Resenha: Uma História de Amor e TOC

Quando recebi esse livro da Galera Record, pensei em passá-lo pra outra das meninas aqui do blog ler, afinal, de longe eu não sou a pessoa mais romântica do Por Essas Páginas. Mas alguma coisa nele me atraiu… Só sei que olhei para ele, ele olhou para mim, rolou uma química e, pronto, lá estava eu lendo. Um romance. Sobre TOC.

“Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de… garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor… e TOC.” Fonte

Mas esse livro vai muito além de um simples romance. Muito além. Eu sabia que tinha que ter algo diferente nele para eu me interessar. Sabia que ele só podia ser mais do que um mero romance… Ele é bastante original. E um pouquinho perturbador também (e isso muito me interessa!).

A primeira coisa a ser dita aqui é que a capa e a sinopse fofinhas não fazem jus à profundidade desse livro. Sim, ele é um romance adolescente. Sim, ele tem todas as coisas que um típico YA tem – o que é muito legal. Sim, ele é fofo em alguns momentos. Mas ele também tem esse algo a mais. Esse algo que o define, que o marca como um livro especial, esse quê profundo, melancólico e um pouquinho tenso.

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Bea foi diagnosticada com TOC, e só de ouvir a palavra, ela já fica tão apavorada quanto quando dirige a 50 km/h morrendo de medo de atropelar uma criancinha pelo caminho (ou um cachorro). Ela acha que só tem, na verdade, uma cautela maior que a maioria das pessoas – e que elas deviam zelar mais pela segurança dos outros! E, além disso, não é nada demais o fato de que ela gostaria que as pessoas guardassem muito bem suas facas e objetos cortantes. Ela só está sendo precavida, certo? E ela só está se divertindo quando anota a conversa daquele casal antes da sua terapia…

“Mas para mim (…) se apaixonar é o oposto. É a coisa mais forte que já fiz.” Página 274

No começo, realmente parece que tudo é só um monte de manias inofensivas de Bea. No fundo, são, mas elas não deixam de ser um pouquinho assustadoras. Entre uma seção de terapia e outra, ela conhece Beck, que lava demais as próprias mãos e frequenta a academia um pouquinho a mais do que as outras pessoas fazem. Em meio a tantas compulsões, os dois acabam se envolvendo e descobrem que têm muito mais em comum do que elas.

O romance entre os dois é bonitinho, não vou negar. Meio bizarro às vezes, mas fofo. Porém – para minha alegria – o romance não foi o protagonista da história. O protagonista, na verdade, é o TOC, e como ele afeta as pessoas que sofrem e convivem com ele. Bea tem essa melhor amiga, Lisha (que não tem TOC, mas tem problemas e defeitos, como qualquer pessoa), e o relacionamento das duas é simplesmente uma das coisas mais incríveis do livro; há uma cena com elas no final em que é quase impossível não chorar.

“Meu maior medo, maior do que de carros ou facas ou de ficar louca, é que a nossa amizade mude. Mas, claro, quanto mais temo isso, mais se torna realidade.” Página 205

O que diminui um pouco o ritmo, na maior parte do tempo, são as compulsões de Bea e as muitas repetições. Tudo bem que é um livro sobre TOC, e TOC é repetitivo, mas ainda assim cansa um pouquinho. É brilhante ver como a autora abordou isso de maneira consistente, fazendo a narradora – no caso, Bea, a narração é em primeira pessoa, bastante intimista – descrever cada pormenor de suas compulsões, repetições e sentimentos contraditórios. Mas, ao mesmo tempo que isso tudo é incrível (e triste), é também ligeiramente cansativo para a leitura, mas nada que atrapalhe realmente.

Diferente de muitos romances que já li, aqui os personagens são complexos e muitíssimo bem desenvolvidos e, mais do que isso, amadurecem ao longo do livro. E, principalmente, a trama não gira em torno da história de amor entre Bea e Beck, mas sim em torno do transtorno deles e de como os dois, por causa de vários fatores mas também por seu relacionamento, trabalham para superá-lo. É emocionante e tocante.

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A edição da Galera Record está muito meiga. Simples, direta, mas fofinha. O livro é um pouquinho mais estreito que o padrão, e isso dá uma diferença realmente interessante na leitura, que se torna mais dinâmica, até mais leve (ou o exemplar ficou mais leve?).

Se você curte um romance adolescente que não foca exatamente no romance, mas sim nos complexos e problemas dos personagens, esse livro é para você, assim como foi para mim!

Esse livro foi gentilmente cedido como cortesia para leitura e resenha pela Galera Record.

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Ficha Técnica

Título: Uma História de Amor e TOC
Autor: Corey Ann Haydu
Editora: Galera Record
Páginas: 320
Onde comprar: SaraivaLivraria Cultura / Livraria Cultura (e-book)Amazon
Avaliação: 

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