Resenha: Supernova – O Encantador de Flechas

Insatisfação. Sono. Pressa. Desapego. Em poucas palavras, esses são os sentimentos que você terá ao ler Supernova. Com um mundo razoável, roteiro interessante, personagens enfadonhos e abuso de clichês, Supernova consegue ser apenas mais um na lista de fracassos da alta fantasia brasileira. Para agilidade da resenha os clichês estarão marcados em roxo. Vamos dissecar o cadáver.

“Supernova – O Encantador de Flechas – Imersa em uma ditadura implacável, a isolada cidade de Acigam sofre com a ameaça da guerra civil. De um lado, a Guilda, um grupo que utiliza os ensinamentos da Ciência das Energias para exigir direitos para a população. Do outro, um governo tirano, resguardado por soldados especialistas em aniquilar magos — nome vulgar dado aos praticantes da tal ciência. No meio desse conflito vive Leran, que, após ser tragado para a rebelião, tenta aprender mais sobre sua misteriosa habilidade de encantar objetos com a energia dos elementos.

Com uma narrativa envolvente e reviravoltas incríveis, Supernova: O Encantador de Flechas é um livro que vai arrebatar os fãs de fantasia.” – Fonte: Skoob

Supernova conta a história de Leran (tive que olhar no livro porque não lembrava o nome do personagem), garoto órfão de pai, muito bom no arco e flecha, que vive em um mundo a magia é proibida e seus praticantes são caçados. Leran se descobre capaz de usar magia, e juntamente com outros magos, tentará derrubar o poder, proteger sua família, salvar o dia e ficar com a garota. Poxa, escrevendo assim o livro até parece bom.

Começamos o livro com um prólogo de criação do mundo, muito inútil e desnecessário assim como vários capítulos e cenas futuras. Explicações sobre magias (fogo!terra!água!ar! coração!luz!trevas!) e cenas inteiras de estudos sobre magia e como ela funciona tornam a leitura de Supernova ainda mais arrastada.

Um detalhe muito criativo de Supernova são os silenciadores, caçadores de magos que são cheios de apetrechos e são assassinos muito bem treinados. Eles foram muito bem aproveitados no livro e quando aparecem são um sopro de ar fresco.

Quanto aos demais companheiros da aventura de Leran, nenhum se destaque a não ser talvez Galek que possui motivos para vingar seu pai dos silenciadores, sua irmã Laura e sua namoradinha Judra – ambas não são oque parecem.

O livro muda bastante de tom pelo capitulo 16, quando temos a visão de um silenciador – parece até que estamos lendo outro autor! Onde estava esse cara antes? Mas alegria de leitor dura pouco e logo voltamos a algumas cenas ensebadas na corte do rei e diálogos que não adicionam em nada a trama.

Possui um final levemente surpreendente, mas nada de novo no gênero. A irmã de Leran – Luana (sim, eu tive que consultar no livro de novo) deixa de ser um peso morto e torna-se uma personagem muito útil, assim como a rainha Nagisa mostra sua verdadeira face.

Este livro poderia ter se beneficiado muito de outro escritor. O autor poderia ter vendido suas idéias e elas estariam melhor cuidadas na mão de alguém bom, que soubesse criar personagens envolventes – dos quais o livro carece muito, tornar a história concisa e deixar somente o relevante. Leran não consegue capturar o leitor em momento algum, principalmente com tantos clichês no começo do livro.

Supernova também possui algumas ilustrações bonitas e esta edição vem com acréscimo de um capítulo do segundo livro – o qual dispensei completamente pois não acompanharei a série de forma alguma.

Se o vir na livraria, ignore.

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela editora Novo Conceito.

Ficha técnica:

Nome: Supernova – O Encantador de Flechas
Autor: Renan Carvalho
Páginas: 440
Editora: Novo Conceito
Onde comprar: SaraivaLivraria CulturaAmazon
Minha avaliação: 

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  • Douglas Fernandes disse:

    Poxa, que paia.. eu li o livro e gostei!! ta certo que nao possamos dizer “nossa que livro foi esse” mas chegar a indicar que o livro deva ser ignorado é mais paia ainda, Acredito que todo livro tem algo a acrescentar…eu já tinha visto resenhas em blog que são negativas, mas como essa: “Vamos dissecar o cadáver.” “Se o vir na livraria, ignore.” O.o

  • Gustavo disse:

    Entendo que sua impressão do livro realmente foi horrível, e não agradou você nem um pouco também entendo as colocações de clichês e isso nem sempre ser uma coisa boa para o livro, mas acho que passou um pouco do ponto sabe? Principalmente com colocações para ignorar o livro na livraria, dissecar o cadáver, ou simplesmente que o autor não tinha a capacidade de escrever o livro. Acho que isso é opinião de pessoa para pessoa, e você apontar as falhas do livro desse modo foi um pouco desnecessário. Mas claro, isso é minha opinião, pode ser que esteja sendo sensível demais para com o autor.
    Enfim, a história, mesmo clichê, não parece tão ruim, vou procurar mais resenhas a respeito dele e dependendo de quantos livros tenha a série talvez eu acompanhe…

  • Shadai disse:

    Esculhambou um livro nacional! Acho isso corajoso. Geralmente, blogueiros pegam leve com autores nacionais, mesmo quando eles lançam livros bem ruins, como é o caso desse.
    Eu mesmo, já li um livro nacional chato, longo, pretensioso, e mesmo tendo dedicatória dei nota baixa no skoob.
    Nem lerei esse livro!

