Resenha: Todas as coisas belas

Você é livre para ser quem quiser — mesmo que isso tenha um preço.

Aos 18 anos, Nanette O’Hare é a típica boa garota. No fundo, porém, ela nunca se sentiu realmente parte do grupo, sufocando em um permanente desconforto com diversas atitudes das amigas e com os padrões sociais. Mas tudo muda quando, no último ano do colégio, ela ganha um livro de seu professor preferido, o clássico cult O Ceifador de Chicletes, e fica fascinada com a mensagem de que ela pode ser de fato quem é. Nanette se torna amiga do recluso autor e se apaixona por Alex, um jovem poeta que também é fã do livro. Encantada com esse novo mundo que se abre, ela se permite, pela primeira vez, tomar as próprias decisões. No entanto, aos poucos Nanette percebe que a liberdade pode ser um desejo arriscado e começa a se perguntar se a rebeldia não cobra um preço alto demais.

Todas as coisas belas é um livro do Matthew Quick – sim, do mesmo autor de “O lado bom da vida”. Eu gostei bastante desse livro e confesso que fiquei curiosa em ler algo dele com personagens mais novos. Eu odeio comparações entre autores (porque eu acredito que cada um é único), mas não tem como não dizer que esse livro tem um “feeling” bem John Green. Claro que ele tem características bem próprias do Matthew, mas se você está na dúvida do que esperar do livro, eu acho que essa é a melhor definição.

Bom, quanto ao enredo, ele é bem o que está escrito na sinopse. Nanette O’Hare tem 18 anos e tudo muda quando ela ganha do seu professor preferido o livro “O Ceifador de chicletes” (e por isso temos essa capa toda linda com cores vibrantes). Ele não é um livro famoso, existem poucas cópias em circulação e Nanette fica simplesmente apaixonada por ele. Ela começa a procurar mais sobre o autor principalmente porque gostaria de saber o que acontece depois do final: o protagonista está boiando na água… Certo, mas o que ele faz depois disso? Um livro não pode simplesmente acabar assim, certo? Ela acaba conhecendo o autor, que não dá nenhuma das respostas que Nanette queria, porém ele a apresenta a Alex. É então que ela começa a se questionar não só sobre o livro mas também sobre o mundo a sua volta.

Todas as coisas belas é um livro muito importante por causa da mensagem que ele passa, nesse caso principalmente para os adolescentes. Todo mundo se lembra em como nessa faixa etária normalmente nós queremos seguir um padrão para ser aceito na sociedade. Se você não aceita, você é chamado de estranho, é ridicularizado, isso quando não acontecem coisas piores. E é assim que Nanette se sente: ela não pertence ao grupo da escola. É como se ela fosse um personagem quando estava com eles. O que “O ceifador de chicletes” e Alex mostram para ela é que ela pode ser uma pessoa diferente, ou seja, ela mesma. Ela não precisa fingir ser uma outra pessoa só porque o seu grupinho mais próximo é assim. É claro que isso traz inúmeras consequências, que são desenvolvidas durante todo o enredo.

Todo mundo que um dia tentou sabe como é difícil ser “diferente”. Mas será que não vale a pena tentar ser você mesmo? Essa é uma das questões levantadas nesse livro e que é muito importante não só para os adolescentes, mas para todas as fases da vida. Apesar de ser um livro pequeno (tem menos de 300 páginas), não é uma leitura fácil exatamente por causa do tema central ser bem denso. Você tem que ler, parar e refletir. O enredo não é um com mil reviravoltas mas isso em nenhum momento diminui a beleza da escrita. Existe um capítulo bem no final que se chama “Relógio populacional”. Esse capítulo é tão brilhante, e com uma mensagem tão universal, que eu gostaria que de alguma forma ele chegasse a todos os adolescentes. Eu vou dar um exemplo aqui bem pessoal e que ele se enquadra bem. Quando eu entrei na faculdade, eu não queria participar do trote. Eu concordo com algumas brincadeiras, porque eu acho que isso te faz conhecer melhor a universidade, mas outras são muito degradantes. Eu não participei de todas e a primeira coisa que eu escutei dos veteranos foi “Você não vai ter amigos se não participar do trote”. Pfft, que palhaçada! Mas está vendo como que às vezes as pessoas tentam nos fazer se encaixar em um padrão? Ninguém deveria ser obrigado a fazer o que não quer. NINGUÉM!

