Resenha: Trocas Macabras

Ficha técnica:

Título: Trocas Macabras

Autor: Stephen King

Tradutor: Regiane Winarski

Páginas: 656

Editora: Suma

 

Compre agora. Pague depois.
Há uma nova loja na cidade. ARTIGOS INDISPENSÁVEIS, diz a placa. Um nome curioso, que se torna tema de rumores e especulações entre os moradores de Castle Rock.
Para cada cliente que entra na loja, Leland Gaunt tem algo perfeito — um objeto há muito sonhado, desesperadamente desejado. O preço parece sempre razoável, mas vem acompanhado de pedidos estranhos.
O que começa como brincadeiras e pegadinhas inocentes aos poucos sai do controle, transformando a cidade em palco de disputas caóticas e brutais. Mas, quando você encontra um artigo indispensável, como saber se o custo para obtê-lo é alto demais? (Fonte)

Acho que este é um dos casos em que quem escreveu a sinopse fez um trabalho nota 10!

Então, já que a sinopse já conta a ideia geral do livro, vamos falar um pouquinho da construção dele.

Trocas Macabras foi originalmente escrito em 1992 e como já é conhecido de outras obras de King, ele fez várias referências à cultura pop tanto da época quanto de tempos passados. São músicas, filmes, livros, personalidades, quase como “easter eggs” ao longo do livro. Isso sem falar nas menções às histórias já passadas nessa cidadezinha já bem conhecida dos leitores de King, Castle Rock, Maine: A Zona Morta, Cujo, alguns contos e outras obras. Castle Rock se tornou até o mesmo o título da série da Hulu.

O que mais gosto nos livros de Stephen King são suas personagens tão bem construídas que o leitor pode quase ver suas “almas”. São quase pessoas reais, com traumas e vivências que as tornaram as pessoas que são. Podemos ver seus conflitos, dores e alegrias. E isso não só com as personagens principais. Até mesmo personagens secundárias, mesmo que de forma resumida, têm sua profundidade.

Em Trocas Macabras as pessoas encontram o que mais desejam na loja do Sr. Gaunt e acham que estão pagando quase nada por aquilo que tanto anseiam. Mas, o preço inclui pregar uma peça inocente em alguém que você mal conhece. E aí é que a coisa começa a esquentar. Leland Gaunt cria uma “teia” que enreda toda a cidade e transforma tudo em uma loucura a partir de mal entendidos. Mas enquanto assiste a tudo de camarote, ele tem segundas intenções!

Muitas pessoas que leem King reclamam que ele não sabe escrever finais. Concordo que muitas vezes eles são bem bizarros e posso dizer que esse é mais ou menos o caso de Trocas Macabras. Mas como disse, o que me encanta são as personagens e a empatia ou repulsa que causam a nós, leitores.
Não sou escritora, nem mesmo de fanfics ou textos para guardar para mim. Acho que não tenho a criatividade necessária. Por isso mesmo, não me vejo em posição de dizer qual poderia ser um final melhor nos finais controversos de King. Como leitora, eu os vejo como os finais de King. Foram uma escolha dele, são do jeito dele. É assim que enxergo a literatura.  Talvez se fossem melhores e com a habilidade de construir personagens que ele tem, ele já teria até mesmo chegado a um Pulitzer. Quem sabe?

Um outro ponto controverso que eu gostaria de mencionar aqui, rapidinho, como minha opinião cpessoal e não pra criar discussão, threads, trending topic, muito menos bate-boca (por favor!!!) é a questão do preço do livro. Confesso pra vocês que fiquei muito feliz por ter tido acesso a ele por meio da nossa parceria com a Companhia das Letras, porque eu não sei se teria coragem de comprá-lo. R$109,90, no momento, fazem a diferença no meu orçamento.
A Companhia das Letras teve uma ideia muito legal ao criar a Biblioteca Stephen King e nos trazer de volta livros muito lidos e desejados de King que estavam fora de catálogo. E trouxeram edições mais “luxuosas”, de capa dura, que deixam a estante linda. MAS… tem um porém aí, do meu ponto de vista. E se eu quiser só ler o livro? E se eu não fizer questão de colecioná-lo, se eu não me importar tanto assim com a qualidade do papel? Muitos dos livros que li na vida foram na versão pocket, em inglês. Papel jornal, capa que fica marcada depois da primeira lida, que depois foram parar nas mãos de algum amigo ou colega, ou em um sebo. Fosse pelo livro ainda não ter chegado no Brasil ou porque encontrei por acaso. Mas eu tive a oportunidade de ler.

