Resenha: Sempre Vivemos no Castelo

Existem alguns livros que são oito ou oitenta, ame-o ou deixe-o. Sempre Vivemos no Castelo é exatamente deste tipo: ou você irá achá-lo profundo e complexo ou irá arremessá-lo na parede mais próxima e despejar alguns impropérios.

“Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. “”Sempre vivemos no castelo”” leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.” Fonte

 

Acompanhamos a história de Mary Katherine Blackwood (Merricat), uma garota deveras estranha, com alguns pensamentos pra lá de sinistros em seu dia a dia aparentemente pacato. Merricat vai a cidade, faz compras, volta para casa e auxilia sua irmã Constance nos afazeres domésticos e a cuidar do tio Julian. Já no primeiro capítulo podemos perceber que Mary Katherine não gosta muito dos habitantes do vilarejo e o sentimento é recíproco.

Merricat, disse Connie, você não quer uma xícara de chá?

Ah não, disse Merricat, você vai me envenenar.

Merricat, disse Connie, você não quer ir dormir?

Lá no cemitério com a terra a te engolir?

Conforme vamos acompanhando o cotidiano da família Blackwood, somos pouco a pouco introduzidos ao seu passado, o porque das irmas estarem sem pais e com um tio debilitado – Constance foi acusada de envenenar o açúcar e matar seus pais, tia e sobrinho -o tio escapou por sorte e a irmã estava no quarto – e desde então vivem isolados e rechaçados por todos.

Apesar das circunstancias as irmãs conseguem seguir a vida discretamente e com certa paz. Isso tudo muda com a chegada de um primo – Charles Blackwood – determinado a mudar a vida dos Blackwood, ele corteja Constance e despreza irmã e tio, com o propósito bem claro de assumir a chefia da casa. Mas Merricat não vai deixar tão fácil para o primo – mas não mesmo.

Se você chegou até aqui e não achou nada de interessante no livro – não te culpo. A história sempre se mantem superficial, com pitadas de suspense – sendo através de revelações do passado da família, da noite do envenenamento ou de pensamentos bizarros de Constance ou Merricat. Porém o livro perde muito do seu charme com diálogos e descrições longas e inúteis – muitas vezes foi um martírio acompanhar mais um dia pacato de Merricat e me peguei várias vezes lendo o livro no que chamo de “fast forward”. Segue imagem:

Posso dizer que o livro realmente começa a engrenar lá pelo capítulo 8, e nisso já foram 120 páginas! No entanto esse é um dos capítulos mais insanos do livro, com um nível de loucura digno do filme Mãe e dele em diante  o livro melhora (um pouco).

A revelação do que realmente ocorreu no envenenamento da família, de quem foi o responsável e como isso aconteceu, infelizmente é confusa e vai requerer uma releitura por parte do leitor. Te deixa com uma impressão de que talvez tenha sido proposital a autora ter escrito dessa forma, talvez tenha sido falha na revisão.

Recomendo pegar este livro apenas se você encontrá-lo barato, em ebook ou mídia física. É uma edição bonita, bem diagramada e enfeita bem a estante. O conteúdo entretém por um fim de semana – mas só isso.

Livro gentilmente cedido para resenha pela Suma de Letras, selo do Grupo Companhia das Letras.

Ficha Técnica

Título: Sempre Vivemos no Castelo
Autor: Shirley Jackson
Editora: Suma de Letras
Páginas: 200
Onde comprar:  Livraria Cultura / Amazon / Saraiva / Livraria da Folha / Livraria da Travessa / Submarino / Shoptime
Avaliação:

 

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Comments

  1. Sinceramente prefiro livros que trazem algum conteúdo seja por simplesmente nos fazer refletir, ou questionar sobre algo em nossa vida, mas pelo que vejo o conteúdo abordado nesta trama, e sem pé nem cabeça, pois simplesmente me senti confusa apenas na sua tentativa de passar o entendeu da estória. Por fim, e claro que não me interessei pela leitura.

  2. E vendo esta capa (e até lendo a sinopse) não imaginava que a história seria assim rs. Julguei o livro pela capa hahahaha Acho que eu daria uma chance para a leitura sim, pois fiquei curiosa para conhecê-la melhor. Porém em um dia em que eu estivesse sem nada para fazer
    Adorei sua sinceridade na resenha.

    Beijos

  3. Eu adoro livros nesse estilo, mas que tenha dialogos interessantes e que me deixe curioso, parece que não é o caso desse…hahaha
    mas como vc disse né, caso consiga o livro por um preço barato ou quem sabe ganhe de presente nao vou achar ruim… rsrs

  4. Felipe!
    O livro foi lançado antes de eu nascer, bacana! Nasci em 1965.
    Difícil viver de passado e se trancar em uma redoma, não permitindo que a atualidade e a realidade se façam presentes.
    O mundo pela visão de Mary parece bem ilusório e confuso, fico me perguntando se ela não tem algum distúrbio psicológico?
    Agora todo livro que traz reflexão sobre a vida, acredito que valaha a pena ler, pois podemos questionar nossos pontos de vista.
    “Celebrar o Natal é crer na força do amor, é isto que transforma o homem e o mundo. Feliz Natal!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

  5. Olá!
    Confesso que leituras com capítulos grandes me cansam demais. Com isso tenho dificuldade em engrenar nessas leituras. Gostei de conhecer mais dessa história, mas não chegou a me atrair o suficiente para querer embarcar nessa leitura.
    Adorei a escolha do GIF, bem original e compôs bem sua resenha.
    Beijos!

  6. Oiie
    Eu não gostei muito da premissa, talvez eu leria em uma tarde despretensiosa kkk mas só isso. E gosto de leituras que me prendam desde o começo. Mas sua resenha está muito bem escrita, adorei saber sua opinião.
    Bjos, Bya!

  7. Tudo ia até que bem, mas quando li “diálogos e descrições longas e inúteis”, o livro perdeu a graça. Não aguento esse tipo de leitura, confesso que pulo esses trechos e não teria paciencia para esperar o oitavo capítulo para ver o livro melhorar.
    Dessa vez eu passo a dica.

    Feliz Natal.

  8. Confesso que não conhecia nem a autora e nem a obra, assim como, nao sou muito fã de capítulos muito longos. Eu prefiro leituras que me prendam desde o começo, essas incertezas não me chamam muita atenção. Adorei a sua resenha 🙂

    Beijos,
    Thalita Sousa

  9. Não sou muito adepta de livro apenas para enfeitar a estante, prefiro ler ou mesmo comprar outros. Estes livros que demoram a pegar são cansativos, acabo demorando uma eternidade com a leitura.
    Bjs, Rose

  10. Olá!

    Apesar de sua ótima resenha, não é uma obra que me chamou a atenção. A capa é bonita, mas não é o tipo de leitura que procuro.

  11. Quando eu soube desse livro, não me interessei muito por ele, lendo a sua resenha eu ainda não consegui me interessar pela leitura. Achei a sua resenha bem sincera e gosto bastante disso.

  12. Olá! Eu estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse, porem agora depois de ver essa resenha fiquei um pouco desanimada, a trama parecia ser interessante, mesmo assim talvez algum dia venha a conferi essa história

  13. ‘um nível de loucura digno do filme’ como eu não conhecia esse livro? eu amei sua resenha, lógico que isso ajuda a gente querer ler a obra, a capa é interessante e história me parece formidável.

  14. Olá, como vai? A capa é mesmo linda e a história parece ser intrigante, mas como acabo de sair de uma leitura sofrida, vou deixar passar a dica. Tô fugindo de coisas confusas e ficar preso no cotidiano de um personagem é tudo que não quero. Gostei bastante mesmo da sua resenha, sincera e foi logo direto ao ponto. Um beijo e sucesso com o blog.

  15. Oii! Eu já tinha visto a capa desse livro, mas ainda não tinha conhecido a história. Que por sinal é bem louca haha! Fiquei curiosa para saber se a Constance tinha realmente matado os pais, mas pela sua resenha, o enredo demora a se desenvolver. Porém acho que darei uma chance e tirar as minhas próprias conclusões haha, obrigada pela dica. Bjss!

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