Enfim, Todas as coisas belas é um livro que deve ser lido e discutido. A mensagem que ele passa é muito importante – afinal, todo mundo deveria ser livre para ser quem ele(a) quiser.

Este livro foi gentilmente cedido pela editora Intrínseca para resenha.

Ficha técnica:

Nome: Todas as coisas belas
Autor: Matthew Quick
Tradutora: Alice Mello
Páginas: 272
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Amazon
Minha avaliação: 

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  • Karini disse:

    Tudo bem? Esse é um livro que pretendo ler. Apesar de não ser grande fã do autor, sua escrita é sempre recheada de reflexões e situações que eu curto.
    Gosto dessa pegada de reflexões nos livros e acho muito válido o diálogo em cima dos assuntos abordados.

    Bjs.

    http://www.alempaginas.com

  • Cabine de Leitura disse:

    Nunca mais ouvi falar de nem um livro do autor e olha que amei O lado bom da vida. Mas saber que a trama parece feito na forma de A culpa é das estrelas me desanima bastante. Por outro lado eu gostei da questão levantada no livro, então acredito que só lendo para saber se é bom ou ruim, mas espero mesmo que não seja mais um ACDE, que eu gostei, mas já passou né?!

  • Aline M. Oliveira disse:

    Oi Lany! Adorei a pegada adolescente do livro, gosto muito de ler histórias assim. Acho um pouco nostálgico, de certa maneira, nos faz relembrar por quanto a gente passou, e as vezes pelos mesmo problemas. Gostei do livro ser reflexivo, porém sem lições demais, sem ensinamentos que deixam o livro chato. gostei dos personagens, e conhecendo a escrita do Matthew por O lado bom da vida, acho que irei gostar bastante deste livro. A capa é mesmo linda! Obrigada pela resenha!

    Bjoxx

  • Manoel Alves disse:

    Olá
    Eu li só uma obra do outro e amei de mais, e vendo essa sua resenha eu fiquei uso resolver pro não saber desse livro rsrs, me senti super desligado kk. Então sem dúvidas que pretendo ler essa obra pois gostei muito de sua forma de escrever. Adorei a capa e a sua resenha tmbm.
    Bjs

  • Evandro disse:

    A proposta do livro é bem interessante, e essa busca da personagem pelas respostas do livro que recebeu na verdade pode refletir mesmo suas próprias buscas e descobertas. Nossa, eu também fiz tudo para fugir do trote, acho a brincadeira válida, mas alguns exageram fazendo os novos alunos passarem por tanta humilhação. Confesso que um dos meus principais medos era a água fedida das peixarias que por aqui nunca faltava e comer ovo cru que tb era certo. Coisa horrível ecaaaaaa

  • Camila - blog Leitora Compulsiva disse:

    Oi, Lu.
    Confesso que eu até estava com curiosidade de ler esse livro, mas depois da sua comparação desse livro com a “vibe John Green” eu fiquei um pouco preocupada, porque detestei todos os livros do Green que eu li! Entendo que é uma comparação inocente, mas, por tudo o que você comentou sobre o livro, não é o que eu estou procurando no momento!
    Acho que vou desistir de ler, porque não estou muito na fase de livros para adolescentes. Ultimamente estou dando mais atenção para thrillers, suspenses ou para os românticos!
    Beijos
    Camis – blog Leitora Compulsiva

  • Rafaella Viegas disse:

    Oiii tudo bem??