  • Gabriela disse:

    Concordo com você e, se não se importa, vou desabafar também hehehe

    Tive a impressão que o autor inverteu as coisas, tipo falas que seriam relevantes para a narrativa ficar melhor foram apresentadas em forma de descrição (“Fulana diz que / Fulano diz a eles que” – achei estranho, parecia mais um escrivão do que um personagem) e o que poderia ser descrição apareceu em forma de diálogos rasos e, às vezes, até idiotas: “Nossa…” “Uau!” “Sério?” Mesmo sendo adolescentes conversando, esse tipo de diálogo é ridículo e parece só estar ali para dar volume ao livro. Sem contar as tiradinhas entre alguns deles. Piadas clichês demais e, na minha opinião, sem graça, tipo ficar chamando uma personagem baixinha de nanica e xingamentos do tipo “Gorda é a sua mãe!”

    Achei o mundo difícil de imaginar. Não soube ao certo se a cidade era antiga ou atual ou uma mistura dos dois, porque cada hora parecia uma coisa. Fiquei perdida também em noção de tamanho, uma hora parecia imensa, outra hora minúscula.

    A maioria dos mistérios foi fácil demais de adivinhar…

    O excesso de questionamento do Leran foi irritante… “Será que isso? Poderia ser que aquilo? Será? Será?” Mostrar o personagem como alguém inseguro e incerto das coisas tudo bem, mas existem outras formas de fazer isso em primeira pessoa. Aquele monte de ponto de interrogação chega a causar poluição visual.

    Achei os protagonistas rasos, não consegui sentir afinidade com nenhum porque pareciam ser vazios e genéricos, sem profundidade… Houve um momento em que achei a Judra interessante, mas durou pouco, porque aí o excesso de detalhes do que ela estava fazendo (comendo, tomando banho, se trocando…) tornou a leitura chata e arrastada. Só foram interessantes as conversas e a investigação.

    A mãe do Leran acho que foi uma das piores personagens que já vi, ela surta quando vê o filho fazendo uma coisa boba logo no início do livro, mas depois parece estar completamente passiva e alheia a situações mil vezes piores, e isso sem nos mostrar nenhuma possível transição dela entre a mãe super protetora para mais liberal e compreensiva, ela simplesmente passa a agir assim do nada.

    E a Boom, que ficou óbvio ter sido criada para ser a carismática, rebelde, esquentadinha, engraçada, etc… para mim acabou sendo vazia e rasa como os outros, mas com o nome de personagem mais bobo que eu já vi em toda minha vida de leitora.

    Não consegui engolir isso de jeito nenhum:

    (SPOILER/SPOILER/SPOILER)
    Minha visão sobre o que achei difícil de engolir = Ah, você me traiu e matou meus amigos, mas ok, eu te encontro sim em um lugar isolado só com uma mínima desconfiança de que possa ser uma armadilha… E eu ainda te amo/odeio, tá?
    Fácil assim? Putz…
    E nem essa fala:
    “- Não. Acho que quebrei a perna.” (Caramba, quebrar a perna dói, sabia? Muito! Então nem um mínimo gritinho? Na verdade a Sophia grita, sim, quando algo a pica, e não quando quebra a perna…)
    (SPOILER/SPOILER/SPOILER)

    Os únicos que me interessaram de verdade foram os silenciadores, o Milo em especial. Eu queria conhecê-lo melhor e vê-lo mais vezes, mas não rolou.

    Não vou mais acompanhar porque tenho a impressão que já sei exatamente como a saga vai terminar… E ainda tem várias outras coisas que me incomodaram, tipo ele ficar afirmando coisas óbvias: “As trancas se abrem e revelam o caminho. A porta está aberta.” Mais ou menos assim. Tipo, jura que a porta está aberta depois de ter dado essa explicação? E também as constantes afirmações em relação aos personagens: “Ele está certo. Ela tem razão. Ele acertou. Ela está certa.”

    Respeito a opinião de quem gostou, mas achei mal escrito… Geralmente gosto muito de apoiar escritores nacionais porque acho importante que surjam cada vez mais, porém sou meio chata mesmo com esses tipos de coisas nas histórias, por mais que seja ficção e parecendo ser direcionado para um público mais novinho. A ideia foi ótima e interessante, mas a escrita ruim, com essas coisinhas bobas que não sei como foram aceitas, já que as editoras parecem ser bem exigentes quando se trata de se propor a lançar um livro.

  • Felipe Alvares disse:

    Wow Gabriela, fiquei super feliz com seu comentário 🙂 Bom saber que existem leitores com um filtro apurado pra fantasia.

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