antes e depois das 150 páginas.

Antes: um livro viciante, completamente imersivo, com uma leitura simples e descompromissada. Não há nada absurdo ou irreal e as cenas sexuais realmente são diferentes, cada fantasia de Cassie é uma descoberta e uma surpresa, sempre criativas. Cassie – de uma mulher tímida e retraída – começa a se tornar uma mulher mais segura e confiante e embarca nas próprias fantasias com entusiasmo e paixão, fazendo o leitor embarcar junto com ela na história. A personagem evolui durante o livro, o que sempre é quase um pré-requisito para uma boa leitura. Na realidade aqui nesse “antes” a única coisa que não me agradou muito, ou melhor dizendo, não chamou muito a minha atenção, foi o relacionamento entre Cassie e Will, seu chefe e melhor amigo; a relação dos dois não é bem desenvolvida, nem o personagem de Will, de maneira que não me envolvi muito com ele nem com o relacionamento dos dois. Porém, como esse não parecia ser o foco da história, ignorei o fato e continuei minha leitura.

Depois: bem, o depois… Acontece um ponto de reviravolta na história que me desagradou profundamente. Primeiro, uma fantasia de Cassie que mais parecia um conto de fadas. Apesar de “se sentir como uma princesa” ser uma das fantasias que Cassie disse que gostaria de fazer, a maneira como isso foi feito e as situações que levaram a esse momento foram forçadas e previsíveis. Cassie ficou parecendo uma colegial bobinha ao invés de uma mulher madura seguindo seus desejos – e foi isso que eu achei que estava comprando. Tentei colocar na minha cabeça que, tudo bem, era a droga da fantasia da personagem, mas mesmo assim esse ponto da história não me agradou. Além disso, um personagem novo foi introduzido à história , um personagem que convenientemente tinha uma conexão com Will (lembram do Will-sem-graça que eu falei ali em cima?). Isso também ficou forçado. E depois, mais para o final, houve outra situação com esse mesmo personagem e ficou provado por A + B que ele só foi inserido ali para resolver uma situação na trama, o que foi forçadíssimo. Bem, resumidamente, eu detestei esse ponto da história e a leitura dessas páginas foi bastante cansativa.

Mas tudo bem, eu ignoraria tudo isso e daria lindas 4 estrelas ao livro só pela diversão que me proporcionou se não fosse por um pequeno e desastroso detalhe. Juro que quando terminei de ler o Capítulo 12 eu estava crente que o livro estava terminado. E, na realidade, ele poderia sim terminar bem ali. Estava ótimo, de bom tamanho, mesmo. Porém, virei a página e encontrei um fatídico Capítulo 13 – até o número já previa que algo estava errado. Achei estranho, porém continuei a leitura, curiosa a respeito do que mais a autora teria a dizer afinal.

Bem, o Capítulo 13 é um desastre completo. Cheio de clichês, uma situação incrivelmente forçada e o motivo mais velho e batido de todos os tempos foi utilizado para causar uma reviravolta na trama que já estava resolvida e, adivinhem, criar um motivo para uma continuação! Sim, meus caros, porque tudo nesse mundo hoje em dia tem a droga de uma continuação, mesmo que a história possa terminar tranquilamente no primeiro livro. É irritante. Ficou muito na cara alguém forçou uma barra para criar uma sequencia. Gente, isso é muito chato. Pessoalmente me sinto lesada.

Para completar com a cereja no topo do chantilly o livro vem acompanhado de um suplemento de leitura com 15 questões para debater o livro. Fiquei me sentindo muito mal porque esse suplemento me lembrou da minha infância, quando eu lia a Coleção Vaga-Lume e respondia perguntas em sala sobre o livro, mas hey, isso aqui é um livro erótico, então foi no mínimo desconfortável fazer essa ligação na minha mente. E as perguntas são muito idiotas. Mesmo.

Então, tirando esse final trágico para uma trama muito criativa e bem escrita que tinha tudo para ser ótima, o que posso dizer para vocês é: leiam com moderação e, se desejarem, terminem a leitura no Capítulo 12, pois ficarão satisfeitos. Não cheguem nem perto das questões do final do livro – elas são dispensáveis, elas nem deveriam estar ali, eu só não arranco aquelas páginas do meu livro porque isso vai completamente contra os meus critérios de preservação de livros. E eu nem fui procurar mais sobre as sequencias porque, bem, para mim S.E.G.R.E.D.O terminou no Capítulo 12. E fim.