    Estou louca para ler esse livro, e saber que a leitura é complicada pelo tema me deixou mais interessada.
    Quando li a sinopse não imaginei que fosse tão forte assim, e agora preciso ler esse livro.
    Adorei a resenha.
    Bjus Rafa

  • Carolina da Silva de Souza disse:

    Eu já estava interessada nesse livro, mas nem tinha me dado conta de quem era o autor! haha E pela sua resenha é notável por que ele tem uma vibe meio John Green, não é exatamente o que acontece com a Hazel em A Culpa é das Estrelas e o autor do livro favorito dela? Ao menos no caso dela rendeu uma viagem pra Amsterdã, né! haha Mas adorei a dica, fiquei com mais vontade de ler <3

    http://anneandcia.blogspot.com/

  • Dayhara disse:

    Eu vi essa capa circulando por ai e nao fazia ideia de que era uma obra do mesmo autor de O lado bom da vida, que bacana, eu achei a capa diferente de tudo que ele já produziu. A história me parece ser bastante sensível, realmente passar por esse periodo é bastante complexo e é bacana que autores tratem disso.

  • Barbara Mazzo Cabalero disse:

    Oi.
    Adorei o tema abordado pelo livro.
    Eu, particularmente, principalmente na fase da adolescência, não sabia quem era direito. Eu achava que tinha que fazer e/ou falar o que as pessoas esperavam de mim para ser aceita. Por isso realmente acho super importante esse assunto ser discutido, ainda mais em um livro que pode ser lido pelo público mais jovem.
    Adorei a resenha e anotei a dica.
    Beijos

  • Camila de Moraes disse:

    Olá!
    Não conhecia esse livro, mas achei interessante o autor abordar temas importantes para os jovens, trazer a tona sobre aceitação, saber se impor e respeitar o próximo.
    Gostei da proposta e fiquei curiosa para conhecer a trama.
    Beijos!

  • Maria Luíza Lelis disse:

    Oi, tudo bem?
    Eu já tinha visto a capa desse livro, mas ainda não sabia do que se tratava. Lendo sobre o enrendo, entendi perfeitamente o motivo de você ter sentido um feeling do John Green no livro. Achei o protagonista a própria Hazel de A Culpa é das Estrelas (leu um livro que não é muito famoso, precisa de respostas porque o livro não pode terminar daquele jeito, conhece o autor e ele não dá a menor atenção…).
    Apesar disso, deu para perceber que o enredo tem um rumo diferente e fiquei curiosa para ler devido às questões que ele levanta e à mensagem que passa.
    Adorei sua resenha e vou anotar a dica para ler futuramente.
    Beijos!

  • Bruna Eduarda disse:

    Olá! Tudo bom?

    Ainda não tinha ouvido falar do livro, mas o titulo me deixou bem curiosa sobre. De fato ele parece passar uma mensagem bem importante, esse negocio de seguir um padrão para ser aceito é quase tipico nessa idade, o que não deveria ser. Queria muito ter a oportunidade de ler ao menos esse capitulo Relógio populacional que você citou, me deixou intrigada! Enfim, adorei a resenha, de verdade ♥

    Beijos

  • Bruna Costabeber disse:

    Olá, tudo bem?
    Ainda não li nenhum livro desse autor, mas sei como todas as histórias dele são interessantes e como os leitores gostam de discutir. Eu ainda não conhecia esse livro, mas fiquei intrigada com a história, pois ela realmente parece ser boa. Gostei muito de você ter dado um exemplo pessoal na sua resenha. vou super anotar a dica desse livro e não tenho dúvidas que vou amar essa leitura.
    Beijos,
    http://www.umoceanodehistorias.com/

  • Laneh Martins disse:

    Olá, tudo bem?

    Li “o lado bom da vida” e confesso que não gostei muito, por isso não li mais nada do autor. Confesso que nem sabia da existência desse livro. E lendo sua resenha, por mais que a história seja densa, eu curti. Gosto quando os livros nos fazem refletir sobre alguma coisa. Anotei a dica e espero que possa ler em breve.

