Resenha: Último Turno

Terminei de ler esse livro há quase duas semanas, mas demorei para vir aqui resenhá-lo. Por quê? Porque fazer isso é definitivamente se despedir de mais uma série maravilhosa. E não é qualquer série. É uma série brilhante do Stephen King.

E não havia melhor maneira de finalizar a trilogia do detetive Bill Hodges que com Último Turno, esse livro perfeito que você não vai esquecer.

Essa resenha pode conter spoilers dos dois livros anteriores. Leia a resenha de Mr. Mercedes e de Achados e Perdidos.

ultimoturno“Brady Hartsfield, o diabólico Assassino do Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital. O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a mulher que desferiu o golpe em Brady. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade.

Em Último turno, Stephen King leva a trilogia a uma conclusão sublime e aterrorizante, combinando a narrativa policial de Mr. Mercedes e Achados e perdidos com o suspense sobrenatural que é sua marca registrada.” Fonte

Quem poderia dizer que Stephen King era capaz de escrever uma série policial tão brilhante? Bem, parece que o nosso mestre do terror pode escrever mesmo qualquer coisa – e que bom para nós, leitores! Em sua série policial, King brilhou e trouxe um detetive que certamente pode figurar entre os melhores da literatura. Bill Hodges, o detetive aposentado que começa sua jornada deprimido e à beira do suicídio e é salvo por sua própria obsessão em capturar o Assassino da Mercedes, torna-se um personagem querido, que vai muito além do “detetive”. Para nós, ele é apenas Bill (ou Kermit, ou Hodges – mas de um jeito carinhoso), e junto com ele temos personagens memoráveis, como Holly Jerome, e até mesmo o horrível Brady. E é em Último Turno que sabemos tudo o que acontece com eles.

Estava mesmo estranho King ter escrito dois livros sem absolutamente nenhum evento sobrenatural. Mr. Mercedes Achados e Perdidos são livros policiais sem qualquer alusão ao sobrenatural que, sabemos, Sr. King tanto ama (e sabe escrever como ninguém). Mas nem por isso os dois livros anteriores são menos incríveis, King faz mágica com o real, mas é em Último Turno que seu estilo consagrado se une à sua incursão no gênero policial. E o melhor: o sobrenatural faz muito sentido aqui nesse último livro.

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Alguns anos após os acontecimentos de Achados e Perdidos, encontramos um Hodges abatido, indo ao médico. Infelizmente as coisas não estão muito boas para ele, mas em contrapartida elas parecem melhores para outro personagem que conhecemos, Brady Hartsfield, que está em estado catatônico no hospital graças às pancadas que Holly deu em sua cabeça há alguns anos. Mas como isso pode ser bom? Bem, em Achados e Perdidos ouvimos estranhos boatos das enfermeiras sobre coisas fora do lugar e torneiras que se abriam sozinhas no quarto do paciente Hartsfield e aqui descobrimos que elas não estavam mentindo. Mas a verdade é um pouco mais aterrorizante.

Não dá para falar mais sem spoilers, mas o que posso adiantar é que King traz uma trama que mistura suspense, policial e sobrenatural com uma maestria de dar inveja. É impossível largar o livro, mesmo sabendo que algo horrível certamente vai acontecer – e talvez não só algo, mas muitas coisas. Para completar, o livro aborda um tema sensível, que muitos temem tocar, mas a maneira como King fala sobre o suicídio é, ao mesmo tempo, corajosa, assombrosa e sensível. De um lado temos Brady, um príncipe do suicídio, um personagem terrível que desperta os sentimentos mais tenebrosos nas pessoas; do outro, temos Holly, uma personagem que aprendemos a amar, com suas manias e problemas que sempre a acompanham, responsável por alguns dos momentos mais bonitos da história. E ainda temos sua amizade com Bill, o que torna tudo ainda mais emocionante e certamente vai te causar um ou dois embargos na garganta ao ler.

É gostoso ler um livro onde tudo se amarra, onde os personagens e as situações são absurdamente coerentes. E King faz isso, dando a sensação de que temos aqui não uma trilogia, mas uma história única, que se conecta por fios invisíveis, mas muito firmes. Ele consegue fazer isso com suas séries (Oy, A Torre Negra?) e até mesmo com suas outras obras. Quem é fã sabe: todas as obras do King se interligam de alguma maneira e virou um passatempo encontrar essas ligações.

“Ele ainda não acabou com você.” Página 103

A edição da Suma de Letras está impecável e nós, leitores, só podemos agradecer pela editora nos trazer com tanto cuidado mais uma obra de King por aqui no Brasil. É uma pena terminar essa série, a gente fica com saudade, mas tudo que é bom termina um dia, e uma das melhores coisas nesse autor é que ele sabe o momento de terminar uma obra. Seus pontos finais são definitivos, mas deixam reticências na cabeça do leitor. Boas histórias sempre ressoam, e essa trilogia é uma delas.

Livro gentilmente cedido para resenha pela Suma de Letras, selo do Grupo Companhia das Letras.

Ficha Técnica

Título: Último Turno
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 384
Onde comprar: Livraria Cultura / Amazon / Saraiva / Livraria da Folha / Livraria da Travessa / Submarino / Shoptime
Avaliação: 

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