Resenha: Termine Este Livro

Quando a Intrínseca anunciou o lançamento de Termine Este Livro, da autora Keri Smith, logo quis “ler” – digo isso porque, a exemplo do outro livro da autora publicado pela editora, Destrua Esse DiárioTermine Este Livro também é uma obra diferente, que sai do convencional e procura estimular o leitor a ser criativo e, às vezes, louco. Minhas expectativas estavam bem altas, já que tenho Destrua Esse Diário e gosto bastante dele, apesar de ainda não tê-lo completado. E, pelo título, eu esperava escrever um livro. Foi o que aconteceu? Sim e não. Isso é uma questão de referencial.

“Um livro de conteúdo profundamente misterioso foi abandonado em um parque. As páginas, soltas, foram embaralhadas pelo vento, e a capa, quase ilegível, exibia as palavras Manual de instruções. Keri Smith, autora de Destrua este diário, oferece ao leitor um novo desafio — decifrar o que há por trás dessa história e completar o conteúdo desconhecido da obra. E é claro que Smith não deixaria o leitor desamparado: a fim de realizar a missão, ele passará por um treinamento intensivo nas artes da espionagem e aprenderá a desvendar códigos secretos, reconhecer padrões ocultos no ambiente e usar a criatividade para dar a objetos comuns utilidades extraordinárias.” Fonte

Talvez eu apreciasse mais esse livro se fosse criança, mas com 27 anos na cara… bem, ele não me agradou como eu gostaria. Vamos lá.

Meu plano inicial era fazer uma série de vídeos mostrando meu progresso com a obra. Cheguei a fazer uma caixinha de correio quando o recebi, e até gravei um ou dois vídeos sobre o começo do livro, mas após algumas páginas meu ânimo foi diminuindo até alcançar um sentimento de cansaço e frustração. Por isso acabei decidindo apenas escrever uma resenha, ao invés do vídeo. Questão de desânimo mesmo.

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Explico. O livro é dividido em quatro partes, mas basicamente são duas. Treinamento de Espionagem, Métodos de Documentação e Observação, Procedimentos de Exame de Artefatos (eu diria que essas três partes são na realidade uma) e, finalmente, Manual de Instruções. No começo a primeira parte estava bem interessante, com várias tarefas a serem realizadas, algumas criativas e divertidas, outras apenas trabalhosas e cansativas. À medida que fui realizando as tarefas, acabei desanimando com o livro. Há coisas muito divertidas, como desvendar códigos ou desenhar alguma coisa sem olhar para o papel; há coisas trabalhosas, mas interessantes, como descrever todo o seu dia, cada hora dele; há muito, muito desenho, o que me irritou um pouco (não sei desenhar, blé, e não gosto de tentar). Mas, além disso, há tarefas muito complicadas, que exigem tempo, disposição e locomoção. Mas isso é legal, você pode dizer. Sim, é, mas não em excesso. Tentei levar o livro comigo para vários lugares para onde ia, justamente para tentar completar essas tarefas externas, mas além desses requisitos, o livro precisa de muitos materiais – tesoura, caixa de costura, caneta, cola etc. – e você não vai ficar andando por aí para o trabalho com tudo isso na bolsa/mochila, vai? Por isso que acredito que o livro será melhor aproveitado por crianças. Ou então, se você for adulto, separe alguns dias para ir a um parque e se dedicar à obra.

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Tudo isso é na “primeira parte” – ou nas três primeiras partes. Ok, mas e a última parte? Bem, esse é o “prato principal” do livro. Todas as partes anteriores “preparam” o leitor, ou melhor, explorador, para o Manual de Instruções, que a autora “encontrou em um banco de praça e resolveu passar adiante”. O manual consiste em um livro dentro do livro que, adivinhem, passa tarefas ao leitor, algumas delas iguais às tarefas das partes anteriores. Isso foi bastante decepcionante, sinceramente; se o leitor faria essa tarefa no manual, porque repetí-la nas partes anteriores? Ficou a má impressão de que todas as três primeiras partes foram mera enrolação para produzir um livro maior. Há tarefas interessantes e estimulantes, como jogar uma moeda em um tabuleiro do livro e fazer algo que ele manda, como “Finja ser outra pessoa por um dia – quem você seria?”, mas também há tarefas bobas ou muito complicadas, como enterrar uma mala à prova d’água na terra. Quem consegue fazer isso? Onde encontrar uma mala à prova d’água? Não vou pegar um saco plástico de mercado e enterrar no chão, sinto muito, vai contra meus princípios e qualquer consciência sustentável.

