Resenha: Uma Mulher no Escuro

Ficha técnica:

Título: A Mulher no Escuro

Autor: Raphael Montes

Páginas: 256

Editora: Companhia das Letras

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Sinopse:Um crime brutal cometido há vinte anos, uma única sobrevivente, o retorno calculado do assassino. Em quem Victoria deve confiar? Neste thriller psicológico, Raphael Montes une romance e suspense em uma narrativa intrincada e sedutora.

Victoria Bravo tinha quatro anos quando um homem invadiu sua casa e matou sua família a facadas, pichando seus rostos com tinta preta. Única sobrevivente, ela agora é uma jovem solitária e tímida, com pesadelos frequentes e sérias dificuldades para se relacionar. Seu refúgio é ficar em casa e observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora, na Lapa, Rio de Janeiro.

Mas o passado bate à sua porta, e ela não sabe mais em quem pode confiar. Obrigada a enfrentar sua própria tragédia, Victoria embarca em uma jornada de amadurecimento e descoberta que a levará a zonas obscuras, mas também revelará as possibilidades do amor. Um psiquiatra, um amigo feito pela internet e um possível namorado — qual dos três homens está usando tudo o que sabe para aterrorizar a vida de Vic? E o que afinal ele quer com ela?

Na literatura nacional, Raphael Montes é unanimidade quando se trata de livros de suspense. Uma mulher no escuro traz sua primeira protagonista feminina e confirma o autor como um dos mais originais da atualidade — além de deixar o leitor intrigado do começo ao fim.”

Raphael Montes já se tornou um ícone do terror e do suspense no mercado nacional – e inclusive já tem algumas de suas obras publicadas internacionalmente. Como sou aficcionada pelo gênero, após ler A Mulher no Escuro, já posso dizer que li todas as obras dele já publicadas. Alguns de seus livros, como Suicidas e O Jantar Secreto, são simplesmente excepcionais, enquanto outras são boas leituras, como Dias Perfeitos e, agora, A Mulher no Escuro. Dessa vez, o autor traz sua primeira protagonista feminina em uma história sufocante, com muito suspense, reviravoltas e um toque de investigação.

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Quando Victoria Bravo tinha apenas quatro anos de idade, sua casa foi invadida e toda sua família foi assassinada brutalmente a facadas e tiveram os rostos pichados de preto com tinta spray. Ela foi a única sobrevivente e nunca entendeu porque foi poupada. O acontecimento, obviamente, impactou toda a sua vida, e agora, uma mulher adulta, Victoria tem dificuldade com relacionamentos e profundas feridas psicológicas. Vinte anos depois, porém, o assassino parece estar de volta e quer brincar com ela.

Existem três personagens que rodeiam a protagonista: Arroz, um amigo de Victoria, um cara tímido e desengonçado, que faz tudo por ela; Dr. Max, o inteligente e misterioso psiquiatra com o qual ela se consulta há alguns anos; e finalmente Georges, um escritor que ela conhece no café onde trabalha e pelo qual Victoria se sente atraída pela primeira vez na vida. Durante todo o livro, você vai desconfiar deles, e essa ideia já é plantada inclusive na sinopse; um deles está mentindo, mas qual? E é essa a pergunta de Victoria durante todo o livro, alimentada por dificuldade em confiar nas pessoas e seu medo.

A narrativa do autor é muito bem construída e desenvolvida; o tempo inteiro, o leitor se sente acuado, sufocado, como se tivesse a necessidade – assim como Victoria – de olhar para trás todo o tempo e checar se alguém está nos perseguindo. Essa atmosfera é muito bem feita e a trama, inteligente, envolve. Porém, o que não me conquistou foi justamente a protagonista; ela não me pareceu natural, orgânica, real… É a primeira vez que Raphael Montes escreveu uma mulher e ele teve alguma dificuldade para captar a essência de Victoria: isso me pareceu claro em uma cena mais íntima dela, que não fez jus à importância e ao sentimento envolvidos na cena.

A discrepância entre a habilidade do autor entre falar de um homem e uma mulher de maneira tão profunda fica clara quando lemos o diário do assassino – que aliás é uma das partes mais interessantes e envolventes do livro. Nesses relatos, o autor brilha, mostrando um personagem cheio de camadas e muito real. E então, quando a narrativa retorna para Victoria, nesses momentos foi mais difícil se apegar a ela; eu sentia compaixão por ela e pela situação terrível que ela estava enfrentando, mas não conseguia me colocar em seu lugar, não conseguia me aproximar dela. E isso compromete, em parte, a leitura.

Mesmo assim, o suspense é intrigante a ponto de envolver o leitor por completo e conduzir a leitura. Em dado momento, é impossível largar o livro; a vontade é devorar até o final para decifrar a charada. A investigação é sensacional e você fica juntando pedaços para tentar descobrir quem afinal é o assassino – e posso te dizer, vai ser difícil! A cada resposta que o autor entrega, ele também traz uma nova reviravolta, sempre um passo à frente. E isso é delicioso em um suspense.