Ficha Técnica:

Título: S.E.G.R.E.DO
Autor: L. Marie Adeline
Editora: Globo Livros
Páginas: 224
Onde comprar: Livraria Cultura
Avaliação: 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...


  • Yasmim Namen disse:

    No início do livro quando ela ficava falando da “rara” atração e que não tinha rolado nada com o cara porque ela tinha “pequenos” traumas do casamento, eu fiquei com uma curiosidade e sei lá, já tinha uma ideia que ela se relacionaria com o bendito e esperava que se desenvolvesse uma história. Um final tão clichê que fiquei muito chateada com a autora. Gostei de tudo, a descrição das cenas e tudo mais(exceto claro a pulação das semanas direto para os passos e a falta de cenas entre ela e o “lance”), até do Cinco Anos! HSUAHSUAHSA Aquele fofo!
    Obs: Eu preciso ser encontrada e recrutada por uma das guias da S.E.G.R.E.D.O! 😡

  • Karen disse:

    Ah, eu gostei do Cinco Anos também! Achei tão criativo isso!
    Assim… ficou um pouco no ar que rolaria algo com o Will, mas eu não achei que seria importante, sabe? Achei que o mais importante no livro seria mesmo a redescoberta sexual da Cassie, não um envolvimento com um homem… Achei que o livro era sobre ela, não sobre o romance dos dois. ¬¬
    O final foi realmente muito clichê. Aquele último capítulo foi de matar. Nem tenho vontade de ler a continuação, para mim terminou no capítulo doze.
    Mas no geral, foi um bom divertimento!
    (hahaha agora eu não quero mais, mas bem que um dia na vida já quis uma sociedade como essa! bem que poderia existir! rs)

  • Lany disse:

    Eu fico realmente triste com toda essa pressão de que livros tem que ter continuações! MAS É CLARO QUE NÃO! Tem tantos livros que eu AMO e que são únicos!
    Se eu tiver uma oportunidade, até leio o livro, se não… Bom, já estou cansada de livros que me decepcionam no final!

    PS: Adorei o comentário sobre a Coleção Vaga-Lume HAHAHA!

  • Karen disse:

    Eu fico tão doida com essa pressão de ter continuação! É muito chato. É uma coisa que estraga livros bons. S.E.G.R.E.D.O seria muito melhor se não tivesse esse negócio forçado para ter continuação…
    Pois é! Lembrei dos encartes da coleção Vaga-Lume, mas não foi nada agradável porque, bem, é um livro erótico e não é legal relacionar isso com algo da sua infância, né?! Meio… ew.

  • Lucy disse:

    … Livro erótico com questionário de livro paradidático… o.o’ Que medo! hahaha
    Poxa, se não fosse tantas as mancadas do livro, eu até daria uma chance a ele. Talvez eu peça emprestado, mas não sei, tanta coisa pra ler na frente e vem um livro que é bom no começo, mas brocha no final… Vou pensar no assunto. rsrs
    bjos bjos

  • Karen disse:

    Bizarro, não?
    Se quiser te empresto. Mas assim, como eu disse, o começo é legal e interessante, criativo… depois vira previsível.
    bjosss

  • Melissa de Sá disse:

    Eu acho que essa nova onda de livros eróticos é na verdade um grande filão editorial (tenho até que fazer um post sobre isso). Isso porque eles aliaram duas coisas muito poderosas: 1) personagens com baixa auto-estima então o livro então aquele jeitinho de auto-ajuda com o qual várias mulheres irão se identificar e 2) uma premissa superficialmente libertadora sexualmente para mulheres mas que no final simplesmente se mostram premissas bastante machistas e conservadores sobre o relacionamento entre homens e mulheres.

    Eu não chego nem perto desses livros porque além de achar as tramas super mal feitas (tem sempre um cara maravilhoso e rico. Quer dizer, todos os dominadores são macho alfas milionários, não tem ninguém desempregado ou funcionário público rs) que ainda têm esse apelo ridículo para continuações.

    Não tenho paciência MESMO e ainda acho uma manipulação completamente escancarada em relação a como mulheres devem se comportar.