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Como disse, talvez eu aproveitaria melhor esse livro se fosse uma criança ou se meu espírito fosse mais aventureiro (aparentemente, não é). Na verdade, acho que o que mais ocorreu nessa leitura foi aquele velho problema da expectativa: eu acreditava, pelo título, que terminaria uma história incompleta, “escreveria um livro” junto com a autora. Ao meu ver, não foi isso que aconteceu, mas como eu disse lá em cima, tudo depende do referencial: talvez, se eu seguisse todas as tarefas, fielmente, tivesse “criado um livro”. No entanto, esperava escrever uma história, enquanto a ideia do livro é experimentar e viver uma, segundo um roteiro definido. Quem sabe eu volte a mexer nesse livro quando tiver um filho e, então, crie algo com ele?

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No quesito edição, aí sim o livro dá um show e a Intrínseca foi bastante fiel ao original. Gostei bastante que, no final do livro, há modelos para recorte (para os puristas que não gostam de recortar um livro, como eu). Rabiscar tudo bem, mas recortar? Ou seja, os moldes do final foram bem úteis.

Termine Este Livro não é uma obra para ser lida em uma semana, nem mesmo em um mês; é um livro para ser lido por meses, talvez até anos, trabalhando em cada página com paciência e dedicação. Há tarefas muito trabalhosas, há tarefas chatas e cansativas, mas também há material para se divertir. Talvez a melhor coisa seja abrir esse livro sem esperar nada dele e simplesmente ter paciência de fazer tudo o que ele diz. Mas não espere a mesma espontaneidade de Destrua Esse Diário.

Esse livro foi gentilmente cedido para leitura e resenha pela Editora Intrínseca.

Ficha Técnica

Título: Termine Este Livro
Autor: Keri Smith
Editora: Intrínseca
Páginas: 208
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon
Avaliação: 

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  • Douglas Fernandes disse:

    Eu não tenho vontade de “ler” esse livro não, assim como tbm não tive vontade de “ler” o Destrua esse diario, Eu ate peguei na livraria, dei uma folheada e dei ate umas risadas nas coisas que pediam pra fazer com o diario, gosto de historia, me envolve, concordo com vc, que criança adora isso, minha prima comprou pra filha dela de 8 anos esse Destrua esse diario, a menina adorou, fui la na casa dela e fui vendo o que ela tinha feito, acho legal demais.

  • Suelen Mendes disse:

    Primeira resenha que vejo desse!Na época que foi lançado destrua este diário foi uma overdose de videos,tava me perguntando qual o problema com este que não tinha visto nada ainda! kkkk
    Não faz meu tipo tbm,não sou uma pessoa aventureira.
    Bjus

  • Gustavo disse:

    Quando ei lia o nome do livro eu também sempre pensava que era pra realmente terminar o livro (ou seja, completar as partes que faltam, como no próprio título). Me decepcionei um pouco com ele, mesmo nunca tendo tido o interesse em le-lo. Realmente acho que é um livro mais infantil do que outra coisa, e também não gostaria de enterrar uma mala a prova d’água, essa tarefa achei, no minimo, ridícula e desnecessária. Mas se um dia eu tiver um filho(a) com certeza esse livro vai entrar na minha estante =D

  • Nathalia Simião disse:

    Eu não vejo graça nenhuma nos livros desse tipo, acho um desperdício de dinheiro. São coisa tão sem noção que não entram na minha cabeça que as pessoas façam.

  • Patricia Moreira disse:

    Oi!
    Eu sempre fico com um pé atrás com esses livros porque não sou nem um pouco criativa e também porque se for pra gastar dinheiro em livro provavelmente vai ser em algum desejado. Talvez se algum dia ganhar de presente eu ache divertido, mas não no momento.

    Bjs

  • Patrini Viero disse:

    Eu achei a proposta do livro muito interessante, assim como Destrua Este Diário, mas confesso que pra mim ficaria bem difícil realizar as tarefas, por puro medo de realmente acabar com o trabalho gráfico tão lindo do livro. Acho que tarefas muito longas ou trabalhosas são realmente legais no início, para nos envolvermos com o livro, mas em excesso elas realmente incomoda, até porque muitas vezes ficamos frustrados por não conseguir um tempo de realizá-las.

  • Resenha: Termine Este Livro | Livros só mudam pessoas disse:

    […] Karen, no Por Essas Páginas […]

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