    Beijos

  • Driely Meira Almeida disse:

    Oiee ^^
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas Matthew normalmente me lembra John Green mesmo…haha’ talvez porque eu tenha lido o primeiro livro de ambos e amado, mas quando li outros livros deles, não curti muito. Mas a premissa deste livro me lembrou um tiquinho de ACEDE mesmo *-*
    Talvez eu o leia um dia, mas a premissa não me chamou muito a atenção, sabe? Parece ser bem reflexiva e tudo o mais, mas acho que não é o que quero no momento :/
    MilkMilks ♥

  • Driely Meira Almeida disse:

    Oiee ^^
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas Matthew normalmente me lembra John Green mesmo…haha’ talvez porque eu tenha lido o primeiro livro de ambos e amado, mas quando li outros livros deles, não curti muito. Mas a premissa deste livro me lembrou um tiquinho de ACEDE mesmo *-*
    Talvez eu o leia um dia, mas a premissa não me chamou muito a atenção, sabe? Parece ser bem reflexiva e tudo o mais, mas acho que não é o que quero no momento :/
    MilkMilks ♥

  • Marijleite disse:

    Olá, tenho vontade de ler todas as obras do autor e esse já vai pros desejados depois da sua resenha, achei muito bacana a mensagem que a obra passa, uma mensagem necessária.

    petalasdeliberdade.blogspot.com

  • Bianca Silva Coelho disse:

    Olá ♥
    Eu achei a capa desse livro um amor. Já tinha a visto, mas não sabia bem sobre o que se tratava. Eu acho legal essa premissa central e ter isso de meio que ” Ser aceito pela sociedade” é algo que eu gosto de ler em livros. Eu já li o Lado bom da vida e amo a escrita do autor então sei que será uma ótima pedida.
    Parabéns pela resenha, beijos!

  • Thayenne disse:

    Olá,

    Eu gosto muito dos livros do Matthew, ele trabalha temáticas muito importantes e trabalha-as de maneira excelente. Fiquei louca por esse lançamento, confesso que a capa foi o que primeiro me atraiu, e com essa premissa tenho certeza que irei adorar, tenho boas expectativas para essa leitura.

    Beijos,
    oculoselivrosblog.blogspot.com.br/

  • Pollyanna Assis Campos disse:

    Olá, tudo bom?
    Essa premissa realmente tem um ‘q’ de A culpa é das estrelas, do John Green! rs Adorei a premissa e fiquei bem curiosa para ler, principalmente por este capítulo com mensagem tão importante. As vezes o livro realmente não precisa de grandes reviravoltas para ser único, a sua mensagem por si basta né? Sugestão mais que anotada!
    Beijos!

  • Caos da Leitura disse:

    Oi, tudo bem?
    Já li quase todos os livros do Matthew, gosto muito da escrita dele e o quão tocante consegue ser na mensagem da sua história. Esse ainda não tive o prazer de ler, sempre que vejo na livraria e posso comprar, compro logo. Esse ainda não sabia e já anotei a dica aqui para procurar. Adorei, beijos!

  • Tamires Marins disse:

    Não li nenhum livro do autor, mas já li do João Verde, infelizmente. E olha, essa história do livro, do autor, dela querenso saber mais sobre o final é a Hazel todinha em A Culpa é das Estrelas, sua comparação foi certeira. Eu não gosto do João Verde e acho os livros dele bem medíocres, e infelizmente só de ter essa semelhança eu não sinto vontade de ler Todas as Coisas Belas.

    Beijos
    – Tami
    https://www.meuepilogo.com

  • Mairton Salvatore disse:

    As últimas publicações da editora sempre conseguem me chamar atenção, e com este livro não é diferente. O tema proposto realmente é bem denso e reflexivo, o que torna a leitura não muito rápida, mas muito envolvente. Não conhecia o autor, mas já vi que preciso desta leitura.

  • Mary disse:

    Oii.
    Não conhecia esse livro, mas já adorei a premissa. Gosto bastante de livroa que vão além do óbvio e trazem algum ensinamento, ou faz a gente refletir.
    Adorei a resenha.
    Bjs Mary

  • Paula Marcondes disse:

    Olha, gostei da sua resenha, mas o livro me traz algo meio familiar demais. Acho que ser inovador nesse meio literário é um pouco difícil e acaba-se por encontrar muitas referências de outras obras. Mas ainda assim gostei e se tiver oportunidade, lerei.

  • Mayara Milesi disse:

    Olaaaa
    Tenho visto bastante desse livro pelo nosso meio ultimamente, mas tenho que te confessar que apesar da sua resenha, ele não me chamou muito a atenção; Tive uma experiencia bem ruim com o autor e isso me deixou bem ressabiada com as suas obras

    beijos

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