Resenha: Terror a Bordo

Ficha técnica:

Nome: Terror a Bordo

Autor: Vários / Editado por Stephen King e Bev Vincent

Tradutora: Regiane Winarski

Páginas: 288

Editora: Suma

Avaliação da Drika:

Avaliação da Karen:

Compre: Amazon

Apertem os cintos para esta antologia de contos turbulentos, com curadoria do mestre do terror e autor best-seller mundial, Stephen King, e do colunista da famosa revista de terror Cemetery Dance, Bev Vincent.

Stephen King odeia voar.
E agora, junto com seu coeditor Bev Vincent, ele está pronto para compartilhar esse medo com você.
Bem-vindos a Terror a bordo, uma antologia sobre tudo que pode dar terrivelmente errado quando se está a 20 mil pés de altura, cortando os céus a 800 km/h, preso em uma caixa de metal com centenas de desconhecidos.
Aqui você vai encontrar todas as maneiras como sua agradável viagem pelos ares pode se transformar em um pesadelo, incluindo algumas formas que você nunca imaginou… mas que vai imaginar da próxima vez em que estiver atravessando a ponte de embarque e entregando sua vida nas mãos de um estranho.
Incluindo histórias inéditas de Joe Hill e Stephen King, além de catorze contos clássicos e um poema de mestres como Richard Matheson, Ray Bradbury, Roald Dahl, Dan Simmons e muitos outros, Terror a bordo é, nas palavras de Stephen King, “perfeito para ler em aviões, principalmente durante aterrizagens turbulentas”.

Aviso: esta é uma resenha dupla! Por isso, as opiniões da Drika são na cor normal, e os comentários da Karen são na cor roxa.

Livros de contos são caixinhas de surpresa. E é raro eu gostar de todos os contos.
Este livro não foi exceção!
Um dos contos senti como se eu estivesse lendo por obrigação.
Mas foi só um! Todo o restante valeu à pena!

Diferente da Drika, para mim, Karen, a leitura se arrastou realmente como uma obrigação. Gostei mesmo de um conto e teve uns três que foram bem bacanas, mas não inesquecíveis. Ler o restante foi um suplício (e o que era aquela poesia no final?).

Acho que passei batido pela poesia… não é conto, nem considerei! :-p

Stephen King e Bev Vincent nos trazem uma lista de autores com alguns nomes super conhecidos, mas que ao começar o livro eu nem imaginava que pudessem estar ali (acho que sou meio diferentona! Quando leio contos de diversos autores no mesmo livro, é muito raro eu folhear pra ver quem são os autores… acho legal ir descobrindo conforme leio. E vocês, como leem contos?) e outros que eu não conhecia, mas que chamaram minha atenção.

Entre os conhecidos temos:

– Arthur Conan Doyle (sim! O criador do amado Sherlock Holmes!), com uma história fantástica (em todos os sentidos) sobre criaturas dignas de um filme de ficção científica.

– Dan Simmons, autor de O Terror, que virou uma série que eu adorei (atualmente na Amazon Prime Video), com um conto sobre um cara que não queria estar em um voo e fica imaginando tudo de horrível que poderia acontecer no caso de uma queda.

– Roald Dahl, autor famoso (talvez não tão famoso por aqui em terra brasilis) de histórias infantis (provavelmente a mais conhecida sendo A Fantástica Fábrica de Chocolate, que a maioria de nós com certeza deve ter visto o filme), com um conto muito legal sobre um lapso de tempo.

– Ray Bradbury, famoso escritor de ficção científica, autor de vários romances e muitos contos, provavelmente mais conhecido por seu primeiro romance, Fahrenheit 451 (sempre atual!), com um conto curtinho, mas extremamente inteligente.

– Joe Hill, filho de King, mas que definitivamente já conquistou seu lugar ao sol, com um conto tão realista, atual e assustador… foi meu favorito! Sim, eu também gostei bastante desse conto, apesar de ter me irritado com uma coisa em específico: americanos, eles sempre se acham os heróis nas histórias, os grandes mocinhos (e, bem, com a pandemia de Covid-19, vimos que eles estão bem longe disso, comprando suprimentos de outros países na esteira dos aeroportos, enviando cloroquina aos montes para o Brasil…). Neste conto, o tema “armas nucleares” é abordado em algum momento e claro que ninguém (nem mesmo o autor, narrando) lembra que os “grandes heróis americanos” soltaram duas bombas atômicas no Japão, dizimando milhares de vidas civis e condenando muitas outras por anos a fio. Mas, né, americanos… percebi, com esse livro, que estou com um profundo ranço dos EUA.

Eu acrescentaria nesta lista o meu conto favorito de todos: “Pesadelo a vinte mil pés”, de Richard Matheson. Vocês já ouviram falar daquela história de um cara que viu um homenzinho estranho na asa do avião, pronto para destruí-la? Não sei vocês, mas toda vez que eu entro em um avião lembro dessa história… mas nunca a tinha lido! E foi muito bom lê-la, o conto é ótimo, foi o que mais valeu para mim na coletânea.

Também gostei do conto “Assassinato nas alturas”, de Peter Tremayne, uma história rápida sobre investigação, mas com um desenvolvimento competente e divertido e um desfecho bem satisfatório. Leria mais do autor.

Agora, o que foi o conto “Pássaros de guerra”, de David J. Schow? Que bomba! Eu só não joguei o livro longe porque estava lendo no Kindle e não quis danificar meu aparelho. Horroroso, com uma escrita arrastada, o meu cérebro vagava em milhares de direções (e, cá entre nós, li numa velocidade aumentada, pulando algumas partes, porque é sofrível). Que fixação gigante é essa que americanos têm por guerras e serem os heróis delas?! E o trecho extremamente machista? Eu até grifei, leiam:

“–  Filha da puta barriguda — disse Mars, ecoando as palavras de um comandante chamado Keith Schuyler.
— Eu gosto de mulheres grandes — disse Tewks. — Tem mais pra apertar.
— Ela se move rápido pra uma grande assim — disse Coggins.
Ele poderia estar falando sobre a esposa nos Estados Unidos ou sobre a aeronave, pensou Jorgensen. Como a se a diferença tivesse importância. Talvez a envergadura da mulher dele fosse maior do que a fuselagem.”

Sério?! E eu fui procurar, o autor está vivo, os organizadores (sim, Stephen King, estou olhando pra você!) e os editores americanos bem que podiam ter falado com o autor “então, amigo, esse trecho é completamente horrível e desnecessário, que tal remover/reescrever?”. Caramba, sabe? Que cansativo ser mulher e/ou ser gorda e ler uma coisa dessas.

E aliás, cadê um conto (UM ÚNICO CONTO) de uma autora mulher neste livro? Sério que os organizadores não conseguiram encontrar NENHUMA MULHER MESMO? Caramba, sabe, o Stephen King chamou até o filho, Joe Hill, mas foi incapaz de pelo menos chamar a própria esposa, Tabitha King? Ou qualquer outra autora de terror? SÉRIO MESMO?

(Sim, esse livro me deixa com sangue nos olhos, argh!)

(Este foi o conto que mais detestei! Acho que por ter me dado essa sensação de “ler por obrigação” eu li, mas sem prestar atenção e sem absorver nadinha dele. Ainda bem! Me poupou a raiva!)

E é claro, somos presenteados com contos dos dois editores desta compilação. Stephen King traz um conto inédito que, na minha humilde opinião, renderia uma ótima série. (Também gostei do conto dele. E tudo que ele faz, ultimamente, é bem cinematográfico, foi divertido de ler, mas, né, pecou e muito na organização.) E Bev Vincent (confesso que eu não conhecia seu trabalho) traz um conto eletrizante cujo título foi inspirado no filme Serpentes a Bordo. (Já eu achei mais ou menos esse, também tem americanos se achando a “última esperança da humanidade”… *insira rolar de olhos*)

Há contos de outros autores que eu não conhecia, mas o legal é que o livro traz as “credenciais” de cada autor antes de cada conto, com seus trabalhos mais conhecidos e premiações.

A ideia toda do tema é fantástica e o livro traz histórias que vão da típica história de detetive, a questões éticas e políticas, até seres fantásticos! Um pouco de tudo para leitores de todos os gostos!

A introdução e o posfácio aproximam o leitor desta compilação e do seu processo de criação.

Confesso que inicialmente avaliei como 4 estrelas, mas considerando a poesia completamente dispensável e um conto detestável, refiz minha avaliação. Pra mim, ainda valeu o passatempo. Mas acho que é o tipo de livro de contos no qual o leitor pode se sentir totalmente à vontade, sem se culpar, se quiser largar algum(ns) conto(s) sem terminar.

E definitivamente, esta não é uma boa obra para ser lida durante um voo!!!! Nisso eu concordo, na verdade, não foi boa para ler nem na minha cama durante a quarentena. Achei um livro bastante dispensável – pelo menos como ficou o resultado final, apesar da ideia criativa -, com uma organização mediana para ruim, preguiçosa às vezes. Stephen King me decepcionou dessa vez. Mas, como sempre, leiam se estiverem a fim e tirem suas próprias conclusões. Como viram por essa resenha dupla, cada leitor pode ter opiniões diferentes sobre uma mesma obra.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...


  • PS Amo Leitura disse:

    Sempre vejo muitos comentários positivos referente ao autor, mas ainda não tive a oportunidade de conhecer, pois foge muito do que estou acostumada a ler, mas ainda assim, achei a proposta bem bacana. De qualquer forma, vi algumas pessoas comentando a mesma coisa que você referente à decepção do final e não ler durante um voo, por exemplo. Deve ser aquele livro que proporciona muitas sensações ao longo da leitura.

  • Larissa Dutra disse:

    Olá, tudo bem? Que bacana essa resenha dupla, é muito interessante ir acompanhando as opiniões das duas. Tenho muita curiosidade de ler esse livro desde que foi lançado, acho que vou gostar.

    Beijos,
    Duas Livreiras

  • Ana Caroline Santos disse:

    Olá, tudo bem? Adorei conferir essa resenha dupla e é interessante acompanhar as opiniões divergentes. Admito que estou tendendo mais para o lado de quem não iria curtir a leitura, porque a passagem machista e gordofóbica foi problemática pra mim. Realmente tem nomes bem conhecidos, então isso é bom. Ótima e completa resenha!
    Beijos

  • Ivi Campos disse:

    Eu adoro o autor e embora tenha lido poucos livros se comparado ao número que ele já publicou, afirmo que amei todos os que li. Quero ler esse aqui também, com certeza.
    Beijos

  • Alice Teixeira disse:

    Oi oi,
    Eu já li uma resenha dessa obra em inglês. E lembro que na época que li, fiquei bem empolgada com o enredo e os personagens que o autor criou. Mesmo nunca tendo lido nada do autor, fiquei super curiosa para saber mais sobre essa obra em si, ao invés das outras que eram super estimadas e me davam um medinho de começar.

  • Renata Cezimbra (Lady Trotsky) disse:

    Oi Drika e Karen, tudo bem?
    Achei interessante a premissa de contos passados em voos até porque essa é uma “gloomy house” interessante demais de ser explorada e ambientar é relativamente fácil. Mas eu vou te falar que esse trecho destacado pela Karen é nojento igual a porra, ¬¬”. Sem contar que “americano se achando o maior herói” é uma coisa de ferrar o motor da caminhonete. Até eu ando com ranço dos EUA e não é de hoje. Pensa em um povo que tem uma porção de gente MUITO bosta.
    Um beijo de fogo e gelo da Lady Trotsky…
    http://wwww.osvampirosportenhos.com.br

PREENCHA OS CAMPOS ABAIXO PARA DEIXAR SEU COMENTÁRIO




Mensagem