Uma Mulher no Escuro é um bom livro, que diverte, envolve e entretém, mas não espere uma obra tão sensacional quanto O Jantar Secreto, por exemplo. Mas isso não é um demérito, porém, e eu espero que o autor insista em mais protagonistas femininas e tramas ousadas como essa. A edição é competente e confortável, com um texto fluido e muito bem preparado, proporcionando uma ótima experiência de leitura. Com mais um livro, Raphael Montes se consolida ainda mais no mercado enquanto nós, leitores, só ganhamos mais ótimos livros para nos aterrorizar.

Este livro foi gentilmente cedido para resenha pela editora Companhia das Letras

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  • Luna disse:

    Tenho ouvido falar tão bem de “A mulher no escuro” que estou cada vez mais curiosa para ler o livro, ainda mais por ser tão apaixonada por thrillers psicológicos, que é um dos meus gêneros preferidos (apesar de mexer bastante com a minha mente). Nunca li nada do autor e é possível que mude meus planos e acabe começando por este livro.rs Antes eu tinha a ideia de começar por Dias Perfeitos. Já o Jantar Secreto é um que não sei se lerei, pois só o título me causa arrepios.

    Antes mesmo de ler “A mulher no escuro” já fico imaginando quem é o culpado, quem está brincando com a mente da protagonista. Seria horrível se fosse o próprio psiquiatra.

    Entendo o que você disse sobre não ter conseguido se conectar tanto à protagonista. Isso às vezes acontece comigo e bate uma frustração. Mesmo assim, estou com muitas expectativas em relação a esse livro, à trama em si, quero muito saber quem é o assassino e quais foram seus motivos, bem como por que ele a deixou viva e por que decidiu retornar agora. Preciso ler logo!

    Bjs!

  • Ivi Campos disse:

    Li dois livros do autor, um eu odiei mas como todo mundo elogiava a escrita dele, tentei um segundo que foi menos negativo par amim, mas que também não foi tudo o que estavam falando. Isso me fez concluir que eu não sou o público alvo do autor e não tentarei outra coisa… rs A sua resenha está empolgante mas sei que outra vez, não funcionará pra mim.
    beijos

  • CRIS disse:

    Oi!
    Coloquei esse livro na minha lista de Natal, quero muito ler. E lendo a sua resenha, fiquei mais curiosa ainda quanto a trama bem elaborada e o suspense envolvente. Obrigado pela dica, estou aqui coçando minha mão, mais vou esperar até o fim do ano se não ganhar quero compra-lo, parabéns pela resenha. Bjs!

  • Carol Nery disse:

    Eu já li todos os livros do Raphael. Então, minha ordem de preferência fica assim: Suicidas, Jantar Secreto e Uma Mulher no Escuro. O que menos gostei foi Dias Perfeitos. E o de contos é fantástico também!!
    Até gostei e me envolvi bem com essa história, fui pega com as calças na mão em outros momentos e também senti essa certa semelhança com o livro do Gus no início.
    Mas, tudo foi muito bem desenrolado e chegamos no fim do livro quase que sem respirar. hahahaha
    Beijos

  • Marijleite disse:

    Olá, amei sua resenha. Estou bem curiosa para ler esse livro e descobrir quem é o culpado, bom saber que o clima de suspense é mantido do início ao fim, pena que a personagem feminina não lhe agradou tanto.

  • Thayza Fonseca disse:

    Olá!

    Eu amo essa capa, mas não sou muito fã do gênero literário do livro. De qualquer forma sua resenha me deixou bem curiosa e com vontade de conferir essa obra, ajuda só ler opiniões positivas sobre o autor, pena que esse livro não igualou a qualidade do primeiro, mas estando dentro da média já chama bastante atenção. Obrigada pela dica, vou considerar seriamente a leitura.

    Beijos

  • Pollyanna Campos disse:

    Olá, tudo bom?
    Eu nunca tinha lido nada do Raphael antes desse livro, então achei tudo sensacional rs Eu fiquei presa do início ao fim da trama e realmente a história me passou esse sentimento de angústia. As partes do diário do assassino foram fantástica e eu ficava ansiando para saber onde aquilo daria! rs
    No entanto, entendo suas ressalvas e acho que foram super pertinentes. Anotei a dica para conferir Jantar secreto também.
    Beijos!

  • Saga Literaria disse:

    Olá, tudo bem?

    Agora pouco eu li uma resenha sobre “Uma mulher no escuro” e já estou decidido a ler esse livro, parece ser bem legal, mesmo com algumas ressalvas. Gostei da sua resenha, parabéns!
    Abraço!

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