Resenha: Saving June

“‘Se ela tivesse esperado menos de duas semanas, ela teria sido a June que morreu em Junho. Mas acho que minha irmã não pensou nisso.’

A irmã mais velha de Harper Scott sempre foi a filha perfeita, então quando ela tira sua própria vida uma semana antes de sua formatura no Ensino Médio, Harper fica devastada. Todos sentem muito, mas ninguém consegue entender.

Quando seus pais divorciados decidem dividir as cinzas de sua irmã entre duas urnas, Harper decide controlar a situação. Ela vai roubar as cinzas e dirigir metade do país com sua melhor amiga Laney, até chegar no lugar onde June sempre sonhou em ir: Califórnia.

Entra Jake Tolan. Ele é um rapaz com uma atitude ruim, uma obsessão por rock clássico e nada em comum com a irmã de Harper. Mas Jake tinha uma conexão com June, e quando ele insiste em ir com elas para a Califórnia, Harper está desesperada o suficiente para permitir. Com seu jeito charmoso e irritante e sua crença de que música pode te ajudar em qualquer momento, ele pode ser exatamente o que Harper precisa.

Mas June não era a única que escondia as coisas. Jake mantém um segredo que pode virar a vida de Harper de ponta cabeça.”  – Fonte (tradução livre)

Saving June foi um dos livros que me dei de presente de Natal ano passado, mas somente esse mês tive tempo e ânimo para ler. Confesso que traduzindo a sinopse para colocar aqui, não sei dizer exatamente o que me chamou a atenção a ponto de tirá-lo da prateleira da livraria e colocá-lo embaixo da árvore de Natal (porque sejamos honestos, essa sinopse não é grande coisa). Podem me chamar de mórbida, mas se eu tivesse que apontar um motivo, ele provavelmente seria porque o livro lida com suicídio, um tema que eu acho interessante. Sendo assim, comecei a ler Saving June sem grandes expectativas, e o livro me surpreendeu tanto positiva quanto negativamente.

A história começa na casa de Harper, no dia em que June foi cremada e suas cinzas ainda estão num único lugar, aguardando que seu pai venha com sua própria urna para que elas sejam divididas. Harper tenta manter a calma e não pensar na manhã em que encontrou o corpo frio de June no banco de trás do carro, ao mesmo tempo em que se sente  mal por não conseguir chorar pela morte da irmã. Tudo que ela quer entender é porque June – a filha preferida, aluna exemplar, dona de um futuro brilhante – tirou a própria vida. Indisposta a lidar com sua mãe – que recorreu à bebida como terapia – e com sua tia extremamente religiosa, e se sentindo culpada por não ter percebido que havia algo  errado com sua irmã, Harper decide que o mínimo que pode fazer por June é levar suas cinzas para a Califórnia, lugar onde ela sempre sonhou em ir. É aí que Jake Tolan entra na história, se oferecendo para dirigir Harper e sua melhor amiga Laney por diversos estados em sua van recheada de CDs de rock clássico e Abba.

E é nessa fase que Saving June me surpreendeu de maneira negativa: Harper simplesmente vai para a Califórnia com um estranho, sem se preocupar que sua mãe havia acabado de perder uma filha. Ela passa o tempo inteiro tentando justificar suas ações dizendo que nunca foi perfeita como June, que nunca foi amada como June, nunca foi nada como June. Como se fugir de casa – mesmo com a mais nobre das intenções – com um estranho fosse simplesmente o cumprimento das expectativas baixas que todos sempre tiveram nela. Acho que o que mais me incomodou foi o fato de que a tentativa de Harper de ajudar a si mesma a entender, a aceitar o suicídio de sua irmã veio disfarçada de “estou fazendo isso por June.”

Tendo dito isso, eu senti que as coisas começaram a mudar quando Harper finalmente se emociona e chora por June, tendo Beatles como trilha sonora. Acho que foi nessa hora que o arco da personagem começou a virar, e eu finalmente consegui empatizar com Harper, começar a entendê-la. No final do livro, nós vemos uma Harper completamente diferente da que temos no começo, mais madura, mais consciente de si mesma e seu lugar em sua família, mas ainda assim sem deixar de ser a mesma pessoa. E essa, meus amigos, foi a grande surpresa do livro pra mim. Porque eu não esperava gostar da Harper. Eu não esperava sentir vontade de me levantar e tirar o chapéu pra ela por suas atitudes, mas foi exatamente isso que aconteceu. Ela passou de uma personagem pela qual eu não me importava nem um pouco a uma personagem pela qual eu me apaixonei ao ponto de não conseguir largar o livro nas últimas 100 páginas, mesmo estando morrendo de sono e já ter passado das duas da manhã de uma quarta-feira.

É por isso que quando me perguntam se eu recomendo Saving June, eu digo sim sem hesitar. Porque não é todo dia que  eu encontro personagens capazes de incitar sentimentos contraditórios dentro de mim, capazes de me fazer mudar completamente de opinião no decorrer de uma narrativa. E livros assim sempre causam um prazer imenso ao serem lidos, relidos e compartilhados.

Ficha técnica:

Nome: Saving June
Autor: Hannah Harrington
Páginas: 336
Onde comprar: Livraria Cultura (em inglês)
Avaliação:

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  • Karen Alvares disse:

    Ah, Parceira, eu adoro suas resenhas, são tão cheias de sentimento! Você não é a única mórbida por aqui. Eu vim ler a resenha justamente porque bati o olho no tema “suicídio”. Eu acho que esse tipo de história mexe com a gente. E pelo que você falou, realmente mexeu.
    E eu também fico muito contente ao ler um livro em que uma personagem amadurece tanto, a ponto de mudar nossos sentimentos sobre ela. É a mesma coisa que a gente sente ao conhecer uma pessoa na vida real, não gostar dela de cara, mas depois perceber o quanto ela evolui e pode se transformar em alguém legal. Na verdade, é isso que a gente tem que fazer com as pessoas né? Dar uma segunda chance se elas estão se esforçando para isso.

  • Mi disse:

    Cara, fiquei tri interessada nesse livro. Deve ser muito legal. Vou ler!

  • Melissa disse:

    Eu também acho que suicídio é um tema interessante e que dá um um bom tema literário se for abordado da forma correta. Fiquei com a pulga atrás da orelha com esse livro aí.

  • Nivia Fernandes disse:

    Mais uma para o grupo das mórbidas… rs

    Suicídio é um tema complicado, tanto que nem gosto muito de opinar sobre isso. Mas gosto de ler sobre. De qualquer forma, a morte é dolorosamente reveladora para quem fica por aqui tentando suportar ou entender a ronda que ela fez pelas pessoas próximas.

    Eu me interessei em ler, sinceramente. Com a pulga atrás da orelha, claro, mas daria uma chance numa boa, ainda mais com você dizendo que dá pra mudar de ideia sobre a Harper drasticamente, Ily. Os primeiros comentários sobre ela já me fizeram querer dar uns tapas na garota, e olha que nem estou falando especificamente dela fugir com o cara do nada. rs

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