Resenha: Vango – Entre o Céu e a Terra

Olá saltitantes gafanhotos! Com muitas cambalhotas e perseguições constantes Vango, chama a atenção pela capa linda e pela sinopse recheada de muita ação e aventura #sessãodatarde. São tantas acrobacias e piruetas que o livro até te deixa com vontade de sair pulando por aí. Ou será que não?

VANGO__ENTRE_O_CEU_E_A_TERRA_1423509028435339SK1423509028BSalvar a pele e, ao mesmo tempo, descobrir a própria identidade. Este é o grande desafio de Vango, o jovem herói do novo romance do escritor francês ‘Timothée de Fombelle’. Ao ler esse thriller histórico, ambientado no conturbado período entre as duas grandes guerras mundiais, somos impelidos a fugir com Vango pelos cinco continentes, num clima de absoluto perigo e suspense. Este rapaz órfão de 19 anos desconhece sua origem assim como desconhece a motivação do franco atirador que, além da polícia, está em seu encalço. Deparamo-nos com Vango na solenidade em que ele e outros seminaristas seriam ordenados padres na suntuosa catedral de Notre-Dame, em Paris. O assassinato do padre Jean, seu protetor, desencadeia a perseguição ao rapaz, que empreende uma fuga espetacular ao escalar nada menos do que os famosos vitrais da catedral. Essa cena é apenas um exemplo do clima de perseguição e aventura de que é feita toda a narrativa, quando acompanharemos nosso protagonista em situações e lugares improváveis – como um intruso escondido num caça da SS, galopando nas Terras Altas da Escócia, dependurado num vulcão italiano ou sobrevoando o Brasil e vários outros lugares num zepelim. O fracasso em não ter sido ordenado padre deixa nosso herói arrasado, mas a jovem Ethel fica bem feliz. É ela quem vai ajudar Vango a provar sua inocência e descobrir sua identidade. Também fazem parte da saga outros personagens marcados por vidas cheias de segredos, como Mademoiselle, a Senhora Poliglota e sem memória com quem Vango é salvo do naufrágio na costa da Sicília aos três anos de idade e Hugo Eckner, personagem verídico, comandante alemão do Graf Zepelin, esse grande dirigível que fascinou o mundo nas primeiras décadas do século XX. Outras personalidades incorporadas à história são Joseph Stalin, sua filha Svetlana e Adolf Hitler.

Vango tem uma premissa interessante e um cenário que tem tudo para dar certo – um garoto que não conhece seus pais nem seu passado, perseguido por forças desconhecidas, aparentemente parte de um plano maior. Aliados interessantes, romance, perseguições mil (até a bordo de um zepellin), passando por França, Itália, Alemanha e uma breve (bem breve) passada no Brasil. Mas não deu certo.

O livro contém uma série de problemas, primeiramente e creio que um dos mais irritantes foi o uso da fonte cor de vinho. Entendo que pode ser bonito de se olhar e realmente destaca o livro, principalmente nas aberturas dos capítulos, mas conforme vamos nos aprofundando se torna cansativa a leitura e até enjoa as vezes. Teria sido melhor apreciado se a cor vinho se limitasse as aberturas dos capítulos e aos extras como os mapas, fotos e fatos históricos adicionados ao final do livro.

Bonita mas fatal.

Bonita mas fatal.

Não sei se já compartilhei com vocês anteriormente porém quando um livro que estou lendo revela-se ruim começo a ler no modo que chamo de “fast-forward” que é basicamente ler muito rápido e tentando perceber o que realmente importa no livro e o que é enchição de linguiça. Pois bem, essa foi a única forma de ler Vango e não enjoar.

O segundo erro grave de Vango é falta de revisão. Faltou um bom revisor para podar as inúmeras cenas inúteis do livro e quem sabe até eliminar essa síndrome de continuação por parte do autor/editora. Se a continuação (existe uma continuação, que surpresa não!) seguir a mesma linha, tenho certeza que dado um bom revisor, ambos os livros podem ser sintetizados em um só.

Pouquíssimos personagens de Vango são memoráveis e mesmo os que permanecem fica a grande dúvida, qual é a função deste personagem na história? E a dúvida mais cruel – quem é o vilão desta história? Hitler? Stalin? Qual é a função de Ethel/Gata além de estar apaixonada por Vango e procurá-lo em todos os cantos da Europa? Qual a função de Viktor e do padre Zéfiro além de um querer matar o outro? Entendo que algumas dessas questões podem ter sido deixadas no ar justamente pelo suspense, mas depois de tanta enrolação e verborragia desnecessárias é praticamente uma traição.

Menção honrosa e talvez único personagem que se redime na história, Hugo Eckener é um piloto de zepellin que abriga Vango e o auxilia em sua fuga além de guardar vários segredos que cerceiam o garoto. Mas não é isso oque o torna interessante. Eckener sobreviveu a primeira guerra e está passando pelo pleno auge da Alemanha nazista e é claro torna-se ferrenho opositor do regime, ajudando todos aqueles que desejam fugir do país através de seu zepellin e difamando o governo em todas as oportunidades.

Para um livro que se propõe a atingir adolescentes (literatura juvenil), Vango é muito complexo. As cenas do livro se arrastam demais, e isso se torna ainda pior quando estamos lendo cenas de personagens que não conquistam o leitor. O livro começa com o presente de Vango para depois explicar seu passado e em seguida retomar o presente e não faz isso de forma clara para o leitor – e isso não acontece somente uma vez.

Em resumo, se você topar com Vango fale pra ele continuar pulando em outras casas porque na sua estante ele não vai parar.

Esse livro foi gentilmente cedido para resenha pela Editora Melhoramentos.

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Ficha Técnica

Título: Vango  – Entre o Céu e a Terra
Autor: Timothée de Fombelee
Editora: Melhoramentos
Páginas: 360
Onde comprar: Ponto Frio/ FNAC
Avaliação: 
 

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