  • Karen disse:

    Então, Mel, mas justamente esse livro é diferente e sai da modinha. Para começar a protagonista não é uma jovenzinha imatura e virgem, ela é uma mulher madura, porém frustrada sexualmente. O interesse amoroso dela é um cara normal, o chefe dela, que até é meio mal de grana; ele não é rico, nem dominador macho-alfa, mas ao mesmo tempo, ele foi pouco desenvolvido. Na verdade eu não pensei que o livro fosse cair em um romance entre os dois, não achei que esse fosse o foco do livro – mas no final acabou sendo. Imaginei que o livro seria mesmo sobre a vida sexual da protagonista e sobre a tal sociedade secreta, como você deve ter lido na minha resenha. E por um tempo foi isso mesmo, o que eu achei diferente – e até havia um eco do que eu li A História de O – e achei legal que esse livro foi citado no meio da trama – aí, uma temática feminista em certos pontos. O problema foi mesmo o final: a autora forçou uma continuação desnecessária e o livro descambou para um romance entre a Cassie e o Will – um romance que foi interrompido pelo complicador mais fajuto e manjado que existe.
    Então, não, na verdade esse livro não é uma manipulação escancarada em relação a como as mulheres devem se comportar – concordo com você que a maioria dos livros eróticos é sim parte desse filão editorial e são machistas, mas esse foi até que bem diferente; não sei se foi isso que passei na resenha, mas era o que eu queria passar. Nem todos os livros são dessa maneira, eu já resenhei aqui Falsa Submissão, que foi relançado pela Record, e esse é um exemplo ótimo: esse sim é um livro que eu recomendo por ser diferente da modinha e, além disso, ser completamente coerente, com um final digno e uma trama com uma tendência ao suspense. Achei que S.E.G.R.E.D.O seria outro bom exemplo, mas não foi – mas não por ser mais um na modinha, mas sim porque estragou no final que virou um romance romântico melado e cheio de dramas.

  • Lívia Martins disse:

    HAHAH Adorei sua resenha! Bem, concordo com você. Eu também achei o final decepcionante. E o suplemento… Bem, ele costuma ser usado em ‘sites’ para as pessoas pegarem e usarem em ‘clubes de livro’, mas não deveria ter sido colocado no final da edição. Acho que a editora não tem mta experiência com romances que trazem esse tipo de suplementos rrsrs

  • Karen disse:

    Obrigada Lívia!
    É, eu achei que fosse mesmo para clubes do livro o suplemento… mas ficou extremamente bizarro no final e as perguntas… argh! Horríveis! >.< Não estou nem um pouco a fim de ler as continuações. Para mim a história terminou aqui.

  • Jarles Tarsso disse:

    Eu li muitas resenhas positivas em relação ao livro, mas assim que comecei, foi uma grande decepção. O final então, nem se fala… Nunca gostei de livros do gênero, e os outros poucos que li foram tão terríveis que acabei desprezando este antes mesmo de inicia-lo.
    Em relação a continuação, não conte comigo como leitor.

  • Top Ten Tuesday: Dez livros para quando preciso de algo leve e divertido « Por Essas Páginas disse:

    […] Não sei quanto a vocês, mas para mim livros eróticos (a maioria, pelo menos) são leitura leve e divertida. Oras, eu pelo menos não quero ficar tensa ou me preocupando com esses livros. Sinceridade? Para mim eles servem apenas para ler uma sacanagem e é isso aí. Eles são uma distração e, por isso, se começam com muito mimimi e drama já me enchem o saco. S.E.G.R.E.D.O. quase conseguiu me conquistar apenas com essa pegada de diversão sem preconceitos, mas pecou no final ao trazer um dramalhão mexicano inútil. Resenha aqui. […]

  • Vania disse:

    Aqui sempre vem as perguntas para discussão nos finais dos livros (okay, nem sempre, mas é comum) para book clubs, então eu acho meio natural já… mas nunca tinha visto isso em um livro erótico. Bem, não sou grande fã de livros eróticos também, então estou falando sobre algo que não conheço haha. Achei a premissa desse livro interessante, e vou dar uma chance quando encontrá-lo em promoção.

  • Karen disse:

    Ah, eu entendo que aí possa ser normal, mas aqui no Brasil é estranho. Aqui a gente só tem o costume disso em livros paradidáticos. Tive uma sensação muito estranha mesmo ao ver o encarte. A editora Globo poderia muito bem ter cortado isso, ou separado essa parte pdf, sei lá, só sei que ficou esquisito. O livro é legal, Parceira, é bem diferente em relação aos eróticos de modinha, mas já vou avisando: ignore o último capítulo.

  • Sexta do Sebo #26 « Por Essas Páginas disse:

    […] mudaria o final de S.E.G.R.E.D.O. Na verdade nem seria mudar; eu cortaria completamente o último capítulo e […]

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem