Resenha: Steve Jobs – A Biografia

Meu relacionamento com a Apple começou através de um iPod Classic que recebi como presente de Natal. A simplicidade e a facilidade me encantaram de cara. Quando resolvi adquirir um laptop, foi com uma certa relutância que aceitei que o escolhido fosse o antigo MacBook: todos diziam que fazer a transição para um Mac era um caminho sem volta e eu não sabia se estava preparada para isso. Cinco anos, dois iPods, três iPhones e um laptop depois (o iPad ainda está nos planos), posso dizer com convicção que não me arrependo! Apesar de não ser uma pessoa que liga para marcas, abro uma exceção para a Apple, que com sua simplicidade, facilidade, e inovação conquista a lealdade dos usuários como nenhuma outra empresa.

Portanto foi com ansiedade que esperei pela biografia de Steve Jobs, um dos co-fundadores da Apple e maior responsável pela empresa ser o que é hoje em dia. Foi meu primo quem me chamou a atenção para esse livro, antes mesmo da morte de Steve, e no final do ano passado eu finalmente consegui arrumar um tempinho para mergulhar de cabeça nas histórias coletadas em mais de dois anos de entrevistas de familiares, colegas de trabalho e rivais de Jobs.

Na biografia autorizada, Walter Isaacson explica que Jobs o convidou para escrever sobre sua vida, dando a ele carta branca para fazer dele seu projeto. Steve não daria nenhuma opinião sobre o conteúdo que iria para a versão final do livro; ele não queria nem ao menos lê-lo após estar pronto para não ficar com raiva de Isaacson. Por esse depoimento, já podemos deduzir que “Steve Jobs” não é uma biografia comum. Começando com uma breve história de como seus pais se conheceram e dos motivos que os levaram a deixar que Steve fosse adotado, passando por sua infância repleta de rebeldia escolar, sua amizade com Steve Wozniak e suas experiências na garagem onde surgiu o primeiro Macintosh, o crescimento da Apple, sua demissão, os anos na Pixar, e finalmente sua volta à Apple e como isso revolucionou a indústria não somente de computadores, mas também de música e telefonia, o livro não me passou em nenhum momento a impressão de que eu estivesse lendo uma biografia. Steve Jobs é um personagem imperfeito dentro de sua própria história, que é cheia de dramas e reviravoltas.

Isaacson explora com maestria os hábitos alimentares esquisitos de Steve, sua busca contínua por perfeição, e seu “reality distortion field“, que nada mais é que a capacidade de fazer os outros – e si mesmo – acreditarem em absolutamente qualquer coisa, através de seu charme, carisma e persistência. Ele nos mostra que muitas das grandes ideias da Apple não vieram de Steve, mas que foi ele quem as tornou nos produtos como os conhecemos, com suas modificações intuitivas, e sua vontade de que os produtos de sua empresa fossem os melhores que pudessem ser feitos com a tecnologia existente.

Mesmo que você não seja um aficcionado pela Apple e seus produtos como eu, acredito que vá gostar desse livro. Ele é muito menos sobre o legado deixado pelo co-fundador de uma das maiores empresas do mundo, e muito mais sobre como ele chegou aonde chegou – os momentos bons e ruins, as amizades e as passadas de perna – nos mostrando que não é à toa que Steve Jobs é considerado o maior visionário da nossa época.

Ficha Técnica:

Título: Steve Jobs – A Biografia
Autor: Walter Isaacson
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 607
Avaliação: 4 estrelas
Onde Comprar: Livraria Cultura

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  • Karen disse:

    Para quem é aficcionado por tecnologia que nem eu (mesmo que eu não seja fã da Apple, já que ainda não tive a oportunidade de ter nada deles – aqui no Brasil é tudo muito caro pro meu bolso), ler sobre esses gênios da informática é muito prazeroso. E, Parceira, sua resenha foi uma delícia, e a parte que você diz que nem sentiu que estava lendo uma biografia foi o que me deixou com mais vontade de ler!
    Oh noes, mais um para a minha lista? Pára com isso!!! hahahaha 😀

  • Lucy disse:

    Eu gosto de livros assim: Que parece que vc está contando uma história e não uma biografia. Sei lá, às vezes a gente lê uma biografia como um documentário, isso meio que desanima, parece trabalho de escola (que cruel dizer isso >.<). Mas a sua resenha chama a atenção da gente e eu acho que se fosse pra escolher qual biografia eu leria, seria essa. =D

  • Lany disse:

    Eu normalmente não leio biografias, porque… Bem, ainda não saiu nenhuma de uma pessoa que eu goste. Eu acho que, por mais que uma biografia seja bem escrita, ela é muito mais interessante se você tem interesse pela pessoa sobre qual a história está sendo contada.
    Quem sabe, se um dia eu começar a usar os aparelhos da Apple (por enquanto não dá, MUITO CARO) eu me anime em ler a biografia?

  • Vania disse:

    Mas aí é que está o x da questão: ele não foi só CEO da Apple. Basicamente, sem ele não teríamos tido Toy Story, e a Pixar provavelmente não existiria, pelo menos não como a conhecemos hoje.

  • Mirian disse:

    Acho que é o livro mais falado dos últimos tempos e todo mundo que comenta, diz que gostou. Quero ler com certeza!
    Bjos

  • Mirian disse:

    Aliás, gostei do novo layout! Parabéns, meninas!

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