Hoje, pelo menos, temos a opção do ebook. Mas mesmo não tendo custos de papel e tinta, ele tem os custos de direitos, tradução, revisão… então um livro de mais de 600 páginas acaba custando um pouco mais (neste caso, R$54,90). E, sim, as editoras precisam de lucro, como qualquer outro negócio, para se manterem. Acho compreensível e justificado.

Mas talvez valesse a pena fazer uma pesquisa de mercado, ou uma tiragem menor dos livros de luxo e começar a trabalhar com impressões mais em conta, ou vamos todos ter que voltar às bibliotecas! Que hoje são paraísos um pouco esquecidos!

Mas essa é uma discussão que vai longe, e eu só senti necessidade de usar esse espaço para expor a minha opinião! Pronto! Obrigada!

Voltando ao Trocas Macabras… super indico para fãs e não fãs. Para os que não curtem o gênero de terror, não temam, é leve! A cadeia inesperada de eventos que ocorre na história me fizeram ficar grudada no livro enquanto eu lia as 200 páginas finais.

Pra mim, foi uma das melhores leituras de 2020!

 

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela Suma, selo da editora Companhia das Letras.

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  • Bianca Ribeiro disse:

    Oi Drika!!

    Eu como boa fã do King já tenho meu exemplar mas tô me segurando pra ler porque tô fazendo parte de um projeto de leitura do King, então estou aguentando fime e lendo Com Sangue que ainda não tinha tido a chance de ler.
    Adorei saber que você gostou da leitura, King é sempre uma boa pedida pra mim e eu tô ansiosa demais pra surtar com esse livro! Adorei o post!

  • Gisele disse:

    Olá tudo bem ?
    É fato que acho o King um GRANDE autor, com uma mente brilhante e obras incriveís, mas ao mesmo tempo, não consigo fluir na leitura.
    Fico feliz em saber que foi uma boa leitura para você, inclusive uma das melhores do ano, é tão bom leituras assim né ?!
    Beijos

  • Ana Caroline Santos disse:

    Olá, tudo bem? Essa questão do preço dos livros e das edições de luxo realmente é algo complexo. Assim como você, o preço de capa dele é algo bem longe da minha realidade, por isso nem penso tão cedo em comprar, infelizmente. Gostei do que disse sobre o exemplar, e apesar de nunca ter lido nada do King, sempre tive curiosidade. Adorei a resenha e o debate sobre preficicação.
    Beijos

  • Tay Meneses disse:

    Por mais que eu já tenha tentado, não consigo me conectar à escrita de King. Não curto o modo como ele narra as coisas, pelo menos nenhum livro dele me prendeu até hoje, pra mim ele é aquele autor que muitos adoram e que pra mim não faz diferença. Mesmo assim curti conhecer o enredo dessa obra dele,a premissa parece interessante, mas o preço do exemplar realmente desencoraja a qualquer um, ainda mais eu que não sou um grande fã de suas obras.

  • Ivi Campos disse:

    Essa edição está linda re peguei o livro físico em uma livraria para admirar e fiquei passada porque nesta livraria, o livro estava custando 100 reais… Gente!!!! HAHAHAHAHAHA Adoro King e este entrou na minha lista, mas preciso urgentemente de uma promoção.

  • Carolina Trigo disse:

    Oi, Drika!
    Eu tenho uma relação muito estranha com o Stephen King, rsrs. Adoro a mente maluca dele, mas é bem difícil eu gostar dos seus livros. Acho que já li uns quatro e só gostei de um realmente. Vi muita gente comentando sobre essa história, mas sinceramente, eu não tenho muito interesse, já que li um conto do King com a mesma premissa e não gostei. Além das 600 páginas…
    Sobre o preço, sou da opinião de que as editoras deveriam ter dois tipos de edições, para ser o mais acessível possível.
    Bjss

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