Resenha: Sal / Sal, Um Prólogo

SALSal: Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva. Sob sua luz vacilante, a matriarca da família Godoy reconstitui as cicatrizes do passado. Em sua interminável tapeçaria, Cecília entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.

Com uma linguagem poética, a premiada escritora gaúcha Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres, dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando uma história delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista. Fonte

Boa parte da história, ou pelo menos os fatos principais que desencadeiam a história, se passam em La Duiva, uma pequena ilha onde o Farol testemunha os acontecimentos da vida da família Godói, desde seu nascimento, até que cada membro da família saia da ilha em busca de seu próprio destino. Cecília, a matriarca, vai recordando o que acontece nas vozes de seus seis filhos e de seu marido e tricotando cada um deles com uma cor diferente, representando também as personalidades bem diferentes de cada um.

O que posso dizer desse livro é que ele não é escrito da forma como  muitos estão acostumados (ou talvez até esteja, mas você pode não simpatizar com ele). É uma forma mais poética, mesmo quando narrado por pessoas mais rústicas. Sabe poesia? Tente fazer algo de prosa com ela, com bastante drama e emoção. Aí você tem Sal.

Sal não é uma leitura que você pega para ler despretensiosamente e lê num piscar de olhos. Ouso dizer que não é para todo o leitor e não é para qualquer dia nublado que você queira algo para relaxar. É denso, é profundo, deixa marcas. É lindo, fala de pessoas comuns de forma mais profunda, você cria laços com elas.

Eu vi algumas críticas falando que o livro na verdade foi sem sal (desculpem o trocadilho). Eu não achei sem sal, achei que alguns fatos foram mais superficiais do que outros, até que percebi qual era o verdadeiro ponto de vista a ser seguido. Não é uma história de começo, meio e fim, apenas. É um ciclo, que começa antes mesmo de Cecília e Ivan se casarem, mas que também não é contado de forma cronológica. Então vemos passado e presente colidir entre si, principalmente na primeira parte do livro, que é dividido em duas partes, além dos pensamentos de cada membro da família Godoi sobre o visitante que aparece para falar com Flora e que culmina em toda a mudança na vida daquela família.

Vocês perceberam que dessa vez eu não falei muito do enredo ou personagens como eu costumo fazer, não é? Pois é, dessa vez eu deixo para vocês descobrirem. Espero não decepcionar ninguém com o mistério, mas como eu sou muito spoiler-queen, eu tenho receio de falar demais e estragar a história de vocês. Mas aconselho aos leitores que se arriscarem nesse livro a ter a mente bem aberta e respirar fundo.

Sobre Sal, um prólogo: Lançado em formato digital gratuitamente, é basicamente a apresentação dos personagens de Sal, descritos pelos próprios membros da família Godoi, um descrevendo o outro. Até o Farol tem a sua participação especial. Então temos os pontos de vista dos Godoi sobre eles e sobre as pessoas que os cercam. Eu não vou fazer uma resenha separada dele, porque… Bem, porque essa parte está inserida em Sal, no final da história. rsrs

Ficha técnica:

Nome: Sal
Autor: Letícia Wierzchowski
Páginas: 240
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Livraria Cultura / Saraiva / Submarino / Amazon
Minha avaliação:

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  • Neto Fregati disse:

    primeiramente parabéns pela resenha … bem fundamentada, coerente com as palavras !!! eu sempre tive duvida em comprar esse livro, pelo fato de não ser ” tão famoso ” e tal … mas com esse tipo de resenha que perdemos esse medo kkkkkkk parabéns de verdade … e parabéns pra equipe toda !!!

  • Gustavo disse:

    Não sei se é algum preconceito com poesia, mas sei que esse livro não é pra mim. A sinopse não me agradou, esse aspecto de passado e presente colidirem é muito difícil acompanhar se o autor não sabe fazer de uma forma completamente coerente, então evito muito livros assim. Gostei da resenha, mesmo falando pouco sobre a história (acho que mesmo sendo de soltar spoilers as vezes tu devia ter falado um pouco do enredo. Não ficou ruim, só que também, ao menos pra mim, não deu nem vontade de ler nem de não ler RS). Concordo com você falando que esse livro não é pra todo mundo, tem livro que da pra notar isso logo na sinopse, e esse me passou isso. Fico felix que ao menos foi um pra você kk ^^

  • Shadai disse:

    Li Sal faz uns 2 anos, eu acho, e achei muito bom! Mas, sim, é uma escrita mais difícil, mais poética.
    Já o prólogo ainda não li, e preciso um dia, quando voltar a ter pc em casa.

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