Resenha: Serpentário

Ficha técnica:

Nome: Serpentário

Autor: Felipe Castilho

Páginas: 368

Editora: Intrínseca

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Sinopse:

“Todo ano, Caroline, Mariana e Hélio costumavam deixar a capital paulista para encontrar Paulo, um jovem habituado à simples vida caiçara. No entanto, a amizade construída nas areias do litoral sofreu abalos sísmicos no Réveillon de 1999, quando algo tão inquietante quanto o bug do milênio abriu caminho para uma misteriosa ilha que despontava no horizonte, e explorá-la talvez não tenha sido a melhor decisão.

Sobreviver à Ilha das Cobras tem um preço. O arquipélago é um ambiente hostil, tomado por víboras, e esconde segredos tão perturbadores quanto seus habitantes. Mais do que um equívoco darwiniano ou uma lenda popular, a ilha praticamente destruiu a vida deles. Entre memórias e fatos fragmentados, o que aconteceu naquela fatídica noite se tornou um mistério. Mas de algumas coisas eles se lembram perfeitamente: uma enorme e ameaçadora serpente, além de uma pessoa sendo entregue ao ninho da víbora, um sacrifício sem chance de recusa.

Anos depois, Caroline é confrontada com um de seus piores pesadelos: a pessoa que eles abandonaram está viva. Um fantasma do passado que surge para fazer suas certezas caírem por terra. Então, ela decide reunir os amigos para entender o que aconteceu. E talvez o encontro seja parte de algo maior… e maligno. Em Serpentário, Felipe Castilho mostra todo o seu talento ao mesclar referências do folclore e da mitologia a elementos da cultura pop, da ficção científica e do horror.”

Há quem diga por aí que brasileiro não gosta de fantasia (e terror, e ficção científica). Bobagem! Se fosse assim, não teria tanto livro de Stephen King traduzido por aqui (e isso não é de agora, já faz MUITOS anos), tanta gente comentando fervorosamente o último episódio de Game of Thrones e tanto fã de Harry Potter fazendo fila em livraria e cinema. E, claro, se a gente se encanta com universos fantásticos, obviamente escritores cheios de criatividade e uma deliciosa malignidade em seus coraçõezinhos sombrios estão prontos para nos presentear com obras de alta qualidade. E é aí que entra um dos lançamentos deste ano (e já se pode dizer, um sucesso) da nossa parceira, a Intrínseca: a obra de terror Serpentáriode Felipe Castilho, autor de Ordem Vermelha.

Imaginem algo sinistro em uma ilha no litoral de São Paulo; uma ilha que, curiosamente, se chama Ilha das Cobras (ps.: ela é real). Agora, misturem quatro personagens com histórias complicadas que se interligam desde a adolescência, cada um complementando o outro com sua personalidade marcante e tão real que a gente quase acha que já conhece o cidadão. E agora joga aí nesse caldeirão influências que vão desde Stephen King até Lovecraft e Chambers? Voilá! Temos essa maravilhosidade que você PRECISA ler.

De cara conhecemos Caroline, que logo no começo do livro pede as contas na livraria onde trabalha e resolve pegar um ônibus para passar o ano novo no litoral. Mas não são apenas férias que ela procura: é um reencontro, talvez até mesmo uma espécie de confronto com seu passado. Ela já foi uma garota feliz, porém, desde o réveillon de 1999 nunca mais foi a mesma, e agora convive com a depressão. Naquela mesma cidade à beira-mar, quando era uma adolescente com mais sonhos do que a adulta de hoje, Carol encontrava seus amigos, Mariana, uma roqueira revoltada, mas com um coração enorme (uma descrição grosseira, porque ela tem muito mais camadas) e Hélio, um atleta arrogante e muitas vezes preconceituoso, mas que por coisas da vida, é também amigo delas. No litoral, eles todo ano encontram Paulo, um garoto bem mais novo, pobre, negro e caiçara, de uma realidade muito diferente da dos três adolescentes da capital.

Mas, no réveillon de 1999, como já podemos desconfiar, algo sinistro e terrível aconteceu. E é por isso que Caroline resolveu voltar agora e convidou seus antigos amigos, todos, assim como ela, muito mudados. É difícil falar da história pois parece que qualquer coisa que eu disser ou será spoiler ou será pequena diante da sensação que é ler essa obra. O que se pode dizer é que o livro traz um clima de tensão e de algo maligno no ar, ao mesmo tempo que se divide em cenas divertidas e a maneira gostosa como os personagens se complementam. Você se apega demais a eles, quer saber o que aconteceu e o que vai acontecer. E eles não são livres de defeitos, não mesmo; todos escondem algo sombrio, mas cada aspecto de sua personalidade assim como da história é guiado de maneira tão natural, tão orgânica, que é como se você estivesse ouvindo a história da boca de seus próprios amigos.

Mas talvez o personagem mais intrigante de todos seja realmente a ilha. Há algo eterno nela, algo que transcende o tempo, a vida, tudo. A sensação que eu tive com essa ilha lendo foi mais ou menos a que tive lendo O Iluminado, do King, com o Hotel Overlook. Todo o mistério em torno do lugar é bem orquestrado, e o suspense vai aumentando a cada página, como cada subida de uma montanha russa, e você se pega com aquele friozinho na barriga toda vez que abre o livro. Além da história dos quatro personagens que acompanhamos, há também pequenos enxertos de acontecimentos em relação à ilha muito longínquos no tempo ou até que acontecerão no futuro. No começo, isso pode ser até um pouco confuso, mas você logo se acostuma.

Há momentos de extremo terror, e então há outros em que o horror e o bizarro se misturam de maneira criatura e incrível (sim, Fantasiiiiaaaa no aaaaar, estou olhando para você!). É muito gostoso ler um livro de terror tão inteligente em um cenário tão brasileiro, e o Castilho se aproveita e muito da NOSSA cultura pop (e trash, e brega, o que é lindo!). Até menção à TV Colosso tem.

A edição é primorosa. Sério, a vontade que dá é expor o livro aberto em um altar em casa, com direito a velas verdes e adoração eterna à obra da Serpente. Todas as páginas têm detalhes em aquarela, de serpentes esfumaçadas (como as da capa) e as laterais das páginas são verdes, dando esse efeito de babar na obra. A revisão também está impecável, bem como a diagramação, além dessa capa delícia. É muito capricho e, vou te contar, o Castilho merece, a literatura nacional merece!

Serpentário é aquele tipo de livro que te deixa feliz por estar vivo e ler algo tão bom. Hey, Felipe CastilhoIntrínseca, podem mandar mais, faz favor, que isso foi muito, muito bom.

 

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela editora Intrínseca.

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  • Alisson Gomes disse:

    Oi Karen,
    eu não sou muito de livros de terror sabe? Não porque eu não goste, pode acreditar eu até gosto, mas é que eu fico TÃO ansioso com a leitura e as vezes tenho até dificuldade para dormir kkkkkkk, mas adorei a premissa desse livro e fiquei bastante curioso sobre todo mistério envolto nos personagens.
    Sobre livros fantásticos, nunca houve um “brasileiro não gosta de fantasia” na verdade sempre houve um preconceito da elite literária com escritores do gênero fantástico e bom se você não pode derrota-los junte-se a eles não é mesmo? A prova disso é Paulo Coelho, ele toda uma vida escreveu livros fantásticos e ninguém o levava a sério como escrito por não escrever o que a nata literária acreditava ser relevante, em contrapartida ele faz um sucesso estrondoso no exterior.

    https://eitajali.blogspot.com

  • Vanessa Vieira disse:

    Olá! Já falei algumas vezes que não curto muito livros de terror, mas lendo a sua resenha agora deu uma vontade danada de largar esse medinho de mão para conhecer de perto a história que nos conta este livro! Parece interessante demais!

    Eu adorei a capa! Está muito linda e merece mesmo um lugar de destaque! srsr

    Um abraço!

  • Carol Nery disse:

    Eu estou MUITO afim de ler esse livre e já tem uns 2 meses. Que coisa! Sua resenha só fez me deixar mais ansiosa para adquiri-lo. Além da edição estar espetacular. Um colírio para os olhos dos admiradores de edições belas. E eu adoro um suspense, um terror, uma fantasia…
    QUERO!!

    Abraços
    http://www.coisasdemineira.com

  • Ivy disse:

    Oiieeee

    Uau, é primeira resenha que leio de Serpentário e ja me convenceu totalmente, fazia tempo que queria ler algo do autor e acho que começarei por ele, gostei desse terror inteligente ambientado no Brasil, será uma leitura fora da zona de conforto pra mim mas que creio pode me agradar bastante.

    Beijos, Ivy

    http://www.derepentenoultimolivro.com

  • PS Amo Leitura disse:

    Quando você começa sua resenha dizendo que brasileiro não gosta de fantasia, isso me assusta um pouco, afinal, vejo muitas pessoas amando esse gênero (assim como eu). Claro que terror não é meu forte, mas há público para isso, sim! Não sei porque dizem isso hahaha. Enfim, ainda não conhecia essa obra, mas fiquei realmente encantada com a premissa. Diferente, única e bem misteriosa. Sem dúvidas vou adicionar na minha bookslist. Já vou aproveitar e pesquisar essa ilha da cobra, fiquei curiosa.

    Beijos,

  • Ana Caroline Santos disse:

    Olá, tudo bem? Eita que não sabia que o livro era thriller hehehe não sou muito fã do gênero admito, mas tenho super curiosidade com as obras do autor. Quem sabe um dia dê chance? Ainda mais que ela se passa no Brasil né?! Adorei a resenha!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com/

  • Debyh disse:

    Confesso que livros que trazem como o ‘medo’ locais tendem pra mim ser mais assustadores. Alguns claro, são ridículo, mas no geral se bem escrito o terror consegue ficar bem melhor. Achei interessante a trama.

  • Fernanda Santos Barroso disse:

    Olá!
    Cada dia tenho mais orgulho em dizer que a nossa literatura está ganhando o reconhecimento merecido. Sempre tivemos livros e autores maravilhosos, mas finalmente eles estão ganhando o espaço que merecem e eu tô muito feliz de fazer parte disso.
    A premissa desse livro é simplesmente apaixonante. Eu li sua resenha rápido pra poder vir comentar e ir procurar pra comprar, porque fiquei mega ansiosa e curiosa. Adorei!

  • lilian farias disse:

    Primeira coisa, que capa linda é essa. Segundo, terror nacional, já quero ler para ontem… Outra coisa que não pode ficar de fora, a proposta, a história me pareceu bem fascinante e sério, preciso desse livro. Apaixonada aqui

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