Resenha: The Cuckoo’s Calling

the_cuckoos_callingApós perder sua perna em uma mina no Afeganistão, Cormoran Strike passa dificuldades como  detetive particular. Strike tem apenas um cliente, e seus credores estão o cobrando. Ele também acabou de terminar um relacionamento de muitos anos e agora mora em seu escritório.

É então que John Bristow entra por sua porta com uma história incrível: sua irmã, a lendária modelo Lula Landry, conhecida por seus amigos como Cuckoo, teve uma queda fatal alguns meses antes. A polícia alegou ser suicídio, mas John se recusa a acreditar nisso. O caso coloca Strike no mundo de beldades multimilionárias, namorados que são estrelas de rock, e designers desesperados, e o apresenta aos diversos prazeres, estímulos, seduções, e desilusões existentes.

Você pode achar que conhece detetives, mas nunca conheceu um como Strike. Você pode achar que conhece os ricos e famosos, mas nunca os viu sendo investigados dessa forma.*    Fonte

*tradução livre

Sábado à noite, estou numa igreja esperando pacientemente a minha vez de entrar na fila para ter meu livro autografado por Neil Gaiman, quando recebo uma notificação atrás da outra no facebook. A Lany havia postado um link para um artigo dizendo que não conseguia acreditar mas que havia um novo livro da J.K. Rowling e os comentários chegavam a níveis absurdos no meu feed. Como apenas alguns dias atrás havia ressurgido um rumor de que Ms. Rowling escreveria outro livro de Harry Potter, eu achei que essa notícia fosse apenas “mais do mesmo” e não dei muita bola. Somente ao ler o artigo, ver que não se tratava de Harry Potter, que ela havia usado um pseudônimo, e que a notícia havia sido postada pelo The Leaky Cauldron (o fansite que eu mais confio) foi que minha ficha caiu. Havia um novo livro de J.K. Rowling. Nas prateleiras. Tipo agora!! Embora eu estivesse desesperada para correr até a livraria mais próxima naquele momento, me resignei, adquiri o audiobook imediatamente no celular (só pra garantir), e resolvi esperar até o dia seguinte para procurar uma cópia física de The Cuckoo’s Calling. Por sorte a minha livraria ainda tinha duas cópias, e eu as peguei imediatamente (uma para mim, e uma para uma amiga); no final do domingo, com a notícia tendo se espalhado, o livro já estava esgotado tanto em lojas físicas quanto online, e uma segunda edição com tiragem de 300,000 cópias – e o nome de J.K. Rowling na jaqueta – ainda é ansiosamente aguardada. Aqui no Brasil, os direitos foram adquiridos pela Rocco, a mesma editora responsável pela publicação de Harry Potter.

Após o choque de termos um novo livro escrito por J.K. Rowling ter diminuído sensivelmente, me joguei de cabeça na história sem saber muito o que esperar além de ser entretida. A insegurança que senti ao ler Morte Súbita não se fez presente dessa vez, talvez pelo choque em saber que havia um novo livro dela e ter começado a ler no dia seguinte, talvez pelo fato de que com Morte Súbita, ela apagou toda e qualquer suposta dúvida que eu tivesse sobre seu talento em me fazer me importar com seus personagens. Na verdade, eu estava preparada para não gostar de The Cuckoo’s Calling; sou incrivelmente chata com histórias de detetives porque geralmente consigo adivinhar o que vai acontecer, e me forçava para tentar separar a artista de sua arte; acredito que mesmo se eu tivesse lido o livro sem saber sua verdadeira autoria, eu teria adorado da mesma forma.

A história de The Cuckoo’s Calling é simples: Lula Landry, modelo rica e famosa, caiu da sacada de seu apartamento numa noite fria de Janeiro. Sua vizinha jura que a ouviu discutindo com um homem segundos antes de vê-la passar por sua janela rumo à morte, mas a polícia descartou essa possibilidade e tratou o caso como suicídio. John Bristow, o irmão de Lula Landry, não acreditava que ela pudesse ter se matado, e baseando-se em imagens de câmeras perto do prédio que captaram um homem deixando a cena do crime, contratou um detetive particular para investigar o caso. E então nós conhecemos Cormoran Strike, veterano de guerra, peludo, recém-separado de sua noiva, e atolado em dívidas. Strike perdeu uma perna no Afeganistão; eu e meu amigo Murilo estávamos trocando figurinhas enquanto líamos, e do nada ele me manda uma mensagem dizendo: “ué, como assim, mano, ELE NÃO TEM UMA PERNA DESDE O COMEÇO? pera, deixa eu imaginar tudo de novo!” Como eu havia lido a sinopse, eu sabia desse detalhe, mas a reação do Muri me fez pensar em como isso afeta a vida de Strike mas em momento nenhum o define: ele ter somente uma perna faz parte dele, mas não É ele e o fato de você não perceber isso logo de cara na narrativa me deixou intrigada para conhecer Strike, saber quem ele é por trás de sua aparência.

“He had never been able to understand the assumption of intimacy fans felt with those they had never met.”

Temos também Robin, a secretária temporária que sonhava em ser detetive. Robin se mudou para Londres para morar com seu namorado – agora noivo – Matthew. A agência de empregos a enviou por engano para ficar uma semana, mas Strike acreditava ter cancelado seu contrato. Apesar de não ter mais condições financeiras de manter uma secretária, Strike decide ficar com Robin por aqueles cinco dias; ele fica impressionado com sua eficiência, limpeza e discrição, e quando Robin oferece sair da agência e trabalhar pra ele por conta até que arrume outro emprego, Strike aceita sem pestanejar. A amizade forjada entre eles não é instantânea, eles são muito diferentes para isso, e Strike sempre coloca obstáculos, tentando se manter profissional.

“How easy it was to capitalize on a person’s own bent for self-destruction; how simple to nudge them into non-being, then to stand back and shrug and agree that it had been the inevitable result of a chaotic, catastrophic life.”

A investigação é narrada com detalhes, mostrando as dificuldades enfrentadas para conseguir entrevistas com amigos e familiares de Lula, examinando os mínimos detalhes da vida da modelo e do dia anterior ao seu suposto suicídio. Isso me lembrou um pouco os métodos empregados pelo meu detetive favorito, Hercule Poirot, e eu só posso desejar que Cormoran Strike tenha uma carreira tão promissora quanto à do pequeno belga. Pra quem gosta daqueles mistérios sem resolução, nós temos a história da mãe de Strike, cuja morte também foi considerada um suicídio; sabendo quem escreveu o livro, não posso deixar de pensar que essa é uma linha da história que será explorada posteriormente. Mas devo confessar que o que eu mais gostei em The Cuckoo’s Calling foi a sensação de que nós conhecemos os personagens: eles saltam das páginas e se tornam reais, nós sabemos seus problemas, suas aflições e desejos, eles abrem as portas de suas vidas para que a gente entre sem pedir licença. Talvez os fãs ferrenhos de ficção de crime e mistério não achem a trama original (especialmente agora que todos sabem que o livro foi escrito pela Jo, e ainda existe um preconceito com relação a ela, uma vontade inexplicável de que ela falhe ou de que pare de escrever), mas como leitora de vários gêneros, posso dizer que The Cuckoo’s Calling me deixou extremamente feliz com seu desenvolvimento cheio de ironias sutis, e com seu desfecho que apesar de eu ter imaginado por dois segundos, não ter conseguido desenvolver uma teoria satisfatória. Posso dizer com convicção que mal posso esperar pelo segundo volume da série – que sairá em 2014 – para ver aonde Cormoran Strike me levará dessa vez.

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Apesar de amar J.K. Rowling com todo o meu coração, e estar curiosa para saber qual a próxima história na qual ela fará com que eu me perca, eu tiro o meu chapéu e proponho um brinde à Robert Galbraith: que sua carreira seja longa e promissora! E quem quiser saber um pouquinho mais sobre Robert, ele tem uma conta no twitter, e seu site oficial está no ar – no qual Jo responde à várias perguntas, inclusive sobre o motivo que a levou a usar um pseudônimo masculino e porque exatamente “Robert Galbraith.” Assim como The Cuckoo’s Calling, vale a pena conferir!

Ficha Técnica

Título: The Cuckoo’s Calling
Autor: Robert Galbraith
Editora: Little, Brown / Rocco
Onde comprar:Amazon
Páginas: 455
Minha opinião:

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  • Lucy disse:

    Ah, acho que mesmo se não soubesse que era da Jo, eu ia querer ler. É o tipo de história que chama a atenção. Agora, sabendo quem escreveu, então já posso criar um pouco mais de expectativas, porque se ela dá essa sensação de já conhecer os personagens, me ganhou de vez. rsrs
    Sua resenha tinha que passar essa emoção, né dona Ily? rsrs Adorei
    Bjos!

  • Vania disse:

    Sim, eu também acho que iria ter vontade de ler, apesar de ser chata com histórias de detetives. Mas como eu ando passando LONGE de livrarias ultimamente, não tive a chance de ver se me interessaria pela história ou não hehe. Mas adorei a leitura, tanto que li o livro mesmo e já ouvi o audiobook. É bem detalhado, a narrativa é bem gostosa e eu adorei conhecer os personagens principais, sem contar todo o mistério né, que a Jo sempre fez com maestria!

  • Karen disse:

    Uma resenha apaixonadíssima e era exatamente o que eu estava esperando! ;)
    Acho que quando esse livro saísse aqui no Brasil eu teria vontade de ler também, mesmo sem saber que era da Jo, porque é policial e porque o detetive parece ser único: como são e sempre serão os personagens dela. E eu adorei que ela resolveu usar um pseudônimo! Foi muito legal e deve ter sido emocionante ter novamente a sensação de começo de carreira, de ser aceito e tudo mais. Muito dez!

  • Vania disse:

    Awww não tem como eu não me emocionar falando da Jo ou de algum livro da Jo… ela é linda e tudo que ela faz é lindo!! Eu sou chata com histórias de detetives (coffPoirotcoff) mas adorei essa. Queria ter descoberto o livro antes de descobrir a autoria, pra ver se minha reação seria a mesma. Mas é muito bem escrito, me deixou bem intrigada e curiosa em certas partes, adorei mesmo!! Vale a pena!!!

  • Nanda disse:

    Eu nunca consigo acompanhar os lançamentos assim tão rápido, até pq fico esperando a versão em português. Enfim, eu gostei muitooo de Morte súbita, foi uma ótima leitura, mesmo sendo tão realista e tão triste. E, claro, que não vejo a hora de ler outro livro da autora.
    É o tipo de livro que eu leria de qualquer forma, mas desde que ouvi falar que era dela quero para ontem, claro.
    Adorei a resenha, ainda não tinha lido uma sobre ele.
    Agora pelo menos já vou começar visualizando o protagonista sem uma perna rs.
    bjs

  • Top Ten Tuesday Especial: Dez melhores livros lidos em 2013 « Por Essas Páginas disse:

    […] 5. The Cuckoo’s Calling, Robert Galbraith – Ah quando descobrimos que Galbraith era na verdade J.K. Rowling, que dia lindo foi aquele!  Eu não consegui largar esse livro enquanto não terminei, e quando finalmente cheguei ao final, comprei o audiobook e fui escutar logo em seguida! Resenha aqui